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segunda-feira, março 15, 2010

Evo-Devo


A cropped version of the single illustration (full version) in Charles Darwin's 1859 book On the Origin of Species showing the left part of the diagram, as it appears in Daniel Dennett's book Darwin's Dangerous Idea (da wikipedia)



Evo-devo, ou Biologia Evolutiva do Desenvolvimento, é uma nova corrente de investigação da evolução que procura ultrapassar as limitações da teoria de Darwin. Um texto que achei interessante e acessível sobre o assunto foi publicado aqui (The Scientist); transcrevo uma «caixa» desse artigo:

You’re not only what you eat, but what your parents ate, and potentially what your grandparents ate.” — Randy Jirtle

A teoria de Darwin adapta-se bem à evolução nas espécies mais primitivas mas não às mais avançadas; recordemos os 4 postulados de Darwin (consoante a fonte, assim os postulados de Darwin; escolhi estes de fonte para mim a mais fidedigna, a tese de doutoramento do Rodrigo; tradução livre do original em inglês):

1-     as características (fenótipo) individuais são variáveis de indivíduo para indivíduo
2-     em cada geração são produzidos mais descendentes do que os que podem sobreviver
3-     a sobrevivência e reprodução dos indivíduos não é aleatória
4-     uma parte do fenótipo individual é passado à descendência

Como é evidente, a eficiência deste processo depende da taxa de reprodução e da taxa de mortalidade dos descendentes; nas espécies superiores, elas são baixas, e o número de descendentes não só é reduzido como existem mesmo mecanismos comportamentais de autolimitação do seu número.
Por outro lado, parece óbvio que se existe um processo evolutivo, esse mesmo processo terá gerado processos mais evoluídos de evolução – necessariamente que a Evolução terá evoluído. A Evo-Devo é, no fundo, a pesquisa desses processos mais evoluídos de evolução que actuam ao nível das espécies superiores.

Nada disto é novidade para os leitores deste blogue - é mesmo por isso que a refiro, para mostrar que há mais quem se abalance para além de teorias Darwinistas básicas e Criacionistas. Como se lembrarão, desenvolvemos um conceito lato de Inteligência, que não se reduz à biologia; compreendemos que o processo elementar de Inteligência, que designamos por «A+S», satisfaz os postulados de Darwin; que há processos mais sofisticados de Inteligência; que os próprios postulados de Darwin não excluem esses processos ao nível da geração da variedade dos fenótipos. Na verdade, nem sequer excluem uma intervenção divina: como são geradas as variantes do fenótipo? Só conseguimos conceber três maneiras possíveis: ou por mecanismos de acaso puro, ou em função duma experiência de vida (por feedback e acaso, portanto) ou por intervenção exterior (divina, extraterrestre, o que for). Pensar que podem ser erros de cópia genética nas espécies superiores é um disparate, o acaso puro tem de ser excluído; e com ele fica excluída também a Selecção Natural como mecanismo dominante do processo evolutivo nas espécies superiores.

Um caso relatado nesse artigo do The Scientist é o seguinte:

In one recent experiment, two groups of genetically identical Arabidopsis plants were exposed to either hot or cold conditions for two (P and F1) generations. The next generation (F2) from both experimental groups was grown at normal temperatures, but the offspring (F3) from both groups were grown in either hot or cold conditions. The F3 plants that were grown in hot conditions and descended from P and F1 plants also grown in hot conditions produced five times more seeds than did the F3 plants grown in hot conditions but descended from cold-treated ancestors. Because the chance of accumulating mutations within just two generations that led the heat-conditioned plants to thrive in hotter conditions was essentially nil, the authors conclude that inherited epigenetic factors affecting flower production and early-stage seed survival in those plants had to be at play. (C.A. Whittle et al., “Adaptive epigenetic memory of ancestral temperature regime in Arabidopsis thaliana,”Botany, 87:650–57, 2009).

Isto é entendido como uma evidência de evolução sem intervenção da Selecção e com transmissão de «experiência de vida», duas coisas contrárias à teoria de Darwin. Na verdade, não podemos classificar isto como evolução. Vejamos melhor.

Os avós da generalidade dos nossos intelectuais eram trabalhadores rurais, ou operários, ou pescadores; em duas gerações, muitos descendentes de pessoas preparadas para uma vida fisicamente dura tornaram-se intelectuais da mais fina água. Isto não foi evolução, não houve tempo para isso, as capacidades dos intelectuais de hoje já existiam potencialmente nos seus avós rurais. Tal como as capacidades dos intelectuais de hoje existem potencialmente nos rurais de hoje. Não há aqui qualquer evolução, como não o há no caso da Arabidopsis; como também não o há no caso das borboletas que nascem com a cor que mais se adapta ao meio. O que há é a evidência duma estratégia sofisticada de adaptação ao meio. E sistemática – é a partir da experiência infantil de vida que se definem os parâmetros que permitirão à forma humana adulta surgir adaptada ao meio que conheceu em criança. Duma maneira ou doutra, todos os seres vivos de complexidade média/alta assumem a forma adulta que mais se adapta à experiência de vida da geração anterior ou de um estadio prévio ao estado adulto.

Como é isto possível? Como é que o mesmo código genético, ou quase, tanto pode gerar um rural como um intelectual? Uma larva ou uma borboleta? Como é que animais de espécies diferentes têm códigos genéticos com diferenças mínimas? O que determina essas escolhas?

A resposta a estas questões abre o caminho para compreendermos um importante mecanismo da Evolução.Mas antes de falarmos disso há que percebermos porque é que compreendermos a Evolução é importante.


A importância de compreendermos a Evolução


A Evolução parece ser algo que apenas pode interessar a um estrito grupo de biólogos; nada mais errado. A evolução não é um processo específico da biologia, todo o Universo evolui, todos os sistemas físicos, biológicos e sociais. Ora é esta a importância da questão para toda a gente: a evolução da Sociedade. A capacidade de uma sociedade evoluir depende das suas regras. Notem que não depende de ser «organizada» - a sociedade das formigas está organizadíssima e não evolui. Ao longo da História, as sociedades humanas surgem, evoluem e depois estagnam durante séculos ou milénios, até que uma outra sociedade surja, noutra parte do globo, e vá interferir. A sociedade portuguesa estagnou há quase 5 séculos, não é verdade? Há quase 5 séculos que não evoluímos, somos simplesmente arrastados no processo evolutivo de outros. Em Biologia passa-se o mesmo: novas espécies surgem, têm um período rápido de evolução e, depois, estagnam – as tartarugas de hoje são como as de há muitos milhões de anos e como as do futuro enquanto não se extinguirem.

Não é trivial perceber os motores da evolução da sociedade humana. Mas nada é mais importante do que isso porque o primeiro objectivo da sociedade humana é… Evoluir! Não é a Igualdade, a Justiça, a Felicidade, a Segurança, a geração de Riqueza; é, simplesmente, a Evolução. E a Evolução é muito mais do que a Economia, ou o Direito, ou as Ciências Sociais ou a Gestão. É algo que ainda não se ensina nas universidades.

É por isso que as teorias sobre Evolução têm tido grande impacto em ideias orientadoras da sociedade. O Darwin não tem culpa nenhuma, mas o facto é que a interpretação das suas ideias reforçou o racismo, a Eugenia e foi suporte das duas guerras mundiais. A Eugenia, de que já falámos aqui, é assunto convenientemente branqueado, mas é tão dramático como as perseguições religiosas e a Inquisição. Ou pior.

A Evolução das espécies é portanto um campo privilegiado de estudo para podermos compreender a evolução da nossa própria sociedade. Para sabermos o que fazer para evoluirmos.

Ao falarmos de Evolução estamos, pois, a falar de Política.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Os Novos Conhecimentos: a Temperatura da Terra



Disse que dispúnhamos de dois novos conhecimentos que nos habilitariam a ir mais longe na compreensão da Evolução da Vida; um já foi apresentado, o de que a Vida dispõe, nas suas mais ínfimas formas, em cada célula, de ICV, ou seja, de Inteligência, que é a capacidade de resolver problemas novos, de Conhecimento, que é o conjunto das soluções dos problemas resolvidos, e de Vontade, que é a capacidade de tomar decisões.

Agora vamos falar do outro: a variação da temperatura da Terra ao longo do tempo.

A figura acima, publicada nest post, apresenta a curva da temperatura terrestre que decorre da teoria da Evanescência e assinala alguns acontecimentos relevantes na história da Vida. Esta curva não é conhecida da Ciência (a não ser o risquinho verde na ponta direita, que é a temperatura da Terra nos últimos 100 milhões de anos estimada por Crowley). Segundo a Física actual, o modelo que traduz a história térmica da Terra é o Snowball Earth, segundo o qual a Terra esteve congelada até há uns 500 milhões de anos, em consequência da radiação do Sol ser tanto menor quanto mais jovem a estrela (curiosamente, esta relação com a radiação solar teórica desapareceu da teoria, e o congelamento permanente da superfície transformou-se em episódios de glaciação global).

As evidências geológicas e biológicas a favor duma Terra quente e não duma Terra fria são esmagadoras, sendo a teoria do efeito de estufa pelo CO2, que serve agora tão convenientemente de suporte aos modelos do aquecimento global, uma tentativa falhada de explicação de tão extraordinária evidência. Sabiam que a origem da teoria do CO2 foi a necessidade de explicar o passado quente da Terra?

No artigo da Nature que citamos aqui, é publicado o seguinte gráfico da temperatura dos oceanos no passado:

Este gráfico apresenta as temperaturas máximas de proteínas ancestrais reconstruídas (EF = elongation factor) sobreposto a curvas obtidas por análise de isótopos de oxigénio. Como se pode ver, estas temperaturas são extremamente altas, impossíveis de explicar pela física actual. E este é apenas um dos muitos testes que indicam consistentemente temperaturas muito altas no passado terrestre.

