terça-feira, março 26, 2013

Economia, Egoísmo, Altruísmo e Darwin (2/2)



Para desenharmos a sociedade humana precisamos de saber qual é o objetivo a atingir. E não há muitas dúvidas a esse respeito: o objetivo é a Evolução da sociedade.

O problema é saber como se faz a sociedade evoluir. A História mostra que temos andado em altos e baixos, civilizações que avançam e recuam. A construcão da sociedade humana não é algo que decorra naturalmente das nossas características e instintos, pois se temos características que a favorecem, temos outras que podem conflituar com ela.

Como se pervertem as ideias


Uma das nossas características que gera mais problemas é o Egoísmo de curto prazo; a nível das relações pessoais e de vizinhança, somos capazes de lidar com ele porque rapidamente aprendemos que ele nos é prejudicial, mas para sociedades grandes, onde as pessoas não se conhecem, foi preciso inventar a Religião de Estado, que pôde estabelecer comportamentos em prol da sociedade usando um chicote, o medo de um Deus colérico, e uma cenoura, a promessa de um paraíso eterno.

Esta solução tem uma limitação: só funciona enquanto as pessoas acreditarem na existência de um Deus castigador.

As elites antigas sabem que esta solução lhes é vantajosa, porque a Igreja prega a obediência, a pobreza e a subserviência. As elites antigas, representadas pelos partidos da direita, defendem esta solução para combater o destruidor egoísmo e para manterem os seus privilégios, atribuídos à divina preferência.

Porém, a diminuição da influência da Igreja abriu a necessidade de arranjar um novo suporte para o direito a privilégios dos mais ricos: já que esse direito não podia ser de origem divina, precisaram de outra origem; e foram buscá-la à teoria de Darwin; este constatou, da sua observação da natureza, que:

“It is not the strongest of the species that survive, nor the most intelligent, but the one most responsive to change.”

Isto foi resumido à ideia da “sobrevivência do mais apto”, uma frase que, contrariamente ao que quase toda a gente pensa não é de Darwin mas do filósofo Herbert Spencer, e que contrariamente ao que toda a gente diz não traduz a ideia de Darwin; a partir desta frase passou-se à conclusão de que os mais bem sucedidos, ou seja, mais ricos, eram os mais aptos, logo os escolhidos pela natureza, o futuro da espécie, aqueles a que se deveria dar todo o apoio, conceder todos os direitos porque seriam eles o motor da evolução. Os outros têm apenas os direitos que os mais ricos, na sua sabedoria, lhes concedem e enquanto lhes concedem.

Esta ideia casou muito bem com a ideia anterior de Adam Smith de que "se cada indivíduo prosseguir o interesse próprio, frequentemente promove o interesse da sociedade de maneira mais eficiente do que se efectivamente tencionasse promovê-lo". Isto é verdade mas está longe de ser o equivalente a dizer que se cada um agir em função do seu interesse imediato, todos beneficiam, que é a forma com que essa afirmação é usualmente apresentada. Ou seja, tanto a ideia de Adam Smith como a de Darwin foram desvirtuadas para servir os interesses dos ricos. A de Adam Smith defende o direito de cada um, ou seja, toda a gente e não apenas os ricos, a prosseguir os seus interesses, contrariamente à ideia anterior veiculada pelas elites e pela Igreja. Como os ricos têm mais capacidade de promover os seus interesses do que os pobres, esta ideia sem mecanismos que garantam aos pobres capacidade competitiva resulta em puro benefício dos ricos.

O resultado prático destas ideias foi o foco na atividade produtiva como motor da economia, assente na exploração dos empregados, o que conduziu à grande depressão. A solução para sair dela veio pela mão de Keynes e de outras pessoas que aplicaram o seu tipo de ideias, como o Ford. Keynes inverteu o motor da economia, que passou a ser o consumo. Segundo Keynes, o dinheiro dos pobres gerava procura e a procura é que fomentava a produção. O dinheiro posto no bolso dos pobres tinha um factor multiplicativo da economia e por isso a economia devia ser desenhada para que a riqueza produzida circulasse de volta para os consumidores. As sociedades por acções, pagantes de dividendos, eram uma forma de o conseguir. As diversas medidas postas em prática para realizar as ideias de Keynes geraram o enorme boom de desenvolvimento ocidental que serviram para estabelecer a ideia de que o capitalismo era o melhor sistema possível.

No entanto, as desvirtuadas ideias de Darwin e Adam Smith estavam mesmo ali à mão para suportar todas as ganâncias, (a ganância chegou a ser considerada uma qualidade) e as ideias racistas e as teorias de que os mais ricos são o escol da humanidade e os restantes os falhados da evolução cuja sobrevivência apenas acontece na medida das conveniências dos mais ricos e até por caridade destes.

