segunda-feira, junho 25, 2007

A Metodologia Científica

- A metodologia científica actual, contrariamente à do passado e a outras, assenta no respeito integral pelos resultados experimentais e observacionais! É uma herança de Galileu, talvez o mais importante legado do grande cientista.

- Hummm, estás mesmo convencido disso Mário? Não te parece que é exactamente o contrário?

- O contrário? Que raio queres tu dizer Jorge?

- Onde é que Ptolomeu não respeitou exactamente o método científico, tal como ele é aplicado hoje? Não estabeleceu um modelo matemático que descrevia os resultados das observações?

- Bemm ... Mário hesitou... sim, mas inventou esferas e mais esferas que suportariam o movimento dos astros sem que existisse qualquer evidencia observacional dessas esferas! Ora isso é totalmente contrário ao método científico!

- Essa agora... – Jorge abriu a boca numa aparente manifestação de genuino espanto –Ptolomeu estabeleceu uma teoria matemática que correspondia às observações! Nisso, os gregos estavam até mais avançados do que hoje, não confundiam modelos matemáticos com modelos físicos.

- Os modelos matemáticos são para os engenheiros! A Ciência visa explicar o Universo, não lhe basta um modelo matemático qualquer que acerte com as observações.

- Pois, então vejamos – Jorge assumiu um ar quase agressivo – o modelo de Ptolomeu exigia umas 480 esferas a suportar o movimento dos astros, mas se era assim ou não, isso seria algo que teria de ser descoberto à posteriori, quando existissem recursos tecnológicos que o permitissem. Tal como acontece hoje! Por exemplo, para explicar as observações cosmológicos inventou-se a matéria negra e a energia negra. Não existe, até hoje, nenhuma evidência objectiva da sua existência. Onde é que está a diferença para o que fez o Ptolomeu? É que não estou mesmo a ver!?

- Então, na tua opinião, o Galileu não inovou na metodologia científica? E as engenhosíssimas experiências que ele fez para determinar EXPERIMENTALMENTE as leis dos movimentos dos corpos?

- Claro que o Galileu inovou! O Galileu defendeu uma hipótese absolutamente contrária às observações, a hipótese de que a Terra se movia. A hipótese de que nos estamos a deslocar a uma velocidade supersónica! Pode algo ser mais contrário às observações e à experiência do que isso? Pode algo ser mais contrário ao “método científico”? Há alguma experiência desse tempo que suporte tal afirmação? Galileu, como Copérnico e outros já o tinham feito antes, deu um contributo extraordinário, ele mostrou que o caminho do conhecimento exige Inteligência!

- Inteligência?!? Que raio queres dizer com isso? Que os cientistas são estúpidos?

- Que ideia! Os cientistas aplicam o método, não são estúpidos nem inteligentes. O Método Científico actual é que está nos antípodas do que Copérnico, Galileu, Newton, Einstein e outros usaram, é que não tem as características indispensáveis a um processo Inteligente.

- O quê, o Einstein também não usou o método científico? Estás a passar-te!

- Nunca ouviste a frase dele de que “Deus é subtil, mas não é malicioso”?

- E o que é que isso tem a ver?

- Estou a ver que tenho de te explicar o que é Inteligência...

25 comentários:

Tarzan disse...

Olá!

Ó prof! A frase " O Galileu defendeu uma hipótese absolutamente contrária às observações" não é exacta. A hipótese é contrária às observações feitas ANTES dele. As observações dele é que vieram trazer uma nova luz uma vez que contrariavam os conceitos anteriores baseados em observações à vista desarmada. O que ele observou não se encaixava no que os modelos estabeleciam. Galileu teve então de formular uma hipótese que explicasse quer as observações anteriores quer as dele.

alf disse...

Olá Tarzan.

Galileu não defendeu essa hipótese por causa das observações que fez, foi ao contrário - ele, como outros que o antecederam, fazendo uso do seu raciocínio, concluíu que a Terra teria de se mover; depois foi em busca de provas.

É portanto, ao contrário: Galileu arranjou provas para defender uma hipótese que não era consequência directa de nenhuma observação existente.

Mas mesmo as provas que Galileu conseguiu arranjar afiguram-se demasiasado fracas para suportar a bárbara afirmação de que a Terra rodaria sobre o seu eixo a uma velocidade superior à do som no ar nas nossas latitudes!

Face ao modelo físico da altura, isto era uma completa impossibilidade. Por isso é que Galileu não foi apoiado e até foi perseguido pelos cientistas da época.

Portanto, o que Copérnico e Galileu defenderam era óbviamente um completo disparate. Se fosse hoje, teriam sido despedidos das suas universidades, nenhuma revista científica publicaria os seus trabalhos.

Mas eles estavam certos! Eles contra a humanidade.

A questão é: onde é que nós, vulgares humanos, estamos em erro para não sermos capazes de vermos a realidade como eles a viram?

Galileu tentou ultraprassar as dificuldades postulando o que Einstein tornou conhecido como o Princípio da Relatividade. Como veremos, este príncípio tem um alcance muito mais vasto do que se pensa e abre portas inimaginadas...

Anónimo disse...

perdoem-me continuar anónimo, embora não tenha nada a esconder. Mas sim, gosto de vela e por vezes até meto água.

Hoje temos como certas e seguras todas as explicações que os físicos nos oferecem. Não questionamos, não pomos em causa. A ciência só evolui com autênticas revoluções que põem em causa a teoria antiga. Mas os cientistas não se dão bem com revoluções. Preferem sempre mais do mesmo, e acrescentam o que quer que seja ao modelo vigente para continuar a colar-se aos novos dados. É compreensível a reacção à mudança. Eles passam a vida a estudar e têm como dados adquiridos coisas que aprenderam ainda miúdos. Não põem em causa a sua sabedoria, nem ouvem quem não é do meio. Creio que estão numa posição incómoda, têm um medo terrível de serem criticados pelos seus pares e passarem para a lista negra. Se fosse hoje o Einstein nem seria publicado (era um admistrativo do serviço de patentes). Só quem é do mainstream é que publica.
Já há alguns anos assisti por acaso a uma palestra sobre o Big-Bang dada por um catedrático da Univ.Lx. no Observatório da Ajuda. Por coincidência o meu amigo alf estava na assistência. Na parte final de perguntas do público coloquei-lhe uma questão que coloca o problema de pernas para o ar. Pois,... não tive resposta. Em conversa com o alf, já de saída, chegá-mos à conclusão de que não estão preparados para ouvir. Eles já pensaram tudo e só esperam que o público seja leigo. São como sacerdotes que defendem o seu domínio.
Só a dúvida e a pesquisa é que gera conhecimento.
A teoria assenta numa montanha de se...se...se...colados a modelos matemáticos (e não modelos físicos) e esperam, estranhamente, que as probabilidades no final lhes sejam ainda favoráveis.
Por exemplo: a coincidência é a explicação científica do universo ser electricamente neutro (número de protões = número de electrões)
Mas parece-me absolutamente ingénuo acreditar numa coincidência do tamanho do universo. As quantidades são iguais porque as partículas tiveram uma origem comum. Se esta afirmação for válida deixa de haver coincidência.
As coincidências aplicam-se a eventos isolados. No mundo as explicações gerais não se podem reger por coincidências. Nem a própria explicação da origem da vida.
Nota: alguns anos antes do episódio o alf mostrou-me um modo de ver o problema do Big-Bang completamente distinto do vigente e foi isso que motivou a minha pergunta. O saber é do alf que o compartilhou comigo.
O alf, se me permitem, vem sempre com dúvidas face às explicações dos livros, questiona o fundamento das próprias raízes e procura outro modo de explicar.
Um dia ver-se-á que o Big Bang irá sofrer um verdadeiro Big Bang.
graças ao alf.

Tarzan disse...

