
domingo, maio 30, 2010
Conheces as tuas Personalidades?

segunda-feira, abril 19, 2010
A Origem do Sexo
terça-feira, março 30, 2010
A Linguagem da Natureza não é a da Selecção

segunda-feira, março 15, 2010
Evo-Devo
A teoria de Darwin adapta-se bem à evolução nas espécies mais primitivas mas não às mais avançadas; recordemos os 4 postulados de Darwin (consoante a fonte, assim os postulados de Darwin; escolhi estes de fonte para mim a mais fidedigna, a tese de doutoramento do Rodrigo; tradução livre do original em inglês):
Nada disto é novidade para os leitores deste blogue - é mesmo por isso que a refiro, para mostrar que há mais quem se abalance para além de teorias Darwinistas básicas e Criacionistas. Como se lembrarão, desenvolvemos um conceito lato de Inteligência, que não se reduz à biologia; compreendemos que o processo elementar de Inteligência, que designamos por «A+S», satisfaz os postulados de Darwin; que há processos mais sofisticados de Inteligência; que os próprios postulados de Darwin não excluem esses processos ao nível da geração da variedade dos fenótipos. Na verdade, nem sequer excluem uma intervenção divina: como são geradas as variantes do fenótipo? Só conseguimos conceber três maneiras possíveis: ou por mecanismos de acaso puro, ou em função duma experiência de vida (por feedback e acaso, portanto) ou por intervenção exterior (divina, extraterrestre, o que for). Pensar que podem ser erros de cópia genética nas espécies superiores é um disparate, o acaso puro tem de ser excluído; e com ele fica excluída também a Selecção Natural como mecanismo dominante do processo evolutivo nas espécies superiores.
Isto é entendido como uma evidência de evolução sem intervenção da Selecção e com transmissão de «experiência de vida», duas coisas contrárias à teoria de Darwin. Na verdade, não podemos classificar isto como evolução. Vejamos melhor.
A importância de compreendermos a Evolução
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Mãe Terra - Mother Earth

Continua formosa. Um pouco envelhecida aqui e ali mas noutros lados ainda em pleno esplendor. Em qualquer zona equatorial se sente, pleno de vigor, o coração da Mãe Terra. Ninguém diria que já fez 4 000 milhões de anos. Uma Mãe de meia-idade.
Uma existência preenchida. Muito jovem, gerou no seu ventre o embrião da Vida. Uma Vida que cresceu e se desenvolveu, sempre alimentada e protegida no seio da Mãe Terra. Até que, há menos de 100 milhões de anos, a Vida teve de, pela primeira vez, começar a cuidar de si própria.
O primeiro passo foi produzir o seu próprio calor, quando o calor da Mãe Terra deixou de ser suficiente e adequado. Os Humanos sabem que são de «sangue quente» mas não sabem bem porquê.
Com o envelhecimento da Mãe Terra, a Vida terá de se autonomizar dela porque, progressivamente, a Mãe Terra deixará de ser capaz de prover as necessidades da Vida. Para isso, a Evolução tem vindo a aperfeiçoar seres com Inteligência capaz de usar recursos que ela, Vida, não pode usar directamente
Assim se chegou aos Humanos. Os Humanos não têm todas as capacidades necessárias para garantir a autonomia da Vida mas já têm algumas. São capazes de sobreviver fora da zona equatorial sem que a Evolução tenha tido de os dotar de adaptações. Foi um primeiro passo, mas já deram muitos outros. E, o mais significativo de todos, foram capazes de ultrapassar uma carência que o envelhecimento da Mãe Terra determinou: a falta de Azoto nos solos. Aprenderam a fabricar os adubos. Começam agora a descobrir que também nos oceanos o azoto escasseia em muitas zonas. Têm pela frente os magnos problemas da carência de Energia e da carência do CO2.
A Mãe Terra fez o que podia fazer: armazenou grandes quantidades de energia e de CO2 em depósitos de petróleo, gás e carvão; a Vida, por outro lado desenvolveu novos ciclos de fotossíntese, C3 e C4, capazes de funcionar com níveis baixíssimos de CO2. Mas não há milagres: o CO2, que já foi mais de 30 vezes a massa total da atmosfera actual, é hoje menos de 0,04% da atmosfera, mais raro que o Árgon. O CO2 actual é 1 milésimo do inicial! Cada planta precisa de respirar mais de 10 000 litros de ar para poder obter 1g do indispensável Carbono. Há umas dezenas de milhares de anos que a Vida tem fome de CO2. A biomassa de hoje é uma pequena fracção da de outrora, porque a biomassa está limitada pela disponibilidade do CO2. Cada grama de carbono de cada ser vivo tem de ser retirado da atmosfera pelas plantas, não há outra forma significativa de obter o precioso carbono.
