quinta-feira, dezembro 20, 2012

A Democracia agoniza


(continuação da conversa com o Hans)

Espera lá – atalhei o entusiasmo do Hans – então tu achas que a classe média está condenada? Vai ficar uma sociedade só de Ricos e Pobres? Não pude deixar de soltar uma risada - Custa-me a acreditar nisso, a nossa sociedade está estruturada em torno da classe média...


O Hans inspirou fundo; soou-me como se ele estivesse e pensar “deixa-me ir com calma para iluminar as ideias deste ingénuo...”. A classe média foi sempre um joguete dos Ricos, existiu na medida em que lhes convinha para manterem os seus privilégios. Faz parte do processo de enriquecimento dos Ricos e do processo de manutenção do Poder. O crescimento da classe média no Ocidente a seguir às guerras mundiais deveu-se à necessidade de os Ricos fazerem frente ao comunismo. O comunismo nasce para combater o poder absoluto e esclavagista dos Ricos e a única maneira de conseguir travar o avanço do comunismo era deixar os povos melhorarem as suas condições de vida, até aí infames e miseráveis. Para isso, era preciso deixar as pessoas irem enriquecendo, deixar crescer uma classe média.

Essa visão é muito niilista... nos EUA houve muita preocupação com a igualdade de direitos...

Sim, no princípio. É que enquanto a Europa já é uma sociedade de Ricos e Pobres há muitas gerações, os EUA foram formados pelos pobres que fugiram da Europa, por isso os Ricos dos EUA são recentes e nas bases ideológicas dos EUA anda tens os princípios que os pensadores de uma sociedade melhor sempre defenderam, já os encontras na Revolução Francesa; e os EUA preocuparam-se muito em desenvolver regras que limitavam o crescimento da desigualdade, que promoviam a redistribuição de riqueza, sobretudo após a crise de 1930.

Claro! Regras inerentes ao sistema capitalista que promoviam a distribuição de riqueza pelo próprio sistema, nomeadamente a distribuição de dividendos nas sociedades por acções ou a participação dos empregados na empresa, uma prática muito comum nos EUA; e, antes da globalização, obrigavam as empresas que se tornassem grandes demais a cindirem-se. O que aconteceu é que deixaram os mecanismos de supervisão nas mãos dos financeiros e estes destruíram e perverteram tudo através da especulação financeira.

Pois... e ficaram estupidamente ricos! É isso mesmo que eu te estou a dizer...

Fiquei um pouco baralhado... que quer ele dizer afinal? Resolvo fazer um ponto da situação: - Então a tua ideia é a de que a classe média europeia, que é uma sociedade dominada há muitas gerações por uma casta de Ricos, foi criada apenas para fazer frente ao comunismo e que agora que o perigo comunista desapareceu deixou de ter utilidade para os Ricos e vai desaparecer? Vamos voltar a ser uma sociedade de Ricos e Miseráveis?

Sim. O vosso PCP sempre percebeu isso, por isso é que se manteve fiel às suas raízes, sabe muito bem que a Europa voltará a ser o que sempre foi, uma coutada dos Ricos.

Sabes, não é isso que eu penso; eu penso que se está a construir uma sociedade global e que portanto muitas das coisas a que estávamos habituados em termos de país perdem o sentido, não têm lugar numa sociedade global; o que está a acontecer é essa transformação, apenas isso.

Seria bom... mas há um problema... neste sistema em que cada um trata dos seus interesses ganha sempre o mais forte, ou seja, o mais rico; a perversão de que falas não foi um erro, um acidente de percurso; enquanto existir a mentalidade de cada um por isso, faças as regras que fizeres elas serão sempre pervertidas.

Eu tenho muita confiança na Democracia. Se a maioria das pessoas se sentir a empobrecer, votará em políticos que lutem contra esta situação; e eles aparecerão certamente, porque quem ambiciona o poder defende sempre a ideologia que lhe dá acesso a ele; foi o que o Hitler fez.

Sim... – um sorriso maroto elevou os cantos da boca do Hans – quem quer o Poder defende sempre a ideologia que lhe dá acesso a ele... foi exactamente isso que os Ricos fizeram e estão a fazer na Europa...

Fizeram como? A Europa é uma democracia, logo comandada pelas maiorias, não pelas minorias!!

Ai meu Deus – desabafou o Hans, com aquele ar de desalento que se tem perante um ignorante sem remissão – como tu estás enganado!! Ainda não percebeste quem manda na Europa?

A... Merkel...

Claro! Na Europa manda quem ganhar as eleições alemãs! Para ter o poder na Europa basta controlar a classe média alemã; não estás a ver? Na Europa, o poder político depende de apenas 10% dos seus cidadãos.

Não é assim tão simples – ripostei indignado – Se os governos dos vários países não conseguirem segurar as suas classes médias perderão as eleições! – disse, com ar de quem sabe do que fala. A minha segurança desmoronou-se de imediato perante a gargalhada do Hans.

E onde é que os países têm governo?! Um governo só o é se tiver poder; e só há duas maneiras de ter poder: por via militar e por via económica. Ora a via militar está fora de questão e a via económica... já não depende dos governos! Os governos não têm poder! E rematou com outra gargalhada.

Estás a referir-te aos estatutos de BCE? Tinha de ser assim, para que o sistema financeiro europeu não ficasse dependente dos interesses particulares de cada país! Como é que querias caminhar para uma globalização com um sistema financeiro ao sabor dos interesses de cada país?? Com esta senti que marquei pontos na discussão. O Hans ficou subitamente sério. Quase agressivo, respondeu:

Tu já reparaste bem na enormidade do que acabas de dizer? O sistema financeiro ficaria dependente dos interesses de cada país??? Claro!!! Ficaria dependente dos interesses da maioria das pessoas! É isso a democracia!! Por esse raciocínio também podíamos acabar com a ONU e entregar o mundo aos EUA, ou acabar com as eleições em cada país. Ou tornar os militares independentes do poder político, porque não?
O que se passa na Europa é que o poder foi totalmente entregue aos Ricos, tornou-se independente do voto dos cidadãos. Quem manda na Europa são os grandes financeiros porque os cidadãos europeus não têm qualquer espécie de poder sobre eles, o seu voto é totalmente inútil. Pior: agora, a supervisão dos financeiros passou inteiramente para eles, tornaram-se intocáveis!

A teimosia impedia-me de concordar com o Hans; tentei encontrar argumentação contrária - Não estou nada de acordo contigo; em Portugal, por exemplo, é diferente ter um governo PSD ou PS – disse, inseguro a lembrar-me do Seguro... O Hans poupou-me agora à gargalhada e com ar paternalista “esclareceu-me”:

Em Portugal, quem manda é a troika, ou os patrões da troika, os governantes são meros executantes das decisões deles; e é indiferente o governo ser PS ou PSD. Os eleitores têm uma única opção: ou votam na submissão ao poder dos Ricos ou votam pela saída do Euro. Mas como as pessoas têm horror à mudança, é garantido que continuarão no Euro, a caminho da miséria total.

Acho esse panorama muito negro; afinal os países europeus são Estados Sociais e é intrínseco ao Estado Social a melhoria das condições de vida de toda a população; basta pôr os olhos na Dinamarca que se transformou num dos países mais ricos do mundo sem dispor de quaisquer recursos... mesmo a Troika diz que se quisermos ter um Estado Social isso é uma opção nossa... Na cara do Hans li imediatamente um “Meu Deus dai-me paciência”. Com toda a calma disse: Pede-me outra imperial por favor, tu secas-me a garganta... eu já te explico o que é o Estado Social da tua Troika.

(continua)

34 comentários:

vbm disse...

«Um governo só o é se tiver poder; e só há duas maneiras de ter poder: por via militar e por via económica.»
_______________________________________

Um justo, por verdadeiro, enunciado.

E discordo que a via militar esteja «fora de questão», embora concorde que a via económica está sempre em questão.