Olhe que não professor... As afirmações de Galileu e de Copérnico eram muito "graves" para sairem do nada, da sua imaginação ou intuição. Galileu pôs em causa o modelo ptolomaico porque as observações astronómicas que realizou dos satélites de Júptiter, das fases de Vénus, das manchas solares, etc... iam contra a ideia de perfeição imutável dos corpos celestes e tornavam-se impossíveis de encaixar no modelo ptolomaico. Por outro lado, encaixavam-se perfeitamente nos conceitos heliocentricos de Copernico.
Mesmo Copérnico não primou pela originalidade. "Apenas" pegou em ideias já defendidas na Antiguidade (Aristarco, Philolau e Nasir al-Din Tusi) e deu-lhes um suporte matemático que até aí nunca havia sido produzido.

Isso não lhes retira o mérito de terem tido a ousadia de "atirar às couves" os concensos científicos da sua época.

Insisto: o trabalho de Galileu partiu das (suas) observações que foram fruto, nomeadamente, do aperfeiçoamento dos métodos de observação (telescópio).

alf disse...

Meu caro Tarzan, vejo que entende o que está implícito no reconhecimento de que Galileu defendeu uma hipótese contra as "evidências".

Mas é mesmo o meu amigo que diz que já outros o tinham feito antes. Em que observações se baseou Copérnico? e os da Antiguidade?

Essa hipótese não causou estranheza nenhuma no seio da Igreja porque a Igreja há muito que domina esses outros caminhos do conhecimento por onde andam os "génios". Por isso é que a Igreja protegeu Galileu, como antes tinha apoiado Copérnico.

Claro que o Tarzan sempre ouviu a história contada ao contrário e nesse contrário se suporta o seu modelo de realidade. Aceitar a minha afirmação é questionar os fundamentos daquilo em que acredita.

E, sabe, perceber isso, ser capaz de ver a realidade por detrás do que parece óbvio, saber que "Deus é subtil", confere um poder imenso ao seu detentor. O trabalho de milhares de cientistas, os milhões gastos na Ciência, são impotentes em comparação com o poder que resulta dessa capacidade.

Acha que quem tem esse poder e tem uma responsabilidade sobre os destinos da Humanidade vai abrir mão dele, quando ele lhe permite conhecer caminhos de futuro e escolher como encaminhar a louca Humanidade?

antonio disse...

Ao anónimo, podes escolher um pseudónimo, que fica mais simpático. (registas-te no Gmail com esse pseudónimo).

Uma vez alguém me disse: O acaso é o Deus dos tolos.

alf disse...

Anónimo, a coincidência que aponta é um exemplo interessante. A origem comum não pode ser aceite porque não é compatível com o modelo atómico.

A atitude deveria ser: sabemos que este modelo não pode estar certo, temos de procurar outro. Mas não é. A atitude é a da defesa a todo o transe das teorias existentes, tal e qual como os crentes defendem as suas crenças.

Note-se o seguinte: já quase não se faz investigação em física fundamental. A orientação da União Europeia, é que Ciência deve estar orientada para as aplicações práticas. As religiões investigam os seus fundamentos? A Ciência também não.

Na realidade, o que nós temos hoje é mais Tecnologia do que Ciência. A verdadeira Ciência, eufemisticamente chamada de fundamental, e a Filosofia, estão mortas.

Na sociedade actual, tudo o que não gera riqueza a curto prazo é eliminado. As vacas só não estão extintas porque nós as comemos.

Tal como as martas. Ainda bem que a sua pele serve para casacos. (não confundir com os maus tratos a que alguns criadores as sujeitam)

O mesmo acontece com a Ciência fundamental.

Conclusão: é preciso uma atitude "ecológica" em relação à pesquisa fundamental.

antonio disse...

Alf
Parece-me interessante este debate, mas um pouco disperso em relação ao projecto inicial: ganhar visibilidade pela ficção.

Para quem não pertence ao mainstream, como diz o anónimo e não é suficientemente excêntrico para atrair a atenção dos media, tem que encontrar um produto de substituição para entrar no mercado.