É uma luta contra o tempo: a Mãe Terra gerou a Vida e a Vida terá de se prover a si própria à medida que a Mãe Terra vai envelhecendo; a Vida ainda não é autónoma da Mãe Terra e esta preparou umas reservas que têm de durar enquanto a Evolução não produz a forma de Vida capaz de se autonomizar. Se as reservas acabarem antes disso, a Vida na Terra extingue-se, mas isso não sucederá – tudo está devidamente organizado, a Evolução trará o ser que garantirá a autonomia da Vida antes da Mãe Terra esgotar os seus recursos. Apenas é preciso que os Humanos garantam ao novo ser as condições de que ele precisa para sobreviver. Apenas isso.
Este «apenas» é, no entanto, o elo fraco do processo. Os Humanos estão no início da caminhada do Conhecimento, ainda veem o amanhã como uma repetição do ontem, não percepcionam a evolução do Universo, não têm consciência do seu papel, alguma juventude e imaturidade pautam o seu comportamento. Os Humanos vão atribuindo à Mãe Terra as consequências do seu desconhecimento. Por exemplo, os sismos. O dia em que deixar de haver sismos será um dia triste, o dia da morte da Mãe Terra. Fazem mal os sismos? Sem as desqualificadas construções humanas, os sismos seriam dos mais inofensivos fenómenos vitais da Mãe Terra.
No Haiti ruíram muitas casas. Não foram pensadas para resistir ao sismo. Por ignorância – ignorância de que o sismo ia ocorrer durante a sua existência. Se fosse sabido, as casas teriam sido construídas para resistir ao sismo, pois isso não tem dificuldade tecnológica nem acréscimo importante de custos. Foi a ignorância de que o sismo podia ocorrer que causou a catástrofe. Ou, eventualmente, a simples falta de Qualidade, esse outro sinal de imaturidade – os construtores poupam no ferro e os habitantes cortam pilares para alargar a sala sem compensar a estrutura.
Assistiu-se também ao falhanço universal dos sistemas de protecção civil. Os hospitais de campanha tinham médicos e tendas mas não tinham equipamento. Serraram pernas e braços nas mesmas condições da 2ª Guerra Mundial. Milhares de haitianos morreram por falta da mais elementar assistência. É lógico – os planos e orçamentos dos sistemas de protecção civil são estabelecidos em face das necessidades do ano anterior. Se fossem para além disso, os contribuintes protestariam e os Orçamentos de Estado não seriam aprovados.
É quase sempre a ignorância do Futuro a profunda razão das consequências catastróficas dos fenómenos naturais e da falta de capacidade de resposta a elas. É por saber como é importante conhecer o Futuro que os Humanos se viraram para a Religião, para as artes divinatórias e para a Ciência. A Ciência já consegue prevenir algumas coisas mas ainda não consegue antecipar o Futuro porque o seu conhecimento do Universo e da Vida não é suficiente. Do Futuro ainda só há Medos, não há Visão.
O próximo Evento trará o Filho do Homem pela mão da Evolução. O Filho do Homem é o descendente do Homem, a geração seguinte ao Homem. O Filho de que o Homem se orgulhará. Mais Inteligente, mais preparado para o próximo passo da 4ª fase da Vida (3º nível da Evolução). Não virá montado numa nuvem nem chegará de repente. As trompetas não o anunciarão. Ninguém dará por ele, nem ele mesmo.
Mas será que o Homem saberá conduzir a Vida até ao Evento, atenuando as carências que a velhice da Mãe Terra vai fazendo aparecer, sobreviver ao Evento, e assegurar as condições necessárias para que o seu Filho se estabeleça e inicie a nova fase da Vida?
Isso não é certo; o Filho do Homem pode surgir num Mundo demasiado destruído e violento. A Cabeça da Mãe está preocupada com isso. O seu Coração está preocupado com outra coisa: o sofrimento que o Evento trará se o Homem não souber ver o Futuro. O parto do Filho não tem de ser doloroso.
Contrariamente ao sismo, o Homem pode saber como é o Evento e estimar quando é. O Evento, como um sismo, pode ser uma catástrofe indescritível ou um fascinante »passeio no Jardim da Estrela». Literalmente.
imagens:Wikipedia (Terra / Sismo Lisboa / Jardim da Estrela)
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Caim, Jacob e outras histórias da Bíblia
Em vários posts já afirmei repetidamente algo de que nós hoje não temos a mínima consciência: o drama da sobrepopulação, em que a Humanidade quase sempre existiu.
Desde há milhares de anos que o número de pessoas atingiu o limite suportável pelos recursos; e isso significa que a reprodução sempre esteve limitada ao número de pessoas que morriam – se mais nasciam, mais tinham de morrer, pela violência ou pela fome.
Este foi sempre o imenso drama da humanidade. Os oásis civilizacionais puderam emergir sempre que um avanço tecnológico ou organizacional geraram um acréscimo de recursos. Nos posts sobre Inteligência escrevi que a Inteligência duma sociedade é função da diferença entre recursos e necessidades.