A estimação da temperatura a partir dos dados geológicos e biológicos tem cometido recorrentemente um erro básico: presumir que a temperatura de ebulição da água é de 100 ºC. Ora isso só é verdade à pressão atmosférica actual; numa Terra mais quente, o vapor de água aumenta a atmosfera e a pressão, elevando consideravelmente o ponto de ebulição. Se estes estudos atendessem ao aumento de pressão que decorre necessariamente de uma temperatura mais alta, os valores de temperatura obtidos seriam mais altos, provavelmente em plena conformidade com a curva que apresentei.

Os autores do citado trabalho concluem que:

Our results suggest that early life lived at an environmental temperature similar to those of today’s hot springs. Particular geological theory and evidence suggest that the ancient ocean also had temperatures similar to those of hot springs.”

As «hot springs» são fontes de água aquecida por geotermia; especialmente relevantes para este efeito são as submarinas, que suportam formas de vida que não dependem do Oxigénio, a temperaturas que chegam a ultrapassar os 100 ºC, possíveis porque a essa pressão o ponto de ebulição da água é muito acima dos 100ºC.

Portanto, independentemente de considerarmos ou não a teoria da Evanescência, a vida surgiu e evoluiu em temperaturas insuportáveis para as formas de vida correntes de hoje; e se pensarmos que, por exemplo, o Homem não poderia existir quando os dinossáurios dominavam a Terra porque as condições de temperatura e humidade seriam insuportáveis (a 40ºC de temperatura, os 100% ou quase de humidade relativa tornariam inútil o nosso sistema de arrefecimento), e que isto ocorreu há menos de 3% da idade da Terra, começamos a suspeitar que o calendário da evolução da Vida foi escrito pela evolução da temperatura terrestre.

Isto nunca foi considerado na análise da Evolução. E tem consequências da maior importância.

Sugiro, para os mais interessados, a leitura dos 3 posts publicados sobre o assunto antes de avançarmos; além dos dois já indicados há mais este. Se seleccionarem a etiqueta «Evolução da Vida», estão os três seguidos em Janeiro / Fevereiro de 2008.

sábado, agosto 29, 2009

Inteligência+Conhecimento=Vontade


Maravilhamo-nos com a complexidade e sofisticação da Vida e vemos nela a obra de um Criador; pois é isso que a experiência nos ensina, nada surge por acaso ao nosso redor. E sabemos quem criou tudo o que surge de novo: nós! Existe o automóvel? Nós o criamos. Temos casa? Nós a fizemos. Computadores? Nós o inventamos. Toda a obra que não é obra da Natureza é nossa obra. E se toda essa obra tem um criador, então a Vida, a Natureza, o Universo também o terão. Assim o diz o nosso complexo neuronal, este é o conhecimento que ele colheu do mundo.

Mas agora vamos usar a Razão.

A nossa obra resulta da nossa Inteligência e da nossa Vontade. Não é de um Criador que ela precisa, é duma Inteligência e de uma Vontade.

Certo, dirão, mas é o mesmo, a Inteligência e a Vontade são propriedades do criador de qualquer obra, não existem sem ele.

Isso é de facto o que observamos. Não conhecemos Inteligência ou Vontade fora de nós. E sentimos, que sentir é o pensar do Inconsciente, que esta nossa Inteligência e Vontade têm uma origem diferente de tudo o que observamos porque naquilo que observamos não encontramos nem uma coisa nem outra.

Mas a Razão alerta-nos: conhecemos muito pouco, não podemos tirar conclusões como se conhecêssemos tudo! Também Aristóteles concluiu que os objectos que brilham no Céu não podem ser feitos de matéria porque a matéria não pode arder indefinidamente.

Ao longo de vários posts fomos percebendo como a Inteligência pode resultar de processos naturais; percebendo que a nossa própria inteligência pode ser o resultado de processos naturais e não uma «centelha divina». O que não quer dizer que não exista essa «centelha divina», mas apenas que ela não é condição sine qua non para que exista Inteligência.

Sim, é certo, dirão alguns, podemos compreender que os processos naturais possam ter um desenvolvimento que resulte em estruturas mais complexas e organizadas, como se desenhadas por um «grande engenheiro», mas a progressão desses processos não é o resultado de nenhuma «vontade», é sempre a consequência necessária, determinística, única, do estado anterior.

Será?

O que é que resulta de um processo Inteligente? Uma estrutura mais sofisticada? Sim, é certo. Mas isso é, ao mesmo tempo, algo mais – é um Conhecimento.

Quando utilizamos a nossa inteligência para resolver um problema novo e o conseguimos, obtemos um Conhecimento. Não é a única forma de obter um conhecimento, podemos também «aprender». Ou seja, o Conhecimento pode ser transmitido. Mas antes disso tem sempre de ser criado. E é criado por Inteligência.

Temos então uma cadeia: um processo Inteligente produz um Conhecimento; depois, o processo Inteligente usa este Conhecimento para produzir mais Conhecimento; e assim sucessivamente, formas cada vez mais poderosas do par Inteligência-Conhecimento se vão desenvolvendo.

E a Vontade? Donde vem a nossa Vontade?

A nossa Inteligência e o nosso Conhecimento analisam as informações que recolhem e, em face de um critério de selecção definido, resolvem o problema de saber qual a actuação que devemos ter para cumprir esse critério. As instruções fornecidas então ao nosso organismo para cumprimento dessa actuação constituem o que identificamos como «Vontade».

