quarta-feira, abril 01, 2009

Lição de Humildade




O século XX terminou em pleno apogeu da confiança do Homem na sua extraordinária Inteligência. As pessoas comuns tinham a sensação que a Humanidade se tinha elevado às alturas dos Deuses dos antigos, que tudo era agora possível, nenhum problema era desafio bastante para as capacidades Humanas, a Democracia era um sistema político perfeito, a Fome em breve desapareceria, a cura do cancro estaria ao virar da esquina, quiça mesmo a juventude eterna. As teorias do Homem dominavam o Clima, o Cosmos, a Matéria; a Física estava quase concluída, o que faltava cairia aos pés do grande acelerador em breve. As misteriosas catástrofes que repetidamente ameaçaram a continuidade da Vida na Terra não passavam de um meteoro que as formidáveis capacidades tecnológicas poderiam enfrentar. Falava-se já das possibilidades de fabricar vida em laboratório, de melhorar as capacidades mentais com recurso a chips, de transformar o Homem em Super-homem. A Evolução deixaria de ser tarefa da limitada Natureza para passar a ser assegurada pelas mãos sábias e muito mais generosas do Homem Qualquer coisa que tivesse origem nas vozes autorizadas era aceite como verdade sagrada e só os pobres de espírito questionavam ainda a sublime superioridade das fontes de conhecimento humanas.

O século XXI tem vindo a desnudar o imenso equívoco. O inquestionável «Aquecimento Global» transmutou-se silenciosamente em «Alterações Climáticas», o superacelerador de partículas autodestrói-se para não destruir a Física Atómica, a teoria Cosmológica tornou-se mais fabulosa do que a Astrológica – os Sábios de hoje recorrem aos mesmos expedientes e à mesma linguagem dos bruxos de antigamente para iludir o imenso povo.

Mas eis que explode a crise económica. Os mais incensados Economistas, apanhados de surpresa, começaram por confessar que não a entendiam, que ninguém poderia prever o que iria acontecer.

Isso era preocupante, as pessoas podiam começar por duvidar dos «Sábios». A linguagem foi mudada. Transformaram-se os sintomas da crise em causas dela - o «subprime» é um sintoma, uma consequência da crise, não é a causa, é exactamente como as indústrias que abrem falência. Apontam-se culpados, os banqueiros. E fazem-se previsões: em 2010 a crise acaba. Assim se sossegam as massas, se restabelece a confiança na humana «Inteligência». Desta forma, sem nada perceberem do que se está a passar (exceptue-se o PM inglês...), sem fazerem a mínima ideia do que vai acontecer, os «Sábios» mantêm o seu estatuto. E manterão sempre, porque este processo de ir transformando consequências e sintomas em causas dos problemas pode ser repetido ad eternum. Felizmente, porque se não fizessem podia instalar-se o pânico.

Donde vem esta confiança cega nas humanas capacidades? Dos sucessos tecnológicos. Se somos capazes de fazer telemóveis, aviões e foguetões, certamente que seremos capazes de fazer teorias sobre o clima ou sobre a economia, não é verdade?

A verdade é que... não é verdade!

Se olharmos para a história do conhecimento humano, em qualquer área, percebemos que apesar dos milhares e milhares de pessoas a ele inteiramente dedicadas, o essencial desse conhecimento é devido a um número reduzidíssimo de pessoas. Cuja maior dificuldade foi, em muitos casos, não o desenvolvimento desse conhecimento mas simplesmente convencer os outros. Isto tem sido objecto de muito debate, mas agora vão ter a oportunidade de começar a perceber o PORQUÊ.

Muitos defendem que os «génios» mais não fizeram do que antecipar o normal curso do conhecimento. Ilusão. Mostra a História que Humanidade patina longamente no erro, muitas vezes em dramas sucessivos, ergue-se apenas para cair novamente, até que surge alguém que quebra o ciclo do erro. Esse «alguém» segue uma metodologia muito diferente, que misteriosamente tem permanecido incompreensível para a generalidade das pessoas.

No post « Níveis de Inteligência» já referi, e exemplifiquei com o labirinto, como a Inteligência tem um nível elementar, o da «geração de hipóteses+selecção» e tem outros níveis. Um desses níveis permite a Tecnologia. Muitas pessoas estão preparadas para esse nível. Por isso a Tecnologia evolui sustentadamente. Por isso não identificamos «génios» nas áreas tecnológicas, não porque eles não existam, mas porque abundam.

Mas nas áreas de importância crucial para a evolução da sociedade humana, aí a metodologia tecnológica é tão incapaz como um cego é de conduzir um carro. A sociedade humana é conduzidas por pessoas que não podem ver para onde vão. Na Ciência como na Política ou na Economia. Só quando se começam a «estampar» é que se vai à procura de quem consiga «ver» alguma coisa. Por isso elegeram o Obama. Mas também esta procura é «cega» porque as pessoas não sabem qual é o problema nem o que procurar. Nem vão entender o remédio.

A diferença entre os níveis de Inteligência não é uma diferença de capacidade. É uma diferença de adequação. O nível elementar é o melhor, o mais adequado, quando a «geração de hipóteses» é muito grande e o preço do «erro» é baixo. É muito usado pela Natureza com a sua imensa capacidade de gerar situações diversas. Os outros níveis são adequados a outros quadros e outros objectivos. Não são melhores nem piores em valor absoluto. E também são muito usados pela Natureza, como veremos.

Perceber os níveis de Inteligência é crucial para sairmos do «buraco» em que as nossas teorias erradas, seja na Economia, Política, Educação ou Ciência, nos estão a meter. E também para começarmos a perceber os limites da nossa inteligência. E ainda para, como disse o Virgílio Ferreira, começarmos a usar inteligentemente a nossa Inteligência ( “De que te serve a inteligência se não tens inteligência para a usar com inteligência?”)

Vamos então olhar para os níveis de Inteligência no próximo texto. Tanto quanto os nossos olhos meio cegos conseguem ver.

segunda-feira, março 23, 2009

Darwin 200



. Lisboa, Congresso Feminista 1928


Advertência: o texto seguinte é o de uma carta imaginária enviada à revista Nature no âmbito do debate sobre a investigação da relação raça-inteligência, a propósito da comemoração dos 200 anos de nascimento de Darwin. Mas não é tão imaginária como isso; ela traduz uma corrente de pensamento. Que usa argumentos muito mais graves do que os aqui apresentados, porque associa inteligência a raça, enquanto eu só refiro a relação inteligência-genes. Mas nem imaginariamente eu seria capaz de escrever uma carta com o tipo de pensamento de algumas que estão publicadas. Notem que isto não é a minha opinião, pretende ser o retrato da posição dos defensores do «sim» a essa «investigação». Depois da carta vem o desafio aos leitores.


Ao
Editor da revista Nature


Exmo. Senhor

Desejo começar por saudar a iniciativa de colocar em discussão nessa tão prestigiada revista científica o interesse da investigação da ligação inteligência-raça, parada por medo de inconvenientes que nem de perto se comparam aos inconvenientes de a não fazer, por razões que passo a expor.

É sabido que a resistência de uma cadeia é determinada pelo seu elo mais fraco. O mesmo acontece com a sociedade humana. O enorme desequilíbrio entre o grau de desenvolvimento dos diferentes grupos humanos patenteia à saciedade que eles têm diferentes níveis de inteligência.

A sociedade sofisticada que construímos exige pessoas com determinada capacidade intelectual que simplesmente já não está ao alcance de determinados grupos humanos. Isto é sabido há muito e não é uma situação que se possa manter porque as pessoas que não conseguem compreender a sociedade reagem da maneira que é própria dos seus cérebros quando enfrentam algo que não compreendem: com a violência.

Esta violência explode de muitas maneiras; por exemplo, jovens cujos genes não lhes permitem a inteligência necessária à compreensão da sociedade e que acabam por atacar a tiro colegas, professores e suicidarem-se. Este é um claro exemplo de como o conhecimento dos genes responsáveis pela inteligência poderia ser útil. A menor inteligência tem de ser considerada como uma doença, uma doença genética. Uma doença que a investigação da relação genes-inteligência pode vir a tratar no futuro.

Mas eu comecei pelo aspecto menos grave. Subindo na escala de gravidade, encontramos os fundamentalistas religiosos. Um cérebro menos inteligente exibe acentuadamente esta característica: tem de encontrar um culpado de tudo o que de mau lhe acontece. Por isso, as culturas primitivas estão recheadas de divindades malévolas e bruxas: para explicar as coisas boas não é preciso inventar uma divindade, mas as más têm de ter um culpado. Faziam sacrifícios para apaziguar essas divindades malévolas. A fim de ultrapassar essa visão destrutiva da existência, homens inteligentes criaram uma religião com um deus do Mal, Satanás, sem o qual a religião perde todo o sentido nesses cérebros primitivos, e o do Bem, mais poderoso, que na religião cristã se designa simplesmente por “Deus”. Esta tentativa de controlar as pessoas de menor inteligência não resulta, porque estas transformaram o deus mais poderoso, “Deus”, num deus colérico, capaz de escaqueirar o mundo quando se irrita, punindo igualmente «justos» e «pecadores». Assim, estes crentes sentem-se legitimados a agir contra todos os que não seguem o seu deus, pois esse comportamento pode despoletar a divina ira e fazer deles, que são «justos», tão vitimas como os outros. Porque Justiça só será feita no dia do Juízo Final, até lá, pagam todos por igual.

Deve dizer-se que na criação do mito do «Deus Colérico» esteve também a mão de homens inteligentes da Igreja, que viram nesta crença o mecanismo de expansão da sua religião – é o medo da cólera divina que move os esforços missionários, não é a vontade de «salvar almas». Periodicamente o Vaticano alimenta o Deus Colérico com artigos no seu jornal oficial, porque ele é o seu instrumento de poder.

O recente discurso do presidente Obama sobre as religiões ignora que parte dos destinatários não têm a «Razão» necessária para o entenderem. Se tivessem, o problema não existiria, não é verdade? Além de ineficaz, o discurso é contraproducente, porque essas pessoas movem-se com a força e o desespero que o medo do deus colérico lhes dá; e agora ficaram ainda com mais medo.

É por isso que os políticos usam sempre a «mentira conveniente». As verdades não precisam de ser ditas e não serve para nada dizê-las. Para alterar os comportamentos das pessoas é preciso enganá-las. Como se faz com o aquecimento global por exemplo; e é tão fácil!
Mas podemos subir ainda na escala de gravidade – basta olhar para África para encontrarmos o elo mais fraco. A sociedade moderna tem uma capacidade de destruição que não é compatível com a existência de pessoas de menor inteligência. Em vez de um jovem aos tiros numa escola, acabaremos por ter povos a lançar bombas nucleares contra o resto do mundo. A Guerra e a Violência são a linguagem das pessoas de menor inteligência. Temos de ter presente que a exclusão social que vão sofrendo é inaceitável para elas, causando-lhes grande sofrimento e revolta, que apenas pode ser apaziguada com a destruição da sociedade à qual não conseguem pertencer.