Também já escrevi que por detrás da 1º Guerra Mundial, como de muitas outras, foi o problema da sobrepopulação que esteve – os economistas da época não tinham dúvidas: os recursos cresciam aritmeticamente e a população geometricamente, logo quem não quisesse ser extinto tinha de extinguir os outros, não havia lugar para todos.
As misérias de muitos países de hoje resultam exactamente disto – a população excede os recursos e continua a crescer descontroladamente. A densidade populacional do Haiti é quase tripla da portuguesa.
As grandes civilizações da Antiguidade puseram em prática diversos processos de controlar a população. Um deles era o Infanticídio. Já tenho visto documentários nos canais de televisão em que arqueólogos ficam muito admirados ao encontrar depósitos de ossadas de recém-nascidos. Santa Ignorância!
Uma prática comum era abandonar os recém-nascidos numa floresta ou pôr numa alcofa num curso de água; desta forma entregava-se o destino da criança nas mãos dos deuses, retirando aos pais o pesado fardo da responsabilidade pelo sacrifício dos filhos. Porque tudo isso era feito com enorme sofrimento dos pais, não se pense que eram selvagens sem sentimentos. Atestam-no cartas escritas por romanos, que eu já li não sei onde.
Os egípcios parece que usavam uma espécie de dispositivo intra-uterino, creio que feito a partir de bosta seca do gado... com fracos resultados.
Nas zonas de clima agreste, o problema era menos grave porque as pessoas morriam muito logo nos primeiros anos de vida; mas nas zonas tropicais não. Os sacrifícios humanos das civilizações da América Central terão tido a finalidade de manter a população controlada em face dos recursos.
Isto tudo serve para percebermos que em tempos remotos a vida humana não era certamente um bem escasso e, como tal, não era muito valorizada. Qualquer pequeno conflito tinha de resultar em mortes. A morte de um era sempre a vida de outro, pois os recursos eram limitados. A morte não era uma perda absoluta, era uma troca.
Entregues a si próprios, os homens tinham de considerar os outros como inimigos se queriam sobreviver. Apenas organizações tribais eram inicialmente possíveis. Passar além disso exigia a instituição de um poder superior. E foi-se buscar esse poder à Religião.
O objectivo de quase todas as religiões era construir uma melhor sociedade humana. Os seus ensinamentos são os que conduzem a mudar os hábitos e comportamentos da época para outros melhores. E como se fazia isso?
Através de pequenas histórias que começavam por retratar os comportamentos aceites na época e depois faziam intervir «a mão de Deus» para introduzir o novo comportamento. Não podia ser doutra maneira, não é verdade?
E é assim que surge a história de Caim ou de Jacob. E é por isso que a Bíblia não é um «manual de maus costumes» - ela retrata os costumes e a moral da época e isso, muitas vezes, com o objectivo de introduzir melhores costumes. Os julgamentos morais sobre os costumes de então só revelam a ignorância de quem os faz – a ignorância do quadro de vida da altura. Tão simples de entender, não é? E, no entanto, tanta discussão sobre o assunto...
Note-se que a Bíblia é muito mais do que isso; ela é um repositório de muitos conhecimentos da antiguidade. A parábola da expulsão do paraíso, por exemplo, é uma alegoria fantástica ao problema da sobrepopulação, como explico aqui. Mas há muito mais conhecimento na Bíblia e não era tolo o Newton quando a estudou com cuidado. Só que, como está escrito, «quem lê, entenda»; para Newton, não poderíamos entender até que as coisas acontecessem; aí poderíamos então verificar que por detrás da Bíblia estava um conhecimento maior que o nosso. Eu penso como o Einstein, que «Deus é subtil mas não malicioso», ou seja, que podemos entender o universo, ou a Bíblia, ou a nós próprios, mas temos de ser «subtis» e não «simplórios» nos nossos raciocínios.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Os Novos Conhecimentos: a Temperatura da Terra
Agora vamos falar do outro: a variação da temperatura da Terra ao longo do tempo.

A figura acima, publicada nest post, apresenta a curva da temperatura terrestre que decorre da teoria da Evanescência e assinala alguns acontecimentos relevantes na história da Vida. Esta curva não é conhecida da Ciência (a não ser o risquinho verde na ponta direita, que é a temperatura da Terra nos últimos 100 milhões de anos estimada por Crowley). Segundo a Física actual, o modelo que traduz a história térmica da Terra é o Snowball Earth, segundo o qual a Terra esteve congelada até há uns 500 milhões de anos, em consequência da radiação do Sol ser tanto menor quanto mais jovem a estrela (curiosamente, esta relação com a radiação solar teórica desapareceu da teoria, e o congelamento permanente da superfície transformou-se em episódios de glaciação global).
As evidências geológicas e biológicas a favor duma Terra quente e não duma Terra fria são esmagadoras, sendo a teoria do efeito de estufa pelo CO2, que serve agora tão convenientemente de suporte aos modelos do aquecimento global, uma tentativa falhada de explicação de tão extraordinária evidência. Sabiam que a origem da teoria do CO2 foi a necessidade de explicar o passado quente da Terra?
