sábado, agosto 25, 2007

Inteligência Natural e Divina


Como é a tua pergunta? Qual é a diferença entre afirmar que a Inteligência é uma propriedade natural, ou seja, que o Universo é inteligente, e as ideias panteístas?

Exactamente.

A diferença entre um Universo Inteligente e Panteísmo...eu não sei... ou melhor, qual é a semelhança? Lembras-te de há tempos eu ter perguntado quantos sentidos temos?

Sim... foi uma conversa um pouco estranha...não cheguei a perceber onde querias chegar

A análise que estivemos a fazer acerca da Inteligência fez uso exclusivo da Razão aplicada às informações que obtemos pelos 5 sentidos, não é verdade?

Acho que sim. E então?

Então, achas que ideias como o Panteísmo resultam do uso da Razão?

Claro que não; resultam da falta dela! ehehehe

Nem dela nem da falta dela Mário. Resultam doutros sentidos que tu nem sabes que tens.

Ena, o que para aí vai!! Agora eu tenho coisas que não sei??

Tu e muitas pessoas. Porque estes sentidos de que falo não são omnipresentes, parecem funcionar só de vez em quando, as suas indicações podem parecer-nos fantasias nossas, resultado do que comemos ontem ao jantar... há sempre uma explicação racional para os negarmos. É preciso atenção e persistência para essa percepção se tornar um bocadinho mais forte.

Pois pois...

Eu sei do que estás a falar Jorge.
– Ana falou com ar sereno e um pouco distante, como se quisesse apenas evitar que a reacção do Mário me impedisse de continuar. Pôs a mão sobre a minha e eu senti amizade.

O Panteísmo é um esforço de tradução racional de uma percepção que transcende os 5 sentidos. Há muitos tipos de panteísmo, tentativas diferentes de racionalizar essa percepção e de satisfazer, por essa via, alguma necessidade subtil. Não satisfaz necessidades instintivas, não implica imortalidade, não assegura justiça divina, não garante protecção. E essa percepção está na base doutras doutrinas, religiões, normalmente visando já objectivos claros em termos de gestão da sociedade humana.

Estás a falar de Fé, portanto.

Não exactamente. Não sei. O conceito de fé está muitas vezes ligado a um processo de aprendizagem – diz-se a uma criança que existe um deus assim e assado, ela acredita, e essa crença passa a dominar-lhe a mente para o resto da vida, a um nível inconsciente.

Pois, as coisas que se aprendem muito novo formatam o cérebro, ficam incorporadas na sua estrutura, como aprender a falar, por exemplo. Depois, elas ficam a fazer parte tão integrante de nós como qualquer outra parte do corpo, como uma mão ou um pé.

Exacto. Tenho sempre a sensação que as pessoas que veneram um “livro sagrado”, que o interpretam à letra, que “temem a Deus”, são pessoas sem qualquer espécie de percepção exterior aos 5 sentidos, a sua pretensa Fé resulta apenas duma aprendizagem. As certezas nesta matéria são sinal de ignorância, de falta de capacidade de percepção.

Ahaha, essa é boa, estás a dizer que os crentes são os que menos sabem em matéria de sobrenatural?

Não necessariamente. Mas os que tentam impor aos outros as suas certezas estão certamente errados. Ou têm objectivos que não têm nada a ver com o sobrenatural ou religião.

Ah sim, nisso estou de acordo contigo, sem dúvida.

Mas o que é importante por agora é perceber que “natural” e “divino” pertencem a planos distintos; e que, embora não sejam necessariamente independentes, a Natureza funciona sem qualquer necessidade de intervenções divinas. Tudo o que os nossos 5 sentidos detectam resulta de propriedades gerais do Universo, e tanto faz tratar-se da Chuva como da formação do Sistema Solar como da própria Vida.

Era bom que as pessoas pensassem assim, mas a realidade é que muitos precisam de ver nos fenómenos naturais a “mão de Deus”. Olha, por exemplo, os criacionistas...
.... É verdade, se bem me lembro, disseste no princípio da conversa que os criacionistas tinham razão num ponto. Essa é boa!! Isso é o contrário do que estás agora a dizer!!! Como é que os criacionistas podem ter razão???

29 comentários:

antonio disse...

Agora quem é que produz raciocínios simplistas?