Isto não é falado, mas muita gente, essencialmente mulheres, foi esterilizada contra vontade ao longo do século XX nos nossos “civilizados” países. A eugenia, uma prática logicamente decorrente destas ideias, foi institucionalizada em todos ou quase todos os países onde a revolução industrial fez surgir as novas elites. Na Suécia apenas foi abolida em 1976!!! Já depois do nosso 25 de Abril...

Os mecanismos postos em prática para implementação das ideias de Keynes foram sendo sucessivamente destruídos, dando o poder absoluto aos ricos. Os lucros das empresas passaram a ficar no bolso dos grandes accionistas, nomeadamente através dos ordenados dos administradores, os dividendos passaram a ser simbólicos, a bolsa tornou-se um casino, a especulação financeira ficou descontrolada, as leis antimonopólio postas de lado. A Globalização veio ajudar ao desmantelar da estrutura Keynesiana, que ficou reduzida ao esquema de proteções sociais, que impediam o excessivo empobrecimento das pessoas. O objectivo atual é acabar com ele, deixando toda a gente na completa dependência dos ricos; isso tornou-se fácil porque os ricos não pagam impostos e assim o estado social tem de ser sustentado pelos ordenados dos empregados e pequenos empresários e estes não ganham o suficiente para tal. Já está estabelecido no ocidente que os direitos dos ricos não podem ser beliscados, os outros não têm direitos, apenas a ilusão que os ricos lhes consentem. As Constituições são torneadas com o argumento das necessidades especiais da situação.

Alimentando a Cultura do Egoísmo


Os economistas “mainstream” trabalham para os ricos; assim, a habilidade que lhes interessa, aquilo que as escolas de economia ensinam, é como enriquecer os ricos. A sua especialidade é inventar processos de retirar dinheiro às pessoas para dar aos ricos. As consultoras quase só tratam de despedimentos e redução de ordenados, os financeiros inventam esquemas de extorsão. Linhas telefónicas de valor acrescentado cujo único objetivo é vigarizar as pessoas são legais e quem é enganado não tem recurso. Um bom gerente de conta, pelo menos para alguns bancos, é alguém que seja um bom vigarista; é por isso que de vez em quando há fraudes bancárias, as pessoas que eles contratam para vigarizarem os clientes às vezes não resistem a vigarizar para além do previsto

Nas escolas de hoje, no ocidente, o que se ensina às criancinhas é o direito dos mais ricos a terem direitos. É fácil encontrar livros para crianças que sob a capa de tratarem da evolução das espécies mais não fazem do que a apologia do direito dos mais ricos. É a nova Religião, agora sob a capa da Ciência. Os construtores de “religiões” optam agora pela Ciência em vez da Divindade, pois a Ciência tornou-se mais credível.

Este descalabro não acontece contra a vontade das pessoas; na verdade, a classe média portuguesa é grande responsável por isto, achando que o bom é um sistema em que cada um trate de si e os outros que se cuidem. Se alguns professores levassem um pouco mais a sério a sua profissão, não havia 40% de abandono escolar; mas a verdade é que para a classe média isso não é visto como um “mal” mas como um “bem” porque aumenta as possibilidades de sucesso dos seus filhos. Ou pensam que há alguma dificuldade em acabar com o abandono escolar? A única dificuldade são os interesses da classe média. O mesmo se pode dizer de quase qualquer profissão, onde gente suficiente não está nada interessada em contribuir para o bem colectivo mas em tratar da sua vidinha. Por outro lado, se as pessoas não comprassem tantos carros novos e tão caros, a nossa balança externa estaria muito melhor. Se não comprassem tantas roupas e sapatos importados, a nossa indústria estaria muito melhor. Se não comprassem tantos produtos alimentares importados, o Pingo Doce e o Continente teriam de ter uma política diferente em relação aos produtores nacionais. São estas coisas que fazem da Dinamarca um país onde não há descartados nem crise. É a classe média que dá o poder aos ricos porque adopta como comportamento o egoísmo de curto prazo convencida que isso a favorece mas a prazo quem ganha são os ricos. E agora algo relevante: não é a classe média toda; na verdade, é apenas uma minoria, 10% a 15% dela. No entanto, perante a complacência dos restantes, esta minoria é suficiente para gerar este descalabro.


Felizmente há mais mundo


Noutras partes do mundo nada disto se passa, não porque as pessoas sejam melhores ou mais sábias mas porque os governantes estão obrigados a desenvolver a sociedade toda para ela poder sobreviver no contexto global. O indicador que interessa, que pode ser tomado como objetivo sobre o qual se pode actuar directamente, ao contrário do PIB, é o nível de vida dos mais pobres. Esse é o “rato que tem de ser caçado e não interessa se o gato é branco ou preto”. Ou seja, não interessa se se aplica as ideias de Adam Smith ou Keynes ou seja o for, o que interessa é a chegar a resultados. Foi assim que os chineses começaram o seu desenvolvimento. Mas nem foram os primeiros a perceber isso: antes deles já os nórdicos (Dinamarca, Suécia, e Finlândia) o tinham percebido e adoptado como orientação “não deixamos ninguém na valeta”. Isto não significa caridadezinha, significa que a todas as pessoas são dados máximos conhecimentos para serem úteis à sociedade, protecção para não serem explorados e condições para serem competitivos. Nomeadamente, significa um grande investimento na educação, o abandono escolar é coisa impensável, controlo da actividade financeira para garantir adequadas condições de competitividade de toda a gente e controlo da balança externa