No artigo da Nature que citamos aqui, é publicado o seguinte gráfico da temperatura dos oceanos no passado:
Este gráfico apresenta as temperaturas máximas de proteínas ancestrais reconstruídas (EF = elongation factor) sobreposto a curvas obtidas por análise de isótopos de oxigénio. Como se pode ver, estas temperaturas são extremamente altas, impossíveis de explicar pela física actual. E este é apenas um dos muitos testes que indicam consistentemente temperaturas muito altas no passado terrestre.
A estimação da temperatura a partir dos dados geológicos e biológicos tem cometido recorrentemente um erro básico: presumir que a temperatura de ebulição da água é de 100 ºC. Ora isso só é verdade à pressão atmosférica actual; numa Terra mais quente, o vapor de água aumenta a atmosfera e a pressão, elevando consideravelmente o ponto de ebulição. Se estes estudos atendessem ao aumento de pressão que decorre necessariamente de uma temperatura mais alta, os valores de temperatura obtidos seriam mais altos, provavelmente em plena conformidade com a curva que apresentei.
Os autores do citado trabalho concluem que:
“ Our results suggest that early life lived at an environmental temperature similar to those of today’s hot springs. Particular geological theory and evidence suggest that the ancient ocean also had temperatures similar to those of hot springs.”
As «hot springs» são fontes de água aquecida por geotermia; especialmente relevantes para este efeito são as submarinas, que suportam formas de vida que não dependem do Oxigénio, a temperaturas que chegam a ultrapassar os 100 ºC, possíveis porque a essa pressão o ponto de ebulição da água é muito acima dos 100ºC.
Portanto, independentemente de considerarmos ou não a teoria da Evanescência, a vida surgiu e evoluiu em temperaturas insuportáveis para as formas de vida correntes de hoje; e se pensarmos que, por exemplo, o Homem não poderia existir quando os dinossáurios dominavam a Terra porque as condições de temperatura e humidade seriam insuportáveis (a 40ºC de temperatura, os 100% ou quase de humidade relativa tornariam inútil o nosso sistema de arrefecimento), e que isto ocorreu há menos de 3% da idade da Terra, começamos a suspeitar que o calendário da evolução da Vida foi escrito pela evolução da temperatura terrestre.
Isto nunca foi considerado na análise da Evolução. E tem consequências da maior importância.
Sugiro, para os mais interessados, a leitura dos 3 posts publicados sobre o assunto antes de avançarmos; além dos dois já indicados há mais este. Se seleccionarem a etiqueta «Evolução da Vida», estão os três seguidos em Janeiro / Fevereiro de 2008.
domingo, outubro 25, 2009
Subtil, Simplório, Enviesado... e Caim
Ando há algum tempo para falar sobre o que é um raciocínio simplório, subtil ou enviesado e vai ser agora; a análise da Evolução continua no próximo post, onde veremos um facto importante que não entra na actual teoria da Evolução mas que é crucial. O tema deste post é importante porque nos ajuda a saber raciocinar melhor.
.......
Consideremos um jogador de xadrez. Face a uma disposição de peças no tabuleiro, logo uma hipótese de jogada lhe ocorre. Essa é a hipótese simplória. Se for um jogador principiante, faz essa jogada. Se não for, vai analisar as consequências. E vai testar outras jogadas. Até chegar a uma decisão. Essa é a hipótese subtil, porque já não resulta do que está directamente à vista.
Como sabem, ganha no xadrez o jogador que for capaz de perspectivar mais longe a jogada. Ou seja, o que for mais «subtil». A hipótese «simplória» é quase sempre errada, no entanto, é a que parece «lógica» a um espectador que só tenha conhecimentos superficiais de xadrez.
O Einstein disse que a diferença entre ele e os outros físicos é a de que ele pensava mais longamente nos assuntos; logo, era mais subtil; e frisou a importância do pensamento subtil numa frase famosa, a de que Deus é subtil mas não malicioso.
No entanto, não foi entendido, foi até escarnecido; porquê?
Porque nós não fazemos nem raciocínios subtis nem simplórios; nós fazemos raciocínios enviesados.
O nosso Inconsciente, com base nas informações que ele aceita como «verdade» e nos seus próprios critérios, de raiz instintiva, forma uma opinião sobre um assunto, atinge uma conclusão; em seguida o nosso consciente é mobilizado para provar que essa conclusão está certa. Os nossos raciocínios não servem um processo de descoberta mas um processo de demonstração de uma ideia, opinião, conclusão, certeza, estabelecida anteriormente a um nível inconsciente. Os nossos raciocínios são, portanto, enviesados, visam provar algo que já foi definido a priori.