Deixo-lhe aqui uma citação:

"nihil in intellectu quod prius non fuerit in sensu" - nada há na inteligência que não esteja primeiro nos sentidos.

Agora muitas das suas ideias cientificas parecem-me basear-se mais numa fé que noutra coisa qualquer... uma fé que veio do futuro, bem entendido.

alf disse...

António

Não estou nada em desacordo!!

Por isso é que perguntei quantos são os sentidos. Afirmar que tudo o que existe no cérebro entrou apenas por 5 sentidos é que talvez seja simplista. Uma presunção que carece de análise mais profunda.


Como eu afirmo claramente, não há "mão divina" no funcionamento da Natureza; ou pelo menos, no seu funcionamento "normal".

Por isso, não se preocupe: as minhas ideias científicas são estritamente do plano Natural. Como verá, o que irei dizer remete para o plano natural coisas que, no fundo, a generalidade das pessoas crê pertencer a outro plano. Mesmo que o não assuma.

Mas não estou a dar uma aula de ciência. Estou, estamos, a fazer um percurso de Conhecimento. O Conhecimento é multidisciplinar e interligado e não podemos ignorar nenhuma parte dele. Buscamos a Verdade, e a Verdade não tem paredes nem é múltipla.

O seus comentários continuam admiráveis... e extremamente oportunos.

Ficamos à espera de mais comentários e comentadores... para ver surgir outras faces da Verdade.

Tarzan disse...

Alf,

mas a ideia que tenho é que no pensamento panteísta, a Natureza é em si uma manifestação divina. O 2milagre da vida" e dos fenómenos naturais são entendidos como divinos e não como sendo sobre-naturais. "Tudo é Deus"

antonio disse...

Oh Alf, no vídeo, que retirou de um documentário científico, cuidado com os documentários científicos pois tendem a adaptar a realidade às suas ideias, o processo de divisão celular é uma manifestação de inteligência?

Onde estão os sentidos?

alf disse...

Tarzan
No pensamento panteista a Natureza é uma manifestação divina mas suponho que isso não significa que o que acontece na Natureza seja consequência de leis "naturais".


Um panteísta vê em tudo o que observa uma emanação do Divino; o religioso vê em tudo a "mão de um deus"; o agnóstico sustenta que tudo resulta de propriedades gerais; e eu estou a sugerir que embora tudo o que observamos na natureza resulte das suas propriedades gerais, existe algo mais cuja percepção nos leva elaborar teorias religiosas.

Esse algo mais não se revela nos fenómenos naturais, apenas na percepção que dele temos.

Muitas, mesmo muitas pessoas, vêm nos fenómenos da natureza constantes manifestações divinas; basta ver as discussões sobre células estaminais e tudo o que envolva a vida e a procriação. Teorias científicas que não afectam a crença de que a natureza resulta de uma vontade divina não levantam problemas - é o que acontece as teorias fundamentais da ciência actual, que se revelam claramente incapazes de explicar as observações. O que levanta grandes problemas é surgirem teorias que expliquem as observações, porque essa vão atacar a necessidade de um Deus Criador e interferente.

Esse foi o problema que Newton teve de enfrentar. E eu vou ter de enfrentar o mesmo problema. Por isso a necessidade de esclarecer desde já que explicar a Natureza não implica que não exista "algo mais".

Porque quando eu começar a desdobrar a magia da natureza...

Por isso, era bom que ficasse já claro aquilo em que cada um acredita, porque é isso que irá definir as vossas opiniões sobre o que eu tenho para dizer. Têm coragem?

alf disse...

António

O processo de divisão celular é o resultado de um processo inteligente necessariamente; chegou-se aí através de um simples processo de erro aleatório ou foi necessário um processo inteligente mais sofisticado? E esse proceso inteligente mais sofisticado foi obtido por evolução de um processo inteligente mais primitivo, radicando num processo elementar de erro aleatório, ou foi criado pela Divina mão?

Qual é a sua resposta a esta complexa questão António?

antonio disse...

Alf, não fuja à questão: existe inteligência no processo ou não? Se existe, onde estão os sentidos?

Outra questão: os agnósticos só conseguem ver o deus-das-lacunas. Acreditam que Deus é a resposta do homem à sua ignorância.

Mas os que têm fé conseguem ver o Deus que se deu a revelar... que está muito para além do deus-das-lacunas.

alf disse...

António, está a fugir à questão, não eu.