Sem dúvida que a nossa Vontade é um produto da nossa Inteligência e Conhecimento. Conhecimento que pode ter sido adquirido por nós, herdado geneticamente ou até, sabe-se lá, captado por algum receptor que tenhamos na cabeça.

Mas a Vontade não é um exclusivo nosso. Qualquer ser vivo exibe Vontade. A diferença entre nós e os seres vivos mais elementares está em que nós podemos ter Consciência desse processo. Mas uma simples e descerebrada estrela-do-mar tem Vontade como nós, uma Vontade que actua para que ela viva e se reproduza.

Então, se já vimos que a Inteligência resulta de processos naturais, sendo abundante na natureza, e se percebemos que à Inteligência vem sempre Conhecimento associado, temos de concluir que também a Vontade é um processo natural, porque onde há Inteligência há Conhecimento e, logo, Vontade!

A conclusão, portanto, é que há Vontade a actuar sobre os processos naturais. Não sei como, ainda mal percebo os processos Inteligentes, pior ainda os processos de Conhecimento, mas percebo que existe uma cadeia inexorável a ligar as três coisas e se existe Inteligência, existe fatalmente Conhecimento e Vontade.

Não estou a falar de uma Vontade consciente. Nem sei se sei o que isso seja. Sei que nem sempre a nossa vontade é consciente, só ficamos conscientes dela pela observação da sua acção. Somos observadores de nós próprios, da nossa Vontade; mas ela existe independentemente da nossa consciência dela.

A Consciência é um processo misterioso que eu ainda não consegui explicar minimamente por processos naturais. O que não quer dizer que não resulte de processos naturais. Ou outros. Não sei.

Mas acho fascinante começar a suspeitar que a Natureza dispõe de Inteligência, Conhecimento e Vontade. Tal como a Estrela-do-Mar tem uma Vontade que a leva a fazer o que lhe é necessário e possível para manter a espécie viva, também a Natureza terá uma Vontade que faz acontecer o que é necessário e possível para que a Vida permaneça.

E qual é a importância de colocar a possibilidade de a Natureza dispor intrinsecamente de Inteligência, Conhecimento e Vontade?


terça-feira, agosto 18, 2009

O Universo Perfeito não é Dominó nem Roleta


A regra de Titius-Bode levanta a suspeita de que na origem do planeta Terra estará uma outra Máquina Perfeita; e assim é. Essa máquina está no Sol (noutra altura descreverei) e a única coisa variável no sistema planetário de estrelas como o Sol é a divisão de massa entre cada planeta e seus satélites. Todas as “Terras” têm uma “Lua” mas a divisão de massa entre uma e outra é aleatória. Isso não é irrelevante, porque se a “Terra” for bastante mais pequena, não existirá a pressão atmosférica necessária à formação das moléculas de azoto nem a dimensão necessária ao jogo de probabilidades que garante o «bilhete premiado» na lotaria da Vida.

Portanto, muitas estrelas como o Sol terão um sistema planetário como o nosso, e em muitos deles existirão as condições necessárias ao aparecimento de Vida do tipo da que existe na Terra.

Mais uma Máquina Perfeita, portanto, tão Perfeita para gerar uma Terra como a Terra é Perfeita para gerar a Vida. E como surge esta Máquina Perfeita de produção de “Terras”?

Não vou apresentar uma teoria sobre a formação das estrelas, mas nesta altura já devem suspeitar que deve ser um processo, uma Máquina, que fabrica de forma clara e determinística um produto de características definidas.

No último post do «outrafísica» mostra-se como se formam as zonas de maior concentração de matéria nas Galáxias, os braços espirais – mais um processo simples e elegante na sequência que transformou a baixíssima densidade inicial na densidade necessária à formação de corpos. Como se mostra no «outrafísica» a distribuição inicial uniforme e isotrópica transforma-se em superfícies esféricas ocas, estas originam anéis de intersecção, e estes as galáxias.

O estado inicial, a Máquina Primeira, a mãe de todas as coisas, é a máquina mais simples possível, uma distribuição uniforme e isotrópica de «partículas elementares»; e tudo se desenrola a partir daí obedecendo a Leis que são o mais simples possível.

Será que, como disse a Metódica num comentário, é tudo como um dominó em que a queda de uma peça origina a sequência de queda de todas as outras?

Notemos o seguinte: o que resulta da queda das peças dum dominó é a consequência necessária das posições iniciais. O estado inicial contém já o estado final. Num processo determinístico típico, toda a informação está já no estado inicial.

É por isso que os cientistas analisam desesperadamente o Ruído de Fundo Cósmico à procura de anisotropias. De Informação inicial.

Só que no Estado Inicial não existe informação nenhuma. A distribuição uniforme e isotrópica representa a ausência de informação, (informação = variações locais dos valores dos parâmetros; existem apenas valores globais, nomeadamente a densidade inicial.)

É por isso que o Universo não é um Dominó gigante, mas um seu oposto – porque é independente duma informação inicial.