A justiça utiliza isto como metodologia para fazer um julgamento na sua estrutura de defesa/acusação/juiz, onde tanto a defesa como a acusação devem fazer uma argumentação enviesada para o seu lado. É uma metodologia que funciona na fase de julgamento. Porém, já a Polícia não pode funcionar com base na mesma metodologia, o investigador policial tem de fugir dos raciocínios enviesados ou dificilmente desvendará algum crime.
Também em Ciência este problema se põe com enorme acuidade. Como fugir aos raciocínios enviesados?
A melhor maneira é a pessoa ter consciência disto e dos factores de enviesamento dos seus raciocínios; mas isso é difícil e subjectivo, é conveniente uma metodologia que dê alguma garantia de protecção contra os raciocínios enviesados. Então, a Ciência adoptou como resposta a este problema o raciocínio simplório, ou seja, constrói os seus modelos de realidade directamente sobre os resultados das observações. É assim a teoria Atómica, do Big Bang, da Relatividade, Electromagnética e de Ptolomeu. A excepção é a de Newton, que resulta de raciocínios subtis.
Isto é um progresso em relação a uma fase anterior, baseada em raciocínios enviesados, não é um retrocesso como poderão estar a pensar. O raciocínio simplório é menos mau que o enviesado. Claro que o «subtil» é melhor, mas ainda não demos esse salto a não ser pontualmente e é tão excepcional que classificamos de «génios» as pessoas que ultrapassam o que resulta directamente da observação.
Vou dar-vos exemplos. Ontem vi um documentário no Discovery Civilization, espanhol, que sustentava a ideia de que o Colombo seria um nobre espanhol, catalão. Apresentado como se fosse um estudo «científico», era assaz enviesado; por exemplo, a única referência a Portugal era a de que ele fora casado como uma nobre portuguesa e unicamente para provar que ele não poderia ser um plebeu genovês. Portugal nem aparecia num mapa várias vezes repetido, onde toda a península era Espanha. Pensarão: uns malandros os espanhóis! Na verdade, isto é o que fazem todos os povos nos seus documentários. E o que nós faríamos se fizéssemos um documentário sobre o Colombo. Por isso a importância que a generalidade de países dá à realização de documentários.
Um documentário «simplório» trataria todos os factos em pé de igualdade. Mas isso não é uma vantagem específica para quem paga o documentário, e tudo o que se faz está ao serviço dos interesses de quem paga.
O recente livro do Saramago, Caim, insere-se no processo oposto. O Saramago, segundo ele mesmo diz (eu não li), faz uma leitura «literal» do que está escrito na Bíblia. Este é o procedimento «simplório». Os crentes fazem uma leitura «enviesada», uma interpretação do que lá está escrito de acordo com a sua crença. O «Caim» do Saramago representará um progresso para quem quer chegar mais perto da verdade. O que não significa que a sua conclusão esteja certa – como disse, os raciocínios simplórios são frequentemente errados. Mas têm a vantagem de não obliterarem os factos.
Um exemplo duma interpretação subtil duma parábola bíblica é a que apresentei aqui, sobre a expulsão do paraíso.
Estes raciocínios enviesados que continuamente fazemos não são desonestos, o enviesamento é essencialmente inconsciente; mas há raciocínios conscientemente enviesados – são os dos vendedores, por exemplo, quando querem vender um produto, são os próprios raciocínios do charme social, de muitos políticos, das religiões, dos interesses económicos. Alguns são só um bocadinho desonestos, outros totalmente. Por exemplo, o de que o plano de reforma de saúde do Obama iria matar os reformados e deficientes, posto a correr pela poderosa indústria de saúde americana. Estes enviesamentos visam os medos e os anseios das pessoas para conseguirem fins escondidos.
Eu chamo a estes raciocínios manipulativos exo-enviesados. Os raciocínios exo-enviesados têm «asas», espalham-se como fogo em madeira seca. E são tão difíceis de combater como ele.
Bem, há muito mais para dizer, quer em relação às fontes de enviesamento, quer em relação à análise da validade dos raciocínios. Mas, para já, ficamos com esta interessante questão: percebermos porque é que as nossas ideias são as que são. Elas não são fruto da nossa racionalidade mas da nossa «irracionalidade», ou seja, um produto do inconsciente, um produto «afectivo». Os raciocínios em que as suportamos são elaborados a posteriori.
Temos de aprender a percepcionar o nosso enviesamento para conseguirmos uma melhor racionalidade. Quando conseguirmos olhar para os factos sem presunção ou crença, estamos aptos ao raciocínio «simplório»; e quando conseguirmos passar além do «simplório», como um jogador de xadrez experiente, depararemos com as múltiplas possibilidades que o raciocínio subtil nos abre. Mas há um preço a pagar: tempo!
terça-feira, outubro 13, 2009
Diogo dixit
Em comentário ao anterior post, o Diogo apresentou sumariamente o que pensa sobre o mecanismo da Evolução:
1 – Os vários indivíduos da mesma espécie recebem informação do ambiente e projectam uma estratégia de forma física para fazer face aos novos desafios e novas ameaças.