Obviamente existe inteligência no processo. E isso não tem nada a ver com os sentidos. Através dos 5 sentidos podemos observar a natureza e chegar a perceber como se obtém essa inteligência. Se ela tiver origem natural.

Agnóstico: aquele que considera que não é possível sabermos se existe ou não um Deus.

Os que acreditam num Deus podem faze-lo por diversas razões. Muitos porque recusam ser mortais, logo a ideia de um Deus é preciosa para o seu instinto de sobrevivência; há mais uma série de razões que dão conveniência à crença na ideia de um Deus, umas egoístas, outras nem tanto - muitos porque isso enquadra a sua necessidade de ser solidário com os outros. Ser solidário é um forte instinto em muitas pessoas, felizmente. Em muitos outros é uma emanação do instinto filial. Outros a necessidade de ser amado incondicionalmente, muito ligada ao culto de Nossa Senhora. Enfim, poderia fazer um tratado sobre as inúmeras razões das pessoas para acreditarem num Deus. Além, evidentemente, das muitas pessoas que acreditam simplesmente porque assim foram ensinadas.

Para mim, a palavra "Fé" esconde sempre um não conhecimento; como a crença num Deus conforme uma religião - as religiões são construções dos homens, à imagem e semelhança das suas necessidades, não estão preocupadas com o Divino, estão preocupadas é com o Homem.

"Crer", para mim, é um vazio, uma vontade, um desejo, um medo, mas não é um conhecimento. Só me interessa o Conhecimento.

Quando falo de "algo mais" falo com conhecimento. Através de sentidos que não são os 5. Mas é um conhecimento, uma experiência pessoal e intransmissível. E não falo de um deus, isso é uma construção dos humanos.

Quanto a um Deus dar-se a revelar, penso o seguinte: se existe um Deus e quer revelar-se, falo-ía de maneira indubitável; ou então não quer revelar-se e não há maneira de o conhecermos - não seremos mais espertos que esse Deus que não quer revelar-se, não é verdade?Logo, "Deus revelado" não faz sentido para mim - revelado não é de certeza, se fosse não podiam existir duas opiniões sobre o assunto.

Exactamente porque muitíssimas pessoas precisam de um Deus para poderem ser imortais etc, e precisam dos mistérios da Natureza para terem uma base que suporte essa sua necessidade de um Deus, é que é perigoso vir explicar os fenómenos da Natureza. A saída usada no tempo de Newton foi afirmar que a perfeição com que Universo funcionava, em obediência a leis simples e gerais, era a maior prova da grandeza de Deus.

No desenrolar deste blogue, vai parecer que as crenças individuais serão violentamente desafiadas; não é o caso, eu limitar-me-ei a caminhar tão perto da verdade quanto conseguir, sem qualquer propósito de afectar as crenças individuais. E há espaço para elas porque eu só vou tratar das coisas naturais e estou já a dizer que existe "algo mais"


O termo "Deus-das-lacunas" está bem inventado. É seu? Posso usá-lo?

Tarzan disse...

«Agnóstico: aquele que considera que não é possível sabermos se existe ou não um Deus.»

Existem muitas definições para agnóstico. A mais lata será, como o Alf disse, a de um céptico que não nega nem afirma a existência de Deus.

Existem outras subcategorias de agnosticismo como a dos indivíduos que, apesar de acreditarem na existência de um "ser superior", não acreditam que o ser humano, na sua limitação, o possa compreender rejeitando por isso quaisquer manifestações religiosas ou teologias: tudo não passarão de patéticas tentativas de compreender uma verdade que não nos é acessível.

«Outros a necessidade de ser amado incondicionalmente, muito ligada ao culto de Nossa Senhora.»
Eu diria que está mais ligado ao culto de Cristo. Maria tem mais a ver com a aceitação da vontade de Deus.

«as religiões são construções dos homens, à imagem e semelhança das suas necessidades, não estão preocupadas com o Divino, estão preocupadas é com o Homem.»

Eu acho que nem tanto à terra nem tanto ao mar. Religião sem um Ser Divino não é religião. Religião sem Homem também não é. Obviamente que as religiões são dirigidas ao Homem e construídas por homens. A etimologia da palavra é curiosa e algo surpreendente. Do Latim religio que junta os termos "re" (de repetição com "ligare" que significará algo como religar. A acepção mais aceite é a de "retomar uma relação", "reaproximar" o que poderá significar aproximar o Homem de Deus.