Por outro lado, a concepção «científica» actual é que a história do Universo é uma sequência de Acasos, a começar pelo acaso que teria ditado hipotéticas anisotropias iniciais. Muitas pessoas se extasiam perante a maravilhosa e irrepetível sequência de acasos que teria conduzido a este impossível e único acontecimento que é a Vida. Extasiam-se perante um Universo infinitamente imperfeito donde teria emergido esta coisa infinitamente perfeita que é o ser humano. Emergido do pó ou do barro pela mão do Acaso ou de um Deus. O conceito científico ou o religioso, erudito ou popular, é essencialmente o mesmo, aquele que as nossas mentes ignorantes conseguem construir com os nossos raciocínios breves.

Mas não é nada disso. O Acaso aqui é apenas um instrumento de um processo determinístico. A Vida nem é fruto do Acaso nem será um acontecimento improvável nem único. O Universo é subtilmente «perfeito».

A Vida é a consequência determinística e necessária de um estado inicial onde... nada parece estar escrito! A Vida não resulta nem de Informação contida no estado inicial nem da intervenção do «dedo» do Acaso... ou do «dedo» de um Deus...
mas exactamente da sua não-intervenção neste processo que se inicia com a não-informação.

Repare-se no aparente paradoxo que aflige as nossas limitadas meninges: no estado inicial da matéria, onde nada está escrito porque não contém Informação, já tudo está escrito, porque o que sucede depois está deterministicamente definido!

A perfeição do Universo transcende a nossa compreensão. A Vida é um reflexo dela. A consequência necessária e incontornável do... nada!

O facto de o Acaso, ou os Deuses, não terem intervenção no processo evolutivo global do Universo não significa que não existam. Nem que não actuem a uma escala local –
tal como o facto de haver um vencedor do euromilhões nada ter a ver com o Acaso mas o facto de ser Fulano e não Sicrano a ganhar só ter a ver com o Acaso. Ou com os Deuses.

Mas se a Vida não resultou de Informação Inicial, que não existe, nem da intervenção do Acaso ou dos Deuses, a evolução da Vida também pode depender apenas dela própria. Significa isto que não há, portanto, uma Vontade, uma Finalidade? Ou o contrário?

domingo, agosto 02, 2009

Universo: sequência de Máquinas Perfeitas

A Terra é a Máquina Perfeita para gerar a Vida que nela existe. O que quer isto dizer? Quer dizer que a Vida não é um acontecimento improvável nas condições terrestres.

O que é que torna a Vida num acontecimento provável na Terra? Um conjunto preciso de condições. Várias e todas elas bastantes críticas para que a Vida possa ter surgido. Como se tivesse sido desenhado para ser assim.

Um Grande Engenheiro que quisesse projectar uma máquina para fabricar a Vida que conhecemos, projectaria a Terra. Ou seja, projectaria um sistema que assegurasse certas temperaturas e pressões de forma estável mas decrescente a fim de permitir a formação de moléculas com Azoto e assegurar a sua estabilidade; um banho de Dióxido de Carbono supercrítico mas em condições suavemente decrescentes de pressão e temperatura, para permitir o crescimento de macromoléculas; e um banho final de água salgada para forçar a formação da membrana celular.

(para mais detalhes podem consultar a etiqueta «A Origem da Vida»; e se pensam que a comparação com um projecto de engenharia é excessiva, faço notar que existe uma patente para fabrico de compostos azotados - adubos - que define condições do tipo das da Terra inicial)

Neste quadro, o Acaso é uma função usada por esta máquina para achar a combinação «vencedora» mas o resultado final não depende do Acaso – ele acontecerá fatalmente nesta Máquina. É como o Euromilhões: haver um vencedor é um acontecimento de elevada probabilidade.

A concepção corrente presume que a Vida é um acontecimento improvável, um Milagre; que a Terra é fruto de um Acaso improvável num processo caótico de condensação de uma nuvem de matéria; idem para o Sol, e para a Galáxia, consequência de uma anisotropia fortuita na distribuição da matéria a seguir ao Big Bang.

Será que a evolução do Universo é uma sequência determinística de acontecimentos prováveis, ou será que é um passeio aleatório de acontecimentos improváveis? Ou seja, será uma sequência de Máquinas Perfeitas ou uma sequência de Acasos?

Para o saber temos de procurar a sequência de Máquinas, pois a outra hipótese não é testável. A primeira Máquina a procurar é a de produzir planetas “Terra”. E, para o fazer, só temos de pensar como um Engenheiro.

Definamos os objectivos do projecto: para começar, precisamos de um sistema onde esteja disponível uma ampla variedade de elementos, do hidrogénio ao ferro pelo menos; precisamos de temperaturas e pressões iniciais numa certa janela de valores e que sejam estáveis; e precisamos de um processo lento de arrefecimento.

Para produzir os elementos, precisamos de uma fornalha de fusão nuclear. Depois, precisamos de juntar os elementos produzidos e submetê-los a um aquecimento adequado, o que pode ser conseguido colocando os materiais em órbita a adequada distância da fornalha (uma estrela); como não sabemos a priori qual é a distância certa, precisamos de um sistema que gere uma variedade de distâncias; e precisamos que esse aquecimento seja estável, logo a órbita não pode ser muito elíptica, tem de ser tão circular quanto possível.

