quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Dióxido de Carbono marca o Horizonte da Vida


History of Atmospheric CO2 through geological time (past 550 million years: from Berner, Science, 1997). The parameter RCO2 is defined as the ratio of the mass of CO2 in the atmosphere at some time in the past to that at present (with a pre-industrial value of 300 parts per million). The heavier line joining small squares represents the best estimate of past atmospheric CO2 levels based on geochemical modeling and updated to have the effect of land plants on weathering introduced 380 to 350 million years ago. The shaded area encloses the approximate range of error of the modeling based on sensitivity analysis. Vertical bars represent independent estimates of CO2 level based on the study of ancient soils.
(link para a página clicando na figura)


Um estranho problema de que não se fala é o desaparecimento do Dióxido de Carbono.

Como sabemos, o CO2 é o gás mais importante para a vida. Mais importante do que o Oxigénio, pois sem este a vida continuaria a existir na Terra, mas sem CO2 apenas em ambientes muito restritos continua possível a vida em formas muito elementares.

Ora quando analisamos a evolução do CO2 deparamos com algo a que certamente devemos prestar atenção: a taxa de CO2 tem vindo a diminuir desde as origens da Terra!

O CO2 já foi, a seguir ao vapor de água, o gás mais abundante na atmosfera. A atmosfera inicial da Terra compunha-se essencialmente de vapor de água e de CO2. Estima-se a quantidade inicial de CO2 em 30 a 50 atmosferas (30 a 50 vezes mais do que toda a atmosfera actual em massa)

Reparemos na figura: só nos últimos 500 milhões de anos diminuiu umas 20 vezes. Em relação às quantidades iniciais de CO2, a quantidade actual é cerca de 100 000 vezes menor.
Actualmente, o CO2 é mais raro que o Árgon, que é um gás raro. Aquele que já foi um gás dominante da atmosfera terrestre é hoje mais raro que um gás raro! Representa apenas 0,036% da atmosfera, enquanto o Oxigénio é 21% e o Argon 0,93% (e o Azoto 78%).

Se extrapolarmos a tendência de variação do CO2 dos últimos 200 milhões de anos, concluímos que, se tudo continuar como até aqui, dentro de 50 milhões de anos no máximo o CO2 desaparecerá e com ele a vida na Terra tal como a conhecemos.

Esta é a maior ameaça à vida terrestre alguma vez apontada. As consequências do desaparecimento do CO2 seriam muito piores que as maiores catástrofes alguma vez ocorridas no planeta, muito piores que o Evento que determinou a extinção dos Dinossáurios e outras extinções maciças ainda maiores.

Mas 50 milhões, embora uma insignificância à escala geológica, é um período dilatado à nossa escala. Valerá a pena preocuparmo-nos com isto?

Primeiro, notemos o seguinte: a vida será profundamente afectada muito antes do CO2 desaparecer. Muitas plantas precisam de níveis mínimos de CO2 superiores a 100 ppm (100 partes por milhão ou 0,01%) para poderem crescer; portanto, a extrapolação que temos de fazer não é para quando o CO2 for zero mas para um valor da ordem de metade do actual.

Depois, os níveis de CO2 têm apresentado nos últimos milhares de anos flutuações acentuadas, que atingiram valores tão baixos que ficaram próximos dos mínimos necessários à vida. Ora não sabemos porque é que o CO2 flutua desta maneira e, portanto, não podemos estar certos que na próxima flutuação não venha a cair demasiado para as necessidades da vida. Como veremos, isso pode encurtar o horizonte da Vida para uns 10 000 anos.

E, por último, continuamos a ouvir falar de projectos megalómanos, loucos e descontrolados para «sequestro» do CO2; um projecto destes (como, por exemplo, bactérias de laboratório) é uma verdadeira arma de destruição maciça. Como «sequestrar» o CO2 passou a valer muito dinheiro dentro das actuais e futuras políticas de «combate às alterações climáticas» não estamos livres de alguém a conseguir realizar. Isso poderia encurtar o horizonte da Vida para uns... 10 anos?

Pelo sim pelo não, será bom entender melhor porque e como varia o CO2 a curto prazo e que margens de segurança temos, não vos parece?

17 comentários:

Diogo disse...

Bom post!

Vou ter de acelerar a fundo com o escape aberto.

UFO disse...

e por estes dias está todo o mundo em conclave para acabar com o CO2.
como está faltando €€€ para sair da crise mundial que está a começar, espero que larguem a despesa do CO2.
e o Obama pode estar bem aconselhado.
(Os USA foi o o único país que não assinou o protocolo de Kyoto).

alf disse...

Diogo

Calma rsrsrs.. já pensou que o petróleo que gasta agora pode fazer falta mais tarde para repor o CO2 quando ele for bem mais baixo? Que o «bem escasso» acumulado no petróleo não é a energia mas o CO2?

