quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A Invariância da Medida de G
“Porque é que os planetas se afastam do Sol? Eheh.... Meu caro Jorge, se há coisa que sabemos é que isso não acontece! Pelo menos à taxa que tu dizes, igual à do afastamento da Lua.”
“Quanto é que se afasta a Lua?”
“Luísa, a Lua afasta-se 3,8 cm por ano.”
“Mas como se sabe, é calculado?”
“Não não, é medido, graças a um reflector que foi colocado na Lua pela Apolo 11. Mede-se o tempo que a luz de um potente laser leva a ir a esse reflector e voltar.”
“Ahh, pode-se medir! Então também há medidas das distâncias entre planetas!”
“Não, não há. Seria preciso ter lá um reflector e os planetas rodam em relação à Terra, o que torna tudo mais complicado. Talvez um dia se possa fazer isso em Marte, mas para já não.”
“Humm, então não existem medidas directas suficientemente precisas que permitam concluir se os planetas se afastam do Sol ou não?”
“Não há; mas nem é preciso!”
“Não?! Então?”
“A distância dos planetas ao Sol depende da Massa do Sol, da Velocidade do planeta e da Constante de Gravitação, não é Jorge?”
Eu estava tão sossegadinho a assistir à conversa entre o Mário e a Luísa... mas evidentemente, é a mim que o Mário quer convencer, não é à Luísa.
“Pelo menos é o que diz a Lei da Gravitação de Newton.”
“Muito bem; portanto, basta-nos saber o que se passa com esses três parâmetros para podermos deduzir o que se passa com as órbitas planetárias, não é Jorge?”
“Sim, se admitirmos que as propriedades do espaço não se alteram.”
Mário hesita... “Então a tua ideia é a de que as propriedades do espaço se alteram?”
“Não, nada disso, estava só a completar o teu raciocínio.”
O alívio invade de imediato a expressão do Mário. Inspira e continua:
“Então, no que se refere à massa do Sol, sabemos que diminui, o Sol ejecta continuamente matéria e energia, mas sabemos calcular quanto e sabemos que nem de perto poderia produzir tal alargamento orbital.”
“De acordo.”
“Também sabemos que a velocidade do planeta está sujeita a interacções com poeiras interplanetárias e à pressão da radiação solar; porém, também isso não poderia ter o efeito de afastamento que dizes acontecer Jorge.”
“Inteiramente de acordo.” Um sorriso de triunfo surge fugidio ao canto da boca do Mário:
“Bem, resta a Constante Gravitacional, G. Portanto, tu estás convencido que G varia ao longo do tempo, produzindo o alargamento das órbitas planetárias!”
“Que ideia Mário, é exactamente ao contrário, os planetas afastam-se do Sol e a prova é que a medida da Constante Gravitacional é mesmo constante!”
Um ar de genuína surpresa, quase atordoamento, molda a expressão do Mário. “Que raio estás tu a dizer?? Se a medida de G é invariante, as órbitas também o serão!”
“Meu caro Mário, esqueces-te que, como o Einstein disse, Deus é subtil!”
“Pá, já sabes que eu não alinho em desconversas dessas!”
“Parece uma desconversa mas não é! Einstein falou da subtileza que é necessária para entender o Universo. Se puseres em equação a afirmação A MEDIDA DA CONSTANTE GRAVITACIONAL É INVARIANTE perceberás que os planetas se afastam do Sol.”
“Mas como, santo Deus?!?”
“Einstein fez a Teoria da Relatividade baseado na invariância da medida da velocidade média da luz, não foi? Estás a ver que medidas invariantes podem ter significados profundos?”
“Estou completamente baralhado! Pôr em equação a invariância da medida da Constante de Gravitação? Nem entendo o que queres dizer com isso!!!!”
“Penso que o Einstein entenderia; tal como o Newton, ou o Galileu. Ou o Poincaré. Mas ninguém aprendeu nada com o Einstein, pois não? Afinal, ele nem era bem um cientista... acharam que ele não sabia bem o que dizia... ninguém entende realmente o artigo dele da relatividade restrita, não é? Por isso não entendes o significado da invariância da medida da Constante Gravitacional, nem sabes o que esconde o Teorema de Pitágoras, ambos fora do alcance da cabeça dum cientista actual.”
O ar sombrio do Mário faz-me pensar que terei abusado. “Estás-te a esquecer que eles eram cientistas”, afirma quase irritado.
“Não, não eram cientistas, estiveram toda a vida em conflito com os cientistas, não seguiram a metodologia científica, não fizeram carreira na ciência; eram outra coisa.”
“Outra coisa?” a Luísa quase que saltou da cadeira, as lâmpadas que lhe iluminam o olhar acenderam na força máxima. Espreito a Ana. Os seus olhos semicerrados aguardam a continuação. Mas o Mário não está disposto a perder o controlo:
“Estás a divertir-te? Eu mostrei que as órbitas planetárias têm de ser invariantes ou quase; e tu contestas com conversas esotéricas; já sabes que eu não tenho paciência para isso!”.
“Não são conversas esotéricas. Como disse o Einstein, Deus é subtil, e muitos cientistas pensaram que podiam entender o Universo sem o serem. Não podem. Não é uma questão de inteligência, é uma questão de metodologia mental.”
“Continuas a dizer disparates!”
“Só tenho uma maneira de te mostrar que sei o que digo não é?”
“Exactamente: pega na caneta e no papel e prova-me matematicamente o que afirmas, sem mais afirmações gratuitas.”
“Vou fazer melhor do que isso. Disse o Máximo Gorky: tudo o que é verdadeiramente sábio é simples e claro. Se assim é, então, em vez de encher algumas folhas de papel com equações matemáticas que só alguns poderão entender, vou explicar os segredos profundos do Universo não apenas ti mas à Luísa e à Ana.”
“Ahh, para isso tens de ser muuuuuiiito simples e claro, sem dúvida.” Luísa ri-se ante o olhar suspenso da Ana e surpreendido do Mário.
“É esse o teste Luísa: se vocês entenderem é porque o que eu digo é verdadeiramente sábio.” Rio-me. “Eu preciso de descobrir até que ponto é sábio o meu conhecimento.”
Olham-me intrigados. Mário cometa cauteloso: “estou ansioso por ver isso.”
“Vamos então começar pela grande descoberta de Galileu: o Princípio da Relatividade.”
.
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“Quanto é que se afasta a Lua?”
“Luísa, a Lua afasta-se 3,8 cm por ano.”
“Mas como se sabe, é calculado?”
“Não não, é medido, graças a um reflector que foi colocado na Lua pela Apolo 11. Mede-se o tempo que a luz de um potente laser leva a ir a esse reflector e voltar.”
“Ahh, pode-se medir! Então também há medidas das distâncias entre planetas!”
“Não, não há. Seria preciso ter lá um reflector e os planetas rodam em relação à Terra, o que torna tudo mais complicado. Talvez um dia se possa fazer isso em Marte, mas para já não.”
“Humm, então não existem medidas directas suficientemente precisas que permitam concluir se os planetas se afastam do Sol ou não?”
“Não há; mas nem é preciso!”
“Não?! Então?”
“A distância dos planetas ao Sol depende da Massa do Sol, da Velocidade do planeta e da Constante de Gravitação, não é Jorge?”
Eu estava tão sossegadinho a assistir à conversa entre o Mário e a Luísa... mas evidentemente, é a mim que o Mário quer convencer, não é à Luísa.
“Pelo menos é o que diz a Lei da Gravitação de Newton.”
“Muito bem; portanto, basta-nos saber o que se passa com esses três parâmetros para podermos deduzir o que se passa com as órbitas planetárias, não é Jorge?”
“Sim, se admitirmos que as propriedades do espaço não se alteram.”
Mário hesita... “Então a tua ideia é a de que as propriedades do espaço se alteram?”
“Não, nada disso, estava só a completar o teu raciocínio.”
O alívio invade de imediato a expressão do Mário. Inspira e continua:
“Então, no que se refere à massa do Sol, sabemos que diminui, o Sol ejecta continuamente matéria e energia, mas sabemos calcular quanto e sabemos que nem de perto poderia produzir tal alargamento orbital.”
“De acordo.”
“Também sabemos que a velocidade do planeta está sujeita a interacções com poeiras interplanetárias e à pressão da radiação solar; porém, também isso não poderia ter o efeito de afastamento que dizes acontecer Jorge.”
“Inteiramente de acordo.” Um sorriso de triunfo surge fugidio ao canto da boca do Mário:
“Bem, resta a Constante Gravitacional, G. Portanto, tu estás convencido que G varia ao longo do tempo, produzindo o alargamento das órbitas planetárias!”
“Que ideia Mário, é exactamente ao contrário, os planetas afastam-se do Sol e a prova é que a medida da Constante Gravitacional é mesmo constante!”
Um ar de genuína surpresa, quase atordoamento, molda a expressão do Mário. “Que raio estás tu a dizer?? Se a medida de G é invariante, as órbitas também o serão!”
“Meu caro Mário, esqueces-te que, como o Einstein disse, Deus é subtil!”
“Pá, já sabes que eu não alinho em desconversas dessas!”
“Parece uma desconversa mas não é! Einstein falou da subtileza que é necessária para entender o Universo. Se puseres em equação a afirmação A MEDIDA DA CONSTANTE GRAVITACIONAL É INVARIANTE perceberás que os planetas se afastam do Sol.”
“Mas como, santo Deus?!?”
“Einstein fez a Teoria da Relatividade baseado na invariância da medida da velocidade média da luz, não foi? Estás a ver que medidas invariantes podem ter significados profundos?”
“Estou completamente baralhado! Pôr em equação a invariância da medida da Constante de Gravitação? Nem entendo o que queres dizer com isso!!!!”
“Penso que o Einstein entenderia; tal como o Newton, ou o Galileu. Ou o Poincaré. Mas ninguém aprendeu nada com o Einstein, pois não? Afinal, ele nem era bem um cientista... acharam que ele não sabia bem o que dizia... ninguém entende realmente o artigo dele da relatividade restrita, não é? Por isso não entendes o significado da invariância da medida da Constante Gravitacional, nem sabes o que esconde o Teorema de Pitágoras, ambos fora do alcance da cabeça dum cientista actual.”
O ar sombrio do Mário faz-me pensar que terei abusado. “Estás-te a esquecer que eles eram cientistas”, afirma quase irritado.
“Não, não eram cientistas, estiveram toda a vida em conflito com os cientistas, não seguiram a metodologia científica, não fizeram carreira na ciência; eram outra coisa.”
“Outra coisa?” a Luísa quase que saltou da cadeira, as lâmpadas que lhe iluminam o olhar acenderam na força máxima. Espreito a Ana. Os seus olhos semicerrados aguardam a continuação. Mas o Mário não está disposto a perder o controlo:
“Estás a divertir-te? Eu mostrei que as órbitas planetárias têm de ser invariantes ou quase; e tu contestas com conversas esotéricas; já sabes que eu não tenho paciência para isso!”.
“Não são conversas esotéricas. Como disse o Einstein, Deus é subtil, e muitos cientistas pensaram que podiam entender o Universo sem o serem. Não podem. Não é uma questão de inteligência, é uma questão de metodologia mental.”