Há regras que mudam tudo; uma é que o investimento estrangeiro só é autorizado se for um investimento que possa gerar desenvolvimento. Investimentos apenas para aproveitar vantagens comparativas, daqueles que se limitam a pagar uns ordenadozitos, que é o tipo de investimento estrangeiro que cá se faz, não são autorizados. Para conseguir isso, uma regra é a necessidade de ter um sócio nacional, tipicamente 50% de comparticipação nacional. O sócio pode ser uma empresa do Estado. Esta regra já é seguida em praticamente todo o mundo (exceto aqui). Esta regra garante que pelo menos metade dos lucros fica no país e que a actividade interessa ao país, vai gerar desenvolvimento e subida do nível de vida dos mais pobres. (claro que surge logo o negócio de cobrar uma taxa para se fingir que é sócio, mas o balanço final do sistema é positivo para o país e é por isso que ele se tornou quase universal).

Outra regra é a de que os lucros gerados no país têm de pagar impostos no país, exceto no que for reinvestido no país. Isto de os lucros irem direitinhos para offshores e não pagarem impostos não acontece nem nos EUA. Já ninguém pensa em ter uma empresa em Portugal que não tenha sede na Holanda. De que nos serve a Jerónimo Martins? Parece que não contribui em nada para a produção nacional mas, pelo contrário, esmaga-a, e os seus lucros vão para a Holanda. A sua contribuição para as balanças externas será negativa, ou seja, contribui para o nosso empobrecimento.

Para acabar com os “descartados” bastará um investimento da ordem dos 5% do PIB. Não há dinheiro para isso, diz-se na europa do euro, mas deixa-se muito mais do que isso ser transferido para offshores.

Estive na China há dois anos; uma das inúmeras coisas que me surpreenderam foi a vaidade que eles tinham nos indicadores que para nós “são um problema”, nomeadamente o número de centenários – já estavam em segundo no ranking mundial, diziam com orgulho; a qualidade de vida dos velhos é uma preocupação constante e em todo o lado se viam os jardins cheios deles, aulas de ginástica e dança para velhos gratuitas por todo o lado. Aprendi muito sobre economia na China, é fantástico as soluções que se encontram para levar ao desenvolvimento de toda uma sociedade quando se deixa de funcionar por “teorias” e se passa a resolver os problemas um a um.

Os “Sábios” que nos (des)governam


Recentemente, o FMI fez uma descoberta fantástica: a austeridade tem um factor recessivo maior do que 1! Espanto dos espantos. Os nossos brilhantes economistas, do ministro aos comentadores dos media não cabiam em si de espanto. “Uma coisa dos países do Sul”, disseram alguns. Então estes economistas não sabem que isso é a base de toda a teoria de Keynes? Isso é que é verdadeiramente espantoso. O FMI e estes economistas que nos (des)governam não sabem o B-A-BA da teoria económica!!

Como diz um dos meus leitores, os economistas de hoje são como os padres de antigamente, convencem os pobres de que lhes cabe ser pobres, até é uma sorte terem o pouco que têm, e que os ricos são intocáveis. Não é isso que eles dizem cada vez que abrem a boca? A verdadeira economia paralela é a dos ricos, pois não pagam impostos, com uma agravante: enquanto a economia paralela dos pobres alimenta o consumo e este a economia, a dos ricos não, os seus ganhos simplesmente se amontoam na banca, alimentam a economia dos artigos de luxo, que é a sua economia privada, e empobrecem a economia que serve todas as outras pessoas. Quanto aos investimentos dos ricos, eles destinam-se essencialmente a diminuir postos de trabalhos, directamente ou pela realização de “sinergias” através da compra de empresas, e a eliminar concorrência.

Assim, enquanto algumas partes do mundo já estão para além do Keynes, na Europa do Euro estamos anteriores ao Adam Smith; a consequência fatal é que vai haver um enorme estouro, não vale a pena ter ilusões. Não pensem que a Alemanha está a ser “injusta” ou “exploradora”; penso é que a Alemanha está aflita, o seu sistema bancário deve estar um caos, apenas a ilusão de que ela está bem permite esconder o cancro que a corrói. Mas não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo, e penso que em breve a Alemanha entrará em recessão e aí não haverá troika nem FMI nem fundos europeus que aguentem o desastre. Isto porque na Alemanha, tal como aqui, o dinheiro vai para offshores e os ordenados são miseráveis; ganham mais do que nós? Pois ganham, mas raramente há dois empregos numa família e os seus custos de sobrevivência são muito mais altos. Ou seja, o poder de consumo é baixo e está a baixar, com a importação de empregados doutros lados, como Portugal. Os empresários baixam os custos mas aniquilam o mercado interno; e este é que domina a economia, embora não pareça pela conversa dos economistas e políticos. Na Alemanha, os 50% mais pobres recebem 1% da riqueza, segundo o Soromenho-Marques (Visão); ou seja, já metade da população foi “descartada”.