E aqui temos já um parâmetro que condiciona altamente o projecto: a órbita tem de ser circular! Escusamos de pensar em máquinas que gerem órbitas elípticas, precisamos de uma que gere órbitas circulares! Ora um processo de condensação de matéria gera órbitas elípticas, logo não serve!!!! É preciso um processo doutro tipo!

Aqui entramos em oposição com as ideias correntes: a Máquina de produzir «Terras» não pode ser uma condensação de nuvem de matéria, como se afirma, mas tem de ser um processo que produza órbitas circulares!

Não vou agora descrever a Máquina de produzir Terras, mas digo-vos que, tal como aconteceu com a Máquina de produzir Vida, também a forma como os sistemas planetários são gerados corresponde exactamente àquilo que um Grande Engenheiro projectaria! Novamente, encontramos uma Máquina na qual ocorre uma sequência precisa de processos que conduz à formação de sistemas planetários com as exactas características definidas. Como se tivesse sido desenhada para esse fim.

E se prosseguirmos nesta via, projectando a Máquina que produziria a Máquina de produzir Terras, novamente vamos encontrar exactamente o que um Grande Engenheiro projectaria.

Noutro lugar e ocasião apresentarei as sucessivas Máquinas, cuja compreensão é fascinante. Por agora, meditemos sobre a sua existência.

Será que existe mesmo um Grande Engenheiro que vai definindo os caminhos da evolução do Universo? Continuemos a análise.

Na verdade, a história do Universo tem de ser a sequência dos acontecimentos prováveis e não dos improváveis; «Milagre» e «Acaso» são as explicações da Ignorância, porque suportam-se no conhecimento nulo sobre as coisas. Para subirmos um degrau na compreensão do Universo temos de entender estas Máquinas Perfeitas cuja sequência faz o passado e fará o futuro do Universo.

Uma característica relevantes destas Máquinas Perfeitas é que usam o Acaso como ferramenta, mas não dependem do Acaso.

Vejamos um exemplo. Suponhamos que queremos fazer um programa para determinar a raiz cúbica de qualquer número dado mas não conhecemos um algoritmo para isso; então, podemos fazer o seguinte: escrever uma rotina para gerar aleatoriamente números e testar cada número multiplicando-o por si próprio duas vezes – quando obtivermos o número dado, temos a solução.

Para este caso elementar, isto pode parecer um processo ridículo; mas já é adequado se quisermos resolver problemas de alta complexidade.

Este programa resolve o problema, faz uso do Acaso, mas o resultado não depende do Acaso.

Percebemos pois que o Acaso possa ser usado como ferramenta mas que a sequência de acontecimentos seja independente dele; porém, no exemplo acima, o programa teve de ter alguém para o conceber; e no Universo, como é?

Para sabermos a resposta teremos de ir à procura da Máquina Primeira, aquela que deu origem à sequência de Máquinas Perfeitas.

sexta-feira, julho 17, 2009

A Pedra Angular

É conhecida a hipótese de que a Vida poderia ter começado numa atmosfera especial onde abundavam descargas eléctricas. Isto porque o primeiro grande problema da química da vida é a fixação dos átomos de Azoto. Contrariamente aos de carbono, oxigénio e hidrogénio, os do azoto só muito dificilmente se ligam aos restantes. Mas com umas faíscas consegue-se.

O problema é que as faíscas, embora permitam obter uns compostos de azoto elementares, destroem as cadeias longas necessárias à vida. A vida nunca poderia surgir numa atmosfera de faíscas. As experiências de Miller e outras só provam uma coisa: só por Milagre poderia a Vida surgir, ou sobreviver, em tal ambiente. Portanto, se a Ciência está certa, apenas um Deus pode explicar o aparecimento da Vida porque apenas um Deus faz milagres.

Alguns autores começaram a notar que a química da Vida exige condições de alta temperatura e pressão. A teoria da Ecopoese será o melhor exemplo. Mas como poderiam tais condições ter existido na Terra?

A Teoria da Evanescência dá a resposta: a Terra já esteve mais perto do Sol. As condições da atmosfera terrestre durante os dois primeiros milhar de milhões de anos seriam as ideais para formar a química da Vida. Até ao mais pequeno detalhe – a composição, temperatura e pressão iniciais e a sua variação ao longo do tempo. A Terra foi a máquina perfeita para fabricar a Vida! Na verdade, as condições iniciais são semelhantes às que os humanos engenheiros definiram para o fabrico de compostos de azoto (adubos)!

Cai o queixo de assombro! O Grande Engenheiro não fabricou a Vida, fabricou a máquina de fabricar a Vida!! Óbvio!!! Os engenheiros são assim mesmo, eles não fabricam as coisas, quem fabrica coisas são os artesãos, os engenheiros concebem as máquinas que fabricam as coisas!!!!! Afinal, a Vida não resulta de um milagre, da intervenção do dedo de um Deus, mas é criada por uma máquina concebida por um Grande Engenheiro.

Como funciona esta máquina da Vida?

O Euromilhões pode ajudar-nos a percebê-la.

