Mostrar mensagens com a etiqueta Prever Futuro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prever Futuro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 02, 2013

Economia, Poder Político e Poder Financeiro



Muita gente pensa que a Economia é o resultado das leis económicas e que o conhecimento destas permite prever a sua evolução, tal como em Física se pode prever a evolução de um sistema conhecendo as leis da natureza. Nada mais errado.
A Economia, como tudo o resto (Ciência, Justiça, Media, etc), está ao serviço dos dois poderes que existem: o Político e o Financeiro. Todos dependem do dinheiro que o poder político ou financeiro lhes atribui. Mesmo a Igreja, apesar de ter fontes próprias de receitas, tem de pactuar com esses dois poderes. Um exemplo de como a Ciência está subordinada a esses poderes é o caso do aquecimento global (ver esta notícia “fresquinha”).
É por isso que a Economia (não é só o Gaspar...) falha quase sempre as suas previsões – estas não dependem das leis económicas, dependem apenas dos interesses e força dos dois poderes. São eles que determinam a evolução da sociedade humana. Conhecendo-os, adquirimos uma capacidade preciosa: a capacidade de fazer futurologia. E, com ela, a capacidade de modificarmos o Futuro provável.
Vamos então ver como se organizam os Dois Poderes e como isso determina fatalmente a sociedade humana e a sua evolução.

1- Os Dois Poderes

Penso que o ser humano se move a longo prazo, primariamente, para 3 fins: poder, dinheiro e reconhecimento/estatuto; afinal, as características do Rei/Rainha... Destes 3 “atratores” da actividade humana, são os dois primeiros que a condicionam através dos tempos, na forma de poder Político e poder Financeiro.
Naturalmente, a Economia serve esses poderes. A Economia não serve “uma sociedade melhor”; os economistas estão ao serviço de quem lhes paga e as escolas de economia formam pessoas cuja habilidade consiste essencialmente em enriquecer os ricos, pois esses serão os seus empregadores.
(isto não envolve nenhum juízo de valor sobre as pessoas em si; os economistas são pessoas como quaisquer outras e as pessoas agem em função do seu interesse, mesmo que disso não tenham consciência)

O primeiro objetivo de qualquer poder é a sua perpetuação. Idealmente, ambos os poderes tendem para uma sociedade de senhores e servos; porém, a circulação atual de informação e a capacidade de mobilização das pessoas tornam isso impossível para o Poder Político, que é obrigado a estar ao serviço de parte ou de toda a sociedade, consoante a sua organização, para se poder perpetuar. O Poder Financeiro, ao contrário, continua a existir no obscurantismo.

2 - O Poder Político e a Economia.

Ao Poder interessa manter os povos atrasados e pobres. Antes de haver capacidade de comunicação maciça entre as pessoas, isso era fácil de conseguir. A falta de informação e da capacidade de comunicação é essencial para que uma minoria mantenha o seu estatuto.
Com o aumento da capacidade de comunicação das pessoas, com a difusão de informação política, o Poder teve primeiro de alargar a sua “corte” de apoio para melhor enquadrar o povo, fazer surgir uma pequena “classe média” e, por fim, assumir a forma de democracia. A difusão de informação política obrigou o Poder Político a ter de desistir de uma sociedade de senhores e servos e a ter de aceitar uma sociedade em que parte suficiente dela já não é serva. No entanto, como veremos, a ausência de informação financeira (a informação financeira que existe é tão manipulada e obscura como a informação política na Coreia do Norte) permite que o Poder Financeiro venha ele a conseguir a sociedade de senhores e servos. Mas vejamos agora o lado político.

Numa democracia o Poder Político depende da maioria. Isto implica uma nova organização da Economia, que tem agora de servir os interesses da maioria.
Em vez de um quadro senhores/povo, surge uma “classe média” vasta na qual o Poder se suporta. A Economia é dirigida para manter essa classe média satisfeita. Em consequência, a sociedade (o “povo”) organiza-se com 1/3 de servos e 2/3 de classe média. Esta é a solução que maximiza a qualidade de vida da classe média com o mínimo de recursos – a solução que permite que os senhores fiquem com o máximo de recursos ao mesmo tempo que garante a estabilidade política. Note-se que são os eleitores que formatam assim a sociedade, pois elegem os partidos que propõem esta solução (por exemplo, quando o PS se propõe promover a igualdade de oportunidades, ou seja, acabar com os “servos”, a classe média portuguesa começa logo a contestar os “custos”). Numa ditadura, a classe média tem uma dimensão muito pequena, definida pelo Poder; numa democracia tem a dimensão de 2/3 da população, definida pela população.

Esta solução é sobretudo eficiente nos países de clima ameno, onde os “servos”, os “descartáveis”, podem sobreviver quase sem custos para os restantes. É por isso que a escravatura nunca foi possível nos países mais a norte, os escravos ou morreriam de frio e fome ou sairiam demasiado caros.
A guerra norte/sul dos EUA não teve um objetivo “humanitário”, destinou-se primariamente a destruir a vantagem competitiva do Sul que podia usar escravos enquanto o norte não podia. As guerras são sempre ditadas pelos interesses e justificadas pelos princípios morais. Não quer isto dizer que quem promoveu essa guerra não tivesse imperativos morais, mas ela só foi possível porque havia interesses de poder (políticos ou financeiros) nela.

A transição ditadura – democracia não aconteceu em todo o lado; na Rússia substituiu-se a ditadura dos senhores pela do povo (em teoria). A queda do regime comunista da URSS mostrou a impossibilidade de um sistema não legitimado por votos se manter se não estiver apoiado pela satisfação popular, ou seja, pela continuada subida da qualidade de vida do povo. A URSS não crescia economicamente, não estava em guerra nem endeusava os líderes, o Poder Político tinha necessariamente de cair.

A China percebeu bem isto e desenvolveu uma teoria económica com um novo objetivo: a subida sustentada do nível de vida de todo o povo. Este é o único objetivo económico que serve o Poder Político na era da comunicação quando este poder não é eleito.
Compreendamos: num sistema democrático, basta promover a satisfação de 2/3 da população; com jeitinho, esse número até pode descer, temporariamente, até ½. Mas num sistema de poder não legitimado pelo voto isso não chega, agora que as pessoas dispõem de uma grande capacidade de comunicação e mobilização. Por isso o regime chinês fez esta opção radical: enriquecer toda a gente.
Nesse sentido a China desenvolveu uma política nova. Separou as pessoas entre camponeses e urbanos para melhor gerir o crescimento de cada grupo, criando economias separadas para cada grupo, cada uma com a sua moeda. Depois, sabendo que o desenvolvimento é fruto do “know-how”, pôs em acção um plano de obtenção de know-how que hoje é seguido em todo o mundo não-ocidental. O saber académico é fácil de obter, está nos livros e na net. O problema é o know-how específico das empresas. Para o conseguir, a China desenhou um processo de atracção de empresas estrangeiras, condicionado à transferência de know-how e à partilha dos lucros.

Assim, uma empresa estrangeira para se instalar na China precisa de um sócio nacional (nas grandes atividades, os sócios são empresas feitas pelo estado com o dinheiro impresso pelo banco da China). Isto garante que essa actividade tem interesse para China, que há transferência de know-how e que pelo menos metade dos lucros fica na China (cá, as grandes empresas transferem a totalidade dos lucros para fora). As grandes atividades, como o fabrico de automóveis, estão sujeitas a um plano a longo prazo que visa que no fim dele a China tenha todo o know-how necessário. A Volkswagen está na China a prazo, até 2030. Mas este é um negócio muito bem construído pelos alemães, que ficarão fornecedores dos componentes de alto valor acrescentado do carro chinês e com garantia de não concorrência no mercado europeu pelo menos até essa data (se pensavam que íamos ter carros chineses baratos, desenganem-se).
 Esta teoria chinesa parece ser hoje seguida em todo mundo à excepção da Europa.

Por outro lado, também as democracias de países pequenos tiveram de tomar outro rumo para sobreviverem. Assim, na Dinamarca, Suécia e Noruega existe uma forte coesão social sem descartados (de qualquer forma, eles não poderiam sobreviver nesses climas...). Esta foi a solução destes países para resistirem à Alemanha, França e Inglaterra. A Holanda, Bélgica e Luxemburgo tornaram-se uma espécie de protectorados da Alemanha e da França.

Portanto, consoante a organização política, temos 4 casos diferentes de sociedades:
Numa democracia típica, existe 1/3 de “descartados”; o nível de vida da classe média pode ser estático porque basta a existência dos descartados para gerar um sentimento suficiente de satisfação. É o caso dos EUA.
Numa ditadura moderna, ao contrário, o nível de vida de toda a população tem de subir continuamente, pois só isso legitima o poder. A participação das pessoas no Poder é assegurada através do poder local, democraticamente eleito e com peso na decisão política central. É o caso da China. Mas note-se que neste sistema há um senão: o Poder Político está sempre apoiado na existência de um perigo global, um inimigo, porque nessas circunstâncias as pessoas estão menos dispostas a contestar a liderança. O Passos Coelho firma-se no Poder baseado na necessidade de “salvar o País” (numa Democracia, os eleitos têm de ser responsabilizados pelo programa que apresentaram às eleições; desta forma, este governo escapa a esse escrutínio). Num sistema como o Chinês, quando houver um crescimento mais débil, podemos esperar que o Poder Político crie um conflito, como uma guerra com o Japão (coisa que não desagradaria ao Japão, que também precisa de um inimigo para compensar a falta de crescimento).
As pequenas democracias, por seu lado, ou perdem a independência ou assentam numa forte coesão social. É o caso dos países nórdicos e, penso, de alguns “pequenos” (à escala asiática) países asiáticos
Subsistem ainda umas ditaduras clássicas, assentes no controlo e manipulação profunda da informação política. É o caso da Coreia do Norte.
Parece que esgotei os sistemas políticos relevantes, mas não, falta um: a Europa!