A única solução não violenta encontrada até agora para este problema foi a Eugenia. Esta investigação em debate cria a possibilidade do tratamento genético. Recusar a Genética é optar pela Eugenia. Note-se que já se estuda a relação genes-violência com vista a tratar geneticamente as pessoas com genes de violência; mas a verdadeira fonte da violência é a falta de inteligência para entender suficientemente o mundo.

Recordemos brevemente o percurso da Eugenia.

Between 1934 and 1976, when the Sterilisation Act was finally repealed, 62,000 people, 90 percent of them women, were sterilised. 15-year-old teenagers were sterilised for "crimes" such as going to dance halls.

Onde é que isto se passou? Na Suécia!!!!! Mas também nos EUA, Noruega, Dinamarca, Áustria, Finlândia, Bélgica e, é claro, na Alemanha nazi. E certamente em muitos outros países. O desenvolvimento da Eugenia nos EUA foi até encarado como filantropia, pois visava a construção de uma sociedade melhor, mais avançada. E os resultados parecem confirmar a actuação, pois os países que dão hoje cartas no mundo tiveram grandes programas de eugenia.

Hoje, a Eugenia já não precisa de recorrer à esterilização forçada. Temos a Eugenia Económica. A sociedade estrutura-se de tal maneira que os que ganhem menos do que 60% do rendimento médio não têm recursos para ter filhos, extinguindo-se assim os seus genes. É a Lei da Selecção Natural aplicada na natureza de hoje, que é a Sociedade Humana.

Na Europa os resultados começam a aparecer. Veja-se o caso de Portugal. A situação não é ainda muito evidente porque os subsídios europeus e o endividamento crescente têm escondido a pobreza portuguesa. Mas os subsídios europeus serviram apenas para verificar que os portugueses simplesmente não têm inteligência suficiente para pertencer à sociedade que pretendemos. Veja-se as inacreditáveis taxas de abandono escolar, o que demonstra bem o baixo nível de inteligência de alunos e professores, de toda uma impensável sociedade que se preocupa em limitar o acesso à licenciatura em vez de combater a exclusão escolar.

A exclusão do sistema de ensino é uma forma de eugenia, pois muitas destas pessoas não terão qualquer oportunidade na vida, não se reproduzirão. Suponho que nenhum país levou a eugenia tão longe como o fazem os portugueses actualmente, usando para tal, não de forma consciente como outros o fizeram mas por pura falta de inteligência, o sistema de ensino. Só que este processo é suicidário, pois um mau sistema de ensino prejudica todos. Por alguma razão, só um povo manifestamente pouco inteligente o usa.

Os resultados tão dramáticos desta situação geraram um fluxo de portugueses para África, onde a sua baixa inteligência encontra sociedades compatíveis, e um fluxo de imigrantes de um nível intelectual acima dos portugueses.

E este é o paradigma que se está a instalar na Europa: as pessoas de menos inteligência das sociedades mais avançadas emigrando para as sociedades mais atrasadas e as destas para fora da Europa. Os que não emigram, não se reproduzem. Resolve o problema da Europa mas não resolve o problema do Mundo, cada vez mais dividido entre os que fazem o progresso e os outros. No fim, só poderá haver um.

O cérebro humano tem um lado racional e outro instintivo. «Razão» e «Instinto». Dois cérebros em cada cabeça. Quando a «Razão» não é capaz de fazer face aos problemas, o «Instinto» assume o controle. E reage como lhe é próprio, isto é, com violência. Para conseguirmos uma sociedade melhor temos de garantir que as pessoas dispõem todas de «Razão» quanto baste. Para o conseguir, a escolha actual, dado que rejeitamos a guerra e o genocídio, é entre Eugenia e Genética. Quem está contra uma, está a favor da outra.”


Aqui fica o perigoso desafio que vos faço esta semana: que comentários fazem a esta carta muito pouco imaginária? Desafio perigoso e frustrante, porque o vosso raciocínio, alicerçado em ideias erradas sobre a evolução das espécies, terá dificuldade em construir constestação sólida. É por isso que o debate se coloca e se arrasta.
O propósito deste texto é mostrar como é importante ter ideias correctas sobre o processo evolutivo. Porque não é por acaso que este debate na Nature surge a propósito do bicentenário de Darwin.

sexta-feira, março 20, 2009

sexta-feira, março 13, 2009

A Teoria da Evolução



Em 1744 nascia aquele que estabeleceu a Teoria da Evolução das Espécies: Jean-Baptiste de Lamarck. Com ilustríssima actividade no campo da biologia (termo por ele cunhado), a sua atenção foi despertada por uma colecção de moluscos marinhos que lhe foi legada e que permitia o estabelecimento de uma sequência evolutiva de moluscos primitivos até aos modernos. A ideia da Evolução apresentava solução para dois problemas.

Um era o da aparentemente perfeita adaptação dos seres vivos ao seu ambiente. A resposta da época era a de que assim teria de ser, pois eram criaturas por Deus criadas. Uma prova da perfeição da obra de Deus. Mas Lamarck sabia que as condições terrestres variam muitíssimo e, portanto, um ser vivo criado em determinado altura fatalmente estaria desadaptado a condições existentes noutra altura. A não ser que se adaptasse, ou que evoluísse de forma a estar sempre adaptado às condições existentes.

O outro era o das espécies estarem quase todas extintas. Em vez de Extinção, ele propunha Evolução. Os fósseis antigos são de seres que já não existem porque evoluiram, não por terem sido vítimas de alguma catástrofe.