Um de nós ganhar o Euromilhões é um Acaso, um milagre, algo que mudaria o nosso destino; mas haver um ganhador semanal não é milagre nenhum; e haver pelo menos um por mês é quase certeza absoluta. Assim, um acontecimento que é fruto do Acaso à nossa escala, nada tem a ver com Acaso a uma escala suficientemente grande, pois passa a ser apenas uma consequência das regras e do meio.

A Terra inicial era uma máquina de gerar «chaves do euromilhões»: uma quantidade imensa de átomos formava continuamente combinações. A «chave certa» terá sido uma pequena cadeia de umas centenas de átomos que surgiu estável, capaz de crescer e com certas propriedades.

Assim, nas condições existentes na Terra, o aparecimento da Vida tornou-se algo tão determinístico e certo como haver um ganhador do euromilhões na Europa.

Não foi pois um Milagre, ou seja, a intervenção directa de um Deus, que produziu a Vida na Terra. E também não precisamos de procurar uma origem extraterrestre para a Vida, porque as condições ideais, ao mais ínfimo detalhe, estavam aqui.

Esta Terra inicial não era uma máquina tipo «máquina-ferramenta», destinada à produção em série de um produto pré-definido; era uma máquina de Inteligência, um sistema de «geração de hipóteses + selecção» em que a geração de hipóteses era controlada pelo Acaso – uma máquina «A+S». Uma máquina para resolver um único problema: encontrar a fórmula da Vida.

O pensamento desarvora: e se a Evolução da Vida é também consequência necessária dos diferentes cenários que se vão sucedendo? E se a célula viva contém alguma espécie de «máquina de Turing», ou um qualquer outro sistema de Inteligência? Se o Humano é, tal como a própria Vida, a consequência necessária da condições da Terra?

Será que o Grande Engenheiro apenas teve de conceber a máquina Terra e o resto é tudo consequência? Ou não?

A Máquina de Vida a que chamamos Terra surge-nos pois como uma pedra angular da obra do Grande Engenheiro. Seguindo a seta do tempo, encontramos a questão: o que é a Grande Inteligência / Grande Conhecimento que moverão a Evolução e como o farão? Seguindo o sentido contrário, encontramos a questão: como terá sido construída esta fabulosa máquina de fabricar Vida que é a Terra?

Sobre a Grande Inteligência que move a Evolução, já percebemos algumas coisas: como a Inteligência pode ser um fenómeno natural, e como sistemas naturais podem ser imensamente inteligentes, algo que não nos passaria pela cabeça antes de começarmos a pensar no assunto; mas ainda estamos nos primeiros passos. E do Grande Conhecimento ainda não descobrimos nada.

E andando para trás na seta do tempo? Caminharemos no sentido da complexidade decrescente, logo provavelmente mais simples de compreendermos. A Terra será obra directa ou indirecta do Grande Engenheiro? Ou foi um Acaso, um Milagre, que fabricou tão perfeita máquina, como pretendem os cientistas, que garantem que a Terra é o fruto dum processo caótico de condensação duma nuvem de matéria? Se é como a Ciência diz, então poderemos concluir que existe um Deus porque só o dedo de um Deus faria com que do processo caótico de condensação de uma nuvem de matéria se formasse tão improvável combinação de componentes e condições que caracterizaram a Terra inicial.

Como é? Será que é no processo de formação da Terra que surge uma intervenção sobrenatural que inicia a cadeia de acontecimentos que conduziu até nós?

terça-feira, julho 07, 2009

À procura de uma Vontade: o Grande Engenheiro



Fascinante o Olho! Como é possível que células vivas se tornem completamente transparentes para formar o cristalino? E toda aquela complexa maquinaria óptica ligada a um feixe imenso de nervos que conduz os impulsos a um computador mais potente que qualquer dos nossos supercomputadores? Como pode ter surgido tal maravilha? Obra de uma Grande Inteligência com certeza, um Grande Engenheiro, que outra coisa poderemos pensar, a priori, perante tal maravilha?


Um Grande Engenheiro pode implicar a existência de uma Finalidade, um Grande Projecto, uma Vontade. Será que podemos perceber qual seja esse Grande Projecto?

Não estou a falar de um «Deus», é claro; os deuses têm outros poderes, como transformar água em vinho ou pão em rosas. Ou castigar, orientar, perdoar. Averiguar a existência de deuses é uma outra pesquisa, aqui estou só a raciocinar sobre factos objectivos e do conhecimento de todas as pessoas. Sem obedecer a metodologias nem a crenças, sem medos nem presunções, usando apenas uma Lógica Inocente.


Analisemos o processo que conduziu ao Olho, à procura de entendermos algo mais sobre o Grande Engenheiro.


O Olho não apareceu de repente, há toda uma série de máquinas ópticas anteriores. Será que o Grande Engenheiro, como os humanos engenheiros, foi desenvolvendo modelo após modelo, servido embora por uma inteligência muito superior, uma Grande Inteligência? Ou o Grande Engenheiro tem o Grande Conhecimento e tudo o que existe forma um conjunto inteiro, perfeito em cada uma das partes? Pois que o olho do insecto não poderia ser igual ao nosso, o insecto dispõe do projecto óptico perfeito para ele como o nosso o é para nós; o olho do insecto não é um «olho primitivo» mas um produto final optimizado para o insecto.

Ou seja, será que o Grande Engenheiro se caracteriza pela Grande Inteligência, isto é, vai desenvolvendo novas soluções sobre as anteriores, ou pelo Grande Conhecimento, isto é, põe em prática aquilo que já sabe?

Qual é a importância desta discussão? É que a Inteligência pode ser uma capacidade endógena da célula, da espécie ou mesmo da Vida, tal como é uma capacidade endógena do nosso cérebro; e pode ainda ser uma propriedade de sistemas naturais, não vivos. Pode não implicar um Projecto, uma Finalidade. Mas o Grande Conhecimento será exógeno e implica um Projecto.

O facto de as espécies aparecerem segundo um grau crescente de complexidade aponta para a Grande Inteligência. Será?

A análise da evolução da temperatura terrestre sugere, à primeira vista, uma resposta diferente: a temperatura terrestre cresce monotonamente em direcção ao passado (ver aqui) ; então, nós não podíamos existir quando surgiram insectos, peixes, batráquios e répteis porque era quente demais para as nossas células! A temperatura óptima de reprodução de certas moscas, por exemplo, é de cerca de 45ºC, retratando a temperatura terrestre na altura da génese dessa espécie. Antes de nós, as células tinham de ser menos sofisticadas do que as nossas, terem proteínas mais simples, para terem uma «janela térmica» mais larga!

Ao compararmos o surgimento das diferentes formas de vida e o gráfico da temperatura da Terra, percebemos que elas surgiram quase logo que possível! Isso explicaria porque os diferentes níveis de desenvolvimento surgiram de forma «explosiva»: surgiram assim que a temperatura baixou o suficiente!
(claro que este «assim que» é relativo a estas escalas de tempo – pode ser de vários milhões de anos)


. A temperatura da Terra no passado e o aparecimento de diferentes graus de complexidade da Vida.


Poderemos então concluir que o Grande Engenheiro dispõe do Grande Conhecimento? E a sequência do aparecimento das espécies traduz não um processo evolutivo mas simplesmente a introdução das espécies de acordo com a temperatura na altura?

Não necessariamente, ainda há uma alternativa: pode não ter o Grande Conhecimento mas dispor de uma Grande Inteligência, que lhe permitiu avançar rapidamente na Evolução sempre que a temperatura o consentiu. Note-se que mesmo no caso do Grande Conhecimento, a introdução de novas espécies só pode ser feita por pequenos passos, por sucessivas modificações de espécies anteriores, pois cada indivíduo descende doutro. Assim, tanto a Grande Inteligência como o Grande Conhecimento podem explicar a evolução rápida que ocorreu sempre que a temperatura desceu o suficiente para permitir um novo grau de complexidade proteica.


Mas há um aspecto que ressalta: qual é a temperatura óptima para as proteínas, aquela que permite a máxima complexidade? Ora a resposta é: cerca de 37ºC! Uma temperatura que já foi ultrapassada há perto de 150 milhões de anos!

Que nos diz isso? Que não há limitação térmica à introdução de espécies mais avançadas desde há mais de 100 milhões de anos. Os animais de «sangue quente» são já uma adaptação ao frio! As células dos dinossáurios já podem ter sido tão avançadas como as dos animais de sangue quente, apenas não tinham sistema de «aquecimento» porque não precisavam, a temperatura da Terra na altura era a ideal. Os Dinossáurios não seriam pois répteis, por isso se deslocavam como os animais de sangue quente que lhes sucederam e não como os répteis. E por isso se extinguiram. Os Dinossáurios foram extintos pelo brusco abaixamento térmico que sucedeu a seguir ao Evento catastrófico que ocorreu há cerca de 60 milhões de anos e já estavam em vias de extinção na altura, porque a temperatura já estava baixa demais para as suas sensíveis proteínas em células sem «aquecimento».

Podemos então estranhar que tantos milhões de anos tenham sido necessários para se chegar ao Humano actual se o Grande Engenheiro dispusesse do Grande Conhecimento. Esta «lenta» evolução para o Humano parece mais de acordo com uma Grande Inteligência do que com um Grande Conhecimento porque nada parece ser impeditivo de que um Grande Conhecimento originasse os Humanos há dezenas de milhões de anos atrás.

Muitas questões se colocam aqui, para as quais não temos resposta satisfatória nesta altura. Precisamos de entender porque é que a Evolução desenha uma árvore tipo Araucária. Uma coisa parece certa: esta «árvore» já não lança ramos, cresce, se crescer ainda, apenas pelo tronco. Este ponto carece de uma análise extensa, que fica para ser feita nos posts sobre Evolução. Temos de nos virar para outro lado, procurar acontecimentos marcantes onde a intervenção do Grande Engenheiro se possa perceber com mais clareza. E, para isso, nada como a Origem da Vida, não é verdade? Pois é este o mais misterioso de todos os fenómenos, a passagem do inanimado para o animado.

(continua)