«Logo, "Deus revelado" não faz sentido para mim - revelado não é de certeza, se fosse não podiam existir duas opiniões sobre o assunto.»
Um agnóstico diria que, mesmo que se tivesse revelado de certeza, continuariam a existir duas mil opiniões diferentes sobre essa mesma revelação.

Tarzan disse...

Nem de propósito, encontrei este artigo via O Amigo do Povo

http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,773909,00.html

antonio disse...

O termo encontrei-o no JRS em A Fórmula de Deus.

E um Deus subtil só se revela a quem tem fé, repare que muitos acreditam “porque recusam ser mortais”, “porque isso enquadra a sua necessidade de ser solidário com os outros”, “por necessidade de ser amado incondicionalmente”, etc... o demónio também acredita em Deus pois Dele tem um conhecimento directo, mas não se salva, porque não tem Fé, não se converteu.

A Fé termina no dia em que estamos face a face com Deus.

Este Deus subtil, que deixou a sua assinatura na harmonia das leis que sustêm o Universo, convida a todos sem se impor; a sua revelação plena seria uma imposição que negaria a Sua própria essência.

Depois das aulas de escrita, as de catecismo; embora este como pode ver é um catecismo que vai buscar muito às suas ideias. Você tem uma dimensão assustadoramente religiosa. Por isso a sua luta para o negar.

Mas se me cabe o papel de inquisidor deste blog, desde já aviso que comecei a empilhar os toros de madeira, que a fogueira será grande.

antonio disse...

Tarzan,

Duas excelentes dicas:

a primeira: usar as palavras do monstro para o combater (valeu!)

a segunda: o texto sugerido.

Agora as más notícias: está entre os primeiros para a fogueira, sem direito a abjurar.

alf disse...

Isto está fabuloso. Eu ponho um post, que tem mais ou menos a importância duma pedra numa sopa de pedra, depois alguém lança uma cenourita, depois uma couve, e às tantas já temos o panelão cheio de alho francês, abóbora, nabo, etc, etc.

Há aqui já muita matéria para desenvolver. Permitam-me um fio de azeite.

Achei fascinante a ideia de que a religiosidade tenha uma origem evolutiva (link do Tarzan), um instinto portanto. Não me parece nada disparatada.

Há outras características estranhas nos humanos - por exemplo, a de sentir-se culpado das coisas que acontecem na Natureza e que não são as ideais. Isso é de todos os tempos, é a base dos sacríficios humanos, e será tb a razão da teoria do aquecimento global - só uma tendencia instintiva poderia explicar a irracionalidade, contrária a todas as evidências, de culpar o homem pelas alterações climáticas. Mas já os Incas faziam o mesmo não é?

Quanto a um deus revelar-se, obviamente não pode revelar-se; pela mesma razão que um extraterrestre não o pode fazer. Num próximo post se verá...

Ainda antes do fim do ano começarão a ver algumas das razões que exigem que eu pise estes terrenos. Não há palavras vãs nos posts...

antonio disse...

Alf,

Você devia de ler os outros sem o filtro das suas próprias convicções (ou preconceitos). O conceito da religiosidade ser um fenómeno evolutivo é tb defendida pelo JRS.

Será que podemos ver aqilo em que não acreditamos? A julgar por si, não.

alf disse...

António

ler o livro do JRS já está agendado para a primeira semana de Setembro - vou dar-vos descanso nessa semana.

Nós não vemos aquilo que é contrário ao que acreditamos, a não ser que nos entre na cabeça à marretada.

Por isso é que não devemos "acreditar" seja no que for. Essa é a primeira palavra a banir do dicionário para que possamos abrir os olhos à Verdade.

Temos de estar atentos, não desprezar nenhum indício, por mais estranho que possa parecer; ao contrário, é exactamente aos indícios "estranhos" que mais atenção devemos prestar.

Muitas pessoas simplesmente ignoram e esquecem tudo o que não está de acordo com o que já acreditam. "Acreditar", seja no que fôr, é uma forma de cegueira.

alf disse...

Tarzan

«Outros a necessidade de ser amado incondicionalmente, muito ligada ao culto de Nossa Senhora.»
Eu diria que está mais ligado ao culto de Cristo. Maria tem mais a ver com a aceitação da vontade de Deus.