Se tivesse qualidades suficientes de teorizador, deduziria daquele princípio toda uma explicação política da história e das sociedades...

A classe média está na verdade a sofrer o maior ataque em Portugal, desde 1939, ano em que a guerra na Europa favoreceu o desenvolvimento da indústria e dos negócios em Portugal

vbm disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
vbm disse...

(continuação)

[por inadevertido click,
saiu a edição do texto acima, incompleto.]

Não me parece, contudo, que os Portugueses de baixo e médio rendimento não venham a reagir com pertinência e eficácia ao clamoroso esbulho de que estão a ser vítimas. De algum modo, já estão a fazê-lo, e com sucesso. É o caso com a economia paralela a crescer uns dez por cento do PIB, de vinte para trinta por cento; e o da diáspora emigratória que acelerou para várias dezenas de homens / ano.

Não só o país, a Europa também, serão ambos forçados a actuar colectivamente para o aumento da produtividade, e a redistribuir o rendimento em correlação positiva com o enriquecimento da sociedade.

Esta é a lógica da via económica. Se obstruída, a tal via «fora de questão» reemerge qual "arma de Bogart"!

vbm disse...

Correcção:- diáspora emigratória, sim, mas de várias dezenas de milhares de homens/ano.

alf disse...

vbm

Sabes, acho que podemos falar de duas economias paralelas: a dos ricos e a da classe média. Os ricos fogem completamente aos impostos, põem a sede das empresas em paraísos fiscais, ou fazem lavagem de dinheiro. E ficam impunes - mesmo quando apanhados na lavagem de dinheiro, o que lhes acontece é... pagarem 7% ao fisco!!!

Estes últimos anos têm sido o auge da economia paralela dos ricos; agora começa a ser a da classe média.Que futurologia podemos fazer sobre isto? A minha intuição não prevê nada de bom, este é quadro típico do pré-colapso das civilizações

alf disse...

vbm

Nem de propósito! vê este vídeo

http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2012/12/um-conto-de-fadas.html

Paulo Monteiro disse...

Muito interessante esta ideia de que a classe média foi apenas um aliciante para os povos. Um engodo e os povos morderam o isco. Na verdade, a maior parte das pessoas esqueceu as suas origens, (a pobreza, a mão-de-obra) e deixou-se tentar pela ilusão de poder aspirar à riqueza. A classe média até pode ter durado a vida inteira de muitas pessoas, mas em termos existênciais, históricos, absolutos, não durou mais que um dia, se tanto. Talvez algumas horas apenas. Agora que não existe ameaça comunista, que o socialismo foi liberalizado, que as pessoas esvaziaram-se de ideais e consciência política, social e histórica, que "se provou que o comunismo não funciona", não passa de um estigma, uma ideia velha, ultrapassada e utópica, agora que o monopólio se reforçou tanto, toda a gente é de novo chutada para a pobreza. E quem não tiver emprego, não encaixar de alguma forma no sistema, não se virar como diz o brasileiro, é considerado "lixo social". Já não haverá mais Estado social para cuidar delas. A extrema direita floresce novamente nas sociedades em crise e faz o trabalho sujo da plutocracia. O preconceito com a esquerda e com os chamados "teóricos da conspiração" (tudo que saia da norma daquilo que querem que pensemos é rotulado de teoria da conspiração) vai lentamente acabar (ou então imigro mesmo perante tamanha estupidez!). Deixo aqui um link de uma entrevista com uma ex-ministra Finlandesa.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=0rLbXz8uaJo

Já tenho ouvido falar em planos de redução da população e é sobre isso que ela fala na entrevista. Não temos consciência em Portugal, mas nos Estados Unidos isso já vem sendo muito falado. É um absurdo, as pessoas têm de acordar. Quem estiver a mais, quem não pertencer à elite ou aos criados da elite, não tem lugar no mundo que eles acham ser seu. Incrível.

alf disse...

Paulo Monteiro.

É isso mesmo que penso.

Quanto à senhora filandesa, penso que o plano de redução da população não é bem assim nem passa por vacinas. As gripes foram apenas mais uma negociata das farmaceuticas, apenas uma entre muitas - a do colesterol é outra, a da vacina dita para o cancro do colo do útero é outra. Farmaceuticas e militares andam sempre a inventar maneiras de chularem os erários públicos

A ideia da redução da população é antiga e baseia-se na ideia de que as pessoas menos bem sucedidas financeiramente ou com comportamentos fora do mainstream serão inferiores e por isso, numa ótica de criação de gado, devem ser eliminadas para apuramento da espécie; e os nórdicos nem podem falar muito do assunto pois foram grandes defensores disso. Esterilizações forçadas fizeram-se em vários países europeus e nos EUA, e em alguns até à segunda metade do século XX - nomeadamente na Suécia.

Essa visão continua ativa, mas agora, na minha opinião segue outra via, a que os israelitas tentam aplicar na palestina: se se condenar as pessoas à pobreza e à desesperança, elas deixam de se reproduzir, não têm condições para ter filhos. Basta que se dê fácil acesso a preservativos e contraceptivos. Para eles, isto é um processo "natural" de impedir que os "falhados" se reproduzam.

É por isso que a população portuguesa está a diminuir - há demasiada pobreza.

A única coisa que os assusta é que os muçulmanos reproduzem-se, tenham ou não dinheiro; e em vez de caminharmos para um mundo controlado pelos Ricos, corremos o risco de caminhar para um mundo muçulmano. Claro que os judeus tb se reproduzem tanto quanto podem, e eles são a generalidade dos ricos, mas os muçulmanos são muito mais.

Por isso, para tornar eficiente o processo de eliminação dos falhados, primeiro é preciso controlar a "ameaça" muçulmana.

Coitados dos Ricos, ainda agora se viram livres dos comunas e já estão a braços com outro problema, os muçulmanos! Ai, a trabalheira que dá conseguirem uma sociedade à sua medida...

Carlos disse...

Caro alf
“O comunismo nasce para combater o poder absoluto e esclavagista dos Ricos ...”
Só, e com muita boa vontade, num caso. Não merece esse estatuto.
O comunismo, o fim utópico do socialismo e social democracia, só “existiu” para iludir as massas que não conhecem a natureza humana.
O socialismo, que foi o que existiu na ex-URSS, só foi possível porque os ricos assim o quiseram.

“... a única maneira de conseguir travar o avanço do comunismo era deixar os povos melhorarem as suas condições de vida ...”
Concordo. É a única forma de evitar qualquer regime ditatorial/totalitário.

Quanto à revolução Francesa, como alguém disse, foi uma orgia de barbárie.

Nas revoluções, até hoje, a única coisa que mudou, e nem sempre na totalidade, foram os senhores.
Até porque foram fomentadas, financiadas, etc, pelos que aspiravam a se tornarem nos novos senhores, ou para porem no poder os seus lacaios. Como exemplo, que vem a talhe de foice, a Rússia e o czar e a implementação do socialismo, em que banqueiros e companhia, ganharam rios de dinheiro. O czar opunha-se fortemente a eles.

Paulo Monteiro disse...

Pois Alf, hoje o "inimigo" da extrema-direita por essa Europa fora são os muçulmanos. Não quer dizer que andem a abraçar judeus, negros, asiáticos e homossexuais, mas muita extrema-direita está bastante resignada em relação a estes hoje em dia. A grande ameaça no entender da extrema-direita hoje são os muçulmanos. Vi um documentário que mostrava um rabino norte-americano a discursar numa manifestação da English Defence League contra a "ameaça muçulmana". Em Israel começam a ser normais as visitas de líderes de extrema-direita europeia. Os sionistas israelitas dizem que é preciso esquecer o passado, e que o importante é que esses líderes apoiam a luta contra os muçulmanos. E o Estado de Israel é outro embuste. Convém lembrar que muitos sionistas financiaram Hitler e que mesmo nas altas patentes Nazis existiam alguns sionistas. O holocausto Nazi justificou a criação do estado de Israel. Baseados no que diz a bíblia reclamaram aquele pedaço de terra. Acontece que a maior parte dos judeus sionistas não têm qualquer ligação àquela terra. São europeus. Não são sequer semitas. E os que são não vêm no topo da lista dos direitos para o Estado de Israel, que definiu uma hierarquia de direitos muito clara com base nas origens de cada um, em que os palestinianos vêm por último.