Mas pode ir passar o Natal à terra sem nenhum peso na consciência! Há carvão que chegue para gerar CO2 quanto baste.

alf disse...

UFO

Os políticos sabem bem que o aquecimento global, agora subtilmente trasnformado em «alterações climáticas», não tem pernas para andar; vão ter de acabar com as taxas sobre o CO2 sem perder a cara. Mas têm uma saída aceitável: investir nas renováveis. Têm o argumento que esse investimento é para combater a crise, logo não precisa de ser directamente rentável, não têm de penalizar o consumo dos fósseis porque podem, em vez disso, subsidiar a investigação e instalação de renováveis.

antonio - o implume disse...

O problema está na democracia, que acabou com a verdade oficial do regime e nos lançou nas mãos de especialistas que não são mais do que especuladores do sub-prime americano! Ora os investimentos públicos causam o défice, ora são fundamentais para salvar a economia, agora o CO2! Co a breca!
Assim não existem condições para exercermos com consciência a nossa cidadania!

Joaninha disse...

Curioso este post sim senhora, vou dar uma olhadela e pesquisar um pouco sobre isto.
Um beijo

alf disse...

Obrigado pela visita Joaninha. Nada como umas ideias diferentes para nos estimularem as meninges, não é? É por isso que eu gosto de ir ao teu blogue...

MaF_Ram disse...

Passei para dar uma vista de olhos...

Aproveito para desejar a continuação de Boas Festas e de um Bom Ano Novo... menos materialista e mais solidário!

D X disse...

Já houve uma imensa crise de falta de CO2 e de excesso de oxigénio, quando sirgiram as plantas. Entretanto apareceram os animais, que contrabalançaram a produção de oxigénio das plantas e desde então tem havido relativo equilíbrio.
Ultimamente (desde 1750), a concentração de CO2 cresceu 30% na atmosfera (http://pt.wikipedia.org/wiki/Co2). Talvez não seja altura de nos preocuparmos com a diminuição do CO2!

O aquecimento global é uma tendência reconhecida por uma vasta comunidade científica, embora ainda haja muita discussão sobre o assunto. A produção de CO2 é um factor de risco e há uma correlação directa entre esta produção e prática de graves crimes ambientais (a desflorestação e a disseminação de outros poluentes) - ou seja, a produção de CO2 é um também um indicador.

Temos um impacto brutal em todo o planeta. Diminuirmos esse impacto só pode ajudar a manter um equilíbrio que até hoje tem sido frutuoso para toda a vida na Terra.

Quando conduzimos numa estrada e vemos a aproximação duma curva e não sabemos se a curva será acentuada ou ligeira, o que será melhor? Continuar a acelerar porque não temos garantias de que a curva será acentuada? Ou, à falta de certezas e por precaução, abrandarmos até sabermos o que virá?

alf disse...

MaF Ram
Obrigado pela visita. Um Ano Novo muito mais solidário, sem dúvida... talvez meta um post sobre isso em breve.

alf disse...

DX
obrigado pelo seu comentário. Defendeu bem o seu plausível pensamento, aqui vai o meu:

Como já tenho escrito, percebo que a humanidade precisa muitas vezes de ser gerida, ainda, pela técnica da «mentira conveniente». Isto porque agimos ainda essencialmente em função de nos nossos interesses mais ou menos imediatos e ligamos pouco aos interesses colectivos. Ora governar é tomar decisões em função do interesse colectivo, daí a necessidade de inventar mentiras que façam as pessoas agir em função do interesse colectivo a prazo convencidas que o fazem em função do seu interesse a curto prazo.

Mas eu não sou político. O meu compromisso é com a «verdade». Não me cabe fazer coro com «mentiras convenientes».

Por outro lado, penso que é preciso muito cuidado com elas, pois facilmente se tornam perigosas - tem sido com elas que se têm criado as condições para as guerras.

Penso que a melhor via é sempre compreendermos os problemas.

Não pense que não há riscos nesta teoria do Dióxido de Carbono; há projectos muito perigosos em cima da mesa. Felizmente que o actual arrefecimento do clima os irá inviabilizar, espero eu.

A ideia de que existe um equilibrio natural possível na Terra é um erro - esse equilíbrio só é possível com uma população humana até uns 10 milhões de pessoas; a partir de aí, a vida na Terra é suportada na tecnologia e no conhecimento.

Estamos, portanto, muitíssimo longe do «equilíbrio natural» e temos de saber exactamente o que andamos a fazer. Se aceitamos teorias erradas, se aceitamos uma ciência que dá voz a interesses políticos e cala a boca dos cientistas que lutam pela verdade, então estamos muito próximos de embarcar em teorias que podem causar catástrofes imensas.

Eu penso que uma Ciência Credível! (e vai ficar descredibilizada com esta história do aquecimento global) vai ser indispensável para conseguirmos manter a vida humana; por muitas razões, uma delas subjacente ao post de 30 Maio de 2007.