Na Europa acontece uma coisa extraordinária: o seu sistema político é tal que o país mais forte manda na Europa toda! Então, é a classe média alemã que manda na Europa. Isto não acontece por acaso nem por burrice, é de propósitoas elites europeias não iam deixar os destinos da Europa nas mãos da maioria, não é? Então, criaram um sistema em que o Poder Político europeu depende apenas da classe média alemã. Naturalmente que esta escolherá o partido que se propuser transformar em “descartados” o resto dos Europeus.
Compreendamos: a classe média alemã pensa dos povos do Sul o mesmo que a classe média portuguesa pensa dos nossos descartados – esses preguiçosos e ignorantes que só entendem a linguagem do chicote; e vai eleger (já elegeu) o partido que tiver como programa a escravização destes calões do Sul. Aliás, isto é histórico, sempre que puderam os alemães promoveram a escravatura, tanto dentro como fora da Alemanha... os ucranianos que o digam... A classe média alemã pensa que esta é a solução que maximiza o seu interesse e, por isso, desenvolve a teoria moral que a suporta – a teoria de que estes povos não merecem mais do que a escravatura. Isto é normal, estou farto de ouvir a classe média portuguesa dizer isto dos operários, os alemães não são piores do que nós. Nós, humanos, somos muito menos inteligentes do que presumimos.
Portanto, face à estrutura política da Europa, é fácil perceber o sentido da sua evolução: as classes médias alemã e francesa (que pode atrapalhar os interesses alemães) vão continuar como estão; os restantes povos passarão à categoria de “descartados” e serão a fonte de mão-de-obra barata que tornará a indústria “europeia” (alemã) imbatível no mercado global (assim pensam eles, esquecendo que os outros países do mundo não são parvos e nem todos os líderes são compráveis).

Sobre a Guerra
Um pequeno apontamento sobre este importantíssimo processo do Poder: a Guerra.
A Guerra tem várias utilidades; no passado, tinha o importantíssimo papel de evitar a sobrepopulação. Hoje já não tem esse papel na generalidade dos países mas continua a ser fundamental para o Poder. Quando há Guerra, não há contestação ao Poder enquanto as pessoas se sentirem em perigo; quando acaba a guerra, é necessário recuperar da destruição por ela causada, o que inicia um período de crescimento onde o Poder se suporta. Portanto, ao Poder convém um ciclo crescimento-guerra-crescimento-guerra... tem-se feito os possíveis para inventar outras maneiras de manter o crescimento alto (a globalização, as novas tecnologias, etc), de inventar perigos diferentes (aquecimento global) mas parece que ainda não passamos sem recorrer periodicamente à guerra.

Bem, mas se acham isto negro, esperem até perceber a estrutura do poder Financeiro. Este vai afectar todo o mundo ocidental. No próximo texto.


quarta-feira, junho 12, 2013

O Conflito FMI - UE


Como já se percebeu, há um “mal-estar” crescente entre o FMI e a União Europeia; o FMI está a dizer que assim não dá mas a UE insiste em que não há outro caminho.

Ambos estão certos; os objectivos de cada um é que são diferentes.

O objectivo do FMI é ganhar dinheiro; ora, para isso é preciso manter o devedor com a corda na garganta mas sem nunca o esganar. Esganar o devedor é matar a galinha dos ovos de oiro.

O FMI está a ficar em pânico porque está a ver que os devedores estão a ser esganados; e assim não só o FMI vai deixar de ganhar dinheiro com eles como ainda se arrisca a perder o dinheiro emprestado.

Isto é óbvio, não é verdade? Qualquer tonto percebe isto.

Então porque é que a UE acha que “estamos no bom caminho”?

Lembram-se de qual é o grande argumento, que repetem incessantemente, para a construção da UE? É o de que a UE existe para evitar a guerra na Europa! Até ganhou um prémio Nobel da Paz, não foi?

Mas pensemos: que guerra na Europa? Quem faz guerra na Europa? Nós? A Espanha? A Itália? A Hungria? A Polónia? A República Checa? A Eslováquia? Chipre? Dinamarca? Suécia? Quem????

A resposta é clara: o único país que faz guerra na Europa é a Alemanha. Fazer guerra não passa pela cabeça de mais ninguém na Europa.

Ou seja, a UE é uma construção cujo objectivo é evitar que a Alemanha tente conquistar os outros países europeus pela força das armas.

Não há nenhuma outra interpretação possível. Quando se diz que a Europa está em paz há quase um século está-se apenas a dizer que a Alemanha não fez nenhuma guerra nas últimas décadas.

Bem, e como é que a UE evita que a Alemanha faça guerra pelas armas? Simplesmente permitindo-lhe que conquiste a Europa sem gastar balas. Que é o que a Alemanha está a fazer.

O objectivo da UE (leia-se Alemanha) é a conquista dos outros países europeus; isso implica a destruição dos seus Estados, porque só pode haver um Estado, o Estado Alemão.

É por isso que a UE acha que estamos no bom caminho e o FMI está em pânico; e pela mesma razão: estamos no caminho da destruição.

Haverá aqueles que pensam que isso não é problema nenhum, porque depois ficaremos todos alemães, a usufruir do desenvolvimento alemão. Os Ucranianos também pensaram isso quando os alemães os “libertaram” dos russos na 2ª guerra mundial; para a seguir serem escravizados pelos alemães como nunca tinham sido pelos russos.

Os alemães querem escravos para trabalharem para eles. Sempre quiseram. Não querem misturas nem igualdades, eles são a raça superior. É assim que pensam há séculos, já consta dos almanaques do século XVIII.

Estou a publicar uma série de posts a dizer como se pode tirar o país da crise económica; mas isso é uma ingenuidade, não há qualquer intenção de tirar o país da crise, a intenção é a oposta, é metê-lo num buraco do qual não haja saída possível. O pós-troika são as condições de rendição à Alemanha.

Estes governantes estão tão convencidos de que já não temos saída que o Gaspar se permite gozar explicando a queda brutal do investimento com o clima e o Governo se permite mandar o TC às urtigas, agora não pagando o subsídio de férias, a seguir despedindo os FP (o Estado é para acabar). A TV pública grega acabou? Claro, TV pública europeia é a Alemã, a Europa não precisa de mais nenhuma, não é? A nossa também vai acabar.


E nós, vamos fazer o quê? 

sexta-feira, março 15, 2013

Economia, Egoísmo, Altruísmo e Darwin (1/2)



(onde se apresenta o verdadeiro retrato do que nos espera; e se mostra que, afinal, o Passos Coelho sabe mais do que dizem)

Este desvio da conversa com o Hans do campo da economia para o da evolução das espécies, apresentado nos textos anteriores, e que vai continuar, parece despropositado; mas não é, e pareceu-me importante explicar porquê.

Contrariamente ao que constantemente se afirma, a macroeconomia é perfeitamente previsível, não tem nada de misterioso, de esotérico; não são precisas complexas teorias para a entender. Tudo o que acontece em macroeconomia serve directamente os interesses de quem tem o poder de a comandar, pelo que basta entender que interesses são esses.

Esta “crise” não tem a ver com “produtos tóxicos”, com despesismos de Estado e outras barbaridades que para aí se dizem. Isso só acelerou a chegada a esta situação, que é o resultado necessário, fatal, previsível e previsto de uma sociedade organizada na base do Egoísmo.

Nós agimos sempre em função do nosso interesse, estamos programados para isso; porém, podemos considerar o nosso interesse imediato, de curto prazo, ou o interesse de médio ou longo prazo. Acontece que o nosso interesse a médio ou longo prazo implica agirmos no interesse dos outros a curto prazo. A análise desta questão é antiga, é estudada sob muitas formas; uma bem conhecida é o “dilema do prisioneiro”. Mas podemos perceber que assim seja, porque ao agirmos em favor da sociedade, ao sermos úteis a ela, passamos a ter valor para ela. Assim, agir em favor do nosso interesse a médio ou longo prazo é agir em favor dos outros a curto prazo; a isto chama-se “altruísmo”. Agir em favor do nosso interesse a curto prazo é “egoísmo”.

O “altruísmo” é a solução “subtil” para conseguirmos o melhor para nós, enquanto o “egoísmo” é a solução “simplória”, logo errada. É como o jogador de xadrez que só analisa uma jogada ou o que perspectiva duas ou três... qual é que ganha o jogo?

O egoísmo é vantajoso no curto prazo, mas leva ao desastre no longo prazo. O altruísmo é vantajoso a prazo mas tem uma fragilidade: é preciso que todos sejam altruístas. Ora a vantagem de curto prazo que se obtém pelo Egoísmo é um aliciante poderoso e isso torna muito difícil conseguir uma sociedade em que todas as pessoas ajam de modo altruísta, que é o modo que melhor beneficia a sociedade e cada um.

A nossa sociedade ocidental está estabelecida na lógica do Egoísmo. Querem ver como é fácil perceber como evolui uma democracia sob a lógica do Egoísmo?