Mas como se processa a Evolução? Lamark usou ideias já existentes na época, como a Lei do Uso e Desuso: os órgãos que os seres vivos mais usam tendem a desenvolver-se, os que não usam tendem a desaparecer. Por exemplo, não usamos os dedos dos pés, eles tornaram-se rudimentares. Não precisamos das unhas dos dedos dos pés, elas passaram de garras a coisas em vias de desaparecer (estes exemplos antropomórficos são meus, ele referiu a cegueira das toupeiras, os dentes dos mamíferos ou os bicos das aves). Mas acrescentou-lhe algo: "Le pouvoir de la Vie" ou "la force qui tend sans cesse à composer l'organisation". A tendência que os sistemas vivos têm de evoluírem para a complexidade. De se organizarem. De contrariarem o sentido termodinâmico da evolução dos sistemas mecânicos constituídos por partículas iguais.

Isto é uma evidência, o porquê disto é que é a grande dôr de cabeça.

A sequência de etapas do processo evolutivo era para o Lamarck a seguinte: a vida surgiria de geração espontânea (era a ideia da época), o "pouvoir de la vie" gerava complexidade, depois "l'influence des circunstances", através da lei do uso e desuso, determinava a direcção da evolução, e, finalmente, a experiência de vida era transmitida aos descendentes de uma forma limitada mas suficiente para que ela contribuísse para o sentido da evolução. Em resumo:

geração espontânea + "le pouvoir de la vie" + "l'ínfluence des circunstances" + hereditariedade das características adquiridas.

Esta "abominável" ideia de as espécies evoluírem e o homem vir do macaco foi implacavelmente perseguida, é claro. Porque Lamarck afirmou-o despudoradamente, coisa que Darwin teve a sabedoria de não o fazer. Para a abater, era preciso abater a ideia chave do processo, a única que podia ser contestada: a ideia da hereditariedade das características adquiridas. E não vale a pena acusar a Igreja desta perseguição – as perseguições às ideias inovadoras partem sempre do mainstream, em todos os tempos, em todos os lados.

Um exemplo de um argumento usado é o seguinte: como os judeus são circuncidados, se essa hereditariedade existisse os seus filhos já nasceriam circuncidados. Ou a experiência de cortar a cauda a um animal e verificar que os seus descendentes não nascem de cauda cortada. E, com a descoberta das células reprodutoras e de que elas seriam autónomas do resto do organismo desde a nascença, a ideia da hereditariedade dos caracteres adquiridos foi considerada definitivamente arrumada por não existir mecanismo para levar essa informação às células germinativas. Todas estas "provas" contra as ideias de Lamarck estão erradas, como veremos.

As ideias de Lamarck, muito perseguidas em França, foram mais bem acolhidas em Inglaterra. E, no mesmo ano em que Lamarck publicou a sua teoria da Evolução, 1809, no livro Philosophie Zoologique, nasce Darwin que, 50 anos mais tarde, encontra forma e arte de ultrapassar as contestações.
Darwin propôs a ideia da:

«Selecção Natural e Sexual" em vez de «"l'ínfluence des circunstances" + hereditariedade do uso».

Portanto, o "pouvoir de la vie" gerava complexidade de forma cega (uma vez que não recebia a informação do uso) e a «Selecção Natural e Sexual» fazia a escolha do que convinha mais. E, para "pouvoir de la vie", escolheu inteligentemente o «Acaso» – não porque seja suficiente para o explicar, mas porque é a única coisa conhecida que pode ter a ver com o assunto.

As guerras do Conhecimento contra o Mainstream são sempre duras e demoradas. A guerra contra o geocentrismo começou em Copérnico e só acabou em Newton, com contribuições de vulto como a de Galileu e contribuições indispensáveis como a de Kepler.

A guerra pela Evolução começou em Lamarck. Darwin é o Galileu desta luta. Que ainda não chegou ao fim, muito longe disso.

Neste blogue já percebemos porque é que não existe geração espontânea. Mas só quem leu os posts sobre a Origem da Vida sabe o porquê disso. Mais ninguém sabe que as condições terrestres quando a vida se formou eram tão diferentes das actuais e só alguns sabem que apenas nessas condições a vida se pode formar.

Também já percebemos algo sobre o misterioso "pouvoir de la vie". Percebemos que «Inteligência» é um processo que resulta de dois processos, «Inteligência=geração de hipóteses+selecção»; e que é um processo natural de certos sistemas, não uma propriedade mística das nossas cabeças, portanto, não é exclusivo nosso. Ainda só espreitamos os feitos desta Inteligência natural quando descobrimos que um dos processos que a nossa humana inteligência desenvolveu para produzir compostos azotados é o mesmo que a natureza usou para resolver o mesmo problema na origem da vida; e que as condições naturais em que as longas cadeias orgânicas iniciais se terão formado são semelhantes às que usamos para produzir cristais; mas muito mais iremos perceber quando virmos como a matéria se organizou até chegar ao nosso sistema planetário (estou a começar a falar disso no «outrafísica»).

O processo proposto por Darwin, «acaso+selecção natural» é um processo de Inteligência elementar. Que pode ter funcionado nas primeiras etapas de evolução da vida. Mas que, naturalmente, tal como gerou formas de vida mais complexas, também gerou processos de Inteligência mais complexos.

São esses processos mais complexos que temos de começar a desvendar. Porque é deles que depende a Evolução da Sociedade.

