domingo, agosto 05, 2007

Presas e Predadores (1)


Hoje é uma data muito importante!!! Sabem o que marca o dia de hoje?

Nããããoooo!

Marca o vosso primeiro grande passo em direcção ao Futuro! Hoje, vocês vão começar a saber coisas sobre o Universo que mais ninguém sabe. Coisas essenciais, que determinam a evolução do Universo, que permitem entender o porquê e o para onde. O Passado e o Futuro! Hoje, vocês vão começar a ser donos do Passado e do Futuro numa escala que nunca vos passou pela cabeça que fosse possível.

Xiiii, isso até assusta!

É um comentário. Mais comentários?

Não acredito nisso. É um desafio irrecusável. Estou para ver. Quando é que começamos? Paga-se imposto? Ahahahah

Pela vossa reacção, vejo que, como de costume, estão cheios de curiosidade. Vamos lá então. Vamos falar de um fenómeno essencial à evolução do Universo. É um fenómeno Físico completamente desconhecido dos cientistas. Porém, há um fenómeno análogo bem conhecido em biologia e ecologia: o ciclo Presa-Predador.

Presa-predador? Já ouvi falar nisso! Não é aquela coisa das raposas e coelhos, quando há muitos coelhos o número de raposas cresce porque têm muito alimento.

Exactiiiissimamente! Muito bem Laura. E o que acontece quando o número de raposas cresce muito?

Hummm, os coelhos vão ser dizimados...

Certíiiiiissimo Nuno! O número de coelhos comidos pelas raposas ultrapassa os que nascem e o nº de coelhos começa a diminuir. E então o que irá acontecer?

Ora, se o nº de coelhos diminui, então as raposas deixam de ter alimento e começam também a diminuir de número..

Exaaaaaaaaaacto! Muito bem Pat!

Ehehe, de bichos percebo eu...

Portanto, temos aqui um processo onde o número de raposas varia no mesmo sentido do número de coelhos – quanto mais coelhos, mais raposas, quanto menos coelhos, menos raposas...

E o número de coelhos varia inversamente ao número de raposas – mais raposas implica menos coelhos e menos raposas implica mais coelhos!

Muito bem António!!! É isso exactamente. Podemos caracterizar este processo em termos gerais dizendo que temos uma realimentação positiva no sentido coelhos->raposas e negativa no sentido inverso.

Em 1925/1926 dois matemáticos, independentemente, Alfred Lotka e Vito Volterra, apresentaram umas equações para este processo, que são conhecidas pelas equação de Lotka-Volterra.

Na figura podem ver como varia tipicamente uma população de coelhos e raposas de acordo com estas equações.

Mas é assim uma variação tão certinha?

Claro quer não, Filipa. Estas equações são muito simples. Mas dão-nos uma primeira ideia das características essenciais deste processo que, como vos disse, é um processo essencial do Universo.

Não sabia que coelhos e raposas eras essenciais ao Universo...

Ahahahah


Riem-se? Pois digo-vos que as curvas da figura não representam apenas coelhos e raposas. Representam também o pulsar do coração de todas as estrelas.

Coração das estrelas? Agora as estrelas têm coração????

Pois é. Grande surpresa, não é verdade? Reparem, para já, numa característica típica destas curvas: o tempo de subida da curva das raposas é menor que o de descida. Se forem ver as curvas dos ciclos de manchas solares encontrarão a mesma característica.

No nosso próximo encontro veremos como bate o coração do Sol.

14 comentários:

antonio disse...

Espero que as manchas solares se comportem melhor, porque aqui pelo planeta, as raposas já se comem umas às outras, e não estou a falar só da CML.

Tarzan disse...

Isto está a aquecer. Não estivessemos nós a falar do Sol.

bruno cunha disse...

bate coração de estrela, bate...
ok, mal posso esperar pelos novos batimentos mas acho que vem aí os celébres ciclos das estrelas, aos quais o nosso Sol não escapa, obviamente...

alf disse...

Bruno, então achas que eu iria gastar o meu e o vosso tempo a falar de coisas conhecidas? Nããã... daqui não sai nada que seja conhecido no presente... o Sol tem grandes surpresas!!!

António e Tarzan, preciso de ter umas aulas de humor com vocês. Na realidade, já estou a ter...

Um abraço

Fa menor disse...

Tou a começar a ficar fã deste blog! Ai se estou!

alf disse...

Obrigado Fa!
O barco está quase a começar a viagem; por agora foi tudo tranquilo, enquanto se carregava o barco. À frente esperam-nos belos momentos mas também borrasca da grossa... vai exigir estomâgos sólidos, olá se vai...o seu mundo de Paz e Amor pode ajudar esta viagem...

antonio disse...

Este barco é como a arca de Noé: plantado no meio do deserto à espera do dilúvio!

Feitixeira disse...

Do coração das estrelas percebo eu... ou não fosse eu enfeitiçadora de astros :)
Tenho esperança que fales um pouco do coração da lua, das suas faces, das suas paragens cardíacas causadas pelo excesso de "pessoas com a cabeça na lua"...
Gostei muito do blog! É original e colorido :)
Um beijinho lunar***

alf disse...

António, continua fabuloso... vou pôr umas gotas de chuva no próximo post...

alf disse...

feitixeira, bem vinda!

Do coração da Lua percebes tu, ao teu blogue eu vou para contigo aprender:)

Aqui iremos trilhar caminhos doutra vasta magia, e uma feitixeira vem mesmo a propósito.

(eu sei que este blogue agride a estética; a finalidade é facilitar a leitura, colorindo as vozes, mas confesso que não me sinto lá muito feliz...)

O teu beijinho é um grande estímulo. Um beijo solar para ti.

Feitixeira disse...

As cores não são agridem a estética, apenas sopram uma luz diferente sobre as palavras.

Da lua vem mais um beijo***

leprechaun disse...

Pois à conta destes tais mistérios solares, tenho devorado tudo o que há por aqui de vídeos e textos sobre o sol, tanto os que têm o aval da ciência como os outros mais místicos e especulativos.

Ao que vejo, estamos sensivelmente no início da 2ª metade de um novo ciclo de 11 anos, que vai de 2001 a 2012, onde atingirá o seu apogeu. Ou seja, tal como no gráfico acima, as manchas atingiram o ponto máximo em 2001, depois foram decaindo e agora voltam a aumentar até novo pico em 2012 e por aí fora.

Mas então, este ciclo não é muito certinho e a curva não é sinusoidal, certo?! Logo, as manchas diminuem mais lentamente do que aumentam já na parte final.

E quem faz o papel de coelho?! Serão os campos magnéticos? Pelo que li, ao contrário do nosso terrestre, que é simples e bem comportado, os do Sol são uma grande barafunda porque a sua rotação não é uniforme em todas as latitudes. Logo, o plasma gera correntes eléctricas muito variadas e estas os campos magnéticos algo desconjuntados... é um caos ensolarado!

Hummm... desconfio que o Einstein não ia gostar...

Rui leprechaun

(...mas o Alf-Sol já nos vai iluminar! :))

leprechaun disse...

Uma súbita ideia, antes de passar ao outro post. Sim, que agora isto também me fica aqui a moer... é mastigar e roer que engolir não pode ser! :)

Partindo desse exemplo raposas vs. coelhos e a tal realimentação positiva e negativa, será que tal significa que as manchas solares são, de certa forma, a válvula de escape desses campos magnéticos?!

Ou seja, elas aumentam quando a actividade magnética se intensifica mas, deste modo, contribuem para a dissipar e então ambos diminuem rumo a um novo ciclo e assim.

Mau! Mas qual é a causa e o efeito?! Plasma - correntes eléctricas - campos magnéticos - manchas?!

Creio ser isto o que leio e parece-me lógico... hummm... mas algo aqui não bate inteiramente certo, caso a rotação do Sol seja regular... ou também não é?!

Tanto ciclo já me está a baralhar...

Rui leprechaun

(...venha o Alf-Estrela p'ra me elucidar! :))


PS: Forças nucleares fraca e forte... será esse o pulsar desvanecido neste ciclo vida-morte?!

alf disse...

leprechaun

os ciclos solares marcam-se entre mínimos, ou seja, considera-se o seu começo/fim em cada mínimo.

Nesta altura está a começar um novo ciclo.

Os físicos solares explicam as manchas solares como um resultado dos campos magnéticos. Veremos que não será nada disso.

O ciclo das manchas solares revela que existe um ciclo presa-predador a decorrer no sol; mas elas não estão directamente relacionadas com esse ciclo, são apenas sintoma - como o número de cócós de coelho é um sinal da quantidade de coelhos...