Paulo Monteiro disse...

http://www.mirror.co.uk/news/uk-news/pmqs-david-cameron-tries-to-make-1497959

Soa familiar esta notícia. Parece que os Ingleses também têm Jonets.

alf disse...

Carlos

O ser humano age sempre em função dos seus interesses; esses interesses variam de pessoa para pessoa mas há sempre muita gente cujo interesse é o poder máximo ou a riqueza máxima. A ciência política é conseguir um sistema capaz de aproveitar estas pessoas em benefício da sociedade mas controlar os seus excessos. E isso exige um sistema dinâmico porque a cada regra que se introduz para as controlar elas respondem com uma nova maneira de a ultrapassar. Em termos militares, é a chamada luta entre o escudo e a espada, as armas de defesa e de ataque.

O comunismo nasceu suportado na profunda miséria em que as pessoas viviam; depois fracassou em muitos aspectos, tal como o nosso sistema aqui tem sido um fracasso, por falta de controlo, fiscalização. Nós não somos comunistas mas o nosso sistema político tem sido um desastre, tem vindo a alimentar todo o tipo de corrupção em todos os níveis sociais. O comunismo russo, apesar de tudo, funcionou melhor.

Note que eu não sou comunista.

Em resumo, as grandes mudanças, mais ou menos revolucionárias, nasceram suportadas nas condições miseráveis do povo e da sua exploração pela classe dos mais ricos.

Continuamos sem saber como resolver este problema de organizar a sociedade por forma a recriar uma versão terrestre dum paraíso, mas temos de continuar à procura, não podemos conformarmo-nos com uma situação de exploração dos pobres pelos ricos. E sabemos que isso é possível, porque tem-se conseguido isso temporariamente, aqui e ali.

A ameaça de revolução tem uma vantagem - ameaça os interesses dos ricos e torna vantajoso para eles reduzirem a exploração. Não é preciso fazer a revolução, basta produzir uma ameaça credível.

Note que eu tb não sou nada a favor de revoluções; mas não fico de braços cruzados perante uma situação de exploração. A maior parte das pessoas que estão bem fica quieta, porque é isso que lhe convém. A classe média daqui só se mexe quando os seus interesses directos são afectados e está-se na tintas, em termos médios, qd isso não lhe acontece, aconteça o que que acontecer aos outros. Os Ricos não são piores do que os outros, isto é tudo simplesmente a natureza humana. O que não serve de desculpa para não encontrarmos forma de aproveitarmos as vantagens da nossa natureza e lhe controlarmos as desvantagens.

alf disse...

Paulo Monteiro

penso que um grande problema é haver muita gente que pensa que há os bons e os maus e que os de "cima" são melhores do que os de "baixo". Não é verdade, as pessoas são todas iguais (em termos médios) e quanto mais poder têm, mais dele tiram proveito pessoal; por isso, os de "cima" fazem mais mal do que os de "baixo" - simplesmente porque podem. Mas muita gente pensa exactamente o contrário - que os cima, como podem mais, fazem mais bem. É um erro crasso.

Sabe que aqui há uns anos (poucos), um fundo nacional que financia a investigação em Portugal recusou o financiamento a um projecto que se destinava a determinar as origens genéticas dos judeus daqui? é que houve uma altura em que se podia ser judeu por conversão... e essas coisas não se convém saber...