É claro que este debate lhe dá algumas pistas, mas temos que lhe dar chama.

alf disse...

Meu caro António, na realidade eu não preciso da ficção... porque a realidade está muito para além dos limites da ficção.. a ficção está limitada pelo que já sabemos, não passa de um rearranjo de passados, enquanto que a realidade...

Estou de acordo com estas discussões paralelas se perde impacto.. mas eu hesito... reparou no que escrevi atrás e que reproduzo:

"E, sabe, perceber isso, ser capaz de ver a realidade por detrás do que parece óbvio, saber que "Deus é subtil", confere um poder imenso ao seu detentor. O trabalho de milhares de cientistas, os milhões gastos na Ciência, são impotentes em comparação com o poder que resulta dessa capacidade.

Acha que quem tem esse poder e tem uma responsabilidade sobre os destinos da Humanidade vai abrir mão dele, quando ele lhe permite conhecer caminhos de futuro e escolher como encaminhar a louca Humanidade? "

Está a perceber porque me falta às vezes o folego?

Anónimo disse...

Estranho que pistas dadas pelo alf não sejam comentadas mesmo a fundo. Parece que ficamos à volta,..,como se fosse apenas um exercício de escrita. Parece que não ficámos suficientemente espicaçados para perguntar abertamente: Então explica-te lá sobre «expulsões solares» (absolutamente inédito), formação dos planetas,... .
Não é que eu lhe queira perguntar, porque ele lá terá o seu timing, e não quero apressar, mas estranho a ausência de curiosidade. Pego nas dicas e continuo a procurar .
E encontro coisas engraçadas, começando no blog Mitos Climáticos que ele referencia acabo por aterrar em Ponder the Maunder um ensaio demolidor para Al Gore e para os cientistas mainstream acólitos, criado por uma miúda de 15 anos
http://home.earthlink.net/~ponderthemaunder/index.html
http://home.earthlink.net/~ponderthemaundercf/id12.html

como o alf diz : a ciência (e todos nós) perdemos muito com a promiscuidade entre política e ciência, e pagamos todos.

antonio disse...

A sua visão da serenidade da Igreja é um ponto forte da trama a desenrolar.

É essa serenidade que permite à Igreja acolher Galileu.

De onde vem? Do conhecimento. Não dum conhecimento qualquer, mas do conhecimento que confere um poder imenso ao seu detentor. O trabalho de milhares de cientistas, os milhões gastos na Ciência, são impotentes em comparação com o poder que resulta dessa capacidade.

Aqui o leitor questiona-se, que conhecimento será este? O Santo Graal? Um livro? Uma fórmula?

O leitor deve ser induzido numa e noutra direcção sem piedade ou remorsos.

Só no momento oportuno de deve revelar a chave: A Igreja sabe que “Deus é subtil”!

É nesta simplicidade poética que se reconhece o génio.

Recapitulemos, dois pontos fortes:

1- Visão teológica da evolução das espécies (anunciada nas Escrituras)
2- O conhecimento absoluto: Deus é subtil.

Julgo que começamos a ter uma estrutura, agora falta o mais difícil e aterrador: a mulher.

Não confunda com o elemento feminino, mas a mulher. Em todas as histórias da Salvação entra a mulher.

Em todas as obras de sucesso lá temos a mulher. Mas estas dizem muito a respeito do intimo do escritor, as mulheres são perigosas, por vezes apropriam-se da narrativa, quando mesmo da alma, que o diga Saramago da sua Blimunda.

antonio disse...

Alf não subestime a ficção: uma ideia tão idiota como a do satélite foi aceite a partir de um autor de ficção.

Como cientista Arthur C. Clarke teria sido ignorado.

NinaSimone disse...

Cher Fred,
Passei a meio da noite finalmente para ver como se faz o teu blog mas a visita foi demasiado breve. Voltarei com o tempo que requer a ver se mando também as minhas "bitaitas". Isto está animado. E Galileu diga-se de passagem foi um tipo muito dred. (risos)
Um abraço de até breve
Nina

bruno cunha disse...