2 – Como os adultos já não se conseguem alterar transmitem essa pelas células sexuais.
3 – A reprodução sexuada vem permitir um máximo de interacção de quase todos os indivíduos com todos os outros. Ou seja os indivíduos estão a trocar ideias fisicamente.
4 – Esta troca de ideias tem dois objectivos: a) Escolher a melhor estratégia de evolução e aplicá-la a todos os indivíduos em simultâneo.
5 – A nova geração já nasce diferente e mais adaptada.
Analisemos. No ponto 1 diz que ;
1 – Os vários indivíduos da mesma espécie recebem informação do ambiente e projectam uma estratégia de forma física para fazer face aos novos desafios e novas ameaças
Isto é sem dúvida uma hipótese; mas será certa? Como podemos saber se é certa ou errada? Para tal, é necessário algo que suporte a hipótese e que possamos testar. Por exemplo, uma pessoa pode responder à questão “porque anda um carro?” com “porque tem um motor!”. Para que seja aceite como explicação, a primeira condição é que, de facto, haja um motor no carro. Note-se que não é uma condição suficiente, apenas necessária. Por exemplo, uma pessoa poderia também responder “porque tem um volante”; de facto, tem um volante, mas isso não faz o carro andar.
Para suportar esta hipótese de que “os vários indivíduos da mesma espécie ... projectam uma estratégia de forma física” é necessário apresentar um facto. Como é feito esse projecto de estratégia? Que órgão do corpo faz isso? Uma pista qualquer sobre o processo? Estará a basear-se no que aqui se disse sobre a inteligência da célula e dos sistemas de células?
O Diogo nada diz a este respeito. Sem isso, esta hipótese não é uma «explicação». Pode estar certa ou errada, mas o Diogo não nos aponta nenhuma maneira de o sabermos.
Reparemos agora no seguinte: seguindo a mesma linha de raciocínio do Diogo, poderíamos dizer igualmente que
Em face da informação do ambiente recebida pelos vários indivíduos da mesma espécie, um Deus tipo «Grande Engenheiro» projecta uma estratégia de forma física para fazer face aos novos desafios e novas ameaças
Não é assim que um Grande Engenheiro age? Lançando modelos, verificando como se adequa ao ambiente, e introduzindo melhorias?
Ou, ainda, em vez de um Deus poderíamos considerar uma avançada civilização extraterrestre.
Que factos apresenta o Diogo para podermos pensar que a hipótese dele é melhor do que qualquer uma destas? O que as distingue, nesta altura, é apenas a sua adequação às presunções de quem as faz. Digo «nesta altura» porque aqui o Diogo lança uma hipótese nova que ainda não foi investigada. Quem sabe se na sequência de paciente trabalho de investigação não se descobre algo que a suporte? Só que, nesta altura, não há a mínima pista.
Depois, o Diogo diz que:
2 – Como os adultos já não se conseguem alterar, transmitem essa pelas células sexuais.
É importante saber se as células sexuais de um ser contêm qualquer informação diferente da que originou esse ser. Uma informação que resulte da experiência de vida do ser e não de um erro de cópia ou outro processo independente dessa experiência. Mas não sabemos isso. Afirma-se que não contém, essa é a base da argumentação anti-Lamarck, mas não conheço prova convincente. De qualquer forma, como assim é aceite, quem defender que as células sexuais podem conter informação derivada da experiência tem de pelo menos indicar um mecanismo através do qual tal pudesse acontecer. E isso o Diogo não faz. Um caso julgado só volta a julgamento perante factos novos.
Continuando:
3 – A reprodução sexuada vem permitir um máximo de interacção de quase todos os indivíduos com todos os outros. Ou seja os indivíduos estão a trocar ideias fisicamente.
4 – Esta troca de ideias tem dois objectivos: a) Escolher a melhor estratégia de evolução e aplicá-la a todos os indivíduos em simultâneo.
Será que não existe evolução sem reprodução sexuada? Bem, no último número da Nature vem um artigo, creio que co-autorado por um português, que mostra que as células dum cancro de pulmão apresentam uma elevada taxa de mutações... será que evoluem?
Uma coisa parece clara: há reprodução sexuada sem evolução que se note – na verdade, é o que há mais, a inteligência das tartarugas não parece ter sofrido evolução nos últimos 100 milhões de anos, por exemplo.
Podemos questionar: a troca de informação genética será condição necessária mas não suficiente? Será que, como o Diogo diz, essa troca não é «ao acaso», obedece a uma «estratégia»? O Diogo nada diz sobre como pode essa estratégia concretizar-se.
Notem que nada disto significa que o Diogo esteja errado. Apenas que ele não apresentou uma «explicação», apresentou uma «hipótese» sem ter apresentado qualquer prova. O que pode levar uma pessoa a considerar, nesta altura, que a hipótese do Diogo seja melhor do que a Criacionista, por exemplo? Nada, a não ser as crenças pessoais de cada um.
Qual é a diferença estrutural entre esta ideia do Diogo, o Criacionismo e a teoria do Darwin?
Vejamos este exemplo: imaginemos que uma pessoa explica o facto de um carro ser capaz de se mover dizendo: tem um motor, que é um dispositivo que transforma em movimento o calor que um combustível liberta quando arde.
Bem, ainda há muito por explicar. Transforma como?
No entanto, já foi dado um passo muito significativo. Agora, podemos pôr-nos a pensar, buscar uma forma de transformar calor em movimento. Temos uma peça do puzzle e temos um caminho de pesquisa. Se a hipótese fosse apenas «porque tem um motor» não tínhamos quase nada, essa hipótese não representa um «conhecimento» relevante (quem não sabe o que é um motor fica na mesma).
Darwin quase fez isto. Ele deu uma pista sobre como o motor da evolução poderia funcionar. Os descendentes nascem com variações e a natureza selecciona as mais adequadas. E podemos testar que assim acontece. O Darwin encontrou uma peça do puzzle da evolução. O Darwin mostrou que um processo de inteligência elementar, «geração de hipóteses + selecção», é usado na adequação dos seres vivos ao seu ambiente.
O Darwin não apresentou nenhuma teoria sobre o que produz as variações que os seres vivos apresentam. Isso é algo que ainda é alvo de pesquisa. Não se conhecendo nenhum mecanismo capaz de produzir mudanças genéticas capazes de suportar a Evolução, afirma-se que essas mudanças são por acaso. As experiências mostram que as mudanças por acaso só originam seres deficientes, como seria de esperar. Portanto, não se sabe, a Ciência não faz a mais pequena ideia, de como se produzem nos seres mudanças capazes de suportarem um processo evolutivo. O Diogo está a propor que na geração das “variações” dos descendentes não está um processo de acaso ou erro mas um processo de Inteligência.
Bem, na verdade, isto é óbvio, mas só a coragem de o afirmar já merece destaque. Quem não leu os posts em que tentei estabelecer que Inteligência é uma propriedade natural vai-se rir, mas vozes de burro não chegam nem ao Céu nem ao Futuro.
O Diogo pensa que um processo de Inteligência destes têm de se alimentar das consequências das modificações introduzidas, logo considera que a experiência de vida tem de alguma forma fazer parte do processo. Que há um mecanismo de «feedback» entre as alterações introduzidas e as suas consequências. Aqui, ele difere de Darwin, que considera que a geração de variações e sua selecção são processos independentes. A verdade será provavelmente algo mais sofisticado do que qualquer destas hipóteses.
Em conclusão, ao apresentar esta hipótese sobre a evolução das espécies, o Diogo actuou como um Descobridor, pois libertou a mente de ideias que certo «mainstream» papagueia sem perceber e aceita sem analisar e teve a coragem de pensar pela sua própria cabeça. Mas a tarefa do Descobridor é árdua, sem fazer o caminho todo que vai da ideia à prova o seu esforço é inútil. E, neste caso da Evolução, a tarefa é grandiosa demais para as nossas capacidades. A opção é procurar dar pequenos passos, ir juntando pecinhas do puzzle.
Foi o que o Darwin fez, ele só encontrou uma pequenina peça do puzzle, a de que um processo de variação das características seguido de um processo de selecção pode suportar um processo evolutivo. Como se gera essa variação, esse é o grande mistério.
O que sabemos da Evolução, na verdade, é ainda tão pouco e incipiente que corresponde quase à resposta «porque tem um motor». Sabemos que há Evolução, como sabemos que um carro anda; e sabemos que há um mecanismo de variações e selecção como sabemos que o carro tem um motor; mas estamos como a pessoa que não sabe o que é um motor porque nós também não sabemos como se geram essas variações. E é aqui que está a verdadeira questão.
............
Entre o Presente e o Futuro está uma Terra de Ninguém, um deserto onde perdemos as nossas crenças e limpamos a cabeça dos conceitos e das “verdades” do Presente; estamos a acabar a travessia desse deserto, à frente começam a surgir pequenos oásis de Futuro.
terça-feira, setembro 29, 2009
Os Novos Conhecimentos: ICV
Temos vindo a perceber, ou a intuir, que Inteligência é um processo natural, que Inteligência gera Conhecimento, que Inteligência operando em cima de Conhecimento gera mais Conhecimento, e que de tudo isto resulta uma Vontade capaz de conduzir o processo de Vida, tal como a acéfala estrela-do-mar tem uma vontade que a conduz à sobrevivência e reprodução. Estas características, que pensávamos existirem apenas associadas a um «cérebro», não precisam, afinal, de «cérebro».