Por exemplo, há muito tempo que se sabe que há juizes que mantêm pessoas na cadeia até que lhes paguem o que eles querem; limitou-se a prisão preventiva já por causa disso; há juizes que foram apanhados até com a mala de dinheiro em cima da secretária; mas isso fica tudo abafado no MP porque, está-se a ver, não se pode por em causa a credibilidade dos juizes, porque o nosso sistema assenta nessa coisa estúpida e errada, a ideia de que certas classes são melhores do que outras.

alf disse...

Paulo Monteiro

Penso que a posiçao do PM inglês é muito diferente da da Jonet ( e imensa gente cá que concorda com ela). Ele diz que a caridade não é solução. Eu entendo - é como os bombeiros, ou a proteção civil, é preciso haver capacidade de ocorrer a estes problemas quando eles acontecem, mas sempre que acontecem revelam um falhanço da sociedade que urge corrigir. Isso não impede que apreciemos o trabalho dos bombeiros ou das pessoas que ocorrem a estas situações e é isso que ele faz, ele manifesta o seu apreço pelas pessoas, não pela situação.

Carlos disse...

Um livro que explica muitas das artimanhas usadas no Canadá, que são semelhantes às que são usadas por cá. Diria mesmo da nossa actual ditadura económica.
Behind Closed Doors de Linda McQuaig
Penguin Books 1988

How The Rich Won Control of Canada`s Tax System... And Ended Up Richer

How the System Works... Against You

“in every community, those who feel the burdens of taxation are naturally prone to relieve themselves from it if they can. One class struggles to throw the burden off its shoulders. If they succeed, of course, it must fall upon others. They also, in turn, labour to get rid of it and finally the load falls upon those who will not, or cannot, make a successful effort for relief.... This is in general a one-sided struggle, in which the rich only engage and... in which the poor always go to wall.”
-- Attorney James C. Carter in an 1895 address to the U.S. Supreme Court

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“It is a question of creating one great European Economic State…The new Europe will either be socialist or it will not exist at all.”!
“When challenged about his motives for saying this, Vladimir Bukovski replied,..”
“I am neither from the revolutionary camp, nor from the reactionary camp - I am from the concentration camp.”

“The feminist Simone de Beauvoir, self-proclaimed defender of the weak and the oppressed, once said to Bukovski:
"You do not have the right, Sir, to destroy the illusions of the young people who expect so much from socialism!".” “ You do not have the right, Sir, to destroy the illusions...” Well, well...

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“O comunismo russo, apesar de tudo, funcionou melhor.”
É verdade. Um sistema altruísta sem paralelo na história humana. Fartou-se de distribuir...
miséria. lol. Vá lá não seja pirata comigo. Lol

“Em resumo, as grandes mudanças, mais ou menos revolucionárias, nasceram suportadas nas condições miseráveis do povo e da sua exploração pela classe dos mais ricos.”
Sim é mais ou menos verdade. Mas depois, surgiu o aproveitamento de muitos poderosos, para ocuparem os lugares dos outros que lá estavam. Temos exemplos actuais, Iraque, Líbia, etc.

“Continuamos sem saber como resolver este problema de organizar a sociedade por forma a recriar uma versão terrestre dum paraíso, ...”
Uma sociedade com um, digamos, bom nível de justiça é possível, desde que haja vontade e com intervenção da maioria da sociedade.

“...mas temos de continuar à procura, não podemos conformarmo-nos com uma situação de exploração dos pobres pelos ricos.”
Concordo. Devemos opor-nos a qualquer tipo de exploração de pessoas, independentemente do seu estatuto económico.

Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos disse...

“...há sempre muita gente cujo interesse é o poder máximo ou a riqueza máxima.”
É um comportamento patológico.
Só que neste caso é idolatrado. Não tanto o comportamento, mas o produto, o resultado, o efeito, o estatuto, desse comportamento. O que tb não é lá muito saudável... lol

vbm disse...

«é que houve uma altura em que se podia ser judeu por conversão... e essas coisas não se convém saber...»
____________________________________________

Agora já não me lembro onde li um artigo muito interessante sobre esse imenso equívoco da «diáspora» dos judeus! Algo estudado por historiadores israelitas contemporâneos, mas silenciados por conveniência política do Estado de Israel.

O caso é que o judaísmo, como o cristianismo, e o Islão também, é uma religião de prosélitos! Como tal aceita convertidos.

É verdade que houve migrações de judeus da Palestina - nome atribuido à Judeia, depois do arrasamento de Jerusalém por Tito, e no tempo do imperador Adriano (c. 130 d.c.) -, para os actuais Egipto, Etiópia, Itália, Rússia, Espanha, Marrocos, mas apenas de algumas centenas de famílias. O demais volume é de convertidos, e não apenas de crescimento demográfico.

De modo que, estou em crer que os geneticamnente verdadeiros judeus da actualidade são precisamente os árabes da Palestina que os 'imigrantes' supostamente judeus, se afadigam a dizimar tanto quanto podem!

Ironias da história :)

vbm disse...

Já sei onde li a tese 'reprimida' dos novos historiadores de Israel: foi num artigo do "le Monde Diplomatique". Editei um apontamento sobre isso numa pequena sequência de posts no blog do "Conversas de Xaxa", aqui: diáspora judaica

Diogo disse...

O meu Blogue já está arranjado. Be Welcome!

Diogo disse...

Também já escrevi sobre isso:

Quando e como é que o povo judeu foi inventado

vbm disse...

Excelente, Diogo!

Vou ler e guardar esse trabalho.
Por mim, quando li isso no Le Monde,
fiquei deveras iluminado!

No entanto, reconheço, o engenho da educação dos que nascem e crescem nas comunidades judias, particularmente a exigência de cada um, por livre que seja de estudar e vir a ser o que quiser segundo a sua vocação, aprender e adquirir uma aptidão prática que lhe permita sobreviver em qualquer sociedade estrangeira... é, verdadeiramente, "dinheiro em caixa" que cada um transporta consigo e com que atravessa todas as fronteiras!

Carlos disse...

Um 2013 cheio de coisas boas.

alf disse...

Olá a todos, espero que tenham entrado muito bem em 2013 e que este ano seja... delicioso, encantador e sobretudo luminoso, pelo menos dentro das nossas cabeças - "faça-se luz".

alf disse...

Só uma nota a respeito do mito judeu: também neste caso a Ciência foi usada para alimentar o mito, porque a Ciência depende de financiamento e as propostas para se estudar as origens genéticas de grupos de judeus convertidos, como os portugueses, são sempre chumbadas. É a mesma técnica que se usou com a teoria do aquecimento global. É a mesma técnica que se usa na cultura quando interessa passar uma mensagem qualquer (muito usado nos EUA e UK, embora a força da iniciativa privada nesses países dê alguma independência ao campo cultural)

Semisovereign People at Large disse...

Só uma nota a respeito do maluco de serviço

É a mesma técnica que se usou com a teoria do aquecimento global....sim aqui e no rio anda um briol....

já lord kelvin sabia que há moléculas que absorvem mais num dado espectro que...etc

taNto macho alf... disse...

inganei-me és outro alf...

nã és o mesmo maluco de 2010...

és outro...aparentemente

alf disse...

vbm

Dizes que "o engenho da educação dos que nascem e crescem nas comunidades judias, particularmente a exigência de cada um, por livre que seja de estudar e vir a ser o que quiser segundo a sua vocação, aprender e adquirir uma aptidão prática que lhe permita sobreviver em qualquer sociedade estrangeira... é, verdadeiramente, "dinheiro em caixa" que cada um transporta consigo e com que atravessa todas as fronteiras!"

Dizes muito bem, mas agora interessa perceber porque é que é assim.

Em minha opinião, os judeus são extremamente solidários - um judeu pode ir para qq parte do mundo e chegar lá de mãos a abanar que logo a comunidade local lhe providencia emprego, alojamento, etc. Esta solidariedade alimenta-se do mito da sua origem especial.

Mas a solidariedade implica tb responsabilidade - a responsabilidade de ser capaz de ser solidário; e isso obriga uma pessoa a estar preparada para tal.

