segunda-feira, novembro 19, 2012

Peluches de Oleiros



Fico muito impressionado com a história da fábrica de peluches de Oleiros; ela retrata bem o nosso atraso.

Quando um empresário monta uma fábrica num país estrangeiro onde não tem mercado, na busca da redução de custos, há uma coisa que ele tem de acautelar: o saber-fazer.

Se ele não se acautelar, logo aparecerá quem fabrique o mesmo que ele e estabeleça concorrência.

Hoje, estas situações são definidas à partida em todo o Mundo. Os países aceitam fábricas estrangeiras na condição de a controlarem suficientemente (normalmente detendo metade do capital), de elas terem um prazo de saída que é fixado logo no inicio (a Volkswagen tem de sair da China até 2030, se não estou em erro), e de deixarem ficar as instalações operacionais.

A condição de os países hospedeiros terem controlo da empresa tem 3 objectivos: um é evitar que essas empresas desenvolvam políticas de esmagamento da mão-de-obra, fomento do desemprego, etc, conducentes a manter baixos os seus custos, outro é recuperação de parte dos lucros, e o terceiro é garantir a transferência de saber-fazer.

Em troca, esses países não desenvolvem concorrência até ao fim do prazo acordado a não ser de forma limitada. É por isso que os chineses não vão exportar carros para o ocidente até 2030.

No caso da fábrica de Oleiros, não é por acaso que ela foi para um sítio no “fim do mundo” em vez de ir para os arredores de Lisboa, onde teria menores custos de funcionamento – estas fábricas procuram lugares isolados para minimizar os riscos de concorrência. A fábrica estava “escondida” em Oleiros mas agora foi “descoberta”; os riscos disso, associados aos custos relativamente altos de funcionamento ditam a necessidade de se ir esconder para outro lado (e também pode ser que a Merkel não tenha gostado das conversas acerca de o peluche ser feito em Portugal e mandado a fábrica sair de cá; há que educar os inferiores, ensiná-los que não podem mandar bocas ao chefe)

A fábrica de Oleiros vai ser abandonada? Há um lado positivo nisso!

Com certeza que ao fim de tantos anos, numa actividade com tanta componente manual, já haverá pessoas com conhecimentos para dar continuidade à actividade de fabricar peluches de qualidade!!!

O que há a fazer é isso. Não é o que os chineses fariam?

Claro que a maior componente do valor dos peluches não é o seu fabrico, é o marketing; bom, mas aproveitemos o que temos e talvez sejamos capazes de dar a volta por cima. O presidente da câmara já analisou essa possibilidade? Deve haver cá empresários nacionais do ramo, ou de ramos próximos, como o calçado, que podem ver aí uma oportunidade de negócio.

Aqui, estou de acordo com o Passos Coelho; estas coisas são oportunidades. Essa fábrica, ao sair, liberta saber-fazer; e isso é valioso. Aproveitá-lo não será fácil mas é o que há a fazer. Ela não ia lá ficar para sempre, não é verdade?

21 comentários:

UFO disse...

Devíamos caprichar na bofetada à Merkel e entregar-lhe em mão um ursinho caprichado com a águia prussiana.
Fazer um filme e enviar ao prof martelo para ele aprender.

Paulo Monteiro disse...

"Temos a indicação que a empresa pode ser deslocalizada em Janeiro ou Fevereiro de 2013, mas já avisei o grupo de que não vamos permitir a saída das máquinas", referiu o presidente do município [de Oleiros]." Nao sei se já tinhas lido isto, mas parece que se estao a defender da saída da empresa. A minha namorada trabalhava numa fábrica alema que também se mudou, recentemente, para a Bulgária. Será que com a chegada do FMI e da austeridade estas empresas optaram por encerrar fábricas para depois as reabrir posteriormente cá, com novos contratos depois da deterioraçao dos direitos dos trabalhadores levada a cabo pela austeridade, contribuindo ao mesmo tempo para o declinio do Estado Social ao deixar mais desempregados na mao do Estado, o que ainda justifica mais austeridade que provoca recessao? Poderá ser uma acçao concertada por parte da plutocracia alema?