“Continuas a dizer disparates!”
“Só tenho uma maneira de te mostrar que sei o que digo não é?”
“Exactamente: pega na caneta e no papel e prova-me matematicamente o que afirmas, sem mais afirmações gratuitas.”
“Vou fazer melhor do que isso. Disse o Máximo Gorky: tudo o que é verdadeiramente sábio é simples e claro. Se assim é, então, em vez de encher algumas folhas de papel com equações matemáticas que só alguns poderão entender, vou explicar os segredos profundos do Universo não apenas ti mas à Luísa e à Ana.”
“Ahh, para isso tens de ser muuuuuiiito simples e claro, sem dúvida.” Luísa ri-se ante o olhar suspenso da Ana e surpreendido do Mário.
“É esse o teste Luísa: se vocês entenderem é porque o que eu digo é verdadeiramente sábio.” Rio-me. “Eu preciso de descobrir até que ponto é sábio o meu conhecimento.”
Olham-me intrigados. Mário cometa cauteloso: “estou ansioso por ver isso.”
“Vamos então começar pela grande descoberta de Galileu: o Princípio da Relatividade.”
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Etiquetas:
O Universo
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
As Árvores Obesas
“Incrível, isto é incrível!”
Alita dá um salto com o susto mas acalma-se de imediato. Com voz suave pergunta:
“Que foi que descobriste agora, Tulito?”
“É o máximo. Não acredito!”
“Diz lá, imagino que seja qualquer coisa sobre os «meus humanos»...”, a Alita esboçando um sorriso.
“Árvores Obesas!!! É lá possível!!!”
“Tulito, desembucha de uma vez!”
“Então não é que os teus Humanos, face à insustentabilidade daquele disparate do aquecimento global, inventaram agora uma outra maneira de diabolizar o CO2!”
“Sim!?”, a Alita agora curiosa, “qual?”
“Eles estão fartos de saber que a Terra tem falta de CO2, as estufas dos países mais evoluídos têm atmosfera enriquecida em CO2, sabem que dobrando ou triplicando a concentração do CO2 as plantas crescem mais rápido, mais fortes, mais saudáveis e mais resistentes às pragas...”
“E..”, Alita interrompe, impaciente.
“...e agora vêm dizer que o aumento do CO2 na atmosfera tornará as árvores obesas!!”
“Árvores obesas?! Mas isso é o máximo, a imaginação deles é fantástica!”Alita dobra-se de riso.
“Estás a rir-te?”, Tulito surpreendido, “devias ficar em pânico, eles são loucos varridos!”
“Tulito, sabes muito de Física mas não percebes nada dos Humanos.”
“Pois, mas vais explicar-me, é para isso que cá estás.”
“Há milénios que os líderes deles recorrem à técnica da Mentira Conveniente. É assim: os líderes querem que a sua população assuma um determinado comportamento; então inventam uma ideia simples, que faça sentido no quadro das poucas coisas que o humano povo sabe, que mexa com os seus instintos básicos, e que o conduza à acção pretendida.”
"Não estou a entender o que é que isso tem a ver com árvores obesas.”
“Um exemplo: para a recente invasão do Iraque criaram a Mentira Conveniente das armas de destruição maciça; outro exemplo: há umas décadas, os líderes alemães, convencidos, pela teoria do espaço vital, que para garantir a sobrevivência do seu povo teriam de exterminar os outros povos, criaram a Mentira Conveniente da superioridade rácica do povo alemão.”
“Pois, essa eu analisei para tentar entender a ciência deles; é que foram os próprios cientistas que inventaram as provas científicas e arqueológicas dessa pretensa superioridade, o que é incrível!”
“Nada incrível, a Ciência deles depende totalmente do poder político, não é um poder autónomo como acontece connosco. As Mentiras Convenientes, para serem credíveis, têm sempre origem ou na Ciência ou na Religião. Por exemplo, a grande expansão da religião cristã deve-se, em grande parte, à ideia de que os infiéis irritam o Deus dos cristãos. Esta simples Mentira Conveniente está na base de um imenso esforço missionário, movido pela necessidade de converter ou aniquilar os que não seguem o deus cristão, antes que este tenha um acesso de cólera e castigue todos por igual.”
“Como é possível uma ideia tão estúpida ter uma força dessas?!”
“Ahh, parece que esse é um requisito para a Mentira Conveniente ser eficiente ahaha... quanto mais estúpida mais indiscutível!”
“Pois, não se pode discutir o que não é lógico...”
“Exactamente, as Mentiras Convenientes baseiam-se sobretudo no poder do Medo. Outro exemplo, quando decidiram acabar com o tabaco inventaram que o tabaco provoca o cancro. Dizer que não faz bem à saúde, que causa diversos problemas pulmonares, que pode ser depressivo e outros malefícios verdadeiros não resultava, de modo que invocaram o medo máximo, o cancro! E, assim, resultou!”
“E ninguém quis provas disso?”
“Esqueces-te que a Ciência deles não é autónoma... o líder decide e as provas científicas aparecem logo... ”
“Ahhh... livra!”
“A teoria do Aquecimento Global é uma Mentira Conveniente, inventada para promover o desenvolvimento de energias alternativas ao petróleo. Uma necessidade óbvia mas se calhar impossível de conseguir sem o recurso à Mentira Conveniente. Impossível porque os Humanos não são comandados pela Razão.”
“Pois, isso já percebi, daí atacarem o CO2, pois a queima do petróleo produz CO2 e água, e a água não serve para culpar...”
“Claro; e não hesitaram em usar modelos climáticos SEM NUVENS, para que o aumento do CO2 pudesse produzir os resultados pretendidos.”
“Pois, isso é incrível, como é possível usar modelos climáticos sem nuvens, que são o regulador fundamental do clima?!”
“Estás a ver? E foi com a chancela da Ciência que isso se fez.”
“Eu vi declarações de cientistas a dizerem que o aquecimento global causava ondas de calor e fenómenos extremos, quando é exactamente o contrário!”
“Claro, qualquer humano aluno de ciências têm obrigação de perceber que um aquecimento global se traduz em mais humidade, temperaturas máximas mais baixas e temperaturas mínimas mais altas. Ou seja, um clima melhor.”
“Para não falar na burrice incrível de dizer que o degelo árctico faria subir o nível das águas. Mas como é possível os humanos aceitarem tais disparates?”
“Andei a investigar isso. Uma das razões é que o cérebro deles é hipnotizável, ou seja, é possível aceder directamente ao inconsciente profundo. Uma das maneiras de o conseguir é pela repetição da mesma ideia. Eles mesmo dizem que uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade.”
“Essa é boa!!!”
“E agora, como a temperatura média da Terra está a descer há meia dúzia de anos, e assim vai continuar, a mentira do aquecimento global corre o risco de se tornar insustentável; então, eles têm de inventar outra coisa para continuarem a culpar o CO2. Estás a perceber?”
“Estou. Devem andar a testar a próxima mentira. Essa coisa das árvores obesas deve ser um ensaio.”
“Exacto, tem todas as características necessárias, é uma mentira, é estúpida e aproveita o movimento anti-obesos que andam a implantar.”
“Assim já faz mais sentido... hummmm.... e que achas tu dessa técnica de comandar os humanos? Poderá ser usada para enfrentar o Evento?”
“Não gosto. As soluções dos líderes deles são sempre as que envolvem o uso do poder máximo. Vê lá o caso da teoria do espaço vital: os líderes alemães, japoneses e não só acharam que a solução seria o genocídio da restante humanidade. Não pensaram noutra solução.”
“Mas parece funcionar bem para combater o tabaco, promover as energias alternativas, etc...”
“Pois, não sei, não sei o suficiente dos humanos para ter uma certeza do que será melhor no caso... mas isso seria completamente inaceitável entre nós.”
“Eles estão num nível mais primitivo ... entre o animal e nós, já têm Razão mas esta ainda não comanda... “
“... não sei... não gosto... e pode ter efeitos colaterais.”
Alita dá um salto com o susto mas acalma-se de imediato. Com voz suave pergunta:
“Que foi que descobriste agora, Tulito?”
“É o máximo. Não acredito!”
“Diz lá, imagino que seja qualquer coisa sobre os «meus humanos»...”, a Alita esboçando um sorriso.
“Árvores Obesas!!! É lá possível!!!”
“Tulito, desembucha de uma vez!”
“Então não é que os teus Humanos, face à insustentabilidade daquele disparate do aquecimento global, inventaram agora uma outra maneira de diabolizar o CO2!”
“Sim!?”, a Alita agora curiosa, “qual?”
“Eles estão fartos de saber que a Terra tem falta de CO2, as estufas dos países mais evoluídos têm atmosfera enriquecida em CO2, sabem que dobrando ou triplicando a concentração do CO2 as plantas crescem mais rápido, mais fortes, mais saudáveis e mais resistentes às pragas...”
“E..”, Alita interrompe, impaciente.
“...e agora vêm dizer que o aumento do CO2 na atmosfera tornará as árvores obesas!!”
“Árvores obesas?! Mas isso é o máximo, a imaginação deles é fantástica!”Alita dobra-se de riso.
“Estás a rir-te?”, Tulito surpreendido, “devias ficar em pânico, eles são loucos varridos!”
“Tulito, sabes muito de Física mas não percebes nada dos Humanos.”
“Pois, mas vais explicar-me, é para isso que cá estás.”
“Há milénios que os líderes deles recorrem à técnica da Mentira Conveniente. É assim: os líderes querem que a sua população assuma um determinado comportamento; então inventam uma ideia simples, que faça sentido no quadro das poucas coisas que o humano povo sabe, que mexa com os seus instintos básicos, e que o conduza à acção pretendida.”
"Não estou a entender o que é que isso tem a ver com árvores obesas.”
“Um exemplo: para a recente invasão do Iraque criaram a Mentira Conveniente das armas de destruição maciça; outro exemplo: há umas décadas, os líderes alemães, convencidos, pela teoria do espaço vital, que para garantir a sobrevivência do seu povo teriam de exterminar os outros povos, criaram a Mentira Conveniente da superioridade rácica do povo alemão.”
“Pois, essa eu analisei para tentar entender a ciência deles; é que foram os próprios cientistas que inventaram as provas científicas e arqueológicas dessa pretensa superioridade, o que é incrível!”
“Nada incrível, a Ciência deles depende totalmente do poder político, não é um poder autónomo como acontece connosco. As Mentiras Convenientes, para serem credíveis, têm sempre origem ou na Ciência ou na Religião. Por exemplo, a grande expansão da religião cristã deve-se, em grande parte, à ideia de que os infiéis irritam o Deus dos cristãos. Esta simples Mentira Conveniente está na base de um imenso esforço missionário, movido pela necessidade de converter ou aniquilar os que não seguem o deus cristão, antes que este tenha um acesso de cólera e castigue todos por igual.”
“Como é possível uma ideia tão estúpida ter uma força dessas?!”
“Ahh, parece que esse é um requisito para a Mentira Conveniente ser eficiente ahaha... quanto mais estúpida mais indiscutível!”
“Pois, não se pode discutir o que não é lógico...”