"Um dia ver-se-á que o Big Bang irá sofrer um verdadeiro Big Bang.
graças ao alf."

alfredo, desembucha!

alf disse...

António, você tem um talento imenso para fazer romances!

E está a acertar umas coisas... aquela de saber que "Deus é súbtil" é a chave desse poder imenso...

A perspectiva teológica da evolução... aí vai ter surpresas..

Quanto à Mulher. Sem dúvida que há uma mulher. Ou mais do que uma. Mas eu não sei quem seja. Ela é desconhecida. Espreita o que escrevemos mas não a vemos. Ninguém sabe nem pode saber quem ela é. É o seu anonimato que lhe vai permitir jogar a cartada decisiva.

Isto é o que pressinto. Não sei se ela já nos observa ou ainda não. Provavelmente, nunca o saberei.

Eu sou apenas um personagem da história.

alf disse...

ninasimone bem vinda! Os comentários são a energia que faz este blog avançar. Com a tua entrada em cena, isto vai tornar-se supersónico!
Um beijo

alf disse...

Anónimo, o amigo Tarzan tem no blog dele muito trabalho sobre as questões climáticas - foi ele que me enviou esse link

Quanto a andar mais depressa, lembro que é preciso preparar a terra antes de lançar a semente.

Antes de se apresentar uma ideia nova é preciso preparar o terreno onde ela vai germinar. E é preciso esperar pela estação apropriada. Sem isso, a semente não se tornará árvore.

O tempo não pára e em breve a lavra estará concluída; mas há muita pedra para tirar do terreno

alf disse...

Bruno, este caminho é uma longa recta; temos de seguir esta estrada muitos dias antes de encontrarmos um destino.

Mas, ao contrário de outra recta, a paisagem aqui está cheia de surpresas. Por isso, o caminho não será monótono.

Tarzan disse...

Ufa! até que enfim 5 minutos para vir aqui.

«Claro que o Tarzan sempre ouviu a história contada ao contrário e nesse contrário se suporta o seu modelo de realidade. Aceitar a minha afirmação é questionar os fundamentos daquilo em que acredita.»
Qual história? A da Igreja vs Galileu? ou a das observações de Galileu como base da suas teses?

«Mas é mesmo o meu amigo que diz que já outros o tinham feito antes. Em que observações se baseou Copérnico? e os da Antiguidade?».
De Copérnico não sei, mas também terá partido de algum pensador da antiguidade. A ideia de certeza que não lhe saiu do ar. O que não lhe retira o mérito de ter tido coragem de seguir outro caminho.

Quanto aos astrónomos gregos a conversa já é outra. Naquela altura, com as observações disponíveis era possível encaixar uma série de teorias diferentes. Todas funcionavam. Na Grécia coexistiam diversas escolas com concepções diferentes do Universo e da Natureza. Como é natural cada uma lutava por "impor" a sua. Aristarco de Samos pertencia à escola Pitagórica que inicialmente defendia o heliocentrismo não com base em Ciência mas com base em concepções filosóficas: todo o Universo deveria girar em torno de um Fogo Central. Isto entra mais no campo da mitologia do que no campo da Ciência...
Curiosamente Aristarco de Samos, o primeiro a dar corpo científico ao modelo heliocentrico, também teve de, à semelhança de Galileu, afirmar algo em que não acreditava para não irritar os seus pares. Neste caso teve de afirmar que o diâmetro da lua eram 2º quando sabia que eram 0,5º. Curioso, não?

alf disse...

Tarzan, a questão está em que Copérnico e Galileu defenderam uma hipótese que era contrária aos factos conhecidos (numa interpretação imediatista destes).

Galileu já defendia essa hipótese muito antes de ter uma luneta para ver a Lua, Vénus e Júpiter.

Não interessa se essa ideia é anterior a eles. Interessa que eles perceberam que ela se aproximava da Verdade. E interessa que essa hipótese era contrária às observações, razão pela qual não podia ser aceite pelos cientistas da época.