Os comportamentos de egoísmo de curto prazo exacerbam-se quando no horizonte não há esperança de crescimento. É por isso que a Europa vai fechar-se nos egoísmos e afundar-se com fragor, porque esse é o caminho oposto ao da salvação. 

Uma das razões porque este bicentenário do Darwin foi tão badalado é porque era uma oportunidade de agitar a bandeira do “cada um por si”, tão conveniente aos ricos, certificando pela Ciência que eles têm mais direitos que os outros, outorgados pela Mãe Natureza.

A minha esperança


Na minha vida profissional verifiquei que a perda de eficiência devida a pessoas desenquadradas era da ordem de dez vezes a percentagem dessas pessoas; ou seja, 1% produzia uma perda de eficiência de 10% e  5% reduziam a eficiência a metade. Enquadrar estas pessoas não é uma questão de seleção mas do espírito da empresa; uma empresa com a atitude certa nem precisa de selecionar empregados, qualquer um serve. E é minha convicção que se conseguirmos cortar os pés de barro da cultura errada que subliminarmente é todos os dias espalhada, as coisas melhorarão muito. É por isso que ando a prestar tanta atenção à evolução das espécies e à Inteligência, pois a Evolução é fruto da Inteligência.

15 comentários:

alf disse...

Criticando-me a mim mesmo, eu diria que o principal problema da frase "a sobrevivência dos mais aptos" é a tradução para português. Entendida como "a sobrevivência dos mais adaptáveis" ela já fica uma afirmação acertada.

Por outro lado, ela também não deve ser entendida no estrito nível individual mas a um nível colectivo, de um grupo, uma sociedade, uma espécie.

Assim, a sociedade com melhores condições de sobreviver é aquela que é capaz de se adaptar, não aquela que num dado momento é muito rica ou tem muito poder se for rígida e não adaptável, como é frequente acontecer.

a adaptabilidade exige capacidades específicas e a competição pela evolução é a competição pelos mecanismos de adaptação; o sistema de Inteligência com experimentação e reacção, que eu designei por H+S+R, permite um processo de adaptação muito mais rápido e eficiente do que o simples H+S, por isso é que lhe sucedeu

alf disse...

Sobre o Chipre: a classe média alta tem andado benzinho, na verdade tem até beneficiado do empobrecimento dos que lhe estão abaixo: preços descem, há menos carros a circular, etc..

Mas acontece que "eles" andam atrás do dinheiro, precisam desesperadamente de dinheiro para tapar o enorme buraco de riqueza fictícia em que estão sentados. E andam a caçar o dinheiro como quem caça patos: começando pelos de trás para que os outros não fujam.

Onde podem ir buscar dinheiro é à classe média alta, abaixo dela há muito pouco; sempre souberam isso mas não podiam começar por ela porque espalhariam o pânico no bando.

Então começaram por baixo e geraram mais de 50% de espoliados. Agora vão atacar a classe média alta. E os outros vão aplaudir. Não vão perguntar "mas é preciso ir buscar dinheiro para encher os bolsos de quem?" nada disso. Vão dizer: já que é preciso ir buscar dinheiro, que vão aos bolsos de quem tem.

As próximas eleições serão ganhas por quem prometer ir aos bolsos da classe média-alta porque eles são minoria e já ninguém pergunta: austeridade porquê? empobrecer porquê?

alf disse...

Ainda o Chipre

Apesar do que disse acima, o caso particular do Chipre tem muito que se diga. Por exemplo, os depósitos são taxados, tanto quanto compreendo, para salvar o banco em que se encontram da falência. Ou seja, o que deveria acontecer seria o banco falir e os depósitos irem à vida acima de 100 000 euros, que é o valor de garantia dos depósitos; em vez disso, os depositantes ainda recebem 70 % do que têm acima dos 100 000 euros. Portanto, não se trata de nenhum confisco, o sistema bancário também pode falir e só garante até 100.000 euros e muito bem porque alguém tem de pagar o que é garantido.

Ou seja, a questão do Chipre nem tem a ver com offshores ou com ir buscar dinheiro a esta ou aquela classe; trata-se apenas de uma operação de salvamento de um banco falido

vbm disse...

Um manifesto arrasador! Parabéns. A sociedade humana ou serve para civilizar e desenvover a espécie humana ou não a distinguirá das demais espécies animais. Se o medo das intempéries naturais e divinas, a punição e a promessa das autoridades políticas e religiosas tiveram o seu papel na superação da condição animal do homem pré-histórico, esse tipo de condicionamento tem de alterar-se para integrar o grau de inteligência que a civilização já atingiu na percepção do mundo e de si própria.

A sobrevivência das espécies mais hábeis a adaptarem-se às mudanças de habitat que a natureza vai impondo pode ser, é de certeza, um facto histórico na evolução da vida no planeta. Mas no caso humano, a complexidade é porventura menos linearmente dependente da sobredeterminação que a alteração do habitat imponha do que da eficácia da tal inteligência potenciada pelo método de ciência experimental — «hipótese + selecção + experimentação + reacção» — em dominar os novos condicionamentos de existência, incluindo os da organização económica e política da própria sociedade humana.

Aplaudo e enfoque justo que aplicas às ideias inovadoras de Adam Smith e Charles Darwin porque eles não erraram nas intuições que evidenciaram e não têm de ser responsabilizados pelas perversão manipuladora de interesses de classe obliterando a validade transcorporativa dos princípios da liberdade, cooperação e conpetitividade que devem perpassar por toda a sociedade.

Gostei também da tua defesa de Keynes, e a imperiosa redistribuição da mais-valia no sentido de proporcionar «o máximo desenvolvimento de cada um, como condição do máximo desenvolvimento de todos»; mas obtempero duas restrições: i) o procedimento não deve ser tal que desincentive a desigualdade socialmente beneficiente, causando o atrofiamento da inovação e a livre criatividade; ii) o efeito multiplicador das variações de rendimento, factor fulcral da política keynesiana, não surpreende nenhum economista ao vê-lo actuar recessiva e negativamente nas doses adicionais de austeridade; o que se constatou, com uma surpresa um bocado hipócrita, foi que, face à liberdade do comércio, o efeito multiplicador da expansão do consumo interno reverte a favor não da sociedade onde se verifica mas sim dos países estrangeiros de onde importa o que consome.

No caso de Portugal na União Europeia precisamos de nos aliar à fracção de estados-membros que se proponha governar os respectivos povos segundo o ideário de desenvolvimento hiumano e civilizacional defendido no teu manifesto e de algum modo restringindo a liberdade do comércio «inter-sistémico» [sistemas de trabalho sindicalizado e assalariado em concorrência desleal com os de trabalho escravo e de servidão empresarial], mas realizando alguma integração económica com os países mediterrânicos da costa de África e da Ásia Menor.

vbm disse...

Corrijo a palavra errada "beneficiente" que deve ler-se beneficente, e aproveito para explicar o princípio da «desigualdade socialmente beneficente», enquanto causa de benefício à sociedade, nos termos do 2º princípio de justiça de John Rawls: «as desigualdades económicas e sociais são aceites desde que decorram do exercício de posições e cargos — a que todos tenham acesso segundo uma igualdade equitativa de oportunidades — e contribuam para o maior benefício possível dos membros menos favorecidos da sociedade.»

Note-se que em Rawls, este princípio é precedido pelo requisito de «medidas que assegurem a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, de modo a que possam tomar lugar na vida política e social, isto é, reconhece-se que abaixo de um certo nível de bem-estar material e social e de aprendizagem e educação as pessoas simplesmente não podem tomar parte na sociedade como cidadãos, e muito menos como pessoas livres e iguais envolvidas num sistema equitativo de cooperação.»

alf disse...

vbm

Como fazer a redistribuição de riqueza é o busílis do problema. A solução muito desenvolvida nos países nórdicos, pelo menos a nível da literatura de gestão, é organizar as empresas mais numa ótica de sociedade englobando todos os que nela trabalham; desta forma, os lucros da empresa são parcialmente redistribuídos.

As sociedades por acções era outra forma de atingir o mesmo objectivo, quer directa quer indirectamente - por exemplo, os bancos e fundos de pensões aplicavam o dinheiro em acções e era os dividendos que faziam crescer o capital investido dos depositantes dos bancos ou dos beneficiários dos fundos.

isto foi tudo ao ar quando a bolsa se tornou um casino, os lucros das empresas absorvidos pelos administradores e através deles para os sócios que tinham direito a nomeá-los, acabando com os dividendos.

Impedir teria sido fácil, facílimo - bastaria taxar a compra e venda de acções e definir outras regras para a remuneração dos gestores que estabelecessem limites à fracção dos lucros que estes podem absorver. Mas nada foi feito.

A forma mais segura seria a redistribuição pelo Estado, através de um esquema de impostos bem pensado - por exemplo, como fazem nos EUA, o montante que as empresas investem no país desconta a dobrar nos lucros para cálculo do imposto; e o dinheiro que for enviado para fora paga 30%.