Não estou nada de acordo. Essa é uma visão quase "machista" do fenómeno.

Só há um amor incondicional: a expressão do instinto maternal, que as mães têm pelos filhos nos primeiros tempos de vida destes.

Os homens também amam os filhos, evidentemente, mas não é o amor instintivo, logo não é tão incondicional - o pai pode dar a vida pelo filho, mas nesse acto terá de confrontar o instinto de sobrevivência. A mãe não: o instinto maternal sobrepõe-se ao de sobrevivência.

Há um fado que fala disto...

A figura de Maria é isso que representa: o amor incondicional, alguém que amam independentemente das faltas e do merecimento, alguém que não castiga, alguém que "intercede por nós". Não tem nada a ver com submissão.

A Igreja preocupa-se muito com o controlo dos homens, presumindo que as mulheres lhes estão subordinadas, portanto é os homens que interessa controlar.. sabedoria milenar.. mas isso hoje é capaz de não ser bem assim.

Interessante que a Igreja tenha decidido colocar uma monumental estátua de Cristo em Fátima. Há que pôr as coisas no seu devido lugar: não se pode deixar que Maria se torne mais importante que Cristo, se não a Igreja corre o risco de ficar amputada do braço castigador e é ele que carrega poder.

bruno cunha disse...

bolas, estou perdido no meio de tanta informação e comentário...

alf, tens mm de publicar 1 livro com estes teus posts do teu blog!

(penso que essa é a ideia, certo?)

;)

antonio disse...

"Acreditar", seja no que fôr, é uma forma de cegueira.

Eu já aprendi essa parte por isso é que ponho em causa as suas teorias, incluindo esta.

Oh Alf a estátua não é no Brasil?

Nas igrejas cristãs Cristo não ocupa o papel de castigador; já lhe disse uma vez, um erro de palmatória pode levá-lo a perder parte do público.

Se vamos confrontar, que seja por ideias arrojadas e não por ignorância, que em vez de provocar, choca e desinteressa.

alf disse...

António

Em Fátima:
http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=2514


António, que o "braço castigador de Deus" é fundamental na teoria e prática da Igreja nem tem discussão

Mas não há imagens de Deus, não é verdade? Logo, esta representação é assumida pela imagem de Cristo.

Cristo versus Maria? Guerra de sexos na Igreja? Claro que há. Mas concordo consigo que não é isso que interessa aqui. Pareceu-me importante na resposta ao Tarzan para frisar que o amor incondicional é, e só pode ser, representado por Maria. Isto choca quem? e porquê? Gostava de ouvir a Fá dar opinião sobre isto... só por curiosidade... alguma senhora quer comentar?

indomável disse...

Querem um comentário muito pessoal'
Eu não sei se essa discussão aceita esta minha confidência, mas quanto a amor incondicional cá vai disto:
Aos oito meses de gestação do meu segundo filho fui confrontada com a extrema necessidade de acelerar o automóvel a limites não recomendados a cardíacos, por me terem ligado do infantário onde o mais velho reclamava a minha presença.
Uma curva recém criada na estrada que percorria todos os dias trocou-me as voltas e o despiste levou-me para fora da estrada, deixando o automóvel em situação de periclitante equilibrio...
Antes de se dar o acidente, eu c0onsegui ver em câmara lenta, não a minha vida até àquele dia, mas o que aconteceria ao feto dentro da barriga, caso eu permitisse que ela embatesse no volante. Vi claramente o que estava a seguir À curva e o perigo que corria o bebé se mantivesse o cinto colocado...
não sei com que lucidez o fiz, soltei-me do cinto... sabia que não conseguiria travar e não o tentei fazer, deitei-me nos assentos em posição fetal e preparei-me para o embate. A consciência era a de que mesmo que ficasse em mau estado, o bebé sobreviveria durante algum tempo e eu tencionava manter-me viva, pelo menos enquanto o tivesse cá dentro...
O carro desceu o desnível da estrada, capotou e voltou-se ao contrário uma vez, voltando ao seu estado normal logo de seguida.
Eu bati no tablier primeiro, depois na manete das mudanças, depois fui contra o vidro e mantive-me sempre na posição fetal, enrolando-me como o bichinho da conta o mais que pude (valeu-me a elasticidade mantida à força de yoga).
Algumas pessoas viram do cimo da estrada, ligaram para o 112 e pelo caminho vinham gritando que eu devia estar morta...
Ah! Não vos disse... eu fui "rezando" à minha falecida avó... para que protegesse o meu bebé...
Nem eu nem ele tivemos qualquer tipo de problema, eu nem sequer tinha equimoses e a minha pulsação de atleta manteve-me o ritmo cardíaco em níveis normais!
Para que serviu o relato?
Bem... não sou a melhor pessoa para dizer se o meu amor pelos meus filhos é incondicional ou não... mas em todo aquele tempo a minha vida só tinha importância para o manter a ele, era a vida dele que importava... Assim como me colocaria na frente de uma faca, uma bala, o que fosse para proteger cada um deles. Ao mesmo tempo, e o amor incondicional tem destas coisas, não permito que desistam de cair, arranhar-se, via-os saltar de quatro degraus pelo puro prazer da experiência e ria-me com eles... porque eu estava lá, porque eu seria capaz de ma jogar ao chão para amparar a queda!
Incondicional o amor de mãe? quem disse?