Paulo Monteiro disse...
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Paulo Monteiro disse...

Ainda nao li o texto que me aconselhaste, sobre as raízes do imperialismo alemao, mas já coloquei nos favoritos.

alf disse...

UFO

A Merkel faz o papel dela no quadro estabelecida; ou pode ser uma megera mas isso é irrelevante. O importante é que nós temos de ser capazes de enfrentar a situação - qualquer situação, esta ou outra. É essa capacidade que dá aos povos o direito de o serem.

Fomos apanhados nesta situação com uma estrutura corrupta de cima abaixo, o que diminui a nossa capacidade de resposta; mas isso também não é um acaso, apenas os povos minados pela corrupção são apanhados em problemas destes (os nórdicos não o são com certeza). E não é também uma catástrofe, é antes uma oportunidade - sem isto continuaremos no caminho da corrupção crescente.

basicamente, ou nos reinventamos ou morremos

alf disse...

Paulo Monteiro

Uma fábrica só se instala num país por 3 razões:
1 - porque tem um dono e o dono é desse país
2 - porque fabrica para o mercado interno desse país
3 - porque é onde tem custos mais baixos

Agora diz-me: as fábricas que cá estão apenas pela razão 3, porque razão hão de continuar cá se encontrarem alternativas mais baratas?

As alternativas mais baratas atualmente são os países de leste europeu, onde podem instalar-se sem cumprir os requisitos que enumero no post e que são exigidos por qq país fora da europa; por isso, com certeza que vão para a Bulgária, Roménia, Polónia.

Porém, numa visão de longo prazo, o local onde se podem minimizar os custos é no sul da europa por causa do clima. E se é assim, podes ter a certeza que têm o projecto de criar aqui a recessão que for necessária até conseguirem que as pessoas fiquem no limiar de sobrevivência; e isso é menos de 2 euros por hora no custo do trabalho aqui, enquanto nos países do leste o custo de sobrevivência é mais alto por causa do clima. Por isso é como tu dizes.

Mas não é perca nenhuma essas fábricas irem embora, elas não trazem desenvolvimento, pelo contrário, elas promovem a recessão e o desemprego para minimizarem o custo do trabalho. Só podemos desenvolvermo-nos quando fizermos como fazem todos os países fora da Europa.

alf disse...

Paulo

esse texto é curto, lê-se rápido.

Eu, no entanto, tenho uma explicação diferente, mas que complementa esse texto. Espero apresentá-la em breve

Paulo Monteiro disse...

Já li o texto. Fico á espera da tua explicação. No entanto até achei que esse texto acaba por complementar de certa forma os teus textos do Dr. Jordan. Dizes que o custo de sobrevivência nos paises do sul é mais baixo por causa da matéria prima disponível, maior abundancia de recursos naturais, assim como uma agricultura mais fértil, certo? É essa a relação com o clima?

Paulo Monteiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alf disse...

Paulo Monteiro

A agricultura é mais fácil, é claro, mas nem é isso; os nórdicos têm imensos custos com aquecimento e iluminação; mais os inúmeros dias parados por causa de nevões. Os nossos custos com aquecimento e com água potável são muito inferiores.

Do que se trata é dos custos de sobrevivência individual - quanto é o mínimo que se pode pagar a um trabalhador; em áfrica pode-se pagar 2 ou 3 euros por dia, porque as pessoas podem sobreviver sem electricidade, sem casa, sem água canalizada, e comer fruta de árvores; aqui é preciso um pouco mais; mais a norte é preciso mais ainda.

leprechaun disse...

Recebi agora um mail de um familiar, que tem uma intervenção política ativa, onde ele refere algumas coisas muito interessantes que eu desconhecia e vou tentar aprofundar. Eis os pontos essenciais:

«Mas há uma teoria de Bertrand Russell que tem mais de 50 anos e que se baseia, em termos simples, num rendimento mínimo de sobrevivência para todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, em que esse rendimento fosse controlado nos dias de hoje por um sistema de cartão multibanco, não podendo acumular de um mês para o outro e, a partir daí, o cidadão teria acesso a outros bens ou qualidade de vida se trabalhasse. Muitos dos subsídios actuais desapareceriam. Os dinheiros dos impostos devem ser aplicados na saúde, educação e cultura. O mínimo na defesa do país e hoje não se justifica a actual estrutura militar. A reforma só até determinado limite, e não acumuladas. Menos horas de trabalho para mais tempo de lazer e mais trabalho para mais gente. O próprio sistema parlamentar está em decadência e a democracia directa vem sendo aplicada, embora em grau muito baixo, até porque o direito de cidadania é pouco conhecido e o estado não a respeita, porque mesmo órgãos que criticam a gestão dos governos não têm poder executivo. Há muito mais a dizer, contudo digo-te essa teoria está a ser discutida num grupo secreto do parlamento europeu e foi aplicada, não como a ideia original mas com algumas parecenças, no Brasil, com a bolsa social tutor a muita gente da extrema pobreza; só que o sistema judicial está corrompido e isso é outra questão no actual estado da politica em geral, mas escandalosamente em Portugal.»

Gosto destas ideias, como torná-las reais cá?!

leprechaun disse...

Ainda a propósito do tal rendimento mínimo para todos, descobri um tópico muito interessante onde se explica essa ideia, no blog do Ludwig, Que Treta!

A discussão nos comentários é muito esclarecedora e estou a colocar os pontos principais no meu tópico do ThinkFN:

Rendimento mínimo de sobrevivência

leprechaun disse...

Ena! ando a ficar famoso, não sei é se a fama me vai dar algum rendimento... que eu mal ganho prò sustento! :)

Depois da revista Espaço Aberto me ter convidado para escrever um artigo sobre a moeda alternativa, recebi também a informação sobre um projeto de moeda eletrónica de âmbito comercial que está ser implementada cá.

Logo, há sempre quem vá avançando mais além das ideias e as concretize em realizações práticas... mas eu contento-me com escritas seráficas! :)

Fica ainda mais um novo link para o site de uma organização que integra alguns economistas e se dedica a divulgar o projeto de um rendimento básico garantido... que a mim faz muito sentido!

BIEN

leprechaun disse...

Olhó Porto! :)

Recebi agora um mail a informar-me acerca da existência de um projeto muito recente para a criação de uma moeda alternativa... e aqui no norte!

Trocal Porto

Na semana passada, realizou-se a Oficina da Moeda Alternativa, vou procurar saber o que por lá se passou.

alf disse...

leprechaun

Boa! folgo em ouvir essas notícias.

Agora estou à pressa, depois vou estudar os links que deixaste; para já, queria recordar-te este post

http://outramargem-alf.blogspot.pt/2007/07/mais-sobre-o-sistema-1.html

onde mostro, matematicamente, que se o rendimento médio dos inactivos não exceder metade do rendimento per capita, o sistema de pensões/subsídios/reformas é indefinidamente sustentável,qualquer que seja a relação activos/inactivos

(este post e o seguinte)

Isto é mais ou menos o que se passa na Dinamarca.

Todos os problemas que temos estão já resolvidos pelos nórdicos; a única limitação é que impõe sistemas económicos fechados, ou seja, com imigração controlada. Mas isso já se viu que tem de ser assim, num mundo onde existem zonas sem controlo de natalidade. Não há nenhuma sociedade bem sucedida que não controle e imigração.

Em relação à moeda paralela, ela tem de ser bem pensada para não se tornar apenas num processo de fuga aos impostos - tem de ter o objectivo de desenvolver a produção nacional e contrariar as importações de tudo o que possa ser produzido em Portugal.