Interessa perceber que uma adopção simplista da "Occam razor" conduz necessariamente ao erro.

Amigo Tarzan, é um poço de sapiência! Fiquei impressionado com o que conta de Aristarco de Samos. E que mostra duas coisas: como sempre foram estreitos os caminhos da ciência e que se o Aristarco sabia o diametro aparente da Lua, certamente não defendia o modelo heliocêntrico por razões mitológicas...

leprechaun disse...

Puxa vida! Este Alfredo nem o Krishna lhe havia de fazer medo!

Ora eu, o Gnomo-Arjuna, temente ao mais alto Mestre, sou sem cultura nenhuma um bárbaro cafageste!

Assim pasmo, confundido...

Rui leprechaun

(...pó do Big Bang varrido! :))


PS: Mas à volta venho e leio... e ouso até meter paleio! ;)

leprechaun disse...

Acha que quem tem esse poder e tem uma responsabilidade sobre os destinos da Humanidade vai abrir mão dele, quando ele lhe permite conhecer caminhos de futuro e escolher como encaminhar a louca Humanidade?


Não é pois Krishna, mas Cristo... luz do mundo nunca visto!

E se eu já estava confuso... desta vertigem me escuso!

Hummm... isso é mesmo, mesmo a sério... esconde o Papa um mistério?

E o Dan Brown no seu romance... dá alguma pista em transe?

Mas se o Alf nem é crente... desse Deus não é temente.

Sem seguir velho pastor... tem-lhe respeito maior.

Que apocalíptico Evento...

Rui leprechaun

(...só Roma sabe o momento! :))


PS: Ei! Vou ser o novo Bandarra... profeta do riso e farra! :D

leprechaun disse...

Visão teológica da evolução das espécies (anunciada nas Escrituras)


Esta agora!!! Mas isto é mesmo aquilo que aparenta ser... ou apenas mais um truque p'ra entreter?!

Ah! ainda não cheguei lá... eu recuo ao Deus dará! ;)

Esse mesmo assim subtil... disso já gosto, é baril!

Mas eu quero o tal segredo...

Rui leprechaun

(...nadir, zénite ou albedo! :))

leprechaun disse...

A origem comum não pode ser aceite porque não é compatível com o modelo atómico.


De facto, acho que já nem vale a pena espantar-me mais. Será que isso também significa que nem mesmo o simples modelo atómico lá do Rutherford - protão, neutrão e electrão - se safa?!

Ou melhor, não deve ser isso mas talvez a explicação que a teoria do Big Bang dá para a origem dessas partículas, não?!

Pois, mas isso já está um tanto além dos meus nano-conhecimentos...

Por falar nisso, se isto anda assim tudo de penas para o ar e tem de ser escrito de alto a baixo, então ser ignorante até pode ser uma virtude, como na história das 2 crianças que iam aprender piano. A que já sabia tocar de ouvido ia demorar mais tempo a aprender do que a outra, pois tinha primeiro de se "desviciar" do que sabia mal.

Ora assim, eu aqui sou tábua rasa e livro em branco...

Rui leprechaun

(...puro coração em brasa ávido do saber franco! :))

alf disse...

leprechaun

O modelo atómico actual concebe que, por exemplo, electrão e anti-electrão tenham origem comum; logo o nº de partículas e antipartículas seria igual no princípio. Ficam duas coisas por explicar:

Para onde foram as antipartículas?
Porque é igual o número de protões e electrões?

se, ao contrário, pensarmos que electrão e protão se formaram aos pares, então tudo faz sentido; só que isso exige que, de alguma forma, a partícula simétrica do electrão seja o protão. E é isso que não é compativel com o actual modelo atómico.

Pois é, ser livro em branco é uma vantagem - é por isso que eu me preocupo em explicar estas novas teorias a quem não é da área; aos da área, como disse Planck, resta esperar que morram e que sejam substituidos por uma nova geração, que crescerá já em contacto com as novas ideias...