Lembro ainda que o Obama iniciou uma política de apoio a energias alternativas que não tem nada a ver com procupações deste tipo: a razão que ele aponta é obter «independencia energética». Ora aqui está uma boa razão que não faz uso de mentira nenhuma e conduz ao objectivo pretendido com maior eficiencia e sem riscos. Porque é verdade.

Por outro lado, creio que a tese do CO2 não só não ajudou o combate à poluição como o prejudicou, porque desviou a atenção dos verdadeiros poluentes.

Um abraço.

Manuel Rocha disse...

Um abraço, meu caro ET ! E dias muito bons !

Manuel

Joaninha disse...

Alf,

Feliz ano novo!

Quer dizer aí no teu planeta também festejam a passagem do ano certo?

beijos

alf disse...

Obrigado Joaninha!

Eh eh... festejamos a passagem de cada mês e cada semana! Um ano é tanto tempo para esta Vida tão acelerada...

Um Bom Ano Novo para ti. Já fizeste o teu plano de objectivos pessoais para este ano?

Beijinhos

vbm disse...

Eu, ou na escola primária, ou no 1º ciclo do liceu, aprendi que as plantas libertam oxigénio de dia e, de noite, libertam anidrido carbónico - que suponho é o que agora se chama dióxido de carbono (se não é, avisa.me, alf!) - pelo que, imaginava, o equilíbrio estava mais ou menos assegurado pela compensação da sucessão da noite ao dia e do dia à noite... :)

Também, extraí o corolário prático que as minhas 'quatro' mães (4 afectivas, e 1 das 4, também biológica - a que sobrevive, aliás!) me ensinaram: não dormir com jarras de flores e plantas no quarto, para não respirar anidrido carbónico!

Ora, o que mais parece estar ameaçado, hoje em dia, é o abate desmesurado de árvores nas florestas amazónica e africana e que, isso sim, pode acelerar a degradação das condições atmosféricas de vida...

alf disse...

Manuel

Obrigado! E que não percamos o entusiasmo que animou as nossas conversas bloguistas durante o ano que passou!

alf disse...

vbm

Obrigado pela sua visita e pelo seu comentário!

Será um pouco mais complicado do que isso :-);

As plantas precisam de C, H, O e azoto para se contruirem, além de outras coisas em pequenas quantidades. O Azoto vão buscar ao solo (compostos azotados); H e O podem obter da água; C obtêm do dióxido de carbono da atmosfera.

As plantas «respiram» como todos os outros seres vivos, ou seja, produzem CO2; mas, através da fotossíntese, captam carbono da atmosfera por processamento do CO2,o que liberta Oxigénio.

Enquanto têm luz, a quantidade de CO2 que processam é várias vezes maior que o que libertam e isso faz com que o balanço líquido da actuação das plantas sobre a atmosfera seja a de drenagem de Carbono.

Depois as plantas são comidas por animais que reciclam o carbono que as compõe em CO2.

Temos assim o essencial do ciclo do carbono - retirado da atmosfera pelas plantas e devolvido pela respiração dos animais, putrefacção e incendios.

Este ciclo não tem uma eficiência de 100% (nada tem); portanto, há sempre algum carbono que se perde nele,ficando retido em formas não reciclaveis naturalmente - carvão e compostos vários.

Assim, a tendência do CO2 atmosférico médio é para diminuir ao longo do tempo; o que implica uma catástrofe a prazo porque ele é indispensável à vida, a não ser que os humanos reciclam o carbono que vai ficando sequestrado de volta à atmosfera - nomeadamente pela queima do carvão.

Por outro lado, o equilíbrio do ciclo depende da equivalência da parte animal e da parte vegetal - se houver excesso de plantas, o CO2 atmosférico diminuirá mais depressa, se houver falta delas aumentará.

É portanto na relação entre a quantidade de vida animal e vegetal que o ciclo se equilibra e não na sequência dia-noite.

E como este tipo de equilíbrio é do tipo presa-predador (tenho uns posts antigos sobre isso), deveremos esperar oscilações.

O grande decrescimo do CO2 que culminou há cerca de 300 milhões de anos pode ter a ver com a explosão em quantidade da vida vegetal; depois estabeleceu-se um equilibrio, que se traduz na diminuição de CO2 ao longo do tempo decorrente do facto de a eficiencia do ciclo não ser de 100% e de outros factores (a variação de temperatura média parece ter uma influência importante no ciclo por causas ainda não identificadas com certeza). A regularidade do declive do CO2 nos últimos 200 milhões de anos é aparente, numa escala mais fina ver-se-iam pronunciadas oscilações.

A floresta amazónica... assunto compicado; mas o mais importante será que nós queremos viver num planeta onde a Vida se exprima com a intensidade possivel, não queremos viver num ambiente de laboratório; e esse ambiente deve ser cultivado em toda parte, mesmo dentro das cidades, que carecem de muitos e bons jardins. Penso eu...