antonio disse...

Indy, obrigado por teres partilhado esse momento connosco.

Respeitá-lo-ei com o meu silêncio. Um beijinho.

antonio disse...

Alf, para que é que você quer ter razão quando pode ser genial?

Ter razão é uma banalidade ao nível do QI do Bush; o Bush consegue ter razão, pelo menos umas 3 vezes ao dia... mas ser genial?

Quem escreve:

No meio disto tudo, Roma foi o porto de abrigo das novas ideias. Galileu foi mais apoiado pelos círculos eclesiásticos de Roma do que pelos seus colegas aristotélicos da Universidade de Pádua.
Aparentemente devido à pressão que sofria quer pela frente protestante, quer pelos académicos, quer por temer os riscos de instabilidade social que as novas ideias podiam implicar, a Igreja acabou por proibir o ensino da teoria heliocêntrica e condenar Galileu, já velho e quase cego, a prisão domiciliária para o resto dos seus dias.

Terá sido com o caso de Galileu que a Igreja percebeu que não podia deixar o estudo do Universo nas mãos dos Académicos.

Isto só pode ter sido escrito por um génio e perante isso a verdade é uma menoridade, quase obscena. Quem o escreveu não é tomado por Católico ou sequer religioso, mas por alguém que faz incidir uma nova luz sobre conhecimentos que julgávamos longamente amadurecidos!

Este pensador faz-nos salivar por mais!

Quem escreve: “o "braço castigador de Deus" é fundamental na teoria e prática da Igreja nem tem discussão.” Afirma uma banalidade que não vale a pena passar a escrito. Qualquer indivíduo com o QI do Bush pode produzir este tipo de afirmação.

A sua vocação é ser brilhante. Deixe-se de menoridades. Aqui o que (me) interessa é o seu projecto editorial!

antonio disse...

Oh Alf! Você só lê o que quer! Não é uma estátua mas a reposição da antiga Cruz que foi retirada para a construção da Basílica. Esta é realmente um pouco maior do que a anterior, mas acredite, a intenção não é que constitua uma presença ameaçadora...

alf disse...

Indomável, belíssima a tua história!

António, obrigado pelos elogios ehehe.

A nova cruz tem uma diferença importante: tem um Cristo!! Como eu já disse, são exactamente as pequenas coisas que devem merecer toda a nossa atenção.

Fa menor disse...

Alf,
Não interprete o meu silêncio como uma maneira de "fugir com o rabo à seringa".
Para defender as minhas convicções, ainda mais quando em matéria religiosa, não me acobardo!
O que acontece é que, se por um lado ando mesmo com falta de tempo, o que me leva a ler muito na diagonal o que aqui tem vindo a ser escrito, e para poder comentar; por outro lado, e talvez por ler na diagonal, encontro aqui muita informação um tanto ou quanto confusa.
Não sei concretamente o que é que o Alf gostaria que eu comentasse. Pode ser paradoxal isto que vou dizer mas, se por um lado vejo que poderia pegar aqui em muita coisa para comentar, por outro lado, e desde já peço desculpa, objectivamente, não lhe encontro ponta por onde se lhe pegue.

Relativamente à figura de Nossa Senhora, devo dizer que Maria não é uma deusa, e como tal, nunca estará acima de Cristo, que é Deus, mas será sempre um caminho, uma mediadora. A imagem de "Deus castigador" não se encaixa naquilo em que acredito. Pelo contrário, Deus, para mim, não só é Pai como é essa Mãe com todo o amor maternal por excelência.