Portanto, a chave do sucesso dos judeus é a sua solidariedade

A solidariedade consegue-se qd as pessoas percebem que têm um inimigo comum e que só unindo esforços conseguem vencer - consegue-se quando as pessoas percebem que lhes é vantajoso ser solidário em vez de ser predador.

Os Dinamarqueses também conseguiram isso, depois de séculos a levar na cabeça de seus vizinhos. Os americanos estão constantemente a inventar um inimigo, sabem que isso é indispensável à solidariedade, pelo menos enquanto as pessoas não aprenderem a conhecer-se melhor - coisa que em que eles estão também a trabalhar ativamente nas escolas.

E isto leva-me à raiz do nosso falhanço atual, que apresentarei no próximo post

alf disse...

Carlos

Dizes muito bem que:
"Só que neste caso é idolatrado. Não tanto o comportamento, mas o produto, o resultado, o efeito, o estatuto, desse comportamento. O que tb não é lá muito saudável..."

exactamente - ser "predador" é idolatrado. Uma sociedade de predadores é a que convém aos mais ricos, por isso promovem essa cultura e desdenham das ideias de solidariedade, que substituem pela "caridade"

alf disse...

Semisovereign etc

Não sei bem do que está a falar; mas devo dizer que não discuto crenças, apresento factos e busco explicações lógicas e consistentes com os factos. De acordo com a teoria do aquecimento global, o Terreiro do Paço já devia estar debaixo de água... e para aí 1m debaixo de água.

vbm disse...

alf,

É verdade, auto-governar-se é uma ilusão sem uma sociabilidade, solidária, mínima que seja.

Paulo Monteiro disse...

Olá a todos novamente! Um bom ano para todos e que as nossas consciências se possam iluminar cada vez mais.

Em relação aos Judeus o que aconteceu a dada altura da história foi o seguinte: Existiu um Império situado entre o Médio Oriente e a Europa chamado de Império Cazar. O povo daquele Império era pagão. No entanto, a dada altura, o Imperador Cazar decidiu proclamar o Judaísmo como a religião oficial do Império e então houve uma conversão massiva ao Judaísmo naquela zona. Uma das razões para esta decisão pode ter-se prendido com o facto de aquela zona do globo estar naquela altura entalada pelo Islamismo abaixo (Médio Oriente) e pelo Cristianismo acima (Europa), e como o Alf diz, por vezes para haver solidariedade de um povo é preciso que haja um inimigo e uma identidade própria que o distinta desse inimigo. A verdade é que naquela altura invasões e guerras eram mais comuns que hoje, e aquele povo sem uma fé diferente que os unisse, corria o risco de se deixar agregar facilmente por uma ou outra parte.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cazares

Quando este Império se desmoronou, deu-se um êxodo daquele povo (Judeus) para o resto da Europa. No entanto ele deu-se daquela zona do globo terrestre e não de Israel. Ou seja, os judeus Europeus e Norte-Americanos, não têm nenhuma ligação histórica e familiar à "terra prometida", não são sequer semitas. Judaísmo é uma religião, logo a palavra Judeu define a crença de uma pessoa e não uma raça. Os "verdadeiros" Judeus, os primeiros, são árabes, claro, semitas. E como o VBM diz, muito provavelmente haverá Palestinianos que descendem deles. O Estado de Israel é pois um embuste, e a principal justificação para a sua criação foi o holocausto. Hitler foi financiado por sionistas que não quiseram saber de forma nenhuma dos outros judeus pois havia um objectivo a atingir. É incrível pensar como as Nações Unidas decidiram retirar um povo da sua terra para oferece-la a outro povo. É incrível pensar como uma coisa destas pôde ser legitimada e encarada com naturalidade institucionalmente ao mais alto nível.

alf disse...

Paulo Monteiro

Muito interessante mesmo. Obrigado.

alf disse...

vbm

pois é... por um lado, temos de assegurar alguma autosuficiência, por outro não podemos fechar-nos nela.