Por outro lado, as ideias que temos sobre os mecanismos da evolução ou criação, independentemente de serem certas ou erradas, têm por si só consequências cruciais nas sociedades que construímos. As ideias, não o mecanismo da evolução. Porque nós somos «racionais», deixamo-nos conduzir por ideias. No próximo post vamos espreitar como ideias simplórias podem ser perigosas, para no post seguinte dedicarmos atenção à compreensão dos mecanismos da evolução e de como podemos perspectivar a Evolução da Sociedade a partir dessa compreensão.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O Terceiro Nível da Evolução



Suponho que os cientistas já saibam que as nossas células não são iguais às dos répteis. Elas são capazes de produzir proteínas mais complexas do que as possíveis com as células dos répteis; estas proteínas permitem uma «organização de células», isto é, nós, mais sofisticada do que a «organização de células», por exemplo, um crocodilo, que as células dos répteis são capazes de produzir. Este é um aspecto de que muitos não têm ainda consciência: a evolução das espécies suporta-se na evolução das células. As nossas células são mais sofisticadas do que as dos répteis e estas que as dos peixes. E não estou a referir-me ao código genético, não é apenas o «programa» que é mais sofisticado, é a própria maquinaria celular.

(como num computador, o pioneiro ZX81 não pode executar os programas actuais; sem a evolução do hardware não poderia ter havido esta evolução do software)

Este é, portanto, o primeiro nível de evolução que conhecemos: a Célula. O Hardware da Vida.

O segundo nível é o Organismo, o ser vivo que as células formam. As nossas células serão tão evoluídas como as do chimpanzé, mas formam um organismo ligeiramente mais evoluído, o Humano. Esta evolução está no código genético, no «programa» da célula. No código genético está o Software da Vida.

Uma característica da Vida que remonta às suas origens é a cooperação. As primeiras formas de vida que identificamos como tal existiam por si só. Mas desde muito cedo a Natureza descobriu as vantagens da cooperação. De facto, até ao nível das bactérias podemos encontrar fenómenos de cruzamento de código genético que podemos classificar como sendo «cooperação». As nossas próprias células serão uma construção que incorpora diferentes tipos de células mais primitivas, o resultado de um processo simbiótico. Qualquer organismo multicelular resulta de um processo de cooperação de células.

Esta cooperação não se limita ao nível celular, alastra pelos organismos, que formam «sociedades». As que mais nos impressionam serão as dos insectos, especialmente as das formigas. Assentam na especialização dos indivíduos, tal como acontece num organismo, onde as células se diferenciam para executarem funções específicas.

Este tipo de organização social não acrescenta nada ao conceito de «organismo» - é o mesmo conceito, o do sistema de células especializadas que executam cegamente um programa pré-definido.

A evolução das «Sociedades» de seres vivos tem assentado no desenvolvimento de um conjunto muito complexo de comportamentos e capacidades, quer instintos e afectos, quer capacidades de comunicação, de aprendizagem e de adaptação comportamental. Através deles, a Natureza procura a formação de sociedades onde cada indivíduo conserva algum livre-arbítrio, o que possibilita que a Inteligência do conjunto seja maior do que a Inteligência de um só indivíduo.

Comparando com uma rede informática, a Natureza busca construir redes com terminais inteligentes e não redes centralizadas com terminais «burros». Essa é a diferença entre «Sociedade» e «Organismo».

No entanto, até há umas dezenas de milhares de anos atrás, as sociedades que os seres vivos faziam eram quase totalmente determinadas pela informação nos seus genes.

Finalmente, talvez na altura em que o Homo Sapiens beirou a extinção, o Homo Sapiens Sapiens atingiu a capacidade de gerar uma Sociedade Evolutiva. Capacidade na verdade muito limitada até há cerca de uns 10 mil anos.

Este é um marco evolutivo. A Sociedade Humana é algo de novo na Evolução, um salto evolutivo como o salto das bactérias para as células nucleadas, ou destas para os organismos multicelulares. O Terceiro Nível da Evolução.

O que é que há realmente de novo na Sociedade, porque é que digo que ela é um terceiro nível evolutivo? Porque o suporte da sua evolução não é a maquinaria da célula nem é o código genético: a Informação que a suporta é exterior ao ser vivo, é o Conhecimento, a Cultura desenvolvida pelos seres vivos que a formam. Que é transmitida por via mental e não por via celular.

Claro que a evolução das Sociedades tem raízes fundas no ser vivo, tal como os programas que o código genético executa dependem da maquinaria celular. Sem as capacidades avançadas de comunicação, aprendizagem, descoberta, adaptação, a Sociedade não seria possível. E sem os instintos e afectos, os seres vivos não seriam compelidos a formarem sociedades.

A Sociedade que nós, humanos, somos capazes de formar não é, portanto, uma qualquer – ela está condicionada pelas nossas capacidades e sobretudo pelos nossos instintos e afectos.

Temos de perceber isso, mas só isso também não chega. Uma sociedade é uma construção complexa, por alguma razão a Natureza se preparou tão longamente antes de despoletar o Terceiro Nível da Evolução. Com regras simplórias temos uma sociedade constantemente a tropeçar em ciclos presa-predador e a estagnar em vez de evoluir. Ou a evoluir na direcção errada.

A Sociedade Humana é a nossa obra, como nós somos a obra das nossas células. Nossa obra, nossa responsabilidade.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O Novo Paradigma - A Sociedade sem Operários


Tractor John Fowler


Alguns dos mais jovens leitores não o saberão, mas apenas há poucas décadas atrás a percentagem de trabalhadores agícolas em Portugal era mais de 10 vezes a actual.
Nos países pouco desenvolvidos a percentagem de trabalhadores agrícolas pode ser de 80% da população activa, e passarem fome; nos países desenvolvidos pode ser menos de 3% e terem sobreprodução.

A agricultura sofreu uma revolução profunda nas últimas décadas. A sua eficiência cresceu espantosamente. As novas empresas agrícolas tornaram obsoletos os agricultores clássicos (algo semelhante se passou com as pescas).

Foi isto um drama social?

Nos países mais avançados, a mudança do paradigma agrícola nem exigiu nenhum esforço de adaptação – as novas gerações tinham sido preparadas para o futuro e, naturalmente, não sucederam aos seus pais camponeses – a escola não preparou camponeses nesses países.

Já o mesmo não aconteceu em países menos avançados, nomeadamente Portugal. Porque em Portugal, o sistema de ensino preparou sempre para o passado e nunca para o futuro. O sistema de ensino português rejeita perto de metade da população, ou seja, condena metade da população a ser camponês ou operário. Por isso, foi preciso subsidiar essas pessoas, pagar a sua inactividade. E em Portugal houve perda de riqueza, porque agora a nossa agricultura produz menos do que antes – não porque não possa produzir mais, mas por questões de mercado e da tradicional incompetência da política/economia nacionais.
Nos países avançados, a mão-de-obra que desapareceu da Agricultura surgiu noutro nível de competência profissional, com as qualificações necessárias à sociedade do presente e do futuro.
Em Portugal, houve apenas uma passagem da Agricultura para a Produção Industrial. Os camponeses transformaram-se em operários. Não houve qualificação para o futuro para metade da população.

Os camponeses acabaram, agora vão acabar os operários. É o passo final da Revolução Industrial.

Mais uma vez, para os países avançados, isso é apenas a ordem natural da coisas; pois eles fazem o futuro, não são atropelados por ele. Nesses países já quase não há operários, têm de recorrer à imigração para manter as unidades de produção que ainda conservam. Agora, irão limitar-se a devolver os imigrantes aos países de origem.

Porque é que acabam os operários de repente?
Já há bastante tempo que se anda a produzir demais, produção esta que só consegue ser escoada à custa de intenso marketing. Mas este consumismo crescente entrou em rota de colisão com a desigualdade crescente e tornou-se insustentável. Por outro lado, enquanto antigamente uma fábrica era uma casa com máquinas e operários, agora é uma máquina. As «fábricas» estão a ser substituídas por uma «máquina», que já não tem operários mas operadores qualificados.

Mais uma vez, num quadro global, isto não é drama nenhum. Nem se trata de uma quebra de produção de riqueza – novas áreas de produção vão surgir compensando a quebra das tradicionais, por exemplo, menos automóveis e mais geradores eólicos e solares. O redução brutal do número de operários não é um problema, o problema seria arranjar operários - quem é que, num país avançado, ainda quer ser operário? O fim do duro e repetitivo trabalho operário é um objectivo duma sociedade melhor.

Porém, em Portugal, (e noutros países atrasados) isto vai ser um problema complicado. Porque em Portugal continuamos a ter metade da população que ou trabalha como operário ou não trabalha.

Além disso, grande parte deste emprego é em unidades de produção de multinacionais. Que são apenas peças de uma estrutura maior. Vão fechar, ou vão reduzir pessoal, sem apelo nem agravo.

Para fazer face ao que vai acontecer nos países que, como Portugal, são atropelados pelo Futuro, a União Europeia poderia pôr de pé um PIC – Programa Industrial Comum. À semelhança do que fez com a agricultura. Mas os tempos do PAC eram outros, a solução para hoje terá de ser diferente. E Portugal vai ter de conseguir que a UE ponha a mão nisto. O que vai ser muito difícil com a actual crise do sistema económico.

Porque é que uns paises fazem o futuro e outros são atropelados por ele?
A resposta está na vontade da sociedade de conseguir um futuro melhor. Os países que fazem o futuro são aqueles que querem ser uma sociedade melhor e, para isso, desenvolveram novos conceitos de formação, que preparam as pessoas para o futuro e não para o passado. Já o Séneca disse que a escola ensina para a escola e não para a vida, e assim foi por todo o lado e por todo o tempo até que em alguns países o ensino começou a mudar, tornando-se fonte de progresso. Em Portugal ainda se vê a máquina de calcular nas escolas como um maléfico artefacto... ainda se começa a ensinar a ler só aos 6 anos de idade... ainda se pensa que é mais importante ler romances do que saber o que é electricidade...

Previsão de 8,5% de desemprego em Portugal?... alguém está muito iludido ou sabe coisas que eu ignoro..

Mas comecemos a fazer alguma coisa para ajudar... como consumir só produto nacional, mesmo que seja mais caro. Nós não estamos numa economia global – a riqueza gerada na Alemanha não suporta os nossos desempregados, e se a economia não é global, o mercado também não pode ser!!

Ahh, é verdade, tem toda a razão o deputado do PS que se escandaliza com as compras feitas pelos governos em dinheiro – seja de material de guerra ou de aviões para a TAP. Os Governos não fazem compras em dinheiro, o dinheiro é para os privados! Os Governos trocam bens e serviços entre si!!! E os concursos públicos são para serem ganhos por empresas nacionais! Estou a lembrar-me da barraca do Jorge Sampaio, quando pediu aos espanhóis que deixassem as empresas portuguesas ganharem ao menos um concurso em Espanha... será que já aprenderam a lição?

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

A Mafia, o Obama e o Sócrates

A avalanche de emails anti-Sócrates que tenho recebido obrigam-me a interromper o que me ocupa e a vir falar-vos de algo que penso ser muito importante.

Na nossa sociedade ocidental desenvolveu-se uma actividade de gestão de negócios e dinheiros que tem como único objectivo o lucro. Único Objectivo. Não há quaisquer preocupações sociais que a condicionem – os que tinham esse tipo de preocupações foram há muito corridos pelos que as não têm, logo mais bem sucedidos na maximização do lucro.

Este gestores tornaram-se especialistas na manipulação dos consumidores, dos políticos e até dos
empregados das empresas para que trabalham.
Diferentemente das mafias de antigamente, não infringem a letra da lei.
Mas fazem tudo o que é imaginável e não imaginável que não colida com a letra dela.

Por exemplo, não têm problemas em fomentar conflitos locais se isso for vantajoso para a venda de armas ou de outras coisas.
Os esquemas de cartões de créditos são pensados para extrair das pessoas o máximo dinheiro possível, através de criação de dívida e de juros usuários, que se podem tornar crescentes com o tempo se perceberem que a pessoa já não tem condições económicas para amortizar a dívida.
Mas o grande esforço é feito junto dos políticos.
E isto é considerado legal em alguns países, como os EUA – é a actividade de lobbying.

Ao darem generosas contribuições aos candidatos, conseguem a aprovação de leis que lhes são favoráveis – que aumentam os seus lucros.
E ao darem empregos a ex-membros dos governos, deputados e senadores, também conseguem contratos com os governos que doutro modo não conseguiriam.

Em Portugal, a Sociedade Lusa de Negócios (BPN) parece ter um riquíssimo historial de adjudicações do Governo conseguidas desde há vários anos.
Nos EUA é particularmente gritante que a indústria farmacêutica consiga praticar os preços mais altos do mundo ocidental – como é isto possível no país da livre concorrência, não é um paradoxo gritante? Será que o facto de as campanhas de uns 99% dos senadores americanos terem recebido grossas quantias da indústria farmacêutica tem a ver com o assunto?

Algumas pessoas pensam que a actual onda anti-Sócrates tem os professores por detrás. Mas não, os professores são só um dos instrumentos cegos. Outros pensam que é o PCP. Decerto que ao PCP interessa garantir o actual nível de excluídos do ensino, pois são eles que engrossam as suas fileiras. Mas também não é o PCP. Outros pensam que é a oposição. Outros pensam que é verdade. Mas estão todos enganados. Por detrás disto está a máquina mais poderosa do Mundo.

O crescimento imparável da desigualdade levou Obama ao poder. Ele sabe que o caminho do futuro passa pelo combate aos grandes interesses económicos. Se o não fizer, a sociedade estagnará, como sempre aconteceu no passado, transformar-se-á numa sociedade de senhores e escravos, de classes e castas. Bloqueada na sua própria desigualdade, o fluxo económico estancado.

Mas esses interesses económicos não estão dispostos aquilo que ele quer fazer e que é a única saída: redistribuir a riqueza.
Portanto vão lutar contra ele. Como?
O método é bem conhecido, se não inventarem nada de novo será assim:
primeiro, uma suave campanha de difamação; em seguida, fomento de desestabilização social (é fácil, o desemprego está aí, além de que ele terá de atacar os privilégios de muitos); depois, uma campanha de difamação mais intensa, tão mais forte quanto mais fraco ele estiver.

Os processos tipo «Casa Pia» são uma metodologia já conhecida e experimentada noutros países; já é tão conhecido que duvido que voltem a recorrer a ele. Não sei o que vão fazer, mas sei que já começaram: as notícias sobre o meio-irmão apanhado com droga a ocuparem páginas inteiras de jornais são um primeiro teste. Depois virão certamente histórias do seu passado, ninguém chega ao topo sem acotovelar alguém, um fundinho de verdade chegará para alimentar as mais torpes insinuações.

Será que o povo americano é tão tolo que irá deixar-se conduzir pela mafia financeira?

Isso sempre aconteceu no passado...

E o que é que isto tem a ver com o Sócrates?
Tudo. Porque Sócrates e Obama estão exactamente no mesmo papel. Ambos sabem exactamente o que têm a fazer. Ambos anunciaram exactamente o mesmo. Não é por acaso que o Sócrates começou pela indústria farmacêutica e o Obama anunciou que isso será uma prioridade para ele.

A Mafia sem escrúpulos está no terreno. Nada a pode derrotar – ela tem todo o dinheiro, ela domina a comunicação social, ela domina a cabeça das pessoas.

... só há uma esperança: não há alternativa ao Obama. Ou ao Sócrates. Na hora da verdade, façam as campanhas que fizerem contra eles, suficientes pessoas votarão neles. Não porque sejam esclarecidas, infelizmente a maior parte não o será, mas simplesmente porque não têm alternativa.
(na verdade, na verdade, nenhum político a sério quer ser alternativa a qualquer deles; todos os políticos sabem o que vos digo e os que são minimanente espertos sabem que é preciso que os Obama e Sócrates deste mundo ganhem esta guerra).

terça-feira, janeiro 13, 2009

Pausa para ouvir

Pois é, às vezes precisamos de mais tempo para nos ouvirmos a nós próprios... é o meu caso nesta altura. Preciso de parar para me ouvir. Dêem-me um mesito, amigos e companheiros.

E tenho também de preparar a próxima etapa da nossa viagem. Esta é uma viagem de descoberta e iremos atravessar terrenos perigosos, há que pensar bem as coisas. Todas as grandes viagens têm de ter as suas pausas, esta não é excepção. Só quem anda em círculos, ou pisa caminhos já trilhados, pode não fazer pausas.

Dêem-me um mês então. Pelo Carnaval aqui estarei de novo. Entretanto, irei continuar no «outra Física», embora a um ritmo lento.