“Exactamente, as Mentiras Convenientes baseiam-se sobretudo no poder do Medo. Outro exemplo, quando decidiram acabar com o tabaco inventaram que o tabaco provoca o cancro. Dizer que não faz bem à saúde, que causa diversos problemas pulmonares, que pode ser depressivo e outros malefícios verdadeiros não resultava, de modo que invocaram o medo máximo, o cancro! E, assim, resultou!”
“E ninguém quis provas disso?”
“Esqueces-te que a Ciência deles não é autónoma... o líder decide e as provas científicas aparecem logo... ”
“Ahhh... livra!”
“A teoria do Aquecimento Global é uma Mentira Conveniente, inventada para promover o desenvolvimento de energias alternativas ao petróleo. Uma necessidade óbvia mas se calhar impossível de conseguir sem o recurso à Mentira Conveniente. Impossível porque os Humanos não são comandados pela Razão.”
“Pois, isso já percebi, daí atacarem o CO2, pois a queima do petróleo produz CO2 e água, e a água não serve para culpar...”
“Claro; e não hesitaram em usar modelos climáticos SEM NUVENS, para que o aumento do CO2 pudesse produzir os resultados pretendidos.”
“Pois, isso é incrível, como é possível usar modelos climáticos sem nuvens, que são o regulador fundamental do clima?!”
“Estás a ver? E foi com a chancela da Ciência que isso se fez.”
“Eu vi declarações de cientistas a dizerem que o aquecimento global causava ondas de calor e fenómenos extremos, quando é exactamente o contrário!”
“Claro, qualquer humano aluno de ciências têm obrigação de perceber que um aquecimento global se traduz em mais humidade, temperaturas máximas mais baixas e temperaturas mínimas mais altas. Ou seja, um clima melhor.”
“Para não falar na burrice incrível de dizer que o degelo árctico faria subir o nível das águas. Mas como é possível os humanos aceitarem tais disparates?”
“Andei a investigar isso. Uma das razões é que o cérebro deles é hipnotizável, ou seja, é possível aceder directamente ao inconsciente profundo. Uma das maneiras de o conseguir é pela repetição da mesma ideia. Eles mesmo dizem que uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade.”
“Essa é boa!!!”
“E agora, como a temperatura média da Terra está a descer há meia dúzia de anos, e assim vai continuar, a mentira do aquecimento global corre o risco de se tornar insustentável; então, eles têm de inventar outra coisa para continuarem a culpar o CO2. Estás a perceber?”
“Estou. Devem andar a testar a próxima mentira. Essa coisa das árvores obesas deve ser um ensaio.”
“Exacto, tem todas as características necessárias, é uma mentira, é estúpida e aproveita o movimento anti-obesos que andam a implantar.”
“Assim já faz mais sentido... hummmm.... e que achas tu dessa técnica de comandar os humanos? Poderá ser usada para enfrentar o Evento?”
“Não gosto. As soluções dos líderes deles são sempre as que envolvem o uso do poder máximo. Vê lá o caso da teoria do espaço vital: os líderes alemães, japoneses e não só acharam que a solução seria o genocídio da restante humanidade. Não pensaram noutra solução.”
“Mas parece funcionar bem para combater o tabaco, promover as energias alternativas, etc...”
“Pois, não sei, não sei o suficiente dos humanos para ter uma certeza do que será melhor no caso... mas isso seria completamente inaceitável entre nós.”
“Eles estão num nível mais primitivo ... entre o animal e nós, já têm Razão mas esta ainda não comanda... “
“... não sei... não gosto... e pode ter efeitos colaterais.”
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Aquecimento Global,
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sexta-feira, fevereiro 22, 2008
As Fases da Vida

. Bioesfera 2, um grande falhanço mas uma primeira tentativa
“Repara Ana, podemos facilmente perceber as fases porque tem passado todo o processo da Vida. Na Fase I, temos as condições extremas de pressão e temperatura, necessárias à formação dos componentes da Vida”
“Uma espécie de siderurgia dos componentes da Vida?”
“Boa imagem Luísa; as condições necessárias para fabricar os componentes das células não poderiam ser as condições em que as células iriam existir, não é verdade?”
“Assim como as condições necessárias ao fabrico das peças de um automóvel não podem ser as condições em que o automóvel funciona...”, a Ana a pensar em voz alta.
“Isso mesmo. Mas as condições terrestres não mudam bruscamente entre umas e outras condições, há uma lenta fase de transição.”
“A Fase II?”, um brilho esperto nos olhos vivos da Luísa.
“Exactamente. Mas a Natureza não esteve parada durante essa fase de transição, foi construindo as máquinas possíveis nas condições existentes. Assim que a temperatura descia o suficiente para permitir moléculas mais complexas, logo surgiam formas de vida que tiravam partido disso. Se a temperatura na Terra tivesse descido mais rapidamente, a evolução da vida teria sido possivelmente mais rápida.”
“Ehhh lá, espera aí, o que estás tu a dizer?”, o Mário parece que acordou agora para a conversa, “a evolução da Vida foi sendo a que a diminuição de temperatura foi permitindo, ouvi bem?”
“É uma possibilidade”, respondo com ar mais natural deste mundo.
“Hummm... se fosse assim, com a descida de temperatura a uma taxa quase constante, a evolução seria um processo contínuo... mas não é isso que se verifica, a evolução parece ter sido aos saltos, momentos de rápida evolução alternam com períodos de estagnação... como os degraus de uma escada...”
“Dizes muito bem Mário, como os degraus de uma escada!”, exulto, “ que é exactamente o que devemos esperar; repara, sempre que a temperatura desceu o suficiente para permitir o grau seguinte de complexidade proteica, surge uma multiplicidade de novas formas de vida tirando proveito das novas estruturas; depois há que aguardar que a temperatura desça novamente o suficiente para permitir novo nível de complexidade proteica.”
“Estou a perceber, a velocidade natural da evolução será a que ela apresenta nos períodos de evolução rápida; nos intervalos, a evolução está parada porque a temperatura a impede...”
“Mais ou menos Ana, pelo menos é o que penso.”
“Bem, o Stephen Jay Gould tem outra explicação... Então e as quedas bruscas de temperatura associadas às grandes extinções? Se fosse como dizes teriam originado saltos evolutivos!”
“Essas quedas foram temporárias, da ordem do milhar de anos, enquanto a escala de tempo dos fenómenos evolutivos é da ordem do milhão de anos; e proteínas mais sofisticadas que tivessem aparecido nessa altura teriam desaparecido quando a temperatura recuperou o seu valor normal.” O Mário acalmou tão rapidamente como se tinha manifestado; mas percebo que o assunto não estava encerrado para ele, matutava.
“E porque é que ocorrem essas quedas bruscas de temperatura?”
“Bem, Ana, isso será outra conversa. Há uns Eventos que causam isso. Mas agora não posso falar disso, vamos deixar para outra altura, está bem?” Os meus olhos fazem um pedido silencioso para não insistir na questão; percebo que acede. Ainda com os olhos nos meus olhos ensaia outra pergunta:
“E essa Fase II durou até quando?”
Os meus olhos agradecem-lhe. “O que determina o fim da Fase II é a altura em que a temperatura das células deixa de ser função do clima, a altura em que surgem os animais de sangue quente.”
“Estou a perceber, a natureza não dispõe de processos eficientes de arrefecimento das células abaixo da temperatura ambiente, apenas de aquecimento, por isso teve de esperar que a temperatura estivesse suficientemente baixa para poder estabilizar a temperatura da célula no valor mais conveniente... ehehe, engraçada a tua teoria!”
“Ainda bem que gostas Mário.”, respondo prontamente com um sorriso.” E isso aconteceu aí há uns 250 milhões de anos atrás, altura em que entramos na Fase III.”
“Que é a actual?”
“Não exactamente Luísa.”
“Lá começas tu a contrariar”, a Luísa com humor, despertando sorrisos em todos.
“Na fase III a Natureza assume o controlo da temperatura das células, quer por processos biológicos, que são os mecanismos internos de regulação de temperatura, quer por processos comportamentais. Por exemplo, as Aves têm sangue quente e penas, que são adaptações biológicas, e chocam os ovos, um comportamento com que a Natureza as programou para garantir a temperatura necessária aos ovos.”
“Mas os comportamentos instintivos não têm só a ver com o controlo da temperatura.”
“Claro que não Mário. A Natureza apenas acrescentou novos comportamentos destinados a ultrapassar as dificuldades decorrentes da baixa temperatura da Terra. E isto em todas as espécies; por exemplo, as tartarugas põem os ovos numas determinadas praias cujas areias asseguram a temperatura necessária. Até as formigas têm soluções para manter uma certa temperatura no interior do formigueiro.”
“Mas se é isso acontece agora, porque é que dizes que não estamos na Fase III?”
“Porque, Luísa, a Natureza já deu mais um passo. Para fazer face ao progressivo e inelutável arrefecimento do planeta, os recursos próprios da Natureza não bastam. Pior ainda, a solução «sangue quente» esgota mais rapidamente os recursos, consome muita energia, cada um de nós é uma lâmpada de 100 W acesa noite e dia. E os recursos que se vão esgotando não são apenas energéticos, o CO2 também tende a desaparecer. Sem outra solução que não essa, daqui a umas centenas de milhões de anos a vida na Terra estaria irremediavelmente extinta.”
“Explica-te, não estou a perceber nada!!!”, as mulheres do princípio de Abril são mesmo assim, dá-lhes repentes de autoridade, mas nunca perdem a graça.
“A Natureza avançou para uma espécie viva que é capaz de desenvolver autonomamente soluções de sobrevivência em ambiente adverso, os Humanos. Repara a diferença: em todas as espécies, os recursos para sobreviver no actual clima terrestre foram fornecidos por uma Inteligência exterior, a Inteligência que está por detrás do processo evolutivo, a Inteligência da Natureza; mas nos Humanos, esses recursos vêm da sua própria inteligência.”
“Portanto... ehehe... estás a dizer que a Natureza fez uma mudança de estratégia: em vez de estar ela a descobrir processos de tornar as suas criaturas capazes de sobreviver em condições adversas, passou a investir numa criatura com inteligência própria e capaz de ser ela a encontrar soluções a que a Natureza não pode aceder!”
“Exactamente Mário. Repara que não estou a dizer que isto é um processo consciente, como já vos disse entendo a Inteligência como um fenómeno natural.”
“Então a Fase IV é determinada pelo aparecimento do Homem?”
“Exactamente. Nos Humanos a Natureza como que desiste de investir em soluções biológicas e comportamentais de adaptação ao clima e passa a investir tudo numa espécie capaz de construir uma sociedade com inteligência suficiente para encontrar soluções para o problema do arrefecimento progressivo do planeta e para o esgotamento doutros recursos necessários à Vida.”
“Então cabe aos Humanos a tarefa de salvar a Vida na Terra?”, a Luísa parece-me de repente mais alta, será que o pescoço se alongou com o entusiasmo?