Abraço, parabéns e obrigado

leprechaun disse...

Atenção a este documento sensacional, que acabo de ver referido num artigo de um economista brasileiro.

Uma proposta nada modesta.

O referido documento é o Chicago Plan Revisited, um estudo patrocinado pelo Fundo Monetário Internacional, elaborado por dois economistas, o checo Jaromir Benes e o alemão Michael Kumhof. Nele se conclui que:

«This paper revisits the Chicago Plan, a proposal for fundamental monetary reform that was put forward by many leading U.S. economists at the height of the Great Depression. Fisher (1936), in his brilliant summary of the Chicago Plan, claimed that it had four major advantages, ranging from greater macroeconomic stability to much lower debt levels throughout the economy. (...) The critical feature of this model is that the economy’s money supply is created by banks, through debt, rather than being created debt-free by the government.

Our analytical and simulation results fully validate Fisher’s (1936) claims. The Chicago Plan could significantly reduce business cycle volatility caused by rapid changes in banks’ attitudes towards credit risk, it would eliminate bank runs, and it would lead to an instantaneous and large reduction in the levels of both government and private debt. It would accomplish the latter by making government-issued money, which represents equity in the commonwealth rather than debt, the central liquid asset of the economy...»

Isto parece um breakthrough assinalável... uma verdadeira lança no coração bancário!!!

leprechaun disse...

Algo belíssimo e comovente... o futuro sonhado no presente!

The Venus Project

Um veterano da Grande Depressão... e a sua universal visão!

The Venus Project Tours

Num mundo sempre fraterno... onde o amor é eterno! :)

vbm disse...

Estive hoje a ler os tais dois postais de 2007 sobre o Sistema e o debate com o Tarzan, o anónimo-Rodrigo e o leprechaun, mais o marido/mulher trabalhar ou não :).

Parabéns ao alf!

Inicialmente estava reticente por suspeitar ir encontrar "asneiras", e, aliás, ainda hei-de ir ler o blog do Tarzan, que tem razão quando repudiava conclusões extraídas não de um jogo de variáveis causais do respectivo efeito-conclusão, mas apenas de variáveis vagamente correlacionadas com os problemas colocados...

Mas lá fiz a aritmética do cálculo dos enunciados emitidos sobre o rendimento médio da população activa e inactiva de um país — medido em proporção do rendimento per capita da população total —, e só aderi a felicitar o alf, após encontrar o ponto de vista-premissa que o levou a exprimir os rendimentos médios em termos do PIB dado, sem se envolver na grandeza deste e sua variação.

É que o alf parte do princípio que numa sociedade contemporânea o produto, o rendimento anual dado, é aquele que a respectiva população vem de facto produzindo e de que, melhor ou pior, vive. Ele, posteriormente comenta de que depende o produto, mas na exposição do “Sistema” interessou-lhe primeiro ver que proporção de inactivos é sustentável numa sociedade.

Ora, eu felicito-o porque colocou bem as questões.

A produção só minoritariamente depende do factor quantitativo trabalho. Ao contrário da economia clássica e marxista, a riqueza produzida depende: i) dos recursos naturais implicados no produto e, portanto, da fecundidade da própria natureza; ii) da inteligência e do engenho humano acumulado na técnica, organização e civilização alcançada pela sociedade; iii) e por fim, realmente no trabalho produtivo propriamente dito.

Para se apreciar a relatividade deste último, basta comparar a produção, por exemplo, de agulhas por um artesão há 300 anos atrás — talvez uma 20 ou 30 por dia — com a de um operário actual — algumas dezenas de milhar por hora! Ou seja, há 300 anos, o operário trabalhava mesmo para ter uma dúzia de agulhas, quando hoje em dia nem chega a passar um dedo por uma sequer, é um “pestanejar de olhos”!

Por muito que isso custe aos ideólogos marxistas, a produção não é de facto, hoje em dia, uma função do emprego activo, mas o efeito do tal “Sistema” — onde, depois, o alf explicitou quer a importância dos talentos, i.e., a mão-de-obra qualificada acima da média, decisiva para gerar a competitividade, e a importância da inserção no circuito de distribuição da produção, cujo valor, maior o menor, depende da procura, do interesse e utilidade real do produto.

Por esta razão, aceitei o ponto de vista-premissa de não abordar a questão do que depende o PIB, por pretender sim averiguar, dado um produto razoável, qual a distribuição de rendimento auto-sustentável entre as duas classes, a activa e a inactiva-dependente.

A proporção que encontra,— no parâmetro de um desconto para a SS de 0.3 do rendimento —, de ser possível 70% de inactivos serem sustentáveis por 30% de activos, desde que aqueles não aufiram mais de metade do rendimento médio per capita do total da população, não diz, em si, nada de concreto porque não se qualifica se o tal rendimento médio per capita dessa sociedade hipotética é civilizacionalmente apreciável ou não, e se metade desse valor chega ou não para sobreviver.

Mas, o que se pretendia provar é que não é a maior ou menor quantidade de trabalho que determina o produto, mas sim o grau de actualização e competitividade científica e tecnológica atingido pela produção que determina a quantidade e o valor do produto e do trabalho útil que requer, assim como o financiamento que proporciona da ociosidade própria e alheia.

alf disse...

leprechaun

Muito interessantes os teus links... já me fizeram mudar o rumo previsto dos meus postais...

alf disse...

vbm

Ena, que grande elogio! Obrigado.

Uma das coisas que eu quis esclarecer foi que a questão de haver muitos inactivos, muitos "velhos", é uma falsa questão - não interessa quantas pessoas trabalham, o que interessa é a riqueza produzida.

O objectivo do progresso é termos de "trabalhar" menos, e é um disparate a constante argumentação de que há menos gente a trabalhar; o que interessa é se estamos a produzir mais ou menos.

Aumentar a idade da reforma como se está agora a fazer é um disparate porque isso não contribui para aumentar a produção, pelo contrário - para aumentar a produção é preciso é empregar os jovens e reformar os mais velhos.

E é preciso também acabar com o falso emprego, ou seja, as pessoas que nada ou quase nada produzem no seu posto de trabalho, porque isso pesa muito na eficiência; e tal não é drama nenhum se as pessoas puderem deixar o emprego e continuarem a receber uma verba que as não deixe na penúria.

Portanto, perceber que se pode dar pensões e subsídios sem risco desde que a pensão média não ultrapasse o valor indicado é essencial para construir uma sociedade eficiente e feliz.

As contas mostram também que a SS é indefinidamente sustentável enquanto a pensão média for inferior ao rendimento médio per capita - que é o que acontece cá.

Por isso, a SS não tem crise nenhuma, todos aqueles que dizem que vai falir daqui a não sei quantas décadas só estão a dizer asneiras - ou melhor, dizem isso porque sendo a SS um excelente negócio, os privados querem ficar com ele; e porque querem acabar com ela para acabarem com a TSU e assim baixarem o custo do trabalho. Toda a ciência dos economistas liberais parece resumir-se a isso: baixar os custos salariais, ou seja, empobrecer as pessoas.

mas tudo isto é "conversa para camelo" porque os nórdicos sabem isto tudo muito bem, por isso que é têm sociedades eficientes, ricas e felizes, sem crises financeiras e sem desemprego, sem abandono escolar, sem corrupção, etc, etc.

alf disse...

Leprechaun

Ao responder ao vbm lembrei-me de uma coisa: não vale a pena estar a pensar em "projectos Vénus" e coisas assim, com ar muito futurista, logo utópico e irrealizável; e não vale a pena porque essas sociedades já existem, tanto quanto os humanos defeitos o permitem - basta pôr os olhos na Dinamarca.