Um abraço e até já.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Deixando o Aquecimento Global no Limbo

Bem, eu tinha pensado mostrar as variações do CO2 com as glaciações, mostrar como elas acompanham a variação da temperatura mas notando que o fazem com um ligeiro atraso, pois a variação do CO2 nesta situação é consequencia e não causa da variação de temperatura, mostrar como em sites credenciados mas ligados às ideias do “aquecimento global” os gráficos são ostensivamente esborratados para esconder que a variação do CO2 é posterior à da temperatura, apresentar as explicações existentes e a minha para o facto de o CO2 variar com a temperatura (até ao longo do ano varia com a temperatura);

e tinha pensado falar de como as plantas enfrentaram a progressiva diminuição do CO2, os ciclos de fotossíntese C3 e C4, as consequências da diminuição do CO2 a prazo; e finalmente, fazer um pouco de futurologia, analisando como a queima de combustíveis pode influenciar este quadro de progressiva diminuição do CO2.

Mas, com o frio que faz, quem é que ainda pensa no «aquecimento global»? Há quanto tempo as noticias não o referem? Quem é que vai aceitar planos de sequestro do CO2? Quem é que vai gastar dinheiro a destruir CO2 no meio desta «crise»? Claro que as propostas continuam a surgir, ainda há perspectivas de negócio, mas não acredito que vão para a frente.

Como o arrefecimento global implica maiores amplitudes térmicas, é possível que surjam uns dias muito quentes no Verão, e os incêndios do costume, e lá volte a tolice do aquecimento global; nessa altura talvez o tema ganhe oportunidade. Mas, por agora, digamos que perdeu actualidade, vou antes falar de outros assuntos, porque este... o interesse deste «arrefeceu», não é verdade?

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Dióxido de Carbono marca o Horizonte da Vida


History of Atmospheric CO2 through geological time (past 550 million years: from Berner, Science, 1997). The parameter RCO2 is defined as the ratio of the mass of CO2 in the atmosphere at some time in the past to that at present (with a pre-industrial value of 300 parts per million). The heavier line joining small squares represents the best estimate of past atmospheric CO2 levels based on geochemical modeling and updated to have the effect of land plants on weathering introduced 380 to 350 million years ago. The shaded area encloses the approximate range of error of the modeling based on sensitivity analysis. Vertical bars represent independent estimates of CO2 level based on the study of ancient soils.
(link para a página clicando na figura)


Um estranho problema de que não se fala é o desaparecimento do Dióxido de Carbono.

Como sabemos, o CO2 é o gás mais importante para a vida. Mais importante do que o Oxigénio, pois sem este a vida continuaria a existir na Terra, mas sem CO2 apenas em ambientes muito restritos continua possível a vida em formas muito elementares.

Ora quando analisamos a evolução do CO2 deparamos com algo a que certamente devemos prestar atenção: a taxa de CO2 tem vindo a diminuir desde as origens da Terra!

O CO2 já foi, a seguir ao vapor de água, o gás mais abundante na atmosfera. A atmosfera inicial da Terra compunha-se essencialmente de vapor de água e de CO2. Estima-se a quantidade inicial de CO2 em 30 a 50 atmosferas (30 a 50 vezes mais do que toda a atmosfera actual em massa)

Reparemos na figura: só nos últimos 500 milhões de anos diminuiu umas 20 vezes. Em relação às quantidades iniciais de CO2, a quantidade actual é cerca de 100 000 vezes menor.
Actualmente, o CO2 é mais raro que o Árgon, que é um gás raro. Aquele que já foi um gás dominante da atmosfera terrestre é hoje mais raro que um gás raro! Representa apenas 0,036% da atmosfera, enquanto o Oxigénio é 21% e o Argon 0,93% (e o Azoto 78%).

Se extrapolarmos a tendência de variação do CO2 dos últimos 200 milhões de anos, concluímos que, se tudo continuar como até aqui, dentro de 50 milhões de anos no máximo o CO2 desaparecerá e com ele a vida na Terra tal como a conhecemos.

Esta é a maior ameaça à vida terrestre alguma vez apontada. As consequências do desaparecimento do CO2 seriam muito piores que as maiores catástrofes alguma vez ocorridas no planeta, muito piores que o Evento que determinou a extinção dos Dinossáurios e outras extinções maciças ainda maiores.

Mas 50 milhões, embora uma insignificância à escala geológica, é um período dilatado à nossa escala. Valerá a pena preocuparmo-nos com isto?

Primeiro, notemos o seguinte: a vida será profundamente afectada muito antes do CO2 desaparecer. Muitas plantas precisam de níveis mínimos de CO2 superiores a 100 ppm (100 partes por milhão ou 0,01%) para poderem crescer; portanto, a extrapolação que temos de fazer não é para quando o CO2 for zero mas para um valor da ordem de metade do actual.

Depois, os níveis de CO2 têm apresentado nos últimos milhares de anos flutuações acentuadas, que atingiram valores tão baixos que ficaram próximos dos mínimos necessários à vida. Ora não sabemos porque é que o CO2 flutua desta maneira e, portanto, não podemos estar certos que na próxima flutuação não venha a cair demasiado para as necessidades da vida. Como veremos, isso pode encurtar o horizonte da Vida para uns 10 000 anos.

E, por último, continuamos a ouvir falar de projectos megalómanos, loucos e descontrolados para «sequestro» do CO2; um projecto destes (como, por exemplo, bactérias de laboratório) é uma verdadeira arma de destruição maciça. Como «sequestrar» o CO2 passou a valer muito dinheiro dentro das actuais e futuras políticas de «combate às alterações climáticas» não estamos livres de alguém a conseguir realizar. Isso poderia encurtar o horizonte da Vida para uns... 10 anos?

Pelo sim pelo não, será bom entender melhor porque e como varia o CO2 a curto prazo e que margens de segurança temos, não vos parece?