Se uma mãe, em todo o sentido da palavra como a Indomável (uma grande mãe), nutre um amor tão grande pelos filhos, capaz de dar a sua vida para salvar a deles, quanto mais Deus não nos amará, Ele que é a Fonte de todo o Amor?!

Agora, se uma mãe deixa que os filhos aprendam também por tentativa e erro e os premeia ou castiga como forma de aprendizagem, por que motivo haveria Deus de não nos dar a liberdade de podermos "bater com a cabeça"?
Somos livres e, como tal, assim como fizermos, assim acharemos.
Deus castigador?!
Nós é que não somos bons ou, pelo menos, não tão bons assim!!!

Ah! quero dizer-lhe ainda que, apesar de não ter medo de confrontos, se começar a ver, neste blog, um ataque sistematizado a Deus e à Igreja, eu, simplesmente, deixo de frequentar. Não estou para me desgastar numa coisa em que entrei por curiosidade e, perdoe-me, com um certo ar de brincadeira!

cumprimentos

Fa-

antonio disse...

Alf, leia agora a chamada de atenção com a mesma atenção com que leu a parte dos elogios... ;)

Voltei a ler a notícia e não consigo lá encontrar o Cristo na Cruz. Onde é que encontrou essa informação?

Repare no que diz a Fá, podemos discutir a inteligência do universo, com inteligência e bom senso. Essa não é uma discussão vedada a ateus, agnósticos, panteistas, católicos, budistas, etc... quando se faz luz, todos devem poder vê-la.

antonio disse...

Alf, leia agora a chamada de atenção com a mesma atenção com que leu a parte dos elogios... ;)

Voltei a ler a notícia e não consigo lá encontrar o Cristo na Cruz. Onde é que encontrou essa informação?

Repare no que diz a Fá, podemos discutir a inteligência do universo, com inteligência e bom senso. Essa não é uma discussão vedada a ateus, agnósticos, panteistas, católicos, budistas, etc... quando se faz luz, todos devem poder vê-la.

alf disse...



Obrigado pelo seu comentário

Não se pretende aqui atacar seja o que for. Busca-se unicamente a Verdade.

Sei que buscar a Verdade não é o que interessa à grande maioria das pessoas. Ás pessoas interessa sentirem-se felizes e tranquilas.

Quando as pessoas se sentem muito infelizes, controem nas suas cabeças um mundo imaginário onde podem ser felizes. Acontece muito com as pessoas de idade mas acontece um pouco com todos nós.

Cristo foi para o deserto procurar uma Verdade. Não foi o primeiro nem será o último.

Vejo que a Fá tem crenças bem firmes e que a fazem feliz. A Verdade, ou a falta dela, não é coisa que a angustie. A grande verdade que lhe interessa será a felicidade sua e dos outros. Bem haja por isso.

Não temos todos a mesma missão, não é? Este blogue é para outras pessoas, esta viagem é para quem quiser descobrir a Verdade custe ela o que custar.

A Verdade ilumina e protege. A ignorância acaba sempre por ser a fonte do sofrimento. Aqueles que seguirem viagem terão depois a missão de proteger os outros. Todos temos as nossas missões...

Um beijo agradecido

alf disse...

António

Eu li, eu li... nada do que diz cai em saco roto, esteja descansado!

Ontem à noite vi na TV o escultor explicar a composição do monumento.

A discussão é livre, participa quem quer. As ideias das pessoas têm uma forte base inconsciente, as pessoas acreditam naquilo que o seu inconsciente considera que lhes convém, como sabe tão bem como eu. Sem ir às raízes das ideias das pessoas a discussão é inutil, não passará de conversa social, cada um ficará com as ideias que já tinha.

Se eu pretendesse fazer um romance de sucesso, esse seria o caminho, não queremos perder leitores não é?

Mas, como sabe, tenho outra missão. E aqui reside o meu grande problema: se misturo fantasia com verdade para fazer um enredo apelativo, corro um duplo risco: umas pessoas pensarão que a fantasia é verdade, pois que o resto o é; outras pensarão que a verdade é fantasia, pois que o resto o é.

O melhor será talvez deixar que tudo pareça fantasia... há sempre alguém capaz de entender...