Os EUA fizeram enormes disparates, políticos ignorantes e ingénuos (e corruptos) deixaram os predadores financeiros fazer o que quiseram; mas devem ter aprendido a lição e têm uma base mais sólida do que a Europa para recuperar.

Lá está: o processo de Inteligência depende da reacção, há que aprender com os erros...

A Europa ainda não percebeu que o sistema actual vai levar o dinheiro daqui para o resto do mundo, deixando isto em ruínas. Penso eu de que...

alf disse...

vbm
li os teus comentários com interesse, sabes mais disto do que eu, e com grande alívio, pois estava com algum receio de poder ter metido alguma "água", e tu sabes mais disto do que eu...

O texto está estupidamente comprido mas eu tenho de terminar a conversa com o Hans depressa porque depois tenho outras coisas a fazer.

Carlos disse...

Caro alf
“Como os ricos têm mais capacidade de promover os seus interesses do que os pobres, esta ideia sem mecanismos que garantam aos pobres capacidade competitiva resulta em puro benefício dos ricos.”
Garantir aos pobres capacidade competitiva, ou garantir a todos, que os seus direitos não sejam violados/anulados?

Para mim é altamente duvidoso afirmar que os governantes chineses, dão “protecção para não serem explorados”. Veja-se o número extremamente pequeno de novos super ricos na China.
Penso que chegaram à conclusão que o regime “comunista” não é viável.
O que estão a fazer é criar uma imagem de que os cidadãos vão tendo mais democracia, quando na realidade pouca coisa vai mudar. O ocidente por seu lado vai levando os seus cidadãos no sentido inverso, ao encontro da China. Uma sociedade “democrática”, mas no fundo o estado tudo controla. Claro que esse estado é controlado por uma classe de ricos. No fundo o que temos é ou uma corporocracia, como afirmava Mussolini.

Sobre a Alemanha penso duas coisas:
A ONU mais uns quantos poderosos nunca a deixarão cair.
E concordo que está aflita de tal maneira que até os “investidores” compram dívida a perder dinheiro...

“Para desenharmos a sociedade humana precisamos de saber qual é o objetivo a atingir.”
E quem deve fazer isso?

“...o objetivo é a Evolução da sociedade.”
O que quer dizer com isso?

O governo deve controlar ou regular a sociedade?

Sobre o Chipre. Como diz o egoísmo, mas para mim, essencialmente a nossa “europeia” covardia, está a deixar que os governantes europeus, ao serviço de interesses de alguns, roubem, violem os direitos doutros cidadãos. Estamos a deixa-los cometer um crime “em plena luz do dia”. Penso também que é uma experiência. Lá está, hoje permitimos que um grupo seja roubado, que os seus direitos sejam violados, amanhã tomaremos nós o lugar deles.
Por isso no outro dia disse-lhe, referindo-me ao seu comentário, que o nosso pior inimigo é(são) o(s) governo(s) e que por isso sou favorável a que os cidadãos se armem. Se você não tiver força, capacidade para se opor, capacidade dissuasora, não será respeitado.

Concordo com muito do que diz, mas se é a união europeia que manda em nós, como poderemos por alguma coisa a funcionar que nos beneficie? Dentro deste quadro não vejo qualquer possibilidade.

leprechaun disse...

Acerca destes temas centrados nos binómios egoísmo/altruísmo e ricos/pobres, acabo de encontrar um estudo recente que talvez explique muito daquilo a que estamos a assistir atualmente, ao nível do descalabro ético associado à "bandalheira" financeira generalizada - Portugal, Europa, EUA, China... you name it!

De igual modo, as conclusões deste estudo justificam plenamente aquilo que foi dito antes acerca da perceção de "solidariedade", a qual apenas existe entre as classes média e baixa, sendo inexistente nas classes altas. Obviamente, tudo isto deve ser sempre entendido em termos estatísticos... não há regra sem exceção!

Higher social class predicts increased unethical behavior

Abstract

Seven studies using experimental and naturalistic methods reveal that upper-class individuals behave more unethically than lower-class individuals. In studies 1 and 2, upper-class individuals were more likely to break the law while driving, relative to lower-class individuals. In follow-up laboratory studies, upper-class individuals were more likely to exhibit unethical decision-making tendencies (study 3), take valued goods from others (study 4), lie in a negotiation (study 5), cheat to increase their chances of winning a prize (study 6), and endorse unethical behavior at work (study 7) than were lower-class individuals. Mediator and moderator data demonstrated that upper-class individuals’ unethical tendencies are accounted for, in part, by their more favorable attitudes toward greed.

vbm disse...

Seria interessante se esse estudo examinasse quais as tendências de comportamento com preservação da honra nos «lower-class individuals» e nos «upper-class individuals»; e, já agora, se a tendência a «unethical decisions» destes últimos não se exerce primordialmente contra outros, seus pares, inclinados a «unethical behaviors».

Mas no fundo, realmente, o que eu não gosto é de psicologia, especialmente da falaciosa.

alf disse...

Carlos

"Garantir aos pobres capacidade competitiva, ou garantir a todos, que os seus direitos não sejam violados/anulados?"

Eu quero dizer: garantir que o direito de competir em igualdade não é violado.

Esse direito está escrito; mas é violado - evidentemente que os filhos dos pobres não têm as mesmas condições para obterem boa formação que os filhos dos ricos. E, no caso português, essa violação é descarada, é por isso que foi preciso chegar um Sócrates ao poder para o abandono escolar começar a diminuir; algo que muito incomoda a classe média.

Quanto à China, tenho pensado escrever um post sobre o que vi lá; é uma extraordinária lição sobre como se pode usar a economia e a política para trazer um povo imenso da miséria mais negra para um nível de vida muito satisfatório no espaço de uma geração. É uma extraordinária teoria sobre o desenvolvimento, que está a ser seguida parcialmente em quase todo mundo menos no Sul da Europa.

Claro que eles agora vão ter um problema: como impedir o crescimento da desigualdade, que acaba por asfixiar a economia, que é o que está a acontecer no ocidente. Espero que encontrem soluções para o ocidente copiar..

Quanto ao objetivo da sociedade ser a sua evolução, precisaria de escrever algumas páginas para lhe expor porque digo isso; talvez ache interessante este curto texto:
http://evodevouniverse.com/uploads/c/c2/Nscientist01-2012.pdf

repare no gráfico da segunda página.

Quanto a Chipre; o problema que existe, como o Obama já o disse há muito, é que é preciso redistribuir a riqueza. Não há qualquer outra solução. Penso que isso acabará por ser feito da seguinte: o BCE vai imprimir muitos milhares de milhões de euros e terá de arranjar maneira de o injectar na economia "por baixo", apoiando as pequenas empresas.

mas como são os ricos que estão a dirigir isto, estão a procurar atrasar esse momento o mais possível, por duas razões. Uma é a de que o argumento para tornar o BCE independente dos governos é que estes eram uns irresponsáveis quando faziam isso por causa da desvalorização da moeda; a outra é que isso determina o empobrecimento dos ricos devido à desvalorização da moeda. É por isso que estão a comprar todo o ouro que apanham.

Então o que é que os ricos vão fazer antes disso? Vão tentar "redistribuir" o dinheiro da classe média alta, salvaguardando o deles.

No caso do Chipre, todos os depositantes estrangeiros ou que se puderam deslocar ao estrangeiro sacaram o seu dinheiro, porque as filiais estrangeiras dos bancos em questão permaneceram abertas e deram o dinheiro a quem o quis levantar.

Ora isto não tem pés nem cabeça, a não ser que tenha sido feito de propósito para que os ricos retirassem o seu dinheiro dos bancos do Chipre. A taxa vai recair apenas sobre a classe média alta do Chipre, não sobre os ricos.

Há outra questão: quem garante os depósitos dos bancos? Quem devia garantir seria o próprio sistema bancário, como é óbvio. Mas não; até agora têm obrigado os Estados a serem eles os garantes do sistema bancário; mas acontece que em Chipre o Estado não o pode fazer de todo, não tem dimensão para isso. Ora como nem os bancos nem o BCE querem arcar com o prejuizo, arranjaram esta solução.

Por último: discordo de si quando diz que a UE manda em nós. Ninguém manda em nós. Ainda somos um país soberano. Temos muitas opções, nem que seja sair do Euro. Temos é perceber bem a situação e saber jogar este jogo melhor do que eles.
Pode crer que "eles" não são mais espertos do que nós, só temos é de parar de nos deixarmos enganar.

Precisamos de um líder; sem ele, uma revolução não serve de nada; com ele, não precisamos de revolução.

O desafio que temos de pôr no ar é: quem vai liderar a mudança? Quem é que percebe a situação, tem ideias e vontade para nos defender em vez de defender os interesses dos ricos, ou uma qualquer ideologia do passado? isto não se revolve com teorias antigas, é preciso uma solução nova (que foi o que fizeram os chineses)

Abraço

alf disse...

leprechaun

Sei disso muito bem; basta subir um pouco na carreira profissional para se encontrar logo indivíduos que literalmente venderiam a mãe.

Uma das grandes mistificações que tem sido feito é passar a ideia de que as elites, dado que são elas que estabelecem ou aplicam as regras, são mais "honradas" do que as outras pessoas.

É exactamente ao contrário.

Tenho um post recente que diz que "somos o que nos convém"

À classe média baixa convém uma sociedade "honesta", pois numa desonesta ficam a perder; por isso, estas pessoas tendem a ser "honestas"

Já nas classe altas, como não estão sujeitas a fiscalização, podem não ser honestas e com isso beneficiarem

Sei de médicos que andaram anos a fio a meter 24h sobre 24h de horas extraordinárias sem porem os pés no hospital (aliás, foi agora denunciado um, no Algarve; não sei porque foram tão longe, eu conheço aqui em Lisboa...)de professores que fizeram a sua carreira, com promoções, sem darem mais do que a primeira aula em cada ano; porque é que pensa que introduziram limites à prisão preventiva, à semelhança do que se passa noutros países? porque os juizes colocavam em prisão preventiva pessoas com dinheiro para lhes pagarem; e também haverá quem "venda" as sentenças, segundo coisas que me têm relatado.

Todo o funcionário público com poder para autorizar ou negar, para decidir quanto uma pessoa deve pagar, deixa logo de ser "honesto" se não houver um sistema de fiscalização. No dia 1 de janeiro do ano 2000 desapareceram os dados de muitas empresas nos ficheiros da SS... porque os computadores "foram atacados pelo virus do ano 2000"! Um virus que não existiu!!

Claro que há pessoas que seguem elevados princípios; mas a generalidade das pessoas que pensa que é assim apenas pensa isso porque nunca teve oportunidade de o não ser. Neste mundo onde o dinheiro abunda, 1 milhão de euros é uma verba trivial para quem é realmente rico mas mais do que suficiente para comprar 90% das pessoas.

Esse estudo é muito útil para contestar a mensagem mistificadora de que as elites não precisam de ser fiscalizadas. Não é novidade nenhuma, mas era preciso que estivesse escrito e provado.

alf disse...

vbm

Eu conheço pessoas de todas as classes sociais, com muito e pouco dinheiro, com muita e pouca educação.

Conheço pessoas excelentes em todos os níveis e classes, independentemente do dinheiro e da educação; e também conheço muitos vigaristas e pessoas completamente sem escrupulos, para quem os outros não existem, não contam como pessoas, são meros instrumentos do seu interesse. Estes também estão em todas as classe e todos os níveis.

Mas os que têm mais dinheiro, têm uma grande vantagem: não são penalizados por isso!

O Duarte Lima é o exemplo típico do que o estudo aponta. Habituado à sua impunidade, ele, uma pessoa que há muitos anos tem feito todo o tipo de traficâncias, que muita gente conhecia mas ninguém denunciava, terá morto a senhora sem cuidar o suficiente de não deixar pistas, pensando que o Brasil era como em Portugal.

(claro que aqui ele está seguro, em prisão preventiva na sua mansão de 750m2, dizem, paga com o dinheiro das suas traficâncias.. dinheiro esse que deve estar também a pagar os favores daqueles que lhe permitem a única situação possível, ficar em casa, o único buraco neste planeta onde ele se livra da prisão).

Não imaginas como eu perdi a fé na humanidade quando cheguei a um certo nível na minha carreira... não é toda a gente, mas conheci gente que eu pensava não poder existir... felizmente depois encontrei pessoas que me devolveram a esperança - pessoas das classes mais baixas...não digo que uns são piores do que os outros, mas digo que uns não são melhores do que os outros.

vbm disse...

A minha expriência social foi a de ter conhecido absolutas bestas na classe alta, seguida de mergulho nas classes baixas onde conheci igualmente bestas inimagináveis.

Dessas observações, concluí jamais valorizar uns sobre os outros, antes apenas superiorizar aquele tipo de pessoas, que também conheci, ricos ou pobres, que verificava não serem de modo nenhum nem bestas nem estúpidos, nem boçais.

São nos que confio e só com eles alinho.

alf disse...

vbm

Experiências iguais portanto. Mas foi um choque para mim descobrir que pessoas de mais alto nível social não são melhores do que as de nível mais baixo, muitas vezes são até piores.

Essa é uma das razões que me conduziu à ideia de que "somos o que nos convém". O dinheiro faz, por isso, as pessoas piores, porque quem não tem dinheiro não tem nada a perder em ser solidário etc, mas para quem tem dinheiro essas características humanas passam a ter um preço, pois vai perder dinheiro se for solidário.

Outra coisa que tb já percebi é que não somos capazes de elaborar raciocínios que sejam contrários aos nossos interesses; é por isso que os líderes nacionais e europeus não resolvem esta crise, porque a solução é contrária aos interesses imediatos dos ricos; se conseguissem pensar no assunto, perceberiam que este é o pior caminho para eles a prazo, mas não conseguem.

Da mesma maneira, os economistas são pessoas que querem ganhar bem, ser ricos; então a sua cabeça só consegue pensar em teorias que servem para enriquecer os ricos.

Ora a solução para os problemas da sociedade é o contrário, o que é preciso é um modelo económico que combata a pobreza - não é um que favoreça os ricos, nem um que combata os ricos, mas um focado nos que têm mais dificuldades - se estes melhorarem, melhoram todos. Mas para um economista é impossível pensar nesse objectivo, as ideias não lhe ocorrem, só consegue pensar em modelos que favoreçam os ricos porque são os modelos que o seu inconsciente acha que lhe convém.

Tramado o nosso inconsciente...