Para nós, é razoavelmente fácil identificar o ICV duma pessoa, porque é algo que existe numa escala que nos é acessível. Já o mesmo não acontece no ICV duma célula ou da Natureza. Mais: podemos dizer onde reside o ICV duma pessoa, no seu cérebro, mas nem a célula nem a Natureza têm um cérebro, o que nos induz à percepção errada de que não há Inteligência, Conhecimento ou Vontade sem um cérebro. Felizmente existem estrelas-do-mar e outros seres para provarem o contrário.
Um cérebro é o órgão por excelência do ICV e tem 2 características básicas: memória, onde se armazena Conhecimento, e comunicação, que permite a movimentação desse conhecimento. São estas as infraestruturas da computação. Um cérebro é uma concentração destas funções, mas elas não são exclusivas de um cérebro. São necessárias para existir ICV, mas não têm de estar concentradas num órgão, num «cérebro».
Com efeito, as células detêm Conhecimento, dado que são capazes de gerar um ser vivo. Reside no ADN e não só. Não temos dúvidas sobre isso, pelo menos no ADN há Conhecimento acumulado. A existência de um Conhecimento prova que existiu uma Inteligência, pois aquele é o fruto desta. Para termos ICV precisamos ainda de capacidade de comunicação. Aquilo que fazem os neurónios. Ora a Vida exibe amplas capacidades de comunicação a variadas escalas. Vejamos:
- As bactérias trocam continuamente pedaços do seu código genético e, como se sabe, nessa sua característica parece residir a sua extraordinária capacidade de resposta às mais variadas condições. Uma comunidade de bactérias exibe um comportamento «sábio» e «inteligente», ou seja, exibe ICV.
- A Célula dispõe obviamente de ICV. Porque pensam que é tão difícil combater o cancro? Uma célula cancerosa é uma estrutura com ICV que actua à revelia do organismo em que se insere. É como uma estrela-do-mar. Busca a sua sobrevivência e multiplicação, esta é a sua vontade.
- Um organismo dispõe de ICV. Todo o funcionamento dum organismo está dependente de contínua e intensa comunicação, a partir da qual cada célula decide, em cada momento, que vai produzir esta proteína e não aquela. Uma comunicação que abrange todas as células do organismo, incluindo as sexuais. A ideia de que a experiência de vida de um ser não pode ter consequências na sua descendência porque as células sexuais estão isoladas está errada. As células sexuais são espectadores de toda a experiência de vida do ser a que pertencem. Experiência essa que pode ficar gravada na fase de amadurecimento dessas células. Que vai ocorrendo ao longo de toda a idade sexual do ser. Num próximo post veremos como podemos agora entender a Girafa muito melhor do que Lamarck ou Darwin e as consequências que daqui se podem deduzir para nós.
- As comunidades de indivíduos da mesma espécie, através da reprodução sexuada, trocam informação genética entre si, portanto, disporão dos meios necessários ao ICV. Outros tipos de comunicação dentro da comunidade também contribuem para o ICV da comunidade.
- A Vida, como um todo, tem ICV. Sabemos que idênticas sequências genéticas surgem em espécies totalmente distintas, o que indicia que também entre todos os seres vivos existe capacidade de comunicação. Como acontece isso, não sabemos. Os vírus podem transmitir pedaços de código genético, são mesmo usados em terapia genética para isso; mas podem existir outros processos que desconhecemos.
A Vida dispõe, portanto, de Memória e de Comunicação, ou seja, dispõe dos meios que suportam o ICV. E dispõe deles em diferentes escalas, cada uma constituindo um sistema com uma certa capacidade intrínseca de evoluir.
Haverá, portanto, ICV, logo, capacidade de evolução, em múltiplas escalas, e não podemos olhar para a Evolução como um fenómeno único, linear, nem pretender uma explicação única, um mecanismo único. Esta conclusão já é um passo em frente.
O ICV está para os fenómenos biológicos como as Leis Físicas para os fenómenos físicos. Porque tanto uma coisa como a outra nos indicam o estado seguinte dos sistemas. Ou seja, nos permitem antecipar o futuro. Por exemplo, podemos antecipar a gama de comportamentos de uma dada estrela-do-mar, porque conhecemos o seu ICV, isto é, sabemos como ela reage em diferentes situações. Assim como podemos antecipar o comportamento de muitas pessoas que conhecemos bem – saber o que elas vão pensar sobre determinado assunto, como vão reagir, etc. Dizemos que conhecemos a «personalidade» da pessoa. É isso que o ICV caracteriza, a «personalidade».
Esta é uma consideração interessante e importante: enquanto uma Lei Física se aplica a um fenómeno específico, o ICV aplica-se ao comportamento de um sistema complexo. Pode ser uma pessoa, a Vida, o sistema económico, uma sociedade humana, o planeta Terra, o Sol, o Universo. A palavra «personalidade» é adequada para representar o comportamento de sistemas complexos.
O director do observatório do Vaticano disse que o objectivo do observatório é entender a «personalidade de Deus». Poderá não ser a frase de um beato, mas a frase de um sábio?
Vamos agora ver outro novo conhecimento.