“Hummm, está-me a parecer que o Homem não estará ainda à altura de tão exigente tarefa... o Homem dificilmente conseguirá mais do que usar os recursos acumulados em depósitos a que a Natureza não consegue aceder, como os combustíveis fósseis... é preciso mais do que isso... mas sabes que a evolução não parou, um dia destes poderá começar a surgir uma versão melhorada do Homem... uma nova geração de Humanos...”
“Nova geração...”, algo no tom de voz da Ana me chama de imediato a atenção, “... portanto... o Filho do Homem...”, trocamos um olhar silencioso, partilhamos por momentos o conhecimento suspeitado; sem desviar o olhar dos meus olhos, da boca da Ana saem outras palavras:
“E porque se afastam os planetas do Sol?”
“Uma espécie de siderurgia dos componentes da Vida?”
“Boa imagem Luísa; as condições necessárias para fabricar os componentes das células não poderiam ser as condições em que as células iriam existir, não é verdade?”
“Assim como as condições necessárias ao fabrico das peças de um automóvel não podem ser as condições em que o automóvel funciona...”, a Ana a pensar em voz alta.
“Isso mesmo. Mas as condições terrestres não mudam bruscamente entre umas e outras condições, há uma lenta fase de transição.”
“A Fase II?”, um brilho esperto nos olhos vivos da Luísa.
“Exactamente. Mas a Natureza não esteve parada durante essa fase de transição, foi construindo as máquinas possíveis nas condições existentes. Assim que a temperatura descia o suficiente para permitir moléculas mais complexas, logo surgiam formas de vida que tiravam partido disso. Se a temperatura na Terra tivesse descido mais rapidamente, a evolução da vida teria sido possivelmente mais rápida.”
“Ehhh lá, espera aí, o que estás tu a dizer?”, o Mário parece que acordou agora para a conversa, “a evolução da Vida foi sendo a que a diminuição de temperatura foi permitindo, ouvi bem?”
“É uma possibilidade”, respondo com ar mais natural deste mundo.
“Hummm... se fosse assim, com a descida de temperatura a uma taxa quase constante, a evolução seria um processo contínuo... mas não é isso que se verifica, a evolução parece ter sido aos saltos, momentos de rápida evolução alternam com períodos de estagnação... como os degraus de uma escada...”
“Dizes muito bem Mário, como os degraus de uma escada!”, exulto, “ que é exactamente o que devemos esperar; repara, sempre que a temperatura desceu o suficiente para permitir o grau seguinte de complexidade proteica, surge uma multiplicidade de novas formas de vida tirando proveito das novas estruturas; depois há que aguardar que a temperatura desça novamente o suficiente para permitir novo nível de complexidade proteica.”
“Estou a perceber, a velocidade natural da evolução será a que ela apresenta nos períodos de evolução rápida; nos intervalos, a evolução está parada porque a temperatura a impede...”
“Mais ou menos Ana, pelo menos é o que penso.”
“Bem, o Stephen Jay Gould tem outra explicação... Então e as quedas bruscas de temperatura associadas às grandes extinções? Se fosse como dizes teriam originado saltos evolutivos!”
“Essas quedas foram temporárias, da ordem do milhar de anos, enquanto a escala de tempo dos fenómenos evolutivos é da ordem do milhão de anos; e proteínas mais sofisticadas que tivessem aparecido nessa altura teriam desaparecido quando a temperatura recuperou o seu valor normal.” O Mário acalmou tão rapidamente como se tinha manifestado; mas percebo que o assunto não estava encerrado para ele, matutava.
“E porque é que ocorrem essas quedas bruscas de temperatura?”
“Bem, Ana, isso será outra conversa. Há uns Eventos que causam isso. Mas agora não posso falar disso, vamos deixar para outra altura, está bem?” Os meus olhos fazem um pedido silencioso para não insistir na questão; percebo que acede. Ainda com os olhos nos meus olhos ensaia outra pergunta:
“E essa Fase II durou até quando?”
Os meus olhos agradecem-lhe. “O que determina o fim da Fase II é a altura em que a temperatura das células deixa de ser função do clima, a altura em que surgem os animais de sangue quente.”
“Estou a perceber, a natureza não dispõe de processos eficientes de arrefecimento das células abaixo da temperatura ambiente, apenas de aquecimento, por isso teve de esperar que a temperatura estivesse suficientemente baixa para poder estabilizar a temperatura da célula no valor mais conveniente... ehehe, engraçada a tua teoria!”
“Ainda bem que gostas Mário.”, respondo prontamente com um sorriso.” E isso aconteceu aí há uns 250 milhões de anos atrás, altura em que entramos na Fase III.”
“Que é a actual?”
“Não exactamente Luísa.”
“Lá começas tu a contrariar”, a Luísa com humor, despertando sorrisos em todos.
“Na fase III a Natureza assume o controlo da temperatura das células, quer por processos biológicos, que são os mecanismos internos de regulação de temperatura, quer por processos comportamentais. Por exemplo, as Aves têm sangue quente e penas, que são adaptações biológicas, e chocam os ovos, um comportamento com que a Natureza as programou para garantir a temperatura necessária aos ovos.”
“Mas os comportamentos instintivos não têm só a ver com o controlo da temperatura.”
“Claro que não Mário. A Natureza apenas acrescentou novos comportamentos destinados a ultrapassar as dificuldades decorrentes da baixa temperatura da Terra. E isto em todas as espécies; por exemplo, as tartarugas põem os ovos numas determinadas praias cujas areias asseguram a temperatura necessária. Até as formigas têm soluções para manter uma certa temperatura no interior do formigueiro.”
“Mas se é isso acontece agora, porque é que dizes que não estamos na Fase III?”
“Porque, Luísa, a Natureza já deu mais um passo. Para fazer face ao progressivo e inelutável arrefecimento do planeta, os recursos próprios da Natureza não bastam. Pior ainda, a solução «sangue quente» esgota mais rapidamente os recursos, consome muita energia, cada um de nós é uma lâmpada de 100 W acesa noite e dia. E os recursos que se vão esgotando não são apenas energéticos, o CO2 também tende a desaparecer. Sem outra solução que não essa, daqui a umas centenas de milhões de anos a vida na Terra estaria irremediavelmente extinta.”
“Explica-te, não estou a perceber nada!!!”, as mulheres do princípio de Abril são mesmo assim, dá-lhes repentes de autoridade, mas nunca perdem a graça.
“A Natureza avançou para uma espécie viva que é capaz de desenvolver autonomamente soluções de sobrevivência em ambiente adverso, os Humanos. Repara a diferença: em todas as espécies, os recursos para sobreviver no actual clima terrestre foram fornecidos por uma Inteligência exterior, a Inteligência que está por detrás do processo evolutivo, a Inteligência da Natureza; mas nos Humanos, esses recursos vêm da sua própria inteligência.”
“Portanto... ehehe... estás a dizer que a Natureza fez uma mudança de estratégia: em vez de estar ela a descobrir processos de tornar as suas criaturas capazes de sobreviver em condições adversas, passou a investir numa criatura com inteligência própria e capaz de ser ela a encontrar soluções a que a Natureza não pode aceder!”
“Exactamente Mário. Repara que não estou a dizer que isto é um processo consciente, como já vos disse entendo a Inteligência como um fenómeno natural.”
“Então a Fase IV é determinada pelo aparecimento do Homem?”
“Exactamente. Nos Humanos a Natureza como que desiste de investir em soluções biológicas e comportamentais de adaptação ao clima e passa a investir tudo numa espécie capaz de construir uma sociedade com inteligência suficiente para encontrar soluções para o problema do arrefecimento progressivo do planeta e para o esgotamento doutros recursos necessários à Vida.”
“Então cabe aos Humanos a tarefa de salvar a Vida na Terra?”, a Luísa parece-me de repente mais alta, será que o pescoço se alongou com o entusiasmo?
“Hummm, está-me a parecer que o Homem não estará ainda à altura de tão exigente tarefa... o Homem dificilmente conseguirá mais do que usar os recursos acumulados em depósitos a que a Natureza não consegue aceder, como os combustíveis fósseis... é preciso mais do que isso... mas sabes que a evolução não parou, um dia destes poderá começar a surgir uma versão melhorada do Homem... uma nova geração de Humanos...”
“Nova geração...”, algo no tom de voz da Ana me chama de imediato a atenção, “... portanto... o Filho do Homem...”, trocamos um olhar silencioso, partilhamos por momentos o conhecimento suspeitado; sem desviar o olhar dos meus olhos, da boca da Ana saem outras palavras:
“E porque se afastam os planetas do Sol?”
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A Evolução da Vida
domingo, fevereiro 17, 2008
Paleotemperature trend for Precambrian life

“Até foi bom o nosso último encontro ter sido interrompido daquela maneira.”
“Então porquê Mário?”
“Porque, Ana, entretanto saiu um número da Nature que traz um artigo que deve interessar muito ao Jorge!” Mário exibe um largo sorriso de contentamento; fico imediatamente interessado, embora não o mostre, espero que ele fale; mas é a Luísa quem fala:
“Mário, não me digas que descobriste outra teoria como a Ecopoese, dando suporte às coisas que o Jorge diz?” a Luísa entre o sério e o jocoso.
“Então não é que uns maduros de uns cientistas”, o Mário ignorando a observação da Luísa, “se lembraram de reconstruir proteínas das bactérias antigas e analisar a sua estabilidade térmica, tendo concluído que entre 3500 milhões de anos atrás e 500 milhões de anos a temperatura da Terra esteve a diminuir de forma progressiva?”
“Ahhh, então provaram que o Jorge tem razão, que afinal a temperatura da Terra variou ao longo do tempo como ele diz?” oiço a Ana perguntar enquanto avidamente tiro a Nature das mãos do Mário. O número 451, de 7 de Fevereiro, aberto na pagina 704. Leio o sumário da Letter enquanto oiço o Mário responder:
“Não exactamente, porque concluem que a variação de temperatura nesse período foi de 30 ºC, muito menos do que o Jorge afirma.”
“Isto é muito importante” oiço-me a pensar em voz alta, “ pela primeira vez se estabelece o facto de que a temperatura da Terra tem vindo a descer monotonamente desde sempre, uma vez que já se sabia que nos últimos 500 milhões de anos assim foi.”
“Nunca ouvi falar disso...”, a Luísa com ar entre o desconfiado e o surpreendido.
“Claro que não Luísa, pois essa é uma verdade inconveniente. Provavelmente já viste documentários sobre a Snow Ball Earth”, a Luísa diz que sim com a cabeça, certamente viu no Odisseia ou no Discovery, “ esse é o tipo da Verdade Conveniente, daquela que as pessoas gostam, que lhes diz que o presente é muito melhor que o passado e será eterno e imutável, a perfeita obra de Deus que apenas pode ser estragada pelo Homem. A ideia de que a Terra existe num processo de arrefecimento contínuo, pelo contrário, assusta, diz que o Universo é composto de mudança e não é isso que as pessoas querem ouvir. Certamente que não será tão depressa que a BBC irá produzir um documentário sobre o progressivo arrefecimento do planeta...”
“Espera lá Jorge, isto não prova que estás certo, prova que estás errado, porque eles concluem que a variação de temperatura foi de apenas 30 ºC!”
“Meu caro Mário, não te esqueças que o modelo oficial é o da Snow Ball Earth, que sustenta que a Terra esteve congelada nesse período. Agora, de repente, aparece a afirmação espantosa de que a temperatura da Terra cresce sempre em direcção ao passado, e não é nada pouco, esse crescimento de 30ºC em cima da temperatura da Terra há 500 milhões de anos é um valor inalcançável mesmo pela erradíssima teoria do efeito de estufa do CO2. Se os autores desse trabalho apresentassem um valor superior, o trabalho seria impublicável; aliás, ter sido publicado este estudo que fala de apenas 30ºC já me enche de espanto. E repara o cuidado com que o fizeram, salientando que está de acordo com outras evidências!”
“E não está? Não estou a perceber onde queres chegar.”
“As evidências geológicas e isotópicas têm décadas, mas se nunca foram aceites como prova de que a Snow Ball Earth é um disparate, como podem agora ser prova de que esta teoria está certa? Além de que não é bem isso que essas evidências mostram.”
“ Não é?”
“Não; o que elas mostram é que é de todo impossível que as temperaturas fossem inferiores a esses valores.”
“Ahh, queres tu dizer que estes são os valores mínimos?”
“Exactamente. Isto é um valor mínimo, e este estudo certamente que não entra em conta com o aumento de pressão com a temperatura.”
“Pois, a uma temperatura mais alta aumenta o vapor de água e a pressão sobe...”
“Claro Mário! A estabilidade das proteínas é uma função da temperatura e da pressão. Não conhecemos nós arqueobactérias que vivem junto de fontes hidrotermais submarinas a temperaturas superiores a 100 ºC? E são bactérias que remontarão a apenas 1000 ou 1500 milhões de anos. Imagina agora as proteínas de há 3500 milhões de anos...”
“Estou a perceber-te... à pressão atmosférica actual há um limite máximo para a temperatura que podem suportar, a 100 ºC a água ferve, mas se a pressão for subindo com a temperatura esse limite desaparece...”
“Ora aí tens! O que este artigo prova, feitas bem as contas, é que a temperatura da Terra tem vindo a decrescer desde a formação da Terra, e não se trata de um processo de arrefecimento, esse seria muitíssimo mais rápido, é um processo intrínseco do sistema.”
“Queres tu dizer que esse arrefecimento que existiu durante todo o passado vai continuar no futuro?”
“Claro Luísa, estou farto de o dizer, a Terra, como todos os planetas, está a afastar-se do Sol. Mas estou a ver que só começas a acreditar em mim agora que vês a mesma afirmação publicada numa revista científica...”, não resisto a embaraçar a Luísa, falando com um ar ligeiramente afectado, como que desiludido. Teatro, é claro, não podia esperar outra coisa, a Luísa só me conhece dumas jantaradas, não sabe o que possa valer o que eu digo em matéria desta. Interessa-me mais perceber o que pensa a Ana, espreito-a escondido na minha máscara, mas ela também tem uma máscara afivelada.
“Mas este é um arrefecimento lentíssimo, nada que possamos percepcionar durante a nossa vida... nem mesmo desde que existe o Homem!”
“Claro Mário, isto só é importante quando analisamos em grandes escalas de tempo. Como fizemos na nossa última conversa, em que estabelecemos um paralelo entre a variação de temperatura e a evolução da Vida.”
“A propósito”, interrompe a Ana, “ tu ficaste de dizer qualquer coisa sobre o que a Vida espera de nós ou lá o que era, não foi?”
“Ahh, mas agora é fácil perceber Ana!”
“Então porquê Mário?”
“Porque, Ana, entretanto saiu um número da Nature que traz um artigo que deve interessar muito ao Jorge!” Mário exibe um largo sorriso de contentamento; fico imediatamente interessado, embora não o mostre, espero que ele fale; mas é a Luísa quem fala:
“Mário, não me digas que descobriste outra teoria como a Ecopoese, dando suporte às coisas que o Jorge diz?” a Luísa entre o sério e o jocoso.
“Então não é que uns maduros de uns cientistas”, o Mário ignorando a observação da Luísa, “se lembraram de reconstruir proteínas das bactérias antigas e analisar a sua estabilidade térmica, tendo concluído que entre 3500 milhões de anos atrás e 500 milhões de anos a temperatura da Terra esteve a diminuir de forma progressiva?”
“Ahhh, então provaram que o Jorge tem razão, que afinal a temperatura da Terra variou ao longo do tempo como ele diz?” oiço a Ana perguntar enquanto avidamente tiro a Nature das mãos do Mário. O número 451, de 7 de Fevereiro, aberto na pagina 704. Leio o sumário da Letter enquanto oiço o Mário responder:
“Não exactamente, porque concluem que a variação de temperatura nesse período foi de 30 ºC, muito menos do que o Jorge afirma.”
“Isto é muito importante” oiço-me a pensar em voz alta, “ pela primeira vez se estabelece o facto de que a temperatura da Terra tem vindo a descer monotonamente desde sempre, uma vez que já se sabia que nos últimos 500 milhões de anos assim foi.”
“Nunca ouvi falar disso...”, a Luísa com ar entre o desconfiado e o surpreendido.
“Claro que não Luísa, pois essa é uma verdade inconveniente. Provavelmente já viste documentários sobre a Snow Ball Earth”, a Luísa diz que sim com a cabeça, certamente viu no Odisseia ou no Discovery, “ esse é o tipo da Verdade Conveniente, daquela que as pessoas gostam, que lhes diz que o presente é muito melhor que o passado e será eterno e imutável, a perfeita obra de Deus que apenas pode ser estragada pelo Homem. A ideia de que a Terra existe num processo de arrefecimento contínuo, pelo contrário, assusta, diz que o Universo é composto de mudança e não é isso que as pessoas querem ouvir. Certamente que não será tão depressa que a BBC irá produzir um documentário sobre o progressivo arrefecimento do planeta...”
“Espera lá Jorge, isto não prova que estás certo, prova que estás errado, porque eles concluem que a variação de temperatura foi de apenas 30 ºC!”
“Meu caro Mário, não te esqueças que o modelo oficial é o da Snow Ball Earth, que sustenta que a Terra esteve congelada nesse período. Agora, de repente, aparece a afirmação espantosa de que a temperatura da Terra cresce sempre em direcção ao passado, e não é nada pouco, esse crescimento de 30ºC em cima da temperatura da Terra há 500 milhões de anos é um valor inalcançável mesmo pela erradíssima teoria do efeito de estufa do CO2. Se os autores desse trabalho apresentassem um valor superior, o trabalho seria impublicável; aliás, ter sido publicado este estudo que fala de apenas 30ºC já me enche de espanto. E repara o cuidado com que o fizeram, salientando que está de acordo com outras evidências!”
“E não está? Não estou a perceber onde queres chegar.”
“As evidências geológicas e isotópicas têm décadas, mas se nunca foram aceites como prova de que a Snow Ball Earth é um disparate, como podem agora ser prova de que esta teoria está certa? Além de que não é bem isso que essas evidências mostram.”
“ Não é?”
“Não; o que elas mostram é que é de todo impossível que as temperaturas fossem inferiores a esses valores.”
“Ahh, queres tu dizer que estes são os valores mínimos?”
“Exactamente. Isto é um valor mínimo, e este estudo certamente que não entra em conta com o aumento de pressão com a temperatura.”
“Pois, a uma temperatura mais alta aumenta o vapor de água e a pressão sobe...”
“Claro Mário! A estabilidade das proteínas é uma função da temperatura e da pressão. Não conhecemos nós arqueobactérias que vivem junto de fontes hidrotermais submarinas a temperaturas superiores a 100 ºC? E são bactérias que remontarão a apenas 1000 ou 1500 milhões de anos. Imagina agora as proteínas de há 3500 milhões de anos...”
“Estou a perceber-te... à pressão atmosférica actual há um limite máximo para a temperatura que podem suportar, a 100 ºC a água ferve, mas se a pressão for subindo com a temperatura esse limite desaparece...”
“Ora aí tens! O que este artigo prova, feitas bem as contas, é que a temperatura da Terra tem vindo a decrescer desde a formação da Terra, e não se trata de um processo de arrefecimento, esse seria muitíssimo mais rápido, é um processo intrínseco do sistema.”
“Queres tu dizer que esse arrefecimento que existiu durante todo o passado vai continuar no futuro?”
“Claro Luísa, estou farto de o dizer, a Terra, como todos os planetas, está a afastar-se do Sol. Mas estou a ver que só começas a acreditar em mim agora que vês a mesma afirmação publicada numa revista científica...”, não resisto a embaraçar a Luísa, falando com um ar ligeiramente afectado, como que desiludido. Teatro, é claro, não podia esperar outra coisa, a Luísa só me conhece dumas jantaradas, não sabe o que possa valer o que eu digo em matéria desta. Interessa-me mais perceber o que pensa a Ana, espreito-a escondido na minha máscara, mas ela também tem uma máscara afivelada.
“Mas este é um arrefecimento lentíssimo, nada que possamos percepcionar durante a nossa vida... nem mesmo desde que existe o Homem!”
“Claro Mário, isto só é importante quando analisamos em grandes escalas de tempo. Como fizemos na nossa última conversa, em que estabelecemos um paralelo entre a variação de temperatura e a evolução da Vida.”
“A propósito”, interrompe a Ana, “ tu ficaste de dizer qualquer coisa sobre o que a Vida espera de nós ou lá o que era, não foi?”
“Ahh, mas agora é fácil perceber Ana!”
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A Evolução da Vida
terça-feira, janeiro 29, 2008
Carnaval
Carnaval não é a melhor altura para pensamentos profundos pois não? Deixemos então a intuição dominar o pensar e o sentir e voltemos à Razão só depois do Carnaval!
Um bom Carnaval. Aqui nos encontraremos depois da folia!
Um bom Carnaval. Aqui nos encontraremos depois da folia!
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Becos Evolutivos e Temperatura

“Lembram-se de como as proteínas podem ser complexas, não lembram?”
“Aquela coisa do Vrummm e do Tchac Tchac?”, os gestos da Luísa são irresistíveis de comicidade; lá me recomponho da risada e continuo:
“Isso mesmo; e lembram-se de eu ter referido que essas capacidades das proteínas tinham uma exigência, uma estreita janela térmica, até foi aqui o Mário que disse logo que a fragilidade das proteínas seria a temperatura?”
“Sim”, concorda o Mário
“Ora bem, se as nossas proteínas só podem funcionar numa estreita janela térmica em redor dos 37 ºC, certamente que os répteis, ou os insectos, ou as bactérias, não podem ter proteínas como as nossas, não é?”. Um assentimento mudo encoraja-me a continuar:
“ Se olharmos agora para o gráfico da temperatura terrestre, é fácil concluir que o Homem não poderia ter surgido na Terra há 500 milhões de anos, por exemplo, quando a temperatura média andaria pelos 50º C, não é verdade?”. Fico mudo, o assentimento colectivo não me basta, espero que comentem.
“Isso no pressuposto de que não podem existir proteínas igualmente complexas mas preparadas para funcionar a uma temperatura mais alta...”
“Certo Mário, mas esse é um pressuposto razoável, a agitação térmica devida à temperatura é um grave problema para esse tipo de estrutura; mas poderemos discutir esse pressuposto mais tarde, se quiseres.”
“Portanto... a Natureza.... ou um Criador... mesmo que o conhecimento necessário à construção do Homem estivesse disponível, ele não poderia ter sido “criado” nessa altura, teve de esperar que a Terra estivesse suficientemente fria...”, a Ana abrindo muito os olhos numa interrogação muda.
“Exactamente; e agora repara: que nos impede de pensar que uma célula eucariota exige proteínas demasiado complexas para as temperaturas que existiam na primeira metade da existência da Terra?”
Queres tu dizer que as células eucariotas apareceram quando apareceram, aí há uns 1500 milhões de anos, porque antes disso a temperatura era alta demais para que as proteínas necessárias a essas células fossem viáveis?”
“E, nesse caso”, a Luísa num súbito entusiasmo,” também os metazoários apareceram há 700 milhões de anos porque apenas nessa altura a temperatura se tornou suficientemente baixa para as proteínas então necessárias serem possíveis!”
“Isso não faz sentido cá para mim; as temperaturas podiam ser altas no equador mas seriam mais baixas nas zonas polares; então as formas de vida mais avançadas poderiam ter aparecido nos pólos muito antes disso...”, os olhos grandes da Ana diziam-me que ela não queria acreditar que eu pudesse estar enganado.
“Há uma coisa que tu não sabes: nesses tempos, a temperatura da Terra era praticamente a mesma de dia ou de noite, verão ou inverno, equador ou pólos. Isto porque a atmosfera tinha muito mais vapor de água e uma maior cobertura de nuvens. Mesmo há uns 100 milhões de anos, as amplitudes térmicas eram ainda tão pequenas que a floresta do tipo tropical se estendia do equador até próximo dos pólos. A partir da análise de ossos profundos e ossos superficiais dos dinossáurios, estima-se que estes não tivessem suportado amplitudes térmicas superiores a 5ºC.”
“Ahhh”, a Ana aliviada, “então já entendo, nessas condições a temperatura podia mesmo comandar a evolução da vida...”
“Exactamente. Reparem ainda no seguinte: como disse, as diferentes espécies hoje existentes serão soluções que encalharam em becos evolutivos em consequência de excessiva especialização...”
“Pois, e a evolução não tem marcha-atrás!” A Luísa interrompe, soltando uma risada, “Exacto”, continuo, “portanto, essas espécies, as que chegaram até hoje, conservam as características que tinham na sua época áurea, nomeadamente a temperatura ideal para elas é a temperatura dessa época.”
“Explica lá isso!?”
“Repara Luísa, achas que os répteis vivem hoje nas condições ideais? Evidentemente que não!”
“Não?!”
“Não, é claro, eles dependem de conseguirem atingir uma determinada temperatura para ficarem activos, têm de se pôr ao sol; ora a natureza não faz seres assim limitados, na época deles eles não tinham este problema. E isso revela-se sobretudo na reprodução, para existirem hoje tiveram de encontrar maneira de manter os ovos quentes. Uns enterram-nos em areias aquecidas pelo sol, outros, como as cobras, cobrem-nos de folhas que libertam calor ao apodrecer ou deitam-se em cima deles e ficam a fazer contracções periódicas para produzirem o calor necessário. A temperatura de reprodução ideal é um bom termómetro da época de cada espécie; em certas moscas, por exemplo, é de cerca de 45ºC.”
“Então, para ti, foram como que abandonados pela evolução, tiveram que encontrar soluções de sobrevivência por eles próprios?”
“Parece que sim Mário; mas não se tratará de serem abandonados, trata-se simplesmente de terem chegado ao tal beco; como aconteceu com os Dinossáurios.”
“Ah, isso, fala lá dos dinossáurios.” Não pude conter uma risada com o súbito entusiasmo da Luísa, “está bem, está bem, ia agora deixar de falar dos dinossáurios!”
“Quando surgiram os dinossáurios já a temperatura da terra andaria pelos 30 - 35 ºC, ou seja, já existiam condições para proteínas tão complexas como as nossas.”
“Estás a dizer que os dinossáurios já eram tão avançados como nós?”
“Não, nada disso, mas já podiam ter proteínas muito mais complexas que as dos répteis, o que lhes permitia desempenhos musculares muito superiores, sistema circulatório, respiratório, digestivo, hormonal, nervoso, mais avançado. Mas as suas complexas proteínas tinham uma desvantagem: é que quanto mais complexa a proteína, mais estreita é a sua janela de funcionamento; então o que é que irá acontecer aos dinossáurios à medida que a temperatura da terra vai diminuindo, dado que eles não possuíriam um sistema de «sangue quente»?”
“Estou a perceber-te: insectos, peixes, répteis, etc, podem sobreviver porque as suas proteínas primitivas aguentam baixas temperaturas, mas os dinossáurios não!”
“Certíssimo, Mário! O gigantismo dos dinossáurios pode ter sido uma vantagem evolutiva quando as amplitudes térmicas começaram a aumentar, pois quanto maior a massa, maior a inércia térmica, mas tornou-se uma armadilha mortal quando a temperatura média desceu abaixo do mínimo que as suas proteínas podiam suportar; e isso aconteceu bruscamente em consequência do Evento ocorrido há 60 milhões de anos.”
“ Então os dinossáurios não poderiam viver hoje porque a temperatura média, mesmo no equador, é insuficiente?”
"Como não há aves que não sejam de sangue quente, suponho que as condições térmicas actuais da Terra sejam impossíveis para animais como os dinossáurios; de qualquer forma, eles tinham outra fragilidade: a reprodução por ovo!”
“Isso é uma fragilidade?”
“Dupla: por um lado não conseguiriam manter a temperatura que o ovo deles necessitaria, por outro lado os seus ovos em ninhos terrestres seriam indefensáveis dos predadores. Aliás, a reprodução por ovo originou um beco evolutivo.”
“Como é essa agora?”
“Em animais mais primitivos, o crescimento é feito fora do ovo, recorrem à solução da fase larvar, ou seja, formas intermédias capazes de se alimentar pelos seus próprios meios. Depois, surge a solução do ovo que contém o alimento necessário a que o novo ser saia para o mundo já completo. Mas à medida que a espécie é cada vez mais complexa, maior é o tempo necessário para a formação do novo ser, o que significa que maior tem de ser a reserva de alimento do ovo.”
“Estou a perceber, um ovo nunca poderia fornecer o alimento que um ser como o humano, com nove meses de gestação, precisaria.”
“Exactamente Ana; a linha evolutiva que adoptou o ovo como solução reprodutiva estava condenada a um beco evolutivo.”
“E esse beco são as aves?”
“Exactamente Mário, as Aves já não poderão evoluir em direcção nenhuma.”
"Ahh, eu realmente já vi escrito que as aves seriam descendentes dos dinossáurios...”
“Isso não sei, mas pelo menos são dessa fileira evolutiva.”
“Então e os mamíferos?”
“Os mamíferos terão outra fileira, que em vez de recorrer à solução “ovo” recorreu à solução de fazer crescer o novo ser dentro da mãe, alimentado por esta.”
“Mas a diferença entre os mamíferos e os répteis não está no sangue quente?”
“Não, claro que não, está no sistema de reprodução; o sangue quente foi a solução evolutiva que ultrapassou o problema do arrefecimento da Terra abaixo da temperatura óptima; não é um exclusivo dos mamíferos, as Aves também dispõem dela!”
“Mas espera lá, os chimpazés estão nalgum beco evolutivo? Não estou a ver! Então porque é que ficaram parados na evolução?”
“Ahhh, é novamente o problema da reprodução!”
"Como é isso? Não é igual à nossa?”
“A nossa tem mais uma inovação, que, em parte, as aves também usam."
“Essa agora!?! De que estás tu a falar?”
“A gestação dum ser humano é 9 meses na barriga da mãe e uns 9 meses cá fora. Antes disso é incapaz de actos mínimos que lhe garantam a sobrevivência, só mama e dorme. O facto de os chimpanzés se terem especializado na vida nas árvores, onde não podem usar a solução “ninho” por causa do tamanho das suas crias, introduz exigências sobre os recém-nascidos incompatíveis com uma tão grande dependência da mãe.”
“Ai é? E os gorilas, que não vivem nas árvores?”
Bem, em relação a esses poderia dizer que serão vítimas da sua especialização alimentar em folhas e caules, um alimento mais suculento num passado mais quente e com mais CO2 ; talvez por isso, têm hoje um ciclo reprodutivo tão lento, uma cria a cada 5 anos, que a sua evolubalidade, ou seja, capacidade de evoluir, fica muito prejudicada.”
“Humm... estou a ver que tens resposta para tudo...”
“Na realidade não, estou a especular, eu respondi no condicional; não sei qual é verdade, pode ser que a Natureza tenha mesmo abandonado as espécies que ficaram para trás no processo evolutivo; porque ela não tem tempo a perder, tem de apostar tudo nos Humanos!”
“Essa agora, então porquê?”
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A Evolução da Vida
terça-feira, janeiro 22, 2008
O Labirinto da Vida

“Há uns 3500 milhões de anos, ou mais, a primeira organização que identificamos inequivocamente como Vida fez então a sua aparição. Células singulares simples. E durante uns extensos 2000 milhões de anos parece que a Vida existiu sempre nesta forma unicelular. Diversa, mas unicelular. Até que, quase subitamente, surgiu uma nova estrutura: uma célula maior, contendo células dentro!”
“Uma célula de células? Como é isso?”
“É isso mesmo Luísa, uma célula com células dentro, ou seja, dentro da membrana exterior existem outras estruturas dentro de membranas, a que chamamos organelos. Um organelo bem conhecido é o núcleo, onde estão os cromossomas.”
“Ahhh, pois, as bactérias não têm núcleo...”
“Exactamente Luísa. Estas novas células, a que chamamos eucariotas, representam pois um nível de organização acima das anteriores, a que chamamos procariotas. Há aqui um salto evolutivo, algo que mudou profundamente. Isto aconteceu, portanto, há cerca de 1500 milhões de anos, talvez um pouco mais.”
“E depois?”
“Depois, novo período em que aparentemente nada de qualitativo acontece durante uns 800 milhões de anos até que surge um novo nível de organização da Vida: os metazoários!”
“Os metazoários são os seres vivos que resultam de uma organização de células diferenciadas, não é?”
“Certo Ana. E os metazoários são constituídos exclusivamente por células eucariotas. Os Metazoários explodiram então, isto há uns 700 milhões de anos, numa miríade de formas, e estas formas iniciaram um intenso processo evolutivo: há 600 milhões de anos existem vermes, há 550 peixes, há 400 plantas terrestres e insectos, há 350 anfíbios, há 300 répteis, há 200 mamíferos terrestres, há 175 os dinossáurios.”
“Os mamíferos apareceram antes dos dinossáurios?”
“Parece que sim Luísa; sabes, a evolução parece-se muito com aquele jogo que é uma espécie de labirinto na vertical, com muitas entradas em cima e uma só saída em baixo; deitas um disco por uma das entradas de cima e esse disco pode cair por ali abaixo e encontrar a saída ou, o que é mais provável, o disco acabará num beco.”
“Como é isso?”, o Mário ri-se, disse alguma coisa que lhe despertou a curiosidade, esta imagem ele ainda não tinha ouvido por certo.
“No início dos metazoários, surgiu uma miríade de seres vivos, uma enorme diversidade de formas e estratégias de vida: são como as entradas desse labirinto vertical. Depois, essas formas foram evoluindo, um pouco como os discos caindo ao longo do labirinto. Algumas foram encontrando becos e daí não puderam passar mais, por que a evolução não tem marcha-atrás...”
“Não tem marcha-atrás?? Eh eh , essa nunca tinha ouvido!”
“Repara, uns seres vivos especializam-se como peixes; o seu corpo torna-se fusiforme, a sua estrutura muscular é a que convém à natação. Outros especializam-se como artrópodes, desenvolvem apêndices articulados que servem para vários fins. São duas linhas completamente distintas; e não tem marcha atrás porque um peixe que comece a desenvolver apêndices articulados provavelmente irá nadar pior e ser menos eficiente do que um peixe sem esses apêndices; e a um artrópode que comece a perder apêndices vai-lhe acontecer o mesmo. Tal como uma planta não pode evoluir para se tornar um animal. Este tipo de especialização conduz a becos evolutivos.”
“Estou a ver... no fundo acontece o mesmo com as pessoas... uma pessoa especializa-se numa profissão e depois fica presa a isso, dificilmente poderá dedicar-se a outra coisa...”
“Sim, não deixa de ser verdade.”
“Interessante, essa tua imagem do jogo do labirinto... no fundo, é um pouco como uma Árvore da Vida de pernas para o ar... ou de raízes para o céu!” o Mário ri-se, divertido com a ideia, e a Luísa acompanha-o.
“Não sei se lhe chamaria Árvore... não há um tronco, há muita diversidade desde tempos remotos, muitos cruzamentos genéticos... evolução e cruzamento de genes correm em paralelo... Mas de pernas para o ar certamente!”, é a minha altura de rir, “mas não se esqueçam de uma coisa misteriosa que eu referi: os longos períodos em que parece que a evolução esteve parada!”
“Isso pode ser só uma ilusão... pode ter havido imensa evolução no interior das células e nós não temos forma de o saber...”
“Certo Mário, mas também pode ter sido outra coisa!”
“Outra coisa? Que outra coisa??”
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imagem: Tree of Life web project
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A Evolução da Vida
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Ecopoese

No post “A Manjedoura da Vida”, o Mário referiu a existência de uma teoria, a Ecopoese, que defendia que a Vida exigia uma atmosfera terrestre do tipo da que eu estava a apresentar.
Obtive essa atmosfera a partir do conhecimento de um fenómeno de afastamento entre a Terra e o Sol; verifiquei que ele poderia explicar certos mistérios como a formação das dolomites e do petróleo; e verifiquei que para a produção industrial de fenómenos de tipo associado à origem da Vida, nomeadamente a formação de compostos azotados e o crescimento de cristais, se usa o tipo de condições existente nessa atmosfera.
Dessa forma mostrei que essa atmosfera era não só suficiente para explicar esses fenómenos mas também possivelmente ideal, pois corresponde às condições que usamos industrialmente. Mas não mostrei que essa atmosfera era necessária, que em condições mais “frias” é impossível ocorrer a formação da Vida.
A demonstração da condição necessária é importante para mostrar que o modelo actual está errado, é impossível. Eu apenas mostrei que o meu modelo será melhor, não que é o único.
Ora a teoria da Ecopoese, de Raul Félix de Sousa, faz essa coisa fascinante: a partir da química da Vida conclui que o modelo actual é impossível e que a química da Vida exige condições do tipo das que apresentei.
Contactei o Autor, que muito amavelmente me ofereceu um exemplar do seu livro, bem como diversas considerações sobre o que apresentei nos posts, de que transcrevo excertos:
“O fato é que depois que o experimento de Miller pareceu confirmar as idéias de Oparin, Haldane e Urey, a atmosfera redutora tornou-se dogma, martelado em todos os livros de biologia e em inúmeras (milhares) publicações da literatura primária. A ponto que, tautologicamente, a própria existência da vida passou a ser citada como prova. Observe-se que, como já disse, entre os geólogos nunca houve um tal consenso.A possibilidade de um período com uma atmosfera hipercrítica de H2O ou de CO2 é real, e a meu ver, altamente provável. Os valores de 260 atm para H2O (volume total da água contida nos oceanos e outros reservatórios terrestres de água) e 60 atm para o CO2 (carbonatos da coluna sedimentar e outros depósitos de carbono), que podem espantar a muitos são, na verdade, valores mínimos. A depleção de gases nobres da atmosfera terrestre aponta para a perda hidrodinâmica, ocorrida nos períodos iniciais de formação da atmosfera, que cito no livro. Com base na abundância natural dos elementos deveríamos ter aproximadamente tanto Neônio quanto Nitrogênio na atmosfera, por exemplo. Estima-se que a água que permanece em nosso planeta seja apenas uma (provavelmente bem pequena) fração da água original que já o envolveu. Com relação ao CO2, podemos fazer considerações semelhantes. Não há nenhuma razão para termos menos CO2 que Vênus. A Terra é composta do mesmo material condrítico original que Vênus e tem uma massa maior. Além disto é muito mais difícil para a Terra perder CO2 que Vênus, onde já há muitos bilhões de anos todo o CO2 deve estar na atmosfera. ... Não seria grande surpresa se tivéssemos algo como o dobro das 60 atm estimadas.
...
Ocorre entretanto que uma atmosfera de H2O hipercrítica dificilmente permitiria a existência de qualquer composto reduzido de carbono.
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Dessa forma mostrei que essa atmosfera era não só suficiente para explicar esses fenómenos mas também possivelmente ideal, pois corresponde às condições que usamos industrialmente. Mas não mostrei que essa atmosfera era necessária, que em condições mais “frias” é impossível ocorrer a formação da Vida.
A demonstração da condição necessária é importante para mostrar que o modelo actual está errado, é impossível. Eu apenas mostrei que o meu modelo será melhor, não que é o único.
Ora a teoria da Ecopoese, de Raul Félix de Sousa, faz essa coisa fascinante: a partir da química da Vida conclui que o modelo actual é impossível e que a química da Vida exige condições do tipo das que apresentei.
Contactei o Autor, que muito amavelmente me ofereceu um exemplar do seu livro, bem como diversas considerações sobre o que apresentei nos posts, de que transcrevo excertos:
“O fato é que depois que o experimento de Miller pareceu confirmar as idéias de Oparin, Haldane e Urey, a atmosfera redutora tornou-se dogma, martelado em todos os livros de biologia e em inúmeras (milhares) publicações da literatura primária. A ponto que, tautologicamente, a própria existência da vida passou a ser citada como prova. Observe-se que, como já disse, entre os geólogos nunca houve um tal consenso.A possibilidade de um período com uma atmosfera hipercrítica de H2O ou de CO2 é real, e a meu ver, altamente provável. Os valores de 260 atm para H2O (volume total da água contida nos oceanos e outros reservatórios terrestres de água) e 60 atm para o CO2 (carbonatos da coluna sedimentar e outros depósitos de carbono), que podem espantar a muitos são, na verdade, valores mínimos. A depleção de gases nobres da atmosfera terrestre aponta para a perda hidrodinâmica, ocorrida nos períodos iniciais de formação da atmosfera, que cito no livro. Com base na abundância natural dos elementos deveríamos ter aproximadamente tanto Neônio quanto Nitrogênio na atmosfera, por exemplo. Estima-se que a água que permanece em nosso planeta seja apenas uma (provavelmente bem pequena) fração da água original que já o envolveu. Com relação ao CO2, podemos fazer considerações semelhantes. Não há nenhuma razão para termos menos CO2 que Vênus. A Terra é composta do mesmo material condrítico original que Vênus e tem uma massa maior. Além disto é muito mais difícil para a Terra perder CO2 que Vênus, onde já há muitos bilhões de anos todo o CO2 deve estar na atmosfera. ... Não seria grande surpresa se tivéssemos algo como o dobro das 60 atm estimadas.
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Ocorre entretanto que uma atmosfera de H2O hipercrítica dificilmente permitiria a existência de qualquer composto reduzido de carbono.
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O CO2 hipercrítico, por outro lado, pode existir em condições fisicamente bem mais brandas, compatíveis com o mundo orgânico, e é também quimicamente pouco agressivo com relação aos compostos orgânicos, como provam vários de seus usos industriais modernos. Ocorre entretanto que nas condições em que poderia formar-se na Terra deveria forçosamente interagir com a água líquida, muito mais abundante. A interação entre CO2 e H2O é complexa. Formam-se H2CO3, íons HCO3-, H3O+, uma parte do CO2 dissolve-se sem se combinar ou ionizar. Nem sei se suas características físicas são descritas para toda a gama de temperaturas e pressões. Agindo sobre o substrato mineral da crosta dissolveria uma série de íons metálicos e permitiria a formação de inúmeros compostos não metálicos. É a este meio que denominei 'hipercarbônico', detendo-me sim, sobre suas caraterísticas químicas reactivas. E sobre como estas poderiam conduzir ao surgimento dos processos metabólicos do mundo vivo, essência do modelo da Ecopoese.
Sobre a catástrofe do Oxigênio devo dizer que concordo certamente que o aligeiramento da atmosfera causado pela absorção ou condensação dos seus demais componentes terá alterado drasticamente a sua concentração percentual. Mas há mais coisa aí. Em primeiro lugar, os valores utilizados como concentrações iniciais são apenas conjecturas. Há valores os mais díspares espalhados na literatura científica, mesmo considerando apenas os modelos 'redutores'. Além disto, oxigênio não é um gas inerte. Pelo contrário, é altamente reactivo, e sua concentração é governada pela interação dinâmica entre seus sumidouros (sinks) e suas fontes (sources). São considerados sumidouros as interações com materiais reduzidos da litosfera e gases vulcânicos reduzidos. São fontes a fotólise atmosférica da água, abiótica, e a fotossíntese oxigênica, de natureza biológica. O argumento tradicional, que contesto no livro, é que a fonte abiótica seria de longe insuficiente para compensar o sumidouro, o que garantiria uma atmosfera sem oxigênio, pré-condição, segundo a visão clássica, para a origem da vida, o que também contesto.”
Para quem quiser um entendimento mais profundo destas questões, tem no capítulo I do livro de Felix de Sousa, que pode descarregar na página da Ecopoese, a melhor introdução ao assunto que eu já vi.
Um pouco como na época de Galileu, novas ideias, nas margens da ciência oficial, começam a unir-se para dar novas asas ao conhecimento.
Daqui o meu abraço transoceânico ao Raul!
Daqui o meu abraço transoceânico ao Raul!
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A Origem da Vida
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Vruummm, Tchac, Tchac, Tchac

“O que a Vida espera de nós?”, o Mário surpreendido, “mas não é ao contrário? Eheh”, a risada como expressão do espanto.
