segunda-feira, janeiro 07, 2008

Educação 3: "Chumbo" versus "Competição"



O “chumbo” nos primeiros anos escolares é algo muito diferente de, por exemplo, o “chumbo” num exame de condução.



Quem faz exame de condução é alguém que tem o objectivo de ter a carta de condução; o jovem estudante, ao contrário, não tem objectivo nenhum deste tipo, está na escola porque a isso é obrigado.



O “chumbo” num exame de condução, ou no fim de um curso profissional, ou de um curso universitário, não tem nenhum efeito de motivação, é apenas uma medida de uma aptidão conseguida ou não pela pessoa. A motivação está no objectivo, não no exame.



O que nos interessa saber é se o recurso ao “chumbo” na escolaridade obrigatória pode contribuir para a motivação dos alunos, ou seja, se a ameaça de “chumbo” permite melhorar o sucesso escolar.



O “chumbo” não é certamente uma recompensa, logo o papel que pode desempenhar é o de “penalização”; e pode fazê-lo de duas formas.



Uma forma é indirecta: é o sinal que é dado aos pais e são estes que verdadeiramente estabelecem a penalização.



Mas atenção: nem todos os pais o fazem. O sucesso escolar em Portugal está fortemente relacionado com a atitude dos pais: têm sucesso os filhos dos pais que fazem disso quase uma questão de vida ou de morte, falham os outros. Portanto, o “chumbo” não é capaz de ultrapassar as insuficiências dos pais, embora seja algo que os pais que se preocupam com o sucesso escolar dos filhos usam nas suas estratégias de motivação.



Mas o “chumbo” também é uma penalização directa para os alunos.



Salta à vista que é uma penalização muito diferente da dor provocada pelo fogo na mão ou a pancada com o jornal no cãozinho: a dor do “chumbo” não passa com o tempo, daí em diante o “chumbado” será sempre um aluno humilhado, os colegas de turma serão mais novos, é uma condenação de vários anos. Portanto, como humilha, é gerador de revolta, e não cumprirá adequadamente a função de informação do Inconsciente porque é uma agressão.



Como é um estigma, gera marginais. Tal como o ostracismo ou a marcação a fogo, que têm exactamente o objectivo de colocar pessoas fora da sociedade.



Note-se que, em parte, esse sempre foi um objectivo do sistema de ensino. Antigamente não se pretendia que todas as pessoas soubessem ler e escrever. O modelo de sociedade era o “formigueiro”, ou seja, é preciso pessoas ignorantes para fazerem trabalhos braçais, e uns quantos, mais sábios, para dirigir. Portanto, o sistema de ensino visava colocar cada um no seu “lugar” na sociedade “formigueiro”, uns como operários, outros como doutores. A ideia de “igualdade de oportunidades” é uma coisa ainda sem sentido, assustadora mesmo, para muita gente.



Portanto, o “chumbo” nos primeiros anos escolares funciona sobretudo como processo de separar os futuros operários dos futuros doutores e não como uma penalização. Notemos ainda o seguinte: para uma criança de 10 anos, um ano é um espaço de tempo subjectivamente tão dilatado como a duração de todo o curso superior quando entrar na universidade. Ora as ameaças perdem força com a distância, como é sabido. O efeito de “penalização” reside mais nas “faltas” e “notas intermédias” do que no “chumbo”.



No nosso sistema de ensino, é na relação professor-aluno que reside sobretudo a motivação para os mais jovens. Consegue bons resultados o professor que é capaz de estabelecer a adequada relação com cada um do seus alunos. Suponho que isto tenha raízes num tempo em que o professor era um Mestre.



Para verem como esta relação é importante posso citar a minha experiência pessoal: tive como professor de Física no antigo segundo ciclo dos liceus o professor Salvador do Carmo. Recordo-me que houve um período em que a nota mínima a Física na minha turma foi 14, num liceu em que essa era a nota máxima nas outras disciplinas; o professor Salvador do Carmo descontava meio valor por cada erro ortográfico, como uma vírgula mal colocada, nas respostas aos testes e dava matéria para além do programa. Era, pois, muito exigente. Sabíamos que era pessoa generosa e não me lembro de ele alguma vez ter dado uma falta de castigo a um aluno, numa época em que isso era trivial. Os outros professores diziam que só estudávamos Física mas não era verdade – a verdade é que saíamos da aula dele de cabeça iluminada e com a matéria já sabida.



Portanto, isto é um resultado possível. Mas não será um resultado ao alcance do comum dos mortais, nem é exigível à generalidade dos professores. Temos de procurar formas de conseguir um resultado destes com professores “normais”, ou seja, profissionais sérios mas não necessariamente “Mestres”.



Quando o sistema de ensino não consegue estabelecer processos de motivação nem existe uma acção social eficaz, o que acontece é que as classes sociais perpetuam-se, os filhos de doutores, doutores serão, os de operários serão operários como os pais.



É o que acontece em Portugal, de uma forma sem paralelo noutros países europeus.



Isto não acontece só por incompetência, acontece porque este é o tipo de sociedade que muitas pessoas querem, daí a falta de uma genuína vontade de mudar.



Qual a diferença civilizacional entre as pessoas que viviam na Península Ibérica há 2000 anos e as que viviam há 200 anos? Muito, muito pequena. E os Amishe pretendem ainda hoje viver numa sociedade completamente estagnada no tempo do seu fundador, não é verdade? O jogo dos interesses individuais conduz as sociedades humanas à estratificação e à estagnação, a evolução surge apenas pela mão de visionários.


Uma sociedade que visa a máxima formação de todas as pessoas é uma sociedade que poderá evoluir muito mais depressa, é o oposto da sociedade estratificada e estagnada. Isto tem uma exigência, porém: todas as actividades terão de ser consideradas igualmente dignas, porque sendo todos “doutores”, um doutor tanto pode trabalhar como juiz ou como homem do lixo.



Há ainda hoje uma alternativa: o homem do lixo é um imigrante. É a persistência da sociedade “formigueiro”, apenas a classe “de baixo” vem de fora por livre vontade.



No primeiro caso temos os países nórdicos, no segundo caso os restantes países do 1º mundo. Os países nórdicos são por isso fechados à imigração, pelo menos à imigração que possa desqualificar empregos.



Hoje não há alternativa à evolução da sociedade, a escola tipo “demónio de Maxwell” a separar "doutores" de "operários" não tem sentido, a única coisa que tem sentido é uma escola que visa a máxima formação para a sociedade do futuro e que, por isso, tem de conseguir a máxima motivação dos alunos.



Este é, portanto, o problema: maximizar a motivação dos alunos! Não é com “chumbos” que vamos lá, nem pode ser com recurso a professores excepcionais.



Sugestões?



Aqui vai uma:



Eu penso que uma boa solução é, como em quase todas as situações, uma solução próxima da realidade, que faça a pessoa enfrentar as consequências dos seus actos.



Um profissional pouco dedicado numa empresa moderna põe em causa o sucesso da empresa e é, por isso, pressionado pelos seus colegas de trabalho; ao jogador de uma equipa amadora que não se esforça acontece-lhe o mesmo; ou seja, qualquer situação em que o resultado se reflecte sobre todos mas depende do esforço de cada um, sem excepção, é altamente motivante, gerando internamente as recompensas e penalizações que maximizam os resultados.



Pode-se criar uma situação análoga nas escolas, pondo as turmas em competição.



Não é verdade que o ranking das escolas fez estas empenharem-se mais? Empenha-se a direcção, empenham-se os professores e empenham-se os próprios alunos. Pois é aplicar a mesma receita, agora ao nível da escola.



Se a as turmas estiverem em competição, cada um sentirá no concreto a relevância do seu esforço; será claro para todos que os que não se esforçam prejudicam os outros e ninguém vai querer ficar com esse ónus; os que se comportam mal nas aulas deixarão de ser uns “heróis”, que enfrentam a autoridade do professor, para passarem a ser alguém que está a prejudicar o esforço colectivo.




O professor passa a ser como o treinador da equipa de andebol, alguém crucial para o sucesso do grupo. Algum aluno se faz de palhaço num treino de andebol? Claro que não! Não é (apenas) por o andebol ser mais interessante que a História, é por o enquadramento ser diferente.




Lembram-se do Harry Potter? Slytherin e Gryffindor? Diz a Wikipedia:

“In the Harry Potter series, Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry is divided into four houses, each bearing the last name of its founder: Godric Gryffindor, Salazar Slytherin, Rowena Ravenclaw and Helga Hufflepuff. The houses compete throughout the school year, by earning and losing points for various events, for the House Cup.”



Isto é não é uma invenção da Rowlings, é uma metodologia há muito usada nos colégios e universidades (Yale, Harvard) dos países de língua Inglesa – com uma diferença importante, não é uma competição entre “bons” e “maus”, é uma competição entre “bons” e “bons”.



Processos deste tipo são usados em empresas de mão-de-obra intensiva; e o que é uma escola senão uma empresa de mão-de-obra intensiva? O “produto”, aqui, é a totalidade de conhecimentos e capacidades adquiridos.


Outras sugestões?

17 comentários:

antonio disse...

"a escola tipo “demónio de Maxwell” a separar "doutores" de "operários" não tem sentido,"

Claro que não, Sócrates chegou a engenheiro saltitando de escola em escola, mais do que se esforçando por ter aproveitamento... com as Universidades tipo Independente qualquer um chega a doutor, logo o percurso pela escolaridade obrigatória é irrelevante.

E pela política chega-se a vice do maior banco privado português! Oh, Alf ninguém está virado para a escolaridade obrigatória… apenas serve para tomar conta dos miúdos enquanto os pais vão trabalhar.

indomável disse...

Alf,

O Antonio não está completamente errado, embora a sua habitual ironia enegreça a verdadeira mensagem que nos deixa.

A solução para o nosso sistema de ensino é tanto um mistério como o é a Area 51 dos EUA. Todos sabemos que existe ali alguma coisa, não sabemos é o quê nem nos deixam lá entrar!

Ministério atrás de ministério lança novos programas, novos objectivos a atingir. De ano para ano os professores têm não só de se inteirar dos novos programas, como de novas legislações e largar a proteger-se, não vão os ministros lembrar-se de os mandar para a rua... O clima de instabilidade dos professores sobrepõe-se à sua vontade de leccionar, o seu amor ao ensino! Quem quer ser professor?

Eu sempre disse que os professores deveriam ser escolhidos a dedo. Deveriam ser feitas entrevistas aos candidatos para saber até que ponto lecccionar é a sua vontade, é o que gostam de fazer. Lidar com crianças não é fácil, mas quando estão motivados são as melhores pessoas do mundo!

Não te consigo dar sugestões mas posso dizer-te quais os meus medos - tenho medo que os meus filhos encontrem professores como alguns colegas que tive que matavam por completo qualquer interesse dos miudos pela sua disciplina. tenho medo que percam a curiosidade pela descoberta. Tenho medo que se contentem com qualquer resposta e que lhes matem o poder de argumentação...

Será que sou só pessimista?

Manuel Rocha disse...

Finalizada a série, o cometário.

As duas primeiras entradas, sem reparos.

A terceira, sinto que "patina".

Ok, a questão é delicada e complexa. A forma como se pode sentir o "chumbo" também variará com a personalidade do chumbado. Este que assina chumbou uma vez e ficou vacinado ( picaram-lhe nos brios...).

Se a competição é uma saída ? Poderá ser. Mas com conta, peso e medida. Afinal nem todos os jogos de andeball acabam empatados e mesmo se assim fosse para haver um vencedor do campeonato terá que haver outros critérios que atirem alfuém para o fim da tabela. Certo ?

Como é que vai reagir ? Eventualmente como o "chumbado" - depende da "personalidade"!

Por outro lado, numa sociedade em que a competição está presente em todo o lado e em que as vitimas há muito deixaram de se poder contar pelos dedos, talvez a cooperação, ela sim, fosse uma mais valia.

Como ?

Aí estou consigo: depende do "mestre" !

alf disse...

Manuel

E chumbou nos primeiros anos ou nos outros? é que há uma diferença, o chumbo nos primeiros anos é que não me parece que faça sentido

No fundo, a escola hoje começa aos 3 anos... não está a imaginar chumbar uma criança de 4 anos, pois não? E uma de 10?

A competição é assunto bem estudado, todas essas dificuldades estão previstas - por isso é que se diz que o importante é competir

O Importante é mesmo não fazer má figura; uma turma pode perder honrosamente! Ficar em último e ter boas notas. E umas vezes ganha-se, outras perde-se, a vida é mesmo assim, os "putos" estão habituados.

Os ingleses têm um sistema de pontos ao longo do ano que serve para manter o entusiasmo da competição.

A cooperação resulta sempre de uma competição. Temos de ter um grupo de pessoas a enfrentar uma dificuldade para que cooperem.

Além disso, o que é preferivel: o culto do individualismo ou do espirito de equipa? É que o sistema actual tem dois graves defeitos: cultiva o individualismo e cria nas pessoas a ideia de que as pessoas são facilmente classificáveis, seriaveis, em valor absoluto.

Cá para mim, parece-me uma boa ideia... embora seja coisa do passado para os ingleses, cá seria uma coisa do futuro eheh

alf disse...

António

Meu caro, essa é também uma realidade da escola. Mas que é preciso mudar não lhe parece?

E eu ainda acrescento outra coisa: a escola cá anda a formar funcionários publicos - pessoas sem qq conhecimento da actividade empresarial.

Em Portugal, com as actuais politicas de trabalho, o qu epode aqcontecer é que os empresarios podem contratar a mão de obra mais barata, ou seja os imigrantes.

Os trabalhadores portugueses só vão ter trabalho para ordenados tão baixos que não interessem ao pais de ordenados mais baixos que pode enviar imigrantes para aqui.

O que já está quase - só há 3 paises com ordenados mais baixos e um não conta, é a roménia, onde esses ordenados baixos são a contar com os ciganos, creio eu.

A flexissegurança funciona bem na Dinamarca porque eles não aceitam imigrantes. Alguém se tem esquecido de referir essa pequena diferença...

Portanto, a unica hipótese da proxima geração é serem empresários. Mas as escola não os prepara para isso... Sabem lá os professores o que é isso de ser empresário!!!

alf disse...

Indomável

Entendo-te perfeitamente. E digo-te: vais ter de estar muito atenta.

Tenho uma sobrinha que quando entrou para a escola já sabia ler (normal, né? nos EUA aprende-se a ler aos 5 anos, lógico!); a meio do ano a professora já a tinha convencido que nada sabia e andava a aprender a letra "j"... fiquei impressionado como um professor consegue estupidificar uma criança...


Tenho outro sobrinho que esteve nos EUA qd tinha 5 e 6 anos. Veio de lá a falar e a escrever inglês; tenho a impressão -a certeza - de que hoje, com 11 anos, ainda escreve melhor em inglÊs do que em portugues

Há escolaas que têm pag na net e montes de actividades extracurriculares; onde os professores aproveitam as inóspitas aulas de 90 minutos para desenvolveram actividades interessantes sobre a matéria; mas há outras, e conheço uma num bairro fino de Lisboa, onde há zero actividades e on deas aulas de 90 minutos são inteiramente preenchidas a dar matéria. Coitados dos miudos, antes o trabalho infantil numa fábrica de calçado...

Por isso, não contes com a escola, conta contigo para abrir as mentes dos teus filhos - a escola não o fará!

Deixa-lhes livros À disposição, fala de temas diversos; pode-te parecer que isso não é importante, mas garanto-te que estarás a semear a cabeça deles. O que tu semeares é que vai fazer a diferença no futuro deles.

Mas não abuses eheh... basta ires alimentando a curiosidade deles...

Rodinsky disse...

Gostei muito, mas parece logico das tuas palavras que o sistema de penalizacao deve ser desagradavel, imediato, e que nao deixe marca. Assim ficamos com um sistema como o americano, em que quem nao faz o trabalho de casa, etc., fica em detencao na escola nesse final de semana... A mim nao me incomoda nadica de nada ter algo parecido com os americanos, mas nao sei se por aqui sera popular. Esse teu esquema das equipas tem um lado negativo que nao viste: O que acontece nas equipas é o seguinte: Comecam 20, chutam-se os 10 piores fora, e depois entre os 10 melhores ha grande espirito, etc.. Se fosses implementar esse sistema de equipas, os piores alunos iam ser completamente odiados pelos outros, e o fracasso deles a qq disciplina seria nao só um fracasso de aprendizagem mas também um fracasso social. Iria ser extremamente cruel, apesar de concerteza toda a gente se esforcar mais.

Abracos,

Rodrigo

Rodinsky disse...

Gostei muito, mas parece logico das tuas palavras que o sistema de penalizacao deve ser desagradavel, imediato, e que nao deixe marca. Assim ficamos com um sistema como o americano, em que quem nao faz o trabalho de casa, etc., fica em detencao na escola nesse final de semana... A mim nao me incomoda nadica de nada ter algo parecido com os americanos, mas nao sei se por aqui sera popular. Esse teu esquema das equipas tem um lado negativo que nao viste: O que acontece nas equipas é o seguinte: Comecam 20, chutam-se os 10 piores fora, e depois entre os 10 melhores ha grande espirito, etc.. Se fosses implementar esse sistema de equipas, os piores alunos iam ser completamente odiados pelos outros, e o fracasso deles a qq disciplina seria nao só um fracasso de aprendizagem mas também um fracasso social. Iria ser extremamente cruel, apesar de concerteza toda a gente se esforcar mais.

Abracos,

Rodrigo

alf disse...

rodinsky

Aprendi ao longo da vida que as pessoas não se podem seriar como o fazem as escolas. Cada um tem as suas qualidades, que revelam a sua importancia no complexo jogo da Vida.

A vida é mesmo como um jogo de futebol: é preciso quem marque golos, quem defenda, quem marque livres, quem cruze, etc.

Este jogo de equipas que proponho na escola marca pontos em diferentes actividades. O aluno que não consegue grande nota a matemática pode ser a estrela na actividade desportiva, ou na musical, ou na creativa, ou na literária.

Assim, uma equipa pode levar a taça porque tem lá aquele tipo que é uma nódoa a matemática mas é um às noutra coisa qq e permitiu a equipa marcar pontos aí.

A situação actual é que discrimina implacavelmente as pessoas e as classifica numa escala monotónica. Que cria a ideia de que "eu sou melhor do que tu" ou o contrário.

Uma ideia completamente errada e criadora de muita confusão na vida profissional. Uma ideia muito melhor é: "eu sou bom nisto, tu és bom naquilo".

Fomentar a diversidade, permitir que cada um desenvolva as suas melhores capacidades, é algo que o jogo de equipa faz e a nossa escola não faz.

Se pudessem escolher para o vosso filho entre uma escola que pratique o jogo de equipas e uma escola tradicional portuguesa, qual escolheriam?

Diogo disse...

Alf, você, como velho professor que é, continua agarrado aos velhos paradigmas industriais: escolas tipo fábrica, com 20, 30 ou 40 alunos em cada sala, e, em frente deles, um mestre armado com um ponteiro do século XXI e uma mentalidade do século XIX.

Meu caro, estamos em 2008!. Chega de matérias massificadas, de tempos massificados, e de chumbos massificados.

Hoje, a tecnologia permite uma aprendizagem individual. Um individuo escolhe a sua matéria curricular personalizada e estuda-a ao seu ritmo. Não há turmas, não há ritmos impostos e não há chumbos.

Antigamente, antes da massificação do ensino, os jovens com posses tinham preceptores. Aprendiam ao seu próprio ritmo. Não havia chumbos. Se demorassem três anos demoravam. Se demorassem cinco, demoravam. As matérias eram adaptadas ao aluno. A escola-fábrica, ao impor a estandardização, rompeu esta harmonia.

Alf, você, como velho professor, não consegue sair dos seus limites.

Mas ainda há melhor…

alf disse...

Diogo

Ena, isso é que é caminhar pelo futuro!!!

nesta área do ensino, eu não me atrevo a ser tão ambicioso: já só gostaria que conseguissemos chegar onde os outros já estavam há mais de um século... mas é utopia, não é?

Velho professor eu??? velho aluno apenas...

"Mas ainda há melhor..." Oh pá isso é que eu quero!

Joaninha disse...

Eu tive dois professores excepcionais.
Um de Português, no 1 ano do ciclo preparatório e outro já na faculdade, meu orientador de estágio. Tive outros muito bons, mas estes eram muito especiais. Para se ser um professor desses é necessário ser-se uma pessoa excepcional e isso meu caro é muuuuuuito raro ;)

Não sei se concordo com o que diz, só por uma razão. Eu chumbei vergonhosamente no 10 ano, mas até aí tudo direitinho. Só um pequeno problema. Não lhe parece mal que um aluno no 9 ano não saiba fazer uma conta de dividir. Se calhar eu devia ter chumbado, logo na 2 classe, certo? Olhe que a culpa não foi da professora, os meus colegas sabiam eu não...Enfim, não é assim tão simples.

António,
Não o chame de engº que me ofende ;)

alf disse...

Joaninha

Pois é, os professores assim são muuuuuuito raros... mas o ensino está organizado como se fossem todos assim!!!

Há um princípio de organização que diz que se as pessoas fossem perfeitos, qualquer organização funcionaria bem; a ciência da organização consiste exactamente em conseguir que as coisas funcionem apesar das pessoas...


Vejamos o seu caso: algo falhou, não é verdade? A prova é que chumbou. Se tivesse chumbado mais cedo talvez não tivesse sido melhor, como presume, mas muito mais traumatizante; porque no ano seguinte os seus colegas seriam muito mais novos, 1 ano é uma grande diferença de idade nessa idade. Não ficaria integrada na turma.

Do que eu me lembro da minha infancia, os repetentes nessas idades nunca mais recuperavam.

Agora pense que havia um sistema de controlo mais apertado, com penalizações de curto prazo. Nunca poderia ter deixado de aprender a fazer contas de dividir, pois essa ignorancia ter-lhe-ía custado fins-de-semana de castigo e a reprovação dos colegas.

Eu não defendo que não existam penalizações, pelo contrário, os dois posts anteriores mostraram que elas são indispensáveis. Só digo que um chumbo nessas idades não é uma penalização, é uma agressão.

Obrigado pela sua visita!

Joaninha disse...

Alf, eu visito, não comento muito mas visito ;)

alf disse...

joaninha
Obrigado!

leprechaun disse...

meio valor por cada erro ortográfico, como uma vírgula mal colocada...?!?!?! Socorro!!!

Então a nota era aí –14... não seria?! ;)

Puxa! ainda bem que hoje não há tanta exigência, ou então estávamos tramados. É que eu também vivo à custa da ignorância alheia, a mim não me passa um errinho em claro nas revisões que faço de teses e papers universitários. Logo, não me convém que a malta seja toda muito sábia, ó mestre sem chumbo! :)

E claro que deixo tudo num português impecável... mas sem rimas, essas ficam reservadas para os mails e o MSN.

Pois eu fiz furor na minha turma, com uma nota de 20,2 (!) a Física, creio que no 6º ano ou 10º actual. Bem, a professora era estagiária e por certo uns furos abaