quinta-feira, agosto 16, 2007

Inteligência


Hoje não te escapas eheheh. Jorginho, isto não é só mandar bocas, é preciso ter as respostas. O papel da Ciência é esse, o de dar respostas!

Estás a falar de quê?

Ficaste de explicar como é que o Universo evolui no sentido da complexidade em vez de evoluir para o caos, não te lembras? Esta noite não dormi por causa disso e agora quero ter a certeza de que tu... tu não sabes a resposta eheheh!

Não te fies muito nisso
– respondeu-lhe Luísa, com um sorriso maroto, sempre pronta a provocar o Mário. Riu-se, com o seu riso solto e contagiante.

Sabes o que é inteligência? -
Atirei

Se sei o que é inteligência? A que propósito vem essa pergunta?

Nós somos seres inteligentes, não é verdade? Onde reside a nossa inteligência? Será uma característica sobrenatural ou, pelo contrário, será o resultado de fenómenos naturais que ocorrem no cérebro, dos nosso circuitos neuronais?

Claro que é dos nossos circuitos neuronais!

Não será assim tão claro... há muita gente que pensa que a inteligência não é um fenómeno natural... -
comentou Ana – mas vamos pensar que se trata de um fenómeno natural, senão ficamos sem conversa eheheh.

A inteligência é um processo muito complexo, é claro..
– continuei - mas pensemos o que seja a definição mais elementar de Inteligencia. Alguma sugestão?

Eu diria ... que é a capacidade de resolver um problema...
- arriscou Mário

Boa. Peguemos então nessa definição e consideremos um problema elementar. Por exemplo, encontrar o caminho para sair de um labirinto, um popular passatempo de jornais e revistas. Como é que se resolve esse problema?

Isso é um bocado por acaso, um processo de tentativa e erro.

Posso dizer isso doutra maneira: é um processo de geração de hipóteses, a hipótese de seguir este ou aquele caminho, acrescido de um processo de selecção, que consiste em chegar à saída do labirinto. Ou seja, a reunião de dois processos, em que um gera hipóteses, ou alternativas, e o outro faz a selecção das hipóteses produzidas pelo primeiro, gera um sistema inteligente, pois pode resolver o problema do labirinto.

Sim ... parece-me correcto – assentiu Mário – mas isso não é propriamente uma novidade, a teoria da evolução das espécies assenta nisso mesmo, na ideia de que existe um processo aleatório de alteração, ou seja, geração de novas hipóteses, e um processo de selecção.

Boa comparação Mário! Maaaassss .... a evolução é que se calhar não está de acordo! – não pude reprimir mais um sorriso perante perplexidade dos três - Eu estou a falar de um sistema de inteligência elementar, a TEORIA da evolução das espécies baseia-se neste sistema elementar, mas isso não significa que seja este o mecanismo que conduz à Evolução.

Então qual é? – interrogou Mário, desafiador – não me digas que és adepto do ID?

ID?? Intelligent Design? Aquela teoria que diz que a evolução resulta de uma vontade exterior que vai “desenhando” os sucessivos seres vivos, uma nova versão das ideias criacionistas?
– perguntou Ana.

Se aceitássemos a explicação da existência de uma vontade exterior aos fenómenos, ainda pensaríamos que quando chove é por vontade de um deus comentou Mário, visivelmente incomodado. Fui em seu socorro:

Nós buscamos incansavelmente o Como e o Porquê de todas as coisas; se aceitamos que a resposta ao Porquê é “porque assim Deus o quis”, ficamos reduzidos ao Como. Também há quem sustente que é inútil buscarmos os Porquê, pois que se trata de uma busca interminável. Engano!!!! não poderemos avançar no Conhecimento apenas pela via do Como. A busca do Porquê é que nos faz verdadeiramente avançar no caminho do Conhecimento; mas exige metodologias que a humanidade ainda não soube desenvolver. Quando alguém consegue entender um pouco essas metodologias e rasga novos caminhos dizemos que é um Génio..

Ena, pareces um Mestre oriental a falar – disparou Luísa.

Ri-me, uma forma de disfarçar o embaraço de sentir que tinha sido apanhado em falta. Voltei à velha fórmula de picar o Mário:

Mas há um aspecto em que as teorias criacionistas estão certas!

Qual? – atirou Mário com ar indignado

Pronto, já tinha de novo o Mário preso à capa. Podia agora voltar à lide. O Mário parecia-me indispensável ao meu objectivo. Sem ele, sentir-me-ia a falar no deserto, ele era a ponte intelectual entre o meu mundo e o da Humanidade.

Um passo de cada vez. Primeiro passo: perceber que o Universo é Inteligente!

Ahahaha
– Mário não conteve uma sonora gargalhada. Luísa, espantada, reagiu: Mário, esse riso é meu!!! – exclamou, com um ar tão sério quanto lhe foi possível.

Desculpa, desculpa – respondeu Mário abafando o riso – mas o Jorge tem tiradas impagáveis. E, virando-se para mim, que conservava o mesmo ar impassível com que tinha proferido a afirmação, disse, pondo a mão no meu ombro: Ias tão bem a explicar a Inteligência que eu até pensei que desta vez irias dizer coisas sensatas...

Eu quero ouvir o que o Jorge tem para dizer – atalhou Ana com ar definitivo. Agradeci-lhe com um olhar silencioso. Comecei:

Prestem então atenção.

34 comentários:

Tarzan disse...

Oooohhhh!

Isto é mais enervante que ler os álbuns do Tintin em tiras semanais...

Não se tiram os doces às crianças de uma maneira dessas!!!

antonio disse...

O Universo pode ser inteligente, existem computadores com um grau razoável de inteligência, mas e a consciência? Será a consciência um resultado da inteligência?

Ou será preciso muito mais para a partir de um ser com inteligência chegarmos a um ser com consciência? Educação, cultura são ingredientes indespensáveis à criação da nossa consciência.

Educação e cultura parecem não fazer parte da equação deste univero em evolução, por isso o universo poderá ser inteligente, mas não terá consciência! (não acabe isto por concluir que o univero é Deus!)

Fa menor disse...

Agora é para falar sobre inteligência?
Ui! isto é para ver se somos espertos ou burros...
Esperto!!!
Esta agora!...
Vamos lá a ver, penso que podemos definir a intelingência como a capacidade de adaptação ao meio ( será por isso que se fala em evolucionismo?)

Será que vamos falar aqui de Darwin ou dos conceitos de evolucionismo X criacionismo?!

A inteligência evolui ao longo da vida de uma pessoa, uma vez que esta semanifesta de maneira diferente em cada uma, tendo em conta diversos factores, não esquecendo os graus de maturidade e a diversidade cultural.
não podemos dizer que uns são inteligentes e outros são burros.
(há é espertezas e burrices ahahahah)
Apenas uns terão mais aptidões para umas coisase outros para outras. Mas isto pode ser controverso e discutível.

Ao falarmos de evolucionismo tenderemos a dizer que que os homens actuais são mais inteligentees que os nossos antepassados. penso que isso não é assim. O que acontece é que tido à nossa volta vai evoluindo e o homem vai-se adaptando, por possuir a tal capacidade de adaptação - inteligência - que por sua vez levará a que tudo vá continuando a evoluir tornando-se num ciclo vicioso. Podemos por isso falar de evolução da inteligência?!

Se falarmos de criacionismo estamos a dizer que se nasce inteligente e ponto final ou que se nasce burro e nada a fazer!
Mas eu não acho que a inteligência seja uma coisa que se tem ou se não tem.

Inteligência todos temos.
Agora, usamo-la é de modos diferentes e com mais ou menos "garra".

E concordo plenamente com o António quando fala em consciência!
Eu até falaria em emoções!
Podemos dizer que um computador é inteligente? Onde está a sua componente emocional???

alf disse...

Tarzan

Parece maldade mas não é; cada post abre uma fresta ao pensamento e é preciso deixa-lo por ela espreitar antes de dar o passito seguinte. Sem isso, em breve as ideias estarão todas embrulhadas nos pressupostos e presunções que todos temos na cabeça e nada de novo nela poderá entrar.

alf disse...

António

Quer mesmo conhecer a resposta à sua pergunta? Ou prefere escolher à partida a resposta que lhe agrada?

se quer mesmo procurar a resposta, e isso exige a coragem de estarmos dispostos a aceitar o que encontrarmos, seja lá o que fôr, então temos de começar pelo princípio, mesmo mesmo pelo princípio.

É o que eu tento fazer neste post: onde começa o que podemos identificar como "inteligência"? Onde está a fronteira entre "inteligência" e "não inteligência"?

Temos de começar por perceber isto.

Saber o que é consciência? Será mais fácil falar de Deus... tão longe estamos de entender o que isso seja... o que não quer dizer que não procuremos entender. Primeiro passo: conseguir um vislumbre do que seja "inteligência".

alf disse...

fa

A sua análise da inteligência humana é certa e interessante. Mas onde começa a "Inteligência"?

Não começa certamente nos humanos, que são o extremo da complexidade do universo; teremos de procurar as suas origens no extremo oposto, o extremo da simplicidade, pois é aí que tudo começa.

Antes dos "Como" da inteligencia humana, o objectivo aqui é buscar os "Porquê"; na realidade, o objectivo é perceber como pode o universo evoluir para a complexidade em vez de evoluir para o caos, o que se começará a vislumbrar no post seguinte

indomável disse...

Porquê?
Porque é que o Homem é inteligente e nenhum dos outros animais demonstra as mesmas capacidades. Não são todos os seres vivos inteligentes?
Se a inteligência é a capacidade de adaptação ao meio, então todos os seres vivos são inteligentes e isso não significa que demonstrem emoções ou consciência, apenas são capazes de evoluir de acordo com as circunstâncias. Não existem cemitérios de elefantes? Sítios onde as baleias voltam para morrer? Isso revela que teem consciência ou emoções? É discutível. Porém ao Homem foi dada a possibilidade de se erguer, ou terá apenas sido a lotaria de ter que se erguer para visualizar mais longe que possibilitou a evolução mais rápida do Homem? A inteligência aliada à linguagem, o nosso polegar será a chave da nossa evolução? Ou apenas um arbítrio que tornou possível a nossa inteligência emocional e conscienciosa?
Porquê? Pergunta o Alf.
A expressão "Deus escreve direito por linhas tortas" terá mais que se lhe diga do que o adágio popular quer fazer parecer?
É esta nossa inquestionável tendência para a constante questionação que nos faz evoluir, progredir e renascer a cada nova questão.
Porquê?

antonio disse...

Consulta o e-mail deste blog?

A Fá ligou a inteligência à adaptabilidade e dotou-a de evolução. Hoje uma criança é capaz de executar tarefas que deixariam o mais inteligente dos nossos antepassados à beira de um ataque de nervos! (Por exemplo ligar o DVD e o televisor, colocar um disco e seleccionar o filme…)

Ou seja a inteligência dilui-se: hoje beneficio da inteligência dos outros. Lembram-se como se copiavam os primeiros DVDs? Hoje um único programa faz tudo: tornou-se acessível e num acto desprovido de inteligência.

A discussão do Universo inteligente é acompanhada de uma pergunta: existiu intencionalidade? É preciso que se cumpram milhares de leis físicas, que milhares de constantes estejam dentro de um apertadíssimo intervalo de variação para que se tenham reunido condições para o aparecimento da vida.

Ou seja, se considerarmos que a probabilidade de tal acontecer é extraordinariamente reduzida, então existiu uma “inteligência” que cuidou de tudo isto… mas com que intenção, se o universo está condenado a um Big Freeze ou a um Big Crunch?

Muitos consideram que existiu essa intencionalidade e para JRS, esse fim era a criação da inteligência e a sua preservação, para além do fim do universo. Então a inteligência seria Deus, porque garantiria as condições para que o Universo voltasse a criar vida (inteligente). Teríamos assim um ciclo de Big Bang, criação de vida, preservação de inteligência, que controlaria o Big Crunch, garantindo que o Big Bang seguinte conteria em si condições para a repetição do ciclo.

Deus criou a inteligência e a inteligência transforma-se em Deus. Faça-se luz!

Mas JRS está enganado. Faltam duas coisas: a consciência (completamente alheia a todo este processo) e o facto de, segundo ele próprio, Deus se ter dado a revelar aos homens escondendo na Bíblia verdades científicas que só a física moderna veio a revelar!

Revelação e consciência. A explicação científica do universo não precisa delas.

Tarzan disse...

Alf,

nesse seu último comentário depreendo que considera a inteligência mais como um processo natural presente na Natureza. Só quando esse processo atinge píncaros comaráveis à nossa inteligência é que a reconhecemos como tal. Essa ideia é bastante interessante. A evolução das espécies parece-me um exemplo muito interessante. Estou correcto?

Fa menor disse...

Agora fiquei super curiosa com o que se vai seguir!

Cá para mim não existe nada de tão misterioso assim...
a inteligência começou através de mecanismos BIOLÓGICOS de adaptação... só isso!

alf disse...

Amigos

No post "Mistérios: a Seta da Vida" mostra-se algo muito importante: segundo as leis fisicas que usamos, segundo a ideia que temos da Natureza, o Universo não poderia evoluir para a complexidade! Ora como o que se verifica é que ele parece buscar incansavelmente a complexidade, tentar explica-lo com base nessas leis e ideias conduz necessariamente à constante invocação de acontecimentos impossiveis, "milagrosos":

"É preciso que se cumpram milhares de leis físicas, que milhares de constantes estejam dentro de um apertadíssimo intervalo de variação para que se tenham reunido condições para o aparecimento da vida." diz o António.

Mas não é assim. O Universo não é uma sequência de milagres. As nossas ideias é que estão erradas. E começa aqui, neste post, o caminho para outras ideias.

Os vossos olhos verão surgir, a pouco e pouco, a Magia do Universo; porque o Universo não é lugar de milagres mas é lugar de Magia.

alf disse...

Tarzan
Está correctíssimo!


fa
esses "mecanismos biológicos de adaptação" têm de ser muito ... inteligentes! Senão... sai asneira.

Um teste: pegue num programa de computador e mude uns bits ao acaso; acha que é possível obter um programa melhor?

Portanto, a "Inteligência" tem de existir muito antes da Biologia.

Indomável
não se encontra o começo da Inteligência não é? é que ela começa mesmo mesmo no princípio de tudo...

alf disse...

António

Imagine que vai com o seu computador portátil para o meio da Amazónia e acaba numa tribo de índios que nunca tiveram contacto com a nossa civilização.

Imagine agora as explicações deles para o seu computador.

Imagine-se tb a tentar explicar-lhes o que é um computador.

Nós estamos mais ou menos como esses índios a olhar para o computador; e temos de ter muito cuidado com o nosso pensamento, senão faremos em relação ao Universo os mesmo raciocínios que eles fariam em relação ao computador. Porque a inteligencia deles é a nossa e a ignorância relativa deles é a nossa.

antonio disse...

Alf, eu apresentei aqui a teoria do JRS. A sua argumentação aproxima-se da dele. Só por isso.

Também deixei claro qe não a subscrevo.

É claro que o univero tende para a complexidade, pois em tudo, a entropia tende a aumentar!

Se nós depararmos com um ovni, tombado no nosso quintal, embora não sejamos capazes de o explicar ou compreender,percebemos que se trata do produto de uma entidade inteligente... e daí?

Também podemos perceber que aquele objecto foi contruido com um fim.

A pergunta é: existe alguma intencionalidade nessa complexização do universo?

alf disse...

António

JRS? José Rodrigues dos Santos!!! Bolas, que nunca mais lá chegava!

Desconhecia que ele tivesse ideias sobre este assunto.

António, parece-me que não apanhou o cerne da questão: a entropia do Universo não aumenta ao longo do tempo, diminui! Ou seja, o Universo organiza-se cada vez mais!! Mas, como sabe, a 2º lei da termodinâmica proibe a diminuição de entropia!! (embora se possa discutir a equivalência dos conceitos termodinâmico e estatístico)

Só há duas interpretações possíveis: ou uma mão divina intervem constantemente no Universo(gerando as "coincidências" e os "milagres" que infestam as explicações do universo), ou o nosso entendimento do Universo está cheio de erros.

Se não existe uma "mão divina", então o que conhecemos do Universo deve corresponder ao acontecimento mais provável. Ou seja, a Vida não pode ser um "milagre", tem de ser uma consequência provavel das propriedades do universo, e a sua ocorrência não implica a existência de qualquer intencionalidade.

Note porém que o facto de a Vida poder ser um acontecimento provavel não implica que não exista "intencionalidade". Mas não creio que tenha resposta a esta questão por via dos fenómenos físicos. Mas talvez existam outras vias... não perguntei eu já num post antigo quantos sentidos temos nós?

alf disse...

Companheiras e companheiros, vejo que este assunto não é estranho para vcs, já muito nele pensaram. E têm ideias interessantes em vários pontos.

Mas não encontramos respostas pensando num assunto isoladamente; à medida que for apresentando o Universo descodificado (eu tenho a chave, o Teorema de Pitágoras, lembram-se?)um novo entendimento irá nascendo de todas as questões.

É também por isso que eu tenho de ir abordando questões aparentemente muito distintas, como o Sol, a Relatividade ou a formação da Vida. No fim se verá como tudo isto, e muito mais, faz parte do mesmo puzzle gigante.

Fa menor disse...

Mas é claro que no princípio...
por detrás de tudo há, sim, uma Inteligência Superior que calculou tudo ao mínimo pormenor. Disso eu não duvido nem por um instante sequer!

Bom fim-de-semana

Fa-

alf disse...

A propósito do que diz a Fa,

"Todo o nosso conhecimento de inicia com sentimentos" é a citação de Leonardo da Vinci do Citador de hoje. Muito a propósito.

A Fa tem um Sentimento, uma crença numa Inteligência Superior. Um sentimento não é um conhecimento. O conhecimento temos de o construir, descobrir e, antes de tudo, de o procurar.

Conhecimento e Sentimento são coisas diferentes. Segundo o Leonardo, começamos com o Sentimento e depois queremos saber se esse sentimento está certo e buscamos o conhecimento.

Mas muitas vezes não o fazemos simplesmente porque temos medo de que o Conhecimento possa desmentir o Sentimento. E, como gostamos desse Sentimento, fechamos os olhos ao Conhecimento. E estabelecemos teorias para justificar a atitude: para que serve o Conhecimento se o Sentimento é tudo o que precisamos?

Jesus foi para o deserto para passar do Sentimento ao Conhecimento, não é verdade?

Tanto estão errados os que negam o valor do Sentimento como os que negam o Conhecimento; sem as duas coisas ficamos cegos, não ficamos apenas a ver mal.

(isto vem a propósito do que diz a Fa mas não é dirigido a si: se a Fa não se interessasse pelo Conhecimento não estava aqui; os meus comentários não são respostas, são os meus pensamentos sobre as coisas que aqui se vão dizendo)

antonio disse...

Meu caro Alf

O cerne da questão é que o aluno coloca as questões e o mestre ajuda-o a descobrir as respostas.

Um mestre que viajou ao futuro, não se pode esconder sistematicamente atrás de novos enigmas, imitando mestres de tempos antigos.

Depois existem ângulos de abordagem ao mesmo problema, o meu pode não ser coincidente com o seu, o que não quer dizer que não procuremos o mesmo, embora por caminhos diferentes.

E deixo aqui um enigma a todos os participantes deste blog:

Porque é que não existem trevos de quatro folhas?

Acreditem que a reposta não será outro enigma.

alf disse...

Meu caro António

Estamos muito sincronizados!! Veja como eu já respondi à sua observação sobre o responder com novos enigmas: basta imaginar-se a explicar aos índios da amazónia como funciona o seu computador... como faria?

O seu enigma está fantasticamente bem colocado!! Um magnífico exemplo de como funciona a Inteligência da Natureza, penso eu.
Porque penso que seja o seguinte:

Temos o 1
Com o 1 e outro 1 a Natureza constroe o 2!!!

A Natureza olha para o 2 e diz: é bom o 2!! muito melhor que o 1! E aprova o 2.

Mas a inteligência da Natureza é imparável; e tem uma caracteristica curiosa: não gosta dos iguais - os iguais não "encaixam". E como é imparavel ela vai juntar o 1 com o 2, inventando o 3!

E o 3 é melhor que o 2 e é aprovado pela Natureza!

Mas como a Natureza não sabe estar quieta e não gosta de iguais, vai experimentar combinar o 3 com o 2 e inventa o 5! (não usa o 1 porque o 2 é melhor)

E depois inventa o 8 com o 5 e o 3. E por aí fora!

E assim a natureza nunca inventa o trevo de 4 folhas!

Isto mostra duas coisas:a existência da inteligência da Natureza e que esta inteligência está entregue a si própria - se fosse exterior à Natureza, se existisse uma "intenção" nesta construcção, porque razão não inventaria o 4?

Boa achega a esta questão. Agora sou eu que estou ansioso pela sua resposta. Ou doutros comentadores.

antonio disse...

Muito bem, esqueci-me que você é discípulo do Dan Brown...

A sequência de Fibonacci. Como explicar que uma “inteligência” criadora, que criou este complexo universo com todas as suas criaturas animadas e inertes, tenha sido tão preguiçosa e usado sistematicamente a mesma regra, se não fosse por procurar a harmonia?

Este sentido “estético”, não era preciso para a criação do universo e quanto a mim não faz parte de uma selecção natural aprovada pela inteligência da natureza… este sentido estético é uma carta fora do baralho.

E a isto se resume o cerne da questão: produziu a inteligência da natureza por si só este sentido estético?

indomável disse...

Eh pá!
Uma gaja vem aqui e até se sente inteligente! Bolas, e eu que já comentei posts teus Alf! Devo ser um bocadinho inteligente!?...
Nah! Sou só uma gaja interessada nas vossas expressões intelectuais, incapaz de decifrar estas palavras dificeis que vocês usam. Daqui a pouco peço ao camionista silveira para me dar uma achega, pra ver se chego à ponta do vosso iceberg!

esperteza saloia disse...

Está-se tudo a consumar:

Já diziam os antigos, que para o fim do mundo, a gente já não diz o que sabe , nem sabe o que diz,
E que as mulheres hão de se agarrar aos pinheiros a pensar que são homens.
Virá a ser verdade?
Isto é a falta de inteligência?
Mesmo assim continuem ....continuem ...
Vou gostar de saber mais coisas em relação à inteligência do universo, tema muito pouco sondado, cá por estas bandas.

antonio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
antonio disse...

É natural que a natureza procure a simetria e formas que permitam a distribuição homogénea dos pesos: o centro de massa de um corpo deve cair dentro da sua base de sustentação para que este se consiga manter de pé.

Talvez da observação da natureza, os egípcios conhecessem a o razão dourada, considerando divinos os números 3, 5 e 8. (Grosso modo a razão dourada é a divisão de 8 por 5)

As pirâmides foram construídas tendo em conta esta razão para determinar as suas proporções.

Ignorantes deste facto, muitos vêem na construção das pirâmides a intervenção de uma inteligência superior, muito provavelmente extraterrestres, uma vez que as implicações astronómicas que se conseguem retirar das pirâmides de todo não eram conhecidas naquele tempo.

Mas isso decorre do facto de a razão dourada ser quase omnipresente no nosso universo.

A nossa ignorância amplifica a inteligência dos egípcios!

antonio disse...

Nota: para visualizar melhor os links, clic com o lado direito do rato e escolha "abrir numa nova janela".

Com o lado direito do rato pode sempre retroceder um link.

alf disse...

Antonio

O Universo é cheio de Magia, não é verdade?

Mas nós, os humanos, também temos a cabeça cheia de ideias erradas e depois surpreendemo-nos com coisas banais.

Está certamente farto de ver continhas matemáticas que chegam sempre ao mesmo número, ou a sequências de algarismos, como 123456789, ou 1, 11, 111, 1111, etc: e, depois do 11/9, já deve ter recebido inúmeros emails a mostrar como esses números, e o número de passageiros dos aviões, e a matricula destes, etc, depois de somados ou divididos etc vão sempre dar o número fatídico.

a série de Fibonacci parece corresponder a um processo natural de crescimento, mas não é o único, é apenas um dos processos encontrados na natureza.

Mas encontrar o número PHI por todo o lado não tem nada de estranho - qualquer que seja o número que imagine vai encontra-lo em inumeros sítios! Como o 11-9.

E depois, é claro, a partir da altura em que alguém considerou esse número especial, ele passou a ser usado. Mas muitas coisas não têm essa relação, por exemplo as proporção dos ecrans de TV, os formatos de fotos e papel, etc. As proporções do cartão de crédito são mais agradáveis do que as duma foto? Ou duma folha de papel?

Imagino que a escolha dessa proporção para os cartões de crédito tenha alguma coisa a ver com o nome de "número de ouro"... que proporção poderia ter um cartão dourado, não é?

Como diz, é a nossa ignorancia que constroi estas coisas. Porque o Universo é mágico mas é subtil, não exibe sinais deste tipo. (penso eu...)

Quando falarmos do Princípio da Relatividade se perceberá o tipo de Magia que caracteriza o Universo. Algo muito mais subtil.

antonio disse...

Meu caro Alf,

As contas sobre 0 11/9 já foram desmentidas...

Sabe que os pintores da Renascença usavam a razão dourada aplicada ao rosto? Sabe que os cirurgiões plásticos descobriram que recorrendo à razão dourada e não tanto à simetria, conseguem um resultado mais harmonioso?

Você julga que a palavra magia nos assusta, levando-nos por oposição a aceitar que tudo reulta de uma ordem natural. Para isso vai ter que se esforçar mais do que brincar com as palavras!

Esperava ver um comentário seu sobre as pirâmides...

Fa menor disse...

Ena, ena... tanta novidade!!!

Parabéns, António!
O António está mesmo de parabéns. Tem-se revelado um aluno muito aplicado...
vê-se que tem feito muitos trabalhos de casa!...

alf disse...

António

Eu também já me fascinei pelo número dourado. Mas depois comecei a perceber como é fácil pegar num número qq e descobri-lo por todo o lado. O 11 de Setembro é um bom exemplo disso mesmo.

Portanto, o facto de podermos associar um determinado número a inúmeras propriedades deixou de representar, para mim, uma indicação de que esse número tenha propriedades especiais ou represente qq coisa especial.

mas tb não significa o contrário. Portanto, a única forma que tenho de esclarecer o assunto, para mim, é tentar saber mais acerca do Universo. Procurar pontas, ligar factos desconexos, procurar ir mais alem na descoberta do Universo. E ter paciência. Talvez um dia chegue a descobrir algo sobre isso, talvez não chegue. Mas, no entretanto, vou aumentando a minha compreensão do Universo.

As piramides do egipto são fascinantes por multiplas razões. Eu já me fascino pelas Antas gigantescas - conhece certamente a Anta do Zambujeiro, não é verdade? Como foi possível construir uma coisa daquelas naqueles tempos?

O aparecerem certos números nas construcções antigas não tem nada de estranho - ainda hoje há muitas pessoas que veem em tudo "signos", "sinais". Não fazem nada que não esteja de acordo com regras de numerologia, não decoram a casa sem consultar o fum shem ou lá como isso se chama, etc. Se os arquitectos de antigamente recorressem a "relações douradas", a "números mágicos", a sua obra só podia surgir valorizada.

Note ainda o seguinte: para os gregos e outros povos da antiguidade, as propriedades dos números ainda eram quase desconhecidas; por isso, qd descobriam uma relação qualquer, como não conheciam outras, pensariam que essa relação era especial, que traduzia algo de oculto, pois, para eles, isso era uma raridade; mas hoje sabemos que não é assim.

Os números verdadeiramente mágicos estão ocultos noutros lados... no teorema de Pitágoras por exemplo... no princípio da Relatividade... aí é que vai começar a descobrir a verdadeira magia do universo...

alf disse...



são pessoas como o António, e como a Fá e todos os que aqui têm colaborado, capazes de se envolverem, de se entusiasmarem, de se exporem, de participarem da forma que lhes é própria mas participarem, que fazem do Mundo uma bola colorida que pula e avança. Bem hajam.

alf disse...

Esperteza saloia, bem vindo(a) a esta viagem!

as mulheres agarrarem-se aos pinheiros... humm, agarrem-se antes a mim eheheh

(será que já não sei o que digo??)

mas pode crer que iremos ter um cheirinho do fim do mundo...

leprechaun disse...

O Universo pode ser inteligente (...) mas e a consciência? Será a consciência um resultado da inteligência?


Hummm... eu sim, que sou inteligente, estou a ler isto do fim para o princípio, como o Da Vinci lá com a escrita invertida! :)

Mas o interessante nessa questão é que eu sempre pensei em termos de consciência primeiro, isso da inteligência era uma mera consequência.

Claro que tal pensamento é metafísico, de facto baseado na ideia natural de Deus e a omnisciência.

Assim sendo, a inteligência é que seria um resultado da consciência, claro, mas este não é um postulado naturalista, apenas um vero monismo idealista à Plotino e Berkeley! :)

Ora aqui, não se parte de axiomas à priori mas apenas se busca a iluminação que a razão natural pode trazer ao reino do conhecer!

Anyway... está sem resposta a questão...

Rui leprechaun

(...precisa de reflexão! :))

leprechaun disse...

E assim a natureza nunca inventa o trevo de 4 folhas!


LOL !!! Fantástica resposta à Fibonacci... o que aqui vou aprendendo!!! :)

Hummm... mas já vi que estou em certa sintonia com a Fá, nesse "sentimento" ou intuição da consciência.

Também tenho uma grande curiosidade em ler o JRS, com o qual aliás muito simpatizo. E parece que por aqui o Dan Brown é bem vindo... viva! ;)

Logo, não sei bem se isto é uma pleiade de sábios ou de ingénuos... seja o que for!

Inteligente é a consciência do amor...

Rui leprechaun

(...que está mesmo a pedir um Criador! :))