Gerir uma democracia é satisfazer a maioria dos votantes; os votantes são cerca de 2/3 das pessoas. Então, se se “descartar” 1/3 da população, maximiza-se o benefício da restante população e isto assegura o poder democrático porque sendo 1/3 da população metade dos votantes, ela é o máximo que se pode “descartar” sem pôr em risco a vitória eleitoral, assegurada pela satisfação dos restantes 2/3 conseguida à custa do 1/3 descartado.

“Descartar” significa reduzir os rendimentos e direitos ao mínimo, em benefício dos outros. Certamente que já ouviram falar nesta coisa de 1/3 serem descartáveis; aqui está a razão: enriquece-se uns em detrimento de outros porque é quem serve este objectivo que ganha eleições.

A estabilidade da classe média resulta do bem-estar que esta sente por se sentir acima do 1/3 de descartáveis, da qualidade de vida que obtém dessa mão-de-obra quase escrava, da qualidade de vida que o desenvolvimento tecnológico proporciona e da ilusão de que qualquer um dentro da classe pode tornar-se rico. É uma ilusão grosseira, é muito mais provável ganhar o euromilhões do que entrar para o clube dos ricos. Ou seja, a classe média fica estável mesmo sem aumentar o seu rendimento, deixando para os ricos o acréscimo de riqueza resultante do crescimento do PIB.

Portanto, numa democracia “egoísta” que parte do zero, todos iguais, há uma primeira fase em que há equilíbrio e essa é uma fase de crescimento; mas como os mais ricos, mesmo que por pouco, têm mais poder e mais capacidade de enriquecer, o crescimento da desigualdade é acelerado, gerando-se então o tal 1/3 de descartáveis, que é onde a classe média vai buscar o seu enriquecimento. O crescimento do PIB é quase integralmente absorvido pelos ricos que, por o serem, têm mais capacidade de enriquecimento.

Ou seja, a sociedade estrutura-se naturalmente numa classe média de rendimentos tendencialmente constantes de geração para geração, numa classe de descartáveis com 1/3 da população e numa classe de rendimentos crescentes, ao contrário dessas duas – a classe dos ricos.

O crescimento acelerado da riqueza dos ricos acaba por ultrapassar o aumento de PIB (o qual decresce com o crescimento da desigualdade); a partir deste ponto, o resto da sociedade tem de empobrecer para os ricos manterem o seu enriquecimento. Vou designar este ponto por “ponto de empobrecimento”. (já mostrei isto com “continhas” neste post de há 5 anos)

Numa democracia, este seria um ponto de inversão porque se o número de descartados ultrapassar significativamente 1/3 ou se a classe média empobrecer, as eleições serão ganhas por quem prometer que vai mudar o sistema económico. Como aconteceu agora em Itália.

Além disso, a economia depende do consumo; o empobrecimento da maioria da população leva à diminuição do consumo e este à recessão. A recessão não impede os ricos de continuarem a enriquecer a curto prazo, e isso é quanto basta numa sociedade egoísta; o que trava os ricos é a consciência de que este empobrecimento pode levar a uma mudança do poder político.

Porque é bem sabido que é assim, as contra-medidas também foram desenvolvidas; uma delas, essencial, é a redistribuição de riqueza através dos impostos; ora acontece que os ricos encontraram maneira de deixarem de ser colectados. Os ricos não pagam impostos, o seu dinheiro circula pelos offshores. Além de isto representar uma vantagem competitiva importante em relação a potenciais emergentes, a base tributária do Estado sofreu um corte de cerca de metade do PIB, que é o dinheiro dos ricos; e que cresce à medida que os ricos enriquecem. Sem contra-medidas, a partir do ponto de empobrecimento, devido à recessão e ao aumento da riqueza subtraída ao fisco pelos ricos, a base tributária diminuirá mais de 5% ao ano. No primeiro ano, cortes na despesa e aumento de impostos podem compensar mas depois isso torna-se impossível, o deficit da despesa pública fica incontrolável. É por saber isso que o PM decidiu ser mais troikista do que a troika: tentou equilibrar as contas públicas logo no primeiro ano, antes que o descalabro começasse, para adquirir algum poder negocial. Não o fez por ser ignorante, fê-lo por saber bem o quadro em que nos encontramos.

Nos EUA, o ponto de empobrecimento foi atingido no fim do séc. XX. É por isso que o Obama disse claramente que “é preciso redistribuir a riqueza”. E é por isso que taxou os ricos (ligeiramente).

Na Europa do Euro acontece uma novidade: a Europa é comandada por quem comanda a Alemanha! Então, basta ganhar eleições na Alemanha para manter o poder político na Europa. Ou seja, os descartáveis podem ser toda a gente menos a classe média alemã!

Fantástico!

Os ricos baseados na Europa e nos EUA podem continuar a enriquecer à custa das classes médias europeias.

Portanto, o que está em curso é o empobrecimento de toda a gente menos a classe média alemã. O Passos Coelho foi muito claro: é preciso empobrecer os portugueses. E é isso que está a ser feito, e não há erro nem desvio nos cálculos da troika. Os valores que apontam para crescimentos de PIB, retoma, etc, servem apenas para ir levando as pessoas na ilusão; o único valor que lhes interessa é quanto é que os portugueses empobreceram.

A classe média portuguesa passou a fazer parte dos “descartáveis” europeus. Vai ser reduzida às mesmas condições que têm os descartáveis à escala nacional. O ordenado mínimo vai ser o seu futuro ordenado (por vontade dos alemães, ou da troika, o ordenado mínimo seria extinto); a pensão de sobrevivência a sua futura pensão; o desemprego a sua situação mais provável a partir dos 45 anos. Passou a ser “descartável”. Os alemães andam por aí a pescar uns engenheiros como quem vasculha o lixo. O que sobrar vai ser lixo puro. É por isso que o nosso PM bem aconselhou: emigrem! E também disse: “que se lixem as eleições”; é que se este processo continuar, quando chegar a altura das eleições teremos é o país governado directamente por uma qualquer troika; o objetivo do PM é que consigamos chegar até às eleições, isso já seria uma vitória; por isso, alguém estar preocupado em ganhar umas eleições que corremos o risco de nem sequer existirem é estar a leste da situação. As pessoas parece terem cortinas nos olhos e tampões nos ouvidos, nem ouviram o Draghi dizer “ Muitos governos ainda não perceberam que perderam a sua soberania nacional há muito tempo”. Ou seja, quem manda é ele e a Merkel, e é por isso que os nossos governantes lhe curvam a cerviz e beijam a mão.

Quando o PM fala verdade, as pessoas insultam-no; então ele diz o que as pessoas querem ouvir; aí chamam-lhe mentiroso. Não está na mão dele alterar o destino traçado para nós – a Europa do Euro é toda ela uma sociedade do egoísmo, onde os ricos tomaram conta do poder através do BCE. Ele, não sendo um revolucionário, pouco pode fazer, a não ser caldeirar as privatizações e chatear os ricos através do MP. Porém, ao contrário de muitos comentadores, e do que se diz dele, o PM compreende muito bem a situação.

Vêem como é fácil perceber estas coisas?

A classe média está muito habituada a que tudo seja gerido em função dos seus interesses imediatos; é por isso que há tanta pobreza, tantos descartáveis. Os 40% de abandono escolar nunca incomodaram a classe média, pelo contrário. Para a classe média, medidas para combater a desigualdade sempre foram encaradas como “irem-lhe ao bolso”. As pessoas com contratos de trabalho cheios de direitos sempre se estiveram nas tintas para o facto de as leis laborais implicarem que quem não tenha contrato fique condenado a ser precário toda a vida. Os ativos agora acham que estão a sustentar os reformados e estão disponíveis para destruir o sistema da segurança social porque no momento isso lhes parece vantajoso para eles. A SS não tem lugar numa sociedade Egoísta. Os ricos não são pessoas diferentes das da classe média; trataram de agarrar o poder, tiraram o Banco Central da dependência do poder político, controlado pela classe média, e agora gerem em função dos seus interesses.

Poder-se-ia pensar; ah, então há que mudar este estado de coisas, retirar o poder económico aos ricos, devolvê-lo à classe média! Isso pode ser feito mas:

Com o poder nas mãos, a classe média faz aquilo que os ricos estão a fazer: procura sugar para si toda a riqueza. Penaliza a iniciativa, estagna a sociedade, explora os “descartados”. Além disso, para inverter as coisas precisaria do apoio dos “descartados”; só que para estes tanto lhes faz o poder ser da classe média ou dos ricos – até preferem que seja dos ricos, que são dados à caridade...

O problema não está na economia, nem está em quem a comanda; está no facto da sociedade ser gerida pelo Egoísmo, que é a solução simplória para a busca do interesse individual.

Portanto, estar a discutir economia é muito importante para a classe média perceber como pode readquirir o poder mas não resolve o problema de fundo; é a base ideológica da sociedade que interessa discutir. Sociedades construídas na base do Egoísmo vão de crise em crise.

Isto é sabido há muito, há milénios. Vamos enquadrar esta questão e perceber porque é que é a teoria da evolução das espécies é a pedra angular da situação atual.

(conclui no próximo)

sábado, agosto 20, 2011

O Jogo



(inicío aqui a postagem, que pretendo diária, de uma dúzia de textos na busca do entendimento do que se passa a nível económico e duma solução para Portugal; são reflexões pessoais)

A Economia é, em parte, como um jogo; os próprios agentes económicos são designados por “players”. Um conjunto de regras define a economia, como acontece em qualquer jogo.

Num jogo, há uma finalidade, um resultado que se atinge fatalmente, um estado final: um vencedor! Um único vencedor, os outros jogadores são derrotados.

Transposto para a Economia, isso significaria que o resultado da actividade económica seria haver uma pessoa ou uma organização que ficaria com a riqueza toda, e todas as outras pessoas seriam reduzidas à pobreza, à miséria, à escravatura.

Na verdade, na vida real, se um «jogador» ficar com a riqueza toda, ele não fica rico, pelo contrário.
 Isto é assim porque o valor das coisas é o valor que os potenciais compradores oferecem por elas; se não há compradores, as coisas não valem nada.

A famosa depressão bolsista americana mostrou bem isto – as fábricas produziam para armazém porque os trabalhadores eram tão miseravelmente pagos que não podiam comprar nada, logo os bens produzidos deixaram de ter valor e os ricos ficaram pobres.

O jogo da Economia tem umas características especiais, que interessa compreender. Uma é esta, a de, ao contrário dos jogos tradicionais, a vitória não pode ser absoluta.

Outra característica deste jogo é que quem é mais rico enriquece mais facilmente. É um jogo em que a desigualdade é sempre crescente, um jogo que, uma vez estabelecida uma clara desigualdade, tende rapidamente para um vencedor. Se se lembram do Monopólio, após um lento começo, a partir do momento em que algum jogador fica mais rico que os restantes o jogo termina rapidamente.

Portanto, entregue si mesmo, partindo de um estado de absoluta igualdade, o jogo da Economia tem um começo lento até que se define uma desigualdade entre os jogadores, em seguida avança rapidamente para a concentração da riqueza (e depois estoira porque a riqueza acumulada nada vale porque deixa de haver compradores).

A depressão americana foi uma importante lição que mostrou aos mais ricos que o excesso de desigualdade faz a sua riqueza perder valor; ou seja, existe um ponto ótimo para a desigualdade que maximiza a riqueza dos mais ricos; a partir desse ponto, essa riqueza só cresce por crescimento do PIB.

Porém, como controlar a desigualdade? Os ricos não podem autolimitar o seu enriquecimento, se um o fizer ficará mais pobre que os outros ricos que o não façam.

Este é um problema quase tão antigo como a humanidade; num texto inscrito em urnas de madeira há 4000 anos, o deus egípcio Amun-Re diz que criou todos os homens iguais, enviou ventos para todos os homens poderem respirar do mesmo modo ... mas a prática do mal produziu desigualdades que são apenas da responsabilidade do homem. * 

Só o Estado, árbitro do Jogo, pode controlar o crescimento da desigualdade. Foram criadas leis anti-monopólio (por esta e outras razões) e muitas medidas foram tomadas para controlar o crescimento da desigualdade. A possibilidade de ocorrência de uma nova depressão parecia assim eliminada.

Mas há outro problema: o crescimento do PIB. Ora, num sistema capitalista, o PIB cresce tanto mais quanto menor for a desigualdade (grosso modo); a desigualdade ótima em cada instante para os ricos implica um crescimento do PIB demasiado pequeno ou estagnado. Isso não é um problema para os mais ricos, eles não precisam de ser mais ricos, o seu objectivo nessa altura é manter a situação, garantir que ela se perpetua, que os seus filhos serão os ricos de amanhã e que os filhos dos outros serão os seus empregados. Os ricos lutam pelo aumento da desigualdade, agora não uma consequência do jogo económico mas um objectivo em si mesmo, necessário à manutenção dos seus privilégios. Os ricos passam a jogar outro jogo, o jogo do Poder.

Note-se que esta é uma descrição simplificada, a sociedade não se divide entre ricos e pobres, é um contínuo, cada classe defendendo os seus privilégios; e não há «maus» nem «bons», somos todos iguais, jogamos de acordo com as nossas conveniências.

As medidas que visavam combater o crescimento da desigualdade, fomentar a igualdade de oportunidades, vão sendo adulteradas para servir o novo objectivo; por exemplo, o ensino público, e o pré-primário, instrumentos essenciais da igualdade de oportunidades apenas se forem de excelência, passam a ensino para os pobres, sendo o ensino de excelência exclusivo dos ricos, assegurando a desigualdade.

Numa Democracia, os governos vão a votos; se a maioria dos cidadãos vê que as coisas não estão a melhorar, faz cair o governo. Os governos têm de arranjar maneira de fazer crescer o PIB mais do que cresce a desigualdade. A Globalização surge como a solução.

Algo mais do que a economia suporta a Globalização; desde sempre a sociedade mais forte seguiu a ideia de governar o mundo todo; “se o Céu é um reino, então a Terra tem de ser um império” disse Gengiscão **. A Globalização no momento em que os EUA ainda são a economia mais forte dá-lhes uma vantagem importante. Os EUA tinham de avançar para a Globalização antes que as economias de regiões com mais gente se tornassem maiores que a sua; depois seria tarde.

As regras do jogo mudam com a Globalização; os EUA deixam cair as políticas anti-monopólio – agora, o que eles querem é que as suas empresas sejam o mais fortes possível para que conquistem o Mundo. A desigualdade dispara nos EUA e o candidato que promete «distribuir a riqueza» ganha as eleições.

Na Europa, a Alemanha e a França sabem que num jogo global serão derrotadas pelos EUA; os jogadores agora são os países, e os países com menor PIB serão cilindrados pelos que tiverem PIB maior, tal é a característica fatal do jogo económico para os países que entrarem nele. Aqui não há um Estado que imponha limites ao crescimento da desigualdade entre países, a guerra económica entre países será sem piedade. Solução: criar um bloco com dimensão comparável aos EUA. O bloco europeu.

Porém, a ideia de criar um verdadeiro bloco, onde todos têm igualdade de oportunidades, é impensável para a França e Alemanha; de modo algum eles aceitam prescindir da sua vantagem sobre os outros países, como ontem afirmou a Merkel como argumento para rejeitar os eurobonds. O projecto europeu é um projecto de BIGS e PIGS, uma Europa estruturada, de ricos e pobres, onde os países pobres fornecerão a mão-de-obra barata que não pode ser conseguida nos países ricos. A criação e perpetuação de países pobres é essencial  a este projecto europeu. Países onde o preço da mão-de-obra seja competitivo com o seu preço em qualquer parte do mundo.
  
* do livro “Ideias que mudaram o Mundo” de Felipe Fernandez-Armesto, pg. 90
** idem, pg. 85

quarta-feira, agosto 17, 2011

Viagem ao Futuro de Portugal


Viajar ao Futuro não é tão extraordinário como parece; umas vezes o Futuro vem ter connosco, basta estarmos atentos (quantos sentidos temos?), outras vezes basta pensarmos um pouco, pois o Futuro está escrito no Presente, apenas temos de limpar a vista da bruma das ilusões para o vermos. Intriga-me até a dificuldade que tantas pessoas parecem ter para ver o Futuro; por exemplo, como os Judeus se deixaram tão facilmente conduzir para um destino tão claramente definido; que cegueira é essa que nos amansa no caminho do matadouro?


Paul Auster no seu romance “ A Noite do Oráculo” põe um misterioso chinês (pg. 11) a dizer «Mas não mais. Não mais Portugal. História muito triste.». Não sei se é ao país que o chinês se refere, se aos "cadernos portugueses" (esses ainda existem e existirão, a Emílio Braga vai continuar a fabricá-los em Cabo Verde). Mas essas são as suas proféticas palavras.

 O mais triste, para mim, é que a história do fim de Portugal foi escrita pelos próprios portugueses. Pelo menos por alguns. De forma deliberada por uns quantos, a que se associaram muitos por cupidez e outros por razões bem mesquinhas, como vingança. Compreendo isso agora porque agora, certos que o fim de Portugal já está escrito, alguns mostram já as faces sorridentes e gabam-se do feito. Estupidez minha que até agora presumira que os sucessivos «erros» se deviam à ignorância destas personagens, à sua incapacidade/recusa em compreender com que linhas se escreve a História do Mundo!!! 

A generalidade dos portugueses, no entanto, foi conduzida a esta situação ao engano, e continuam enganados; nos próximos posts vou dar a minha contribuição para limparmos a vista de ilusões e podermos conhecer o Futuro de Portugal. Ou os Futuros possíveis, para ganharmos o direito de escolha.

quinta-feira, junho 23, 2011

João Ferreira do Amaral

Acabo de assistir ao programa da SIC Notícias "Negócios da Semana", onde o José Gomes Ferreira entrevistou João Ferreira do Amaral.

Pela primeira vez, em duas décadas, vejo alguém a defender as mesmas ideias que tenho defendido, num orgão da comunicação social.

Não se pense que somos os únicos; simplesmente, neste mundo de verdades simplórias, o pensamento subtil é imediatamente rejeitado pelo "mainstream".

Se apanharem a repetição do programa, ou o video, não percam. Para se perceber o que está a acontecer e o que vai acontecer.

Eu estava a preparar uma série de posts para analisar a solução do sarilho em que estamos, mas estava confrontado com uma dificuldade: como apresentar uma solução para um problema que as pessoas não vêem?

É como o problema do Galileu: como explicar a rotação da Terra se ninguém acredita nela?

Bem, o João Ferreira do Amaral expõs o problema; e até disse, como eu, que os culpados desta situação não são os políticos, são os economistas.

...os economistas " mainstream" acrescentaria eu, mais os comentadores de TV... Mas isso não interessa nada agora, o que interessa é começarmos a sair do buraco em vez de continuarmos a cavar.

Se alguém encontrar o video dessa entrevista, agradeço que me diga, para pôr aqui o link

quinta-feira, abril 14, 2011

O Gene dos escravos chama-se... Escola

Como sabem, andam por aí muitos chineses; já viram algum à procura de emprego? umzinho que seja???
Há dias vi um documentário sobre a presença chinesa em África. Emigram da China para o coração de África.

Emigrar para o coração de África?? Isso faz algum sentido? Então lá há empregos para alguém??

Claro que não há empregos (há lá chineses empregados, mas esses não são propriamente emigrantes, são contratados na China para trabalharem em empresas chinesas), o que há lá é oportunidades! Os chineses não emigram à procura de emprego, emigram à procura de oportunidades. É assim que eles vão para África e criam pequenas empresas em todo o lado. Como são empresários eficientes, rapidamente acabam com a concorrência local e dominam a actividade económica.

Comparem agora com os portugueses; os portugueses vivem à procura de emprego; os portugueses emigram à procura de emprego; os portugueses fazem manifestações porque não têm emprego; o índice mais importante para os portugueses não é o número de empresas que abriu ou fechou, é a taxa de desemprego!

Não acham que há aqui uma diferença gritante?
Porque é que é assim?

A geração actual de chineses é maioritariamente filha de camponeses; os camponeses são empresários, não são empregados. Esta é uma geração com uma cultura de empreendedorismo.

Nos países mais evoluídos, a maioria das pessoas são empregados há já várias gerações. A cultura é a do empregado. Os professores das escolas são empregados filhos de empregados. Sem uma política de ensino pró-activa em favor do empreendedorismo, cria-se uma geração de empregados.

É o que se passa em Portugal. Tal política era muito conveniente no tempo de Salazar – os empresários, como o governante, eram os que já existiam e seriam sempre eles e suas famílias, governados pelo eterno Salazar. Portanto, a escola tinha de formar empregados, nunca empresários. A sociedade pretendia-se de classes. Os empresários já existiam, os futuros empresários seriam os filhos dos existentes.

Esta ideia é típica dos sistemas fascistas e afectou todos os países do sul da Europa.

Infelizmente, essa mentalidade ainda cá perdura. As únicas aulas de empreendedorismo que existem, ao que me informaram, destinam-se aos alunos que abandonam a escola... dado que assim ficam incapacitados de serem empregados, ensina-se-lhes então empreendedorismo, porque ou serão empresários ou ladrões...

Nos outros países evoluídos não é assim. Já viram um americano emigrar à procura de emprego? Já viram que os nossos vizinhos espanhóis têm uma taxa de desemprego muito maior do que a nossa e não parecem dar grande importância a isso? Há outras coisas mais importantes.

E porque é que não é assim nos outros países? Porque a escola se empenha em formar empresários. Ser capaz de formar uma empresa faz parte dos currículos escolares. Saber delinear um projecto e desenvolver todos os complexos passos necessários a uma actividade empresarial de sucesso. Saber isso não é muito mais importante do que saber classificar as plantas ou saber aquelas regras regras do português que não fizeram falta nem ao Camões nem ao Saramago???

Assim se passam os anos mais importantes da vida a aprender coisas cujo único destino é o esquecimento.

A nossa escola não se adaptou à democratização da sociedade, não incorporou a igualdade de oportunidades. Continua a funcionar para formar empregados para irem trabalhar nas empresas de... de quem? Dos “Senhores”? Para serem funcionários públicos? A lógica do nosso ensino parece ser mesmo esta: a escola pública forma... funcionários públicos.

Muitos anos a estudar para se ser escravo? Sem dúvida, é para isso que serve a nossa escola, para formar escravos. Ou acham que é para formar conquistadores do mundo?

Agora está na moda dizer que o futuro dos nossos filhos é emigrarem, serem «cidadãos deste mundo global». Uma treta!!! O futuro deles é esse porque o futuro deles é irem à procura de emprego onde existam empreendedores; esse é o Futuro que a escola lhes destinou, não é nenhuma fatalidade do destino.

Poderia surgir um «Bill Gates» em Portugal? A resposta é «não» por múltiplas razões mas a primeira é que um “neird” dos computadores que tenha uma boa ideia não vai saber fazer nada com ela – quando muito, poderá conseguir vendê-la a um americano empreendedor... ou mesmo a um espanhol...

Estão a perceber a importância de dotar os jovens de mentalidade e conhecimento empresarial?

É como na ginástica: se houver ginástica de massas, aqui e além surgirão ginastas de sucesso; se não houver ginástica para ninguém, isso não vai suceder por maior que seja a qualidade da «matéria prima».

Se a formação para o empreendedorismo for massificada, então surgirão empresários de sucesso que podem relançar a economia; se não existe formação para o empreendedorismo, não vão existir empresários de sucesso nem economia nem... país!

A força de um país reside nos seus empresários. Sejam pequenos, médios ou grandes. Não estou a referir-me aos gestores das grandes empresas cá instaladas, esses são empregados como os outros, estou a referir-me aos Nabeiros e tantos outros que iniciaram empresas. Claro que os empresários não existem sozinhos, claro que o valor duma sociedade não se resume aos seus empresarios, mas eles são vitais.

Dos marinheiros não reza a História a não ser pela mão dos Navegadores.

Só existe Futuro para Portugal se existir uma cultura de empreendedorismo.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Mãe Terra - Mother Earth



A Mãe Terra faz hoje anos! Hoje, ontem ou amanhã, não se pode dizer ao certo. Mas faz anos. Que é como quem diz, envelhece.

Continua formosa. Um pouco envelhecida aqui e ali mas noutros lados ainda em pleno esplendor. Em qualquer zona equatorial se sente, pleno de vigor, o coração da Mãe Terra. Ninguém diria que já fez 4 000 milhões de anos. Uma Mãe de meia-idade.

Uma existência preenchida. Muito jovem, gerou no seu ventre o embrião da Vida. Uma Vida que cresceu e se desenvolveu, sempre alimentada e protegida no seio da Mãe Terra. Até que, há menos de 100 milhões de anos, a Vida teve de, pela primeira vez, começar a cuidar de si própria.

O primeiro passo foi produzir o seu próprio calor, quando o calor da Mãe Terra deixou de ser suficiente e adequado. Os Humanos sabem que são de «sangue quente» mas não sabem bem porquê.

Com o envelhecimento da Mãe Terra, a Vida terá de se autonomizar dela porque, progressivamente, a Mãe Terra deixará de ser capaz de prover as necessidades da Vida. Para isso, a Evolução tem vindo a aperfeiçoar seres com Inteligência capaz de usar recursos que ela, Vida, não pode usar directamente

Assim se chegou aos Humanos. Os Humanos não têm todas as capacidades necessárias para garantir a autonomia da Vida mas já têm algumas. São capazes de sobreviver fora da zona equatorial sem que a Evolução tenha tido de os dotar de adaptações. Foi um primeiro passo, mas já deram muitos outros. E, o mais significativo de todos, foram capazes de ultrapassar uma carência que o envelhecimento da Mãe Terra determinou: a falta de Azoto nos solos. Aprenderam a fabricar os adubos. Começam agora a descobrir que também nos oceanos o azoto escasseia em muitas zonas. Têm pela frente os magnos problemas da carência de Energia e da carência do CO2.

A Mãe Terra fez o que podia fazer: armazenou grandes quantidades de energia e de CO2 em depósitos de petróleo, gás e carvão; a Vida, por outro lado desenvolveu novos ciclos de fotossíntese, C3 e C4, capazes de funcionar com níveis baixíssimos de CO2. Mas não há milagres: o CO2, que já foi mais de 30 vezes a massa total da atmosfera actual, é hoje menos de 0,04% da atmosfera, mais raro que o Árgon. O CO2 actual é 1 milésimo do inicial! Cada planta precisa de respirar mais de 10 000 litros de ar para poder obter 1g do indispensável Carbono. Há umas dezenas de milhares de anos que a Vida tem fome de CO2. A biomassa de hoje é uma pequena fracção da de outrora, porque a biomassa está limitada pela disponibilidade do CO2. Cada grama de carbono de cada ser vivo tem de ser retirado da atmosfera pelas plantas, não há outra forma significativa de obter o precioso carbono.

É uma luta contra o tempo: a Mãe Terra gerou a Vida e a Vida terá de se prover a si própria à medida que a Mãe Terra vai envelhecendo; a Vida ainda não é autónoma da Mãe Terra e esta preparou umas reservas que têm de durar enquanto a Evolução não produz a forma de Vida capaz de se autonomizar. Se as reservas acabarem antes disso, a Vida na Terra extingue-se, mas isso não sucederá – tudo está devidamente organizado, a Evolução trará o ser que garantirá a autonomia da Vida antes da Mãe Terra esgotar os seus recursos. Apenas é preciso que os Humanos garantam ao novo ser as condições de que ele precisa para sobreviver. Apenas isso.

Este «apenas» é, no entanto, o elo fraco do processo. Os Humanos estão no início da caminhada do Conhecimento, ainda veem o amanhã como uma repetição do ontem, não percepcionam a evolução do Universo, não têm consciência do seu papel, alguma juventude e imaturidade pautam o seu comportamento. Os Humanos vão atribuindo à Mãe Terra as consequências do seu desconhecimento. Por exemplo, os sismos. O dia em que deixar de haver sismos será um dia triste, o dia da morte da Mãe Terra. Fazem mal os sismos? Sem as desqualificadas construções humanas, os sismos seriam dos mais inofensivos fenómenos vitais da Mãe Terra.

No Haiti ruíram muitas casas. Não foram pensadas para resistir ao sismo. Por ignorância – ignorância de que o sismo ia ocorrer durante a sua existência. Se fosse sabido, as casas teriam sido construídas para resistir ao sismo, pois isso não tem dificuldade tecnológica nem acréscimo importante de custos. Foi a ignorância de que o sismo podia ocorrer que causou a catástrofe. Ou, eventualmente, a simples falta de Qualidade, esse outro sinal de imaturidade – os construtores poupam no ferro e os habitantes cortam pilares para alargar a sala sem compensar a estrutura.

Assistiu-se também ao falhanço universal dos sistemas de protecção civil. Os hospitais de campanha tinham médicos e tendas mas não tinham equipamento. Serraram pernas e braços nas mesmas condições da 2ª Guerra Mundial. Milhares de haitianos morreram por falta da mais elementar assistência. É lógico – os planos e orçamentos dos sistemas de protecção civil são estabelecidos em face das necessidades do ano anterior. Se fossem para além disso, os contribuintes protestariam e os Orçamentos de Estado não seriam aprovados.

É quase sempre a ignorância do Futuro a profunda razão das consequências catastróficas dos fenómenos naturais e da falta de capacidade de resposta a elas. É por saber como é importante conhecer o Futuro que os Humanos se viraram para a Religião, para as artes divinatórias e para a Ciência. A Ciência já consegue prevenir algumas coisas mas ainda não consegue antecipar o Futuro porque o seu conhecimento do Universo e da Vida não é suficiente. Do Futuro ainda só há Medos, não há Visão.

O próximo Evento trará o Filho do Homem pela mão da Evolução. O Filho do Homem é o descendente do Homem, a geração seguinte ao Homem. O Filho de que o Homem se orgulhará. Mais Inteligente, mais preparado para o próximo passo da 4ª fase da Vida (3º nível da Evolução). Não virá montado numa nuvem nem chegará de repente. As trompetas não o anunciarão. Ninguém dará por ele, nem ele mesmo.

Mas será que o Homem saberá conduzir a Vida até ao Evento, atenuando as carências que a velhice da Mãe Terra vai fazendo aparecer, sobreviver ao Evento, e assegurar as condições necessárias para que o seu Filho se estabeleça e inicie a nova fase da Vida?

Isso não é certo; o Filho do Homem pode surgir num Mundo demasiado destruído e violento. A Cabeça da Mãe está preocupada com isso. O seu Coração está preocupado com outra coisa: o sofrimento que o Evento trará se o Homem não souber ver o Futuro. O parto do Filho não tem de ser doloroso.

Contrariamente ao sismo, o Homem pode saber como é o Evento e estimar quando é. O Evento, como um sismo, pode ser uma catástrofe indescritível ou um fascinante »passeio no Jardim da Estrela». Literalmente.



imagens:Wikipedia (Terra / Sismo Lisboa / Jardim da Estrela)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Dióxido de Carbono marca o Horizonte da Vida


History of Atmospheric CO2 through geological time (past 550 million years: from Berner, Science, 1997). The parameter RCO2 is defined as the ratio of the mass of CO2 in the atmosphere at some time in the past to that at present (with a pre-industrial value of 300 parts per million). The heavier line joining small squares represents the best estimate of past atmospheric CO2 levels based on geochemical modeling and updated to have the effect of land plants on weathering introduced 380 to 350 million years ago. The shaded area encloses the approximate range of error of the modeling based on sensitivity analysis. Vertical bars represent independent estimates of CO2 level based on the study of ancient soils.
(link para a página clicando na figura)


Um estranho problema de que não se fala é o desaparecimento do Dióxido de Carbono.

Como sabemos, o CO2 é o gás mais importante para a vida. Mais importante do que o Oxigénio, pois sem este a vida continuaria a existir na Terra, mas sem CO2 apenas em ambientes muito restritos continua possível a vida em formas muito elementares.

Ora quando analisamos a evolução do CO2 deparamos com algo a que certamente devemos prestar atenção: a taxa de CO2 tem vindo a diminuir desde as origens da Terra!

O CO2 já foi, a seguir ao vapor de água, o gás mais abundante na atmosfera. A atmosfera inicial da Terra compunha-se essencialmente de vapor de água e de CO2. Estima-se a quantidade inicial de CO2 em 30 a 50 atmosferas (30 a 50 vezes mais do que toda a atmosfera actual em massa)

Reparemos na figura: só nos últimos 500 milhões de anos diminuiu umas 20 vezes. Em relação às quantidades iniciais de CO2, a quantidade actual é cerca de 100 000 vezes menor.
Actualmente, o CO2 é mais raro que o Árgon, que é um gás raro. Aquele que já foi um gás dominante da atmosfera terrestre é hoje mais raro que um gás raro! Representa apenas 0,036% da atmosfera, enquanto o Oxigénio é 21% e o Argon 0,93% (e o Azoto 78%).

Se extrapolarmos a tendência de variação do CO2 dos últimos 200 milhões de anos, concluímos que, se tudo continuar como até aqui, dentro de 50 milhões de anos no máximo o CO2 desaparecerá e com ele a vida na Terra tal como a conhecemos.

Esta é a maior ameaça à vida terrestre alguma vez apontada. As consequências do desaparecimento do CO2 seriam muito piores que as maiores catástrofes alguma vez ocorridas no planeta, muito piores que o Evento que determinou a extinção dos Dinossáurios e outras extinções maciças ainda maiores.

Mas 50 milhões, embora uma insignificância à escala geológica, é um período dilatado à nossa escala. Valerá a pena preocuparmo-nos com isto?

Primeiro, notemos o seguinte: a vida será profundamente afectada muito antes do CO2 desaparecer. Muitas plantas precisam de níveis mínimos de CO2 superiores a 100 ppm (100 partes por milhão ou 0,01%) para poderem crescer; portanto, a extrapolação que temos de fazer não é para quando o CO2 for zero mas para um valor da ordem de metade do actual.

Depois, os níveis de CO2 têm apresentado nos últimos milhares de anos flutuações acentuadas, que atingiram valores tão baixos que ficaram próximos dos mínimos necessários à vida. Ora não sabemos porque é que o CO2 flutua desta maneira e, portanto, não podemos estar certos que na próxima flutuação não venha a cair demasiado para as necessidades da vida. Como veremos, isso pode encurtar o horizonte da Vida para uns 10 000 anos.

E, por último, continuamos a ouvir falar de projectos megalómanos, loucos e descontrolados para «sequestro» do CO2; um projecto destes (como, por exemplo, bactérias de laboratório) é uma verdadeira arma de destruição maciça. Como «sequestrar» o CO2 passou a valer muito dinheiro dentro das actuais e futuras políticas de «combate às alterações climáticas» não estamos livres de alguém a conseguir realizar. Isso poderia encurtar o horizonte da Vida para uns... 10 anos?

Pelo sim pelo não, será bom entender melhor porque e como varia o CO2 a curto prazo e que margens de segurança temos, não vos parece?

sábado, outubro 11, 2008

A Energia Moeda-Forte

Como é que vamos saber quanta energia consumimos? Somando a energia importada com a produzida... com a energia dos alimentos que consumimos... mas não, não são as calorias dos alimentos que interessa, é a energia que foi necessária para os produzir, e isso engloba a energia necessária para produzir os adubos, os insecticidas, para tratar, conservar, transportar os alimentos... e não só, quando compramos um televisor, um carro, um telemóvel, seja o que for, estamos a consumir a energia que foi necessária para os fabricar... e não só, quando fazemos uma chamada telefónica, quando utilizamos um serviço, qualquer que ele seja, estamos a consumir a energia necessária a esse serviço... afinal, parece que sempre que gastamos dinheiro estamos a comprar energia... hummm, interessante... o que o dinheiro faz é comprar energia... Mas qual é o preço da energia afinal???

Vejamos a gasolina:1 litro de gasolina produz uma energia de cerca de 10 kWh; ora um litro custa cerca de 1,5 euros, logo o preço do kWh da gasolina é de cerca de 15 cêntimos.

Vejamos a electricidade: vejam o total da vossa factura de electricidade e dividam pelo total de kWh consumidos. No meu caso dá.... 15 cêntimos por kWh!

Boa! Então o preço do kWh da electricidade e da gasolina é o mesmo, apesar de se tratarem de dois sistemas de energia tão distintos! Como é possível?? Que significará isto?



Em minha opinião significa que, no fundo, o valor de tudo o que produzimos, compramos, vendemos, se mede em unidades de energia, em kWh por exemplo, e as regras do mercado fazem com que os diferentes produtos tendam para o mesmo valor da unidade de energia necessária à sua produção, quer o produto seja um iogurte, um televisor, uma casa, um automóvel.

Então, como já sabemos o preço da unidade energia – 0,15 € / kWh, podemos fazer uma estimativa da energia que consumimos – é só dividir o que o dinheiro que gastamos pelo preço do kWh.

Admitindo que o PIB possa ser um bom indicador do que gastamos, sendo este de 162,9 mil milhões de euros, temos então 16290 euros per capita deste pais de 10 milhões de habitantes, o que permite a cada um de nós, em média, comprar 108,6 MWh de energia por ano.
Isso são contas grosseiras, não podemos atribuir significado a algarismos para além do primeiro, pelo que o resultado deste cálculo é que originamos anualmente um consumo médio individual de cerca de 100 Mwh:

Energia per capita dum cidadão ocidental médio: 100 MWh/ano

Notem uma coisa: nesta energia não está incluída a energia solar. No preço dos alimentos não está incluída a energia disponibilizada directamente pelo Sol para os processos fotossintéticos, apenas a energia que foi necessário ir buscar a outras fontes. Um iogurte tem trezentos e tal kJ, ou seja, pouco mais de 0,01 euros de energia; mas a energia solar necessária à sua produção será mais de cem vezes isto, pois já vimos que o rendimento fotossintético médio não será superior a 1%, portanto, não está incluída no seu preço, da ordem do 0,5 € (se estivesse, um iogurte teria de custar mais de 1€ ). O preço do iogurte reflete essencialmente a energia produzida pela humanidade a partir do petróleo, carvão ou outras fontes que foi, directa ou indirectamente, consumida na produção do iogurte.

Já vimos que a energia que um ser humano tem de obter dos alimentos é de cerca de 1 MWh/ano, o que significa, atendendo ao rendimento médio da fotosintese, que um humano da sociedade ocidental usa por ano 100 MWh de energia solar directa e outros 100 MWh de energia intermediada pela civilização, num total de 200 MWh, portanto.

Será que este nosso cálculo tão simples tem alguma razoabilidade? Só há uma maneira de o saber: comparando com outras fontes. Aqui podem encontrar um texto que afirma o mesmo que escrevi acima e onde se diz:

every time anyone spends an American dollar, the energy equivalent of half a liter of oil is burned to produce what that dollar buys!

Ora sendo o Dólar americano cerca de 0,75 euros (0,732 hoje), vamos obter o mesmo valor de 0,15€/kWh.

Claro que se fizéssemos as contas a partir do preço da gasolina ou da electricidade nos EUA ,como fizemos para aqui, obteríamos um valor mais baixo; a razão é que os kW da gasolina ou da electricidade são «em bruto» enquanto que os kW dos produtos têm de ser extraídos dessa «matéria prima», havendo um perda no processo. Em Portugal, os impostos e os lucros exorbitantes da EDP tornam a «matéria prima» da energia mais cara para o consumidor, colocando-a ao mesmo preço do «kW manufacturado».

Na World Nuclear Association podemos encontrar o seguinte magnífico gráfico:


Os cerca de 340 GJ que se pode ler como sendo o valor do consumo individual de energia do “Homem Tecnológico” correspondem (1 Wh=3600 J) a 94 MWh, portanto o mesmo valor (100 MWh) atrás obtido.

Além de termos ficado a saber que energia gastamos, o que nos vai permitir chegar a interessantes e agradáveis conclusões nos próximos posts, ficamos conscientes que:

Dinheiro = Energia
Câmbio: 1 kWh = 0,15 €


Isto permite-nos perceber, por exemplo, que um aumento do preço da energia equivale a uma desvalorização da moeda. Combater a subida do preço da energia é tão importante como combater a inflação. Para sentirem bem isso, podem reduzir o vosso ordenado a kWh – basta dividi-lo pelo preço do litro da gasolina e multiplicar por 10. Se quiserem ser perfectionistas, podem ver quanto estão a pagar por kWh consumido à EDP e fazerem a média dos dois valores. E depois vejam como o vosso ordenado em kWh vai variando no tempo.

(em vez dos índices de inflação, seria mais útil que alguém se desse ao trabalho de obter o indicador «preço do kWh»)

E podem também fazer uns raciocínios divertidos... por exemplo, uma “bica” (café expresso), em Portugal, são 4 kWh, um cinema são 30 kWh, um almoço serão uns 60 kWh. Quando estão a olhar para uma moeda de 1 euro, estão a olhar para 6,7 kWh... Já repararam nesta coisa interessante:


um café expresso representa o mesmo consumo energético de uma lâmpada de 100 W acesa durante 40 horas!

E não estou a incluir a energia de fotossíntese – apenas a energia manipulada pelo homem.
E podem ainda notar o seguinte: tomar como objectivo da gestão dos países o aumento do PIB equivale a ter como objectivo aumentar o consumo de energia. Os EUA consomem mais energia per capita que muitos outros países porque têm um PIB mais alto. Os EUA não são mais perdulários com a energia do que a França, Espanha, Brasil, Portugal ou a média mundial; têm simplesmente mais dinheiro. Corolário: gerir apenas para um aumento do PIB pode ser gerir mal.




Este gráfico está disponível aqui

terça-feira, outubro 07, 2008

Ooooops! Enganei-me nos zeros!

Estas minhas últimas semanas têm sido terríveis. Os resultados do meu balanço energético eram aterrorizadores. A perspectiva de acontecimentos nefastos a curto prazo saltava em todas as linhas dos cálculos. Não havia maneira de equilibrar os acontecimentos, cujo curso fatal e inelutável começava já a desenhar-se no horizonte. Livros como O Relatório Lugano vinham-me à cabeça.

Até que....

... descobri que me tinha enganado nos zeros quando calculei a potência que o Sol coloca na Terra! São mil milhões de Tera watthora e não de Giga watthora! Ou seja, são 10^21Wh!

Isto é o resultado de eu ter querido fugir à notação exponencial, que poderia não ser «amigável» para alguns leitores... Burrice!!!

Quando abri o blogue «outra Física» esclareci que nele iria apresentar aquilo que eu sei com uma grande margem de confiança – conhecimentos já muito amadurecidos, muito longe da fronteira do meu conhecimento – enquanto que o «outramargem» ficava reservado para a aventura da descoberta – onde iriamos pisar os escorregadios terrenos da fronteira da ignorância. O caminho da descoberta é assim: cheio de erros, tropeções, enganos, vai e volta. Se fosse fácil seriamos todos muito mais sábios, não é? Foi o que prometi, levar-vos pelos turtuosos caminhos da Descoberta...

Mas os erros também podem ser úteis, como sabemos. E, graças a este, descobri coisas muito interessantes. Querem ver? (é assim o caminho da Descoberta: descobrimos pepitas ao tropeçar nas pedras.)

PS - já emendei os dois posts afectados pelo erro, este e este.

quarta-feira, outubro 01, 2008

A Saga Alimentar

A relação entre a energia disponível do Sol e a necessária à população humana é muito grande, mas sabemos que a sobrevivência da humanidade foi sempre uma luta dura contra a fome; que outros factores teremos de considerar?

Comecemos por considerar só a terra firme. Ora esta representa apenas uns 30% da superfície do planeta – 3 milhões de TWh/ano disponíveis por fotossíntese. Mas é claro que nem toda a terra é arável. E precisamos de área de floresta e área urbanizada. Na internet podemos encontrar a % de terra arável país a país ; se a média for 30% o número acima reduz-se para 1 milhão de TWh/ano.


Mas vejamos mais: nós não somos herbívoros, não podemos utilizar directamente grande parte da energia produzida pela biossíntese. Só podemos comer frutos e tubérculos. E o resto da planta? O resto só transformado em carne por outros seres vivos capazes dessa proeza. Mas esse é um processo de baixo rendimento, porque esses seres vivos consomem energia para viverem. Portanto, uma parte da potência fotossintética tem de ser consumida para manter vivos os seres que transformam a matéria vegetal em matéria que nós podemos comer. Ou seja, o rendimento fotossintético na produção de matéria orgânica que podemos consumir é muitíssimo inferior ao valor utilizado nas contas anteriores, que se refere à matéria orgânica total!!

Reparem agora no que acontece em regiões sem acesso ao mar: ou a população é muito baixa ou então, como acontece na China, têm de comer tudo o que vive para poderem sobreviver – gado, lagartos, cobras, insectos, animais domésticos. Nenhuma energia pode ser desperdiçada.








. Os chineses comem insectos como nós comemos... peixe!



Se recuarmos um século no nosso país, saberemos que nenhum cantinho deste jardim à beira mar plantado ficava por cultivar. Por todo o país encontramos muros e socalcos feitos com as pedras que cobriam o terreno e permitindo cultivar monte acima (os chineses até construíam montes artificiais para aumentar a área arável). Não havia incêndios antigamente, dizem os velhos; pois não, tirando o pinhal de Leiria não haveria muito mais floresta, todo o terreno estava cultivado nessa altura. E, apesar de uma população mais pequena do que a actual, apesar da pesca, havia fome, muita fome – uma sardinha dava para o jantar de uma família, nunca ouviram dizer? E sopa de erva, conhecem?

A produção de alimentos deu um salto muito grande no espaço de um século. A taxa de matéria orgânica das plantas que podemos usar directamente cresceu imenso. Uma árvore de fruto actual produz uma massa de fruto em relação à massa da árvore que é muitas vezes o valor das árvores antigas (os frutos são menos saborosos? É o preço do aumento de rendimento na produção de alimentos directamente utilizáveis por nós). As espigas dos cereais são muito mais volumosas. E o gado? O gado é um intermediário entre formas orgânicas que não podemos consumir e carne. O rendimento desta transformação é tanto maior quanto mais rápido for o crescimento do gado, como é evidente. Portanto, o gado agora aumenta de peso muito mais rapidamente do que antigamente. Por selecção de espécies, hormonas e antibióticos, é claro, um animal que adoece é uma perda de energia.

O aumento do rendimento da transformação da energia solar em energia que nós podemos consumir exige aquelas coisas todas que causa repulsa ao nosso espírito «ecológico»: hormonas, insecticidas, selecção, engenharia genética.

Mas não basta a energia do Sol para a produção dos compostos orgânicos: é preciso também a matéria prima de que são feitos: carbono, oxigénio, hidrogénio, azoto, e mais uma mão cheia de outros elementos em pequenas quantidades. Os 4 mais importantes estão disponíveis na atmosfera, na forma de CO2, H2O e N2; mas, helás!, o azoto molecular da atmosfera é muito difícil de incorporar em compostos! As plantas têm de usar os compostos de azoto do solo e este esgota-se!

Já falamos da importancia dos adubos (o "ciclo das fezes"); a sua descoberta foi um passo muito importante na produção de alimentos. Um segundo passo muito importante foi a descoberta de que as leguminosas conseguem fixar o azoto atmosférico (ou melhor, umas bactérias que vivem nas suas raízes). Esta descoberta foi em parte responsável por uma quase duplicação da população mundial durante os séculos XI e XII (ajudado por um período de aquecimento global, com todas as vantagens inerentes) – as leguminosas eram plantadas e, muitas vezes, nem sequer eram colhidas: eram incorporadas no terreno como adubo para a plantação seguinte. O Umberto Eco escreveu que a as leguminosas permitiram esse salto populacional por serem um alimento muito rico em proteínas; não foi essa a importância crucial das leguminosas, foi a de «azotarem» os terrenos (a batata é que veio a ter impacto directo na alimentação devido à sua alta taxa de matéria orgânica por nós assimilável, mas isso foi só a partir do séc XVI, ela foi trazida do Perú pelos Espanhóis)


. ciclo do azoto (wikipedia)

A disponibilidade de hulha e minério de ferro, ou seja, a disponibilidade de energia, ocorrida em finais do sec XVII, veio alterar profundamente a situação da humanidade – pela primeira vez, a humanidade deixou de depender da energia recebida do Sol para a produção de alimentos porque os adubos puderam então ser produzidos industrialmente. Isto permitiu à humanidade crescer.

Portanto, o problema da alimentação da humanidade parece que reside na capacidade de produzir industrialmente os elementos necessários aos processos químicos das plantas; e esta capacidade depende da disponbilidade de densidades de potência elevadas, conseguida através do recurso aos combustíveis fósseis.

Mas quanta é, afinal, a energia que consumimos?

PS - a versão inicial deste post foi alterada, interessando, para quem leu a versão inicial, reparar nos "amarelos"

quarta-feira, setembro 24, 2008

A Crise Financeira Ocidental

Ora aqui vai uma pequena interrupção à série de posts sobre o balanço energético da humanidade, para falar de uma coisa que o chato do meu inconsciente resolveu que eu deveria tratar. Provavelmente é asneira. Mas não há forma de contrariar o que ele decide...

Os recentes acontecimentos financeiros nos EUA e na Europa, contrariamente ao que em sido afirmado pelos «entendidos», não resultam de falhas no sistema, de falta de fiscalização, de créditos mal concedidos. Os banqueiros podem ser gananciosos mas não são loucos nem incompetentes, não concedem crédito se não presumirem que têm uma perspectiva razoável de ele ser satisfeito. Então porque é que isto aconteceu?

Num post antigo, eu mostro, e isso não é uma opinião minha, que uma percentagem considerável da população está a empobrecer nas economias capitalistas. Por exemplo, é um facto indiscutível, que, em média, 90% das pessoas ficam mais pobres quando os 10% mais ricos enriquecerem a uma taxa superior a 10 vezes a do PIB. Notem que é «em média», portanto, um cenário mais detalhado poderá ser:

30% das pessoas estão a empobrecer
30% estão estacionárias
30% estão a enriquecer lentamente
10% estão a enriquecer rapidamente.

Na nossa sociedade capitalista há necessariamente um fluxo de riqueza dos mais pobres para os mais ricos; se este fluxo é superior ao aumento da riqueza média, alguém terá de empobrecer. A teoria capitalista é incompatível com um baixo crescimento do PIB e as sociedades ocidentais chegaram a um ponto onde o PIB só pode crescer devagarinho ou mesmo estacionar. Numa sociedade pobre, o capitalismo pode funcionar em economia fechada, mas nas nossas sociedades ocidentais as suas regras têm de sofrer grandes alterações.

Na primeira grande crise bolsista, em 1929, as empresas não conseguiam vender os seus produtos porque as pessoas já não tinham dinheiro para os comprar; com o aparecimento do crédito, as pessoas passaram a ter dinheiro para gastar mas depois não tiveram dinheiro para satisfazer o crédito – a actual crise tem as mesmas causas da primeira, a desigualdade na distribuição da riqueza.

A não existência de «pobres» não é uma preocupação social, é uma preocupação económica. Quando a UE define taxas máximas do número de «pobres» não está a fazer caridade, está a ser economicamente inteligente. E note-se que a definição de «pobre» não é uma definição absoluta, é apenas uma medida de desigualdade.

Quando alguns países, nomeadamente Portugal, excedem essas taxas, isso significa que estão a ser economicamente incapazes – a “pobreza”, esta “pobreza”, não é um problema social, é um problema do sistema económico, porque ele só pode funcionar bem se as pessoas não forem “pobres”. Ou seja, o capitalismo é uma teoria incompatível com um cenário de excessiva desigualdade na distribuição de riqueza, “crasha” neste cenário.

Como é que a actual crise aconteceu? Temos de distinguir dois problemas, o do crédito mal parado e o da bolsa.

Em relação ao crédito, será que as pessoas e as instituições de crédito assumiram compromissos que já sabiam que não podiam ser satisfeitos? Não! O que acontece é que nem uns nem outros perceberam que as pessoas estão a empobrecer, todos pensaram que o futuro seria mais abonado que o passado – as pessoas contraíram os empréstimos a pensar que tinham condições para os satisfazer e os bancos concederam-nos porque na altura as pessoas reunião as condições necessárias. O problema nasceu porque as pessoas empobreceram e esta possibilidade não foi contabilizada!

(você não está a pensar que irá ficando menos rico nos anos que aí vêem, pois não? mas talvez não fosse má ideia fazer um gráfico dos seus rendimentos líquidos dos últimos anos, corrigidos da inflacção, só para ver se há alguma tendência...)

Em relação à bolsa, acontece o seguinte: a Sociedade Anónima foi uma invenção genial destinada a criar um fluxo de riqueza para os «pobres», compensando a tendência para a desigualdade inerente ao sistema capitalista – através da compra de acções toda a gente poderia participar dos lucros das empresas por distribuição de dividendos. Só que as regras foram mal definidas e o mercado das acções tornou-se para as empresas um meio de obter capital «de borla» - nada de dividendos! O pagamento de dividendos deveria ser uma obrigação, prioritária em relação à atribuição de gratificações aos administradores, por exemplo. Mas não é. Então, se as empresas não pagam dividendos, porque hão-de as pessoas comprar acções? Porque se inventou um jogo de «dona branca» com elas! As pessoas, toda a gente salvo uma pequenina parte, sofre de cupidez e, por isso, caiu na armadilha da especulação bolsista como cai em todos os esquemas do tipo «dona branca» até que a polícia lhes ponha cobro.

Assim, ao longo de muitos anos, a bolsa tem servido para criar um fluxo de riqueza dos mais pobres para os mais ricos; porque o «pequeno investidor» só pode perder na bolsa, apenas o grande investidor pode ganhar.

Ora quando 70% da riqueza está na mão de 10% das pessoas, já não sobra riqueza suficiente para sustentar o casino bolsista. Então os grandes especuladores tiveram de deixar a bolsa e voltar-se para outro lado – foram especular com as matérias primas! A bolsa caiu, o preço das matérias primas subiu (mas abriram uma frente de batalha com os cartéis que controlam as matérias primas – felizmente há cartéis, como veremos noutro post... se o meu inconsciente o decidir...).

Como corrige o Sistema o problema? Criando um fluxo de riqueza para os mais «pobres»: os Bancos Centrais planeiam injectar cerca de um milhão de milhões de dólares.

Há quem pense que isto é inerente ao sistema e não tem problema: periodicamente surge uma crise destas, que se resolve desta maneira, e tudo retoma o bom caminho.
Mas pensemos: o dinheiro da Reserva Federal, ou do Banco Central Europeu, não é o dinheiro dos mais ricos, é de todos; quem injecta o dinheiro são todos os contribuintes. Isso significa que todos ficaram um pouco mais pobres (excepto os beneficiários da injecção). Então, alguns da classe «estacionária» empobreceram e dos que enriqueciam lentamente deixaram de enriquecer.

Tudo se irá repetir, é certo, mas a base de pobreza vai sendo cada vez maior pois continua a não haver espaço para o crescimento do PIB. Ou seja, a crise será cada vez maior. Portanto, o sistema tende para a ruptura.

Mas não é só isto. A massa crescente de pessoas que vai «batendo no fundo» fica numa situação psicologicamente muito má. Não podemos esperar que todas essas pessoas se resignem a isso. Revoltar-se-ão uns. Outros olharão para a sociedade como um campo de caça – todos os dias farão o seu assalto para prover as suas necessidades, a da sobrevivência e a de não ter menos que os outros. Este Capitalismo criou uma classe de pobres no interior de uma sociedade rica que não é uma sociedade de classes.

A assistência social pode assegurar a sobrevivência mas não a dignidade. Para assegurar a dignidade precisamos de um sistema que se preocupe com isso. Os Nórdicos têm um sistema desses. Terá os seus problemas, mas, pelo menos, mostra que isso é possível.

Se este é um problema grave, há outros ainda muito mais graves inerente ao actual sistema económico ocidental, que surgem ao fim de algum tempo. Num próximo post tentarei mostrar porque é que a cartelização é, por agora, a única forma conhecida de evitar catástrofes maiores – ou isso, ou um governo esclarecido, como o da China, que há muito compreendeu este e outros problemas cruciais. Pelo menos, é o que o meu inconsciente me sussurra...
.