“Ahhh, vais ver que não, e é importante que percebamos que temos uma tarefa pela frente; mas vamos com calma, para já vou dizer-vos mais uma coisa sobre a Vida que vocês não sabem.”
“Não sabe quem? Eu não sei??”, a Ana e a Luísa riem-se do ar de espanto fingido do Mário.
“Tu me dirás. Lembram-se de eu ter referido a divisão celular como exemplo da inteligência das células? De eu ter lido aquela descrição do livro de biologia, que refere uns centríolos que se movem, uns microtúbulos que avançam em direcção aos cromossomas, etc.”
“Sim, tenho uma ideia”, a Ana a primeira a assentir, a Luísa faz agora também um sinal de Sim com a cabeça.
“E lembram-se de eu ter referido que essa descrição omitia questões essenciais, até perguntei se os centríolos tinham pernas para se moverem?”
“Essas das pernas lembro-me!”, a Luísa a recuperar a vivacidade.
“Pois bem, vou responder-vos a essa questão! Não têm pernas, têm motores!”
“Motores?!” admiram-se as duas em coro, o Mário dá uma risadinha.
“Sim, micomotores, a célula tem micromotores que movem toda a maquinaria celular de um lado para o outro, os centríolos, os microtúbulos, os ribossomas, etc.”
“Quer dizer, tem um sistema de transportes públicos ehehe!” a risada do Mário é secundada pela da Luísa. “Vrummm, vrummm”, faz a Luísa imitando o barulho de um motor de explosão, desencadeando o riso do Mário.
“ Essa eu nunca tinha ouvido! Onde foste buscar tal coisa?”
“Então, Mário, parece que afinal há coisas que tu não sabes! Onde fui buscar? Ora, à Ciência, onde havia de ser?”
“Não me lembro de ouvir falar de tal coisa...”, o Mário com ar desconfiado.
"Bem, talvez ainda não tenhas ouvido... sabes, como eu sou viajante do tempo, pode ser algo que a ciência ainda vai descobrir, não sei ao certo...”. Pus um ar de quem se está a tentar lembrar onde deixou os óculos. Pelo canto do olho observo o ar incrédulo de todos. Continuo:
“Mas os motores são só uma das muitas máquinas electromecânicas que existem na célula.
“Máquinas electromecânicas? Que raio estás para aí a dizer?”
"Então, Mário, o vinho do jantar fez-te mal? O que é uma proteína senão uma máquina electromecânica?" O ar surpreendido do Mário dá lugar a uma careta de concentração, está a ver se percebe o que eu quero dizer. Esperamos.
“Bem, as proteínas constroem estruturas tridimensionais, com formas complexas... uma proteína pode assumir várias estruturas, alternando entre elas quando executa a sua função biológica...”
“Pois é, como acontece no ribossoma enquanto constrói uma proteína correndo ao longo do RNA, tchac, tchac, tchac.” Pensei que se iam rir mas não, ficaram com ar surpreendido. Continuo:
"Mesmo em repouso, em solução, todas as proteínas apresentam oscilações da sua estrutura, que resultam de vibrações térmicas e choques de moléculas do meio; uma proteína é uma máquina electromecânica, não é uma simples peça de Lego.”
“Pois, isso eu sei, mas nunca tinha consciencializado que uma proteína, realmente, é muito mais do que uma simples peça, ela tem partes que se mexem.”
“Pois é, e por isso uma proteína não é robusta como uma simples peça, é delicada como qualquer máquina! Tanto mais delicada quanto mais complexa. E qual é a grande fragilidade das proteínas?”
“A... temperatura?”, arriscou o Mário; um génio este Mário.
“Exacto! As proteínas têm uma janela térmica na qual mantêm a forma e estão, portanto, activas; mas fora dessa janela a sua estrutura desmancha-se e elas ficam inoperativas. Ora esta característica das proteínas permite-nos saber que os dinossáurios não poderiam existir hoje, e que o Homem não poderia existir no tempo do apogeu dos dinossáurios.”
“Não poderia existir? Queres dizer que o Homem não poderia existir nessa altura porque a Evolução ainda não tinha chegado ao Homem?”
“Não! Há um factor que travou a evolução, senão o Homem poderia ter aparecido mais cedo!”
“Essa é boa!! O Homem poderia ter aparecido mais cedo??" não percebo se o Mário está espantado ou indignado, “E como é isso?”
“Estás a dizer que o Jurassic Park é uma impossibilidade?”, a Ana parece que levou um choque, os olhos muito abertos de espanto mostrando a doçura da sua alma.
“Exactamente Ana, os dinossáurios não sobreviveriam na Terra de hoje. E o tempo que o Homem demorou a aparecer não é consequência do processo evolutivo, que é muitíssimo mais rápido do que se imagina. Basta associarem a janela térmica das proteínas à curva da temperatura terrestre que eu vos apresentei para perceberem; querem ver?”
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A Evolução da Vida
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Há quem Saiba?

. Uma semana antes... (João Paulo I, Wikipedia)
Apanharam-no! Apanharam-no!
Que desgraça! Tudo perdido...
Olha, conseguiu atirar a pasta... os papeis... os papeis... se o vento os levar... ainda há esperança... se o vento os levar para fora...
Que desgraça! Tudo perdido...
Olha, conseguiu atirar a pasta... os papeis... os papeis... se o vento os levar... ainda há esperança... se o vento os levar para fora...
...Dio mio, Dio mio, por favor... ai... espalhados pelos telhados... estão a apanhá-los... não há vento, nem um voa...
...estão a apanha-los... vão apanha-los todos...
...piedade Dio mio...
...falhado, tudo falhado, não terei outra oportunidade...
e o meu corajoso companheiro... Deus tenha piedade... Deus o perdoe... Deus me perdoe... a Humanidade me perdoe... que terrível falhanço...
Fechou a janela abafando o ruído surdo dos passos dos guardas que percorriam os telhados, ainda à procura de alguma folha de papel que ainda não tivessem apanhado. Ao virar-se para o interior do quarto, não foi os seus aposentos que viu; com os olhos cegos pela luz exterior e pelas lágrimas, a imagem do pequeno cofre onde o segredo era guardado surgiu-lhe como um fantasma no fundo escuro. Numa fracção de segundo, a história da milenar demanda passou-lhe inteira mas o que permaneceu foi a lembrança do momento em que percebeu. O momento em que tudo mudara, em que todos os seus projectos e ideias perderam subitamente o sentido; o momento em que soube que a sua vida estava consagrada a um único objectivo: alertar a Humanidade! E soube-o com a clarividência que acompanha uma premonição, ele conheci-a bem.
Lembrou-se da repulsa que lhe causou a argumentação deles. “Que, na verdade, não sabiam quando seria nem como seria; que divulgar o segredo apenas iria servir para desacredita-los; que seriam acusados de espalhar o pânico, não sabia ele o que tinha acontecido no ano 1000? Claro que agora tinham novos elementos, mas não eram ainda suficientes. E havia que pensar no depois: depois do Evento a Igreja precisaria de todo o seu poder para controlar os sobreviventes; não sabia ele como a escassez transforma os homens em lobos? Não tivera já a Igreja de intervir tantas vezes no passado?”
Nunca acreditara que eles não soubessem mais do que diziam; simplesmente, optavam pela estratégia segura a longo prazo, conseguindo permanecer indiferentes às consequências de curto prazo, numa conversa de “os fins justificam os meios”. Mas as consequências seriam tais que ele não podia aceitar que nada se fizesse para as minimizar. Não podia, tão simples quanto isso, era mais forte do que ele.
A imagem do sofrimento que estava para chegar ocupava-lhe agora a mente com detalhes que começavam a ser dolorosos. Deixou-se cair na cama, curvado, em posição fetal, as lágrimas escorriam-lhe através das pálpebras fechadas. A angústia desses dias descia-lhe agora pelas entranhas para logo subir de novo. A intensidade da sensação crescia, multiplicava-se, ocupava todos os recantos do seu ser; como se a angústia de toda a humanidade se estivesse a concentrar nele, como se ele estivesse a sofrer no lugar de todas as outras criaturas. Esse pensamento, ele a sofrer no lugar da humanidade inteira, ele a conseguir finalmente proteger a humanidade de todo aquele imenso sofrimento, fez surgir uma ténue alegria no fundo do seu ser, uma luz a cintilar na escuridão em que se afundava. Ainda teve forças para murmurar uma prece de agradecimento - Obrigado Pai.
Seriam umas duas da manhã quando os dois homens entraram silenciosamente no quarto. O mais velho aproximou-se do vulto deitado em posição fetal, pôs-lhe dois dedos na carótica, e disse:
- Podes chamar os embalsamadores. Anuncia a morte de Sua Santidade.
Com um gesto lento, Alita faz desaparecer o texto:
“ Realmente, é muito misterioso... E foi a máquina de inteligência artificial que fez isto? Como?”
“Estava a testar um novo programa de geração de hipóteses; e lembrei-me de o pôr a analisar os dados referentes a um qualquer crime não resolvido.”
“Dos humanos?”
“Claro! A máquina, a MIA, como lhe chamo, está ligada à Net deles. Pedi-lhe uma lista de mortes suspeitas e pu-la a analisar a primeira da lista. Ela devolveu-me uma lista de dados que tinha encontrado e que estavam em conflito, para eu resolver”
“Quer dizer que encontrou informações erradas?”
“Sim, é normal, os nossos cérebros interpretam os dados de acordo com as suas presunções e chegam a certezas erradas, que depois inquinam a investigação; a máquina detecta os conflitos e já é capaz de resolver alguns, atribuindo graus de confiança inversos às presunções que detecta; mas muitos ainda não consegue resolver.”
“E então, corrigiste a lista?”
“Não!”
“Não?”
“Enquanto a máquina estava no seu processamento, eu estive a ver a lista de mortes suspeitas e saltou-me à vista esta do Papa. Assassinarem um Papa?? Isso é muito revelador do estado actual da sociedade deles. Muito mais interessante que um crime passional qualquer, ou mafioso, ou por jogos de poder, que não acrescenta nada ao que já sabemos deles.”
“Ahh, então puseste a MIA a analisar este...”
“Claro! Pedi-lhe a reconstrução da morte do Papa. E ela surgiu logo com isto! Nenhuma lista de conflitos, nada! Para a MIA, isto é clarinho.”
“Nem tanto... repara que ela não afirma que ele foi assassinado...”
“Isso significa insuficiência de dados, mas se ele foi ou não assassinado já deixou de me interessar. A possibilidade de haver quem saiba do Evento é que me interessou!”
“Pois é... e parece que quem sabe está disposto a tudo para que não se saiba...”
“Isso fez-me pensar... no estado primitivo deles, o que será melhor? Serão capazes de usar o conhecimento do Evento utilmente ou vão entrar em paranóia?”
“Já andam em paranóia com a treta do aquecimento global... “
“Eles já sobreviveram a Eventos... hão-de voltar a sobreviver... à rasquinha...”
“Temos de pensar muito bem... será que está afinal certo quem não quer que se saiba? Esse alguém deve conhecer os Humanos melhor do que nós...”
“Ufff, mais uma complicação... agora nem sabemos se devemos intervir ou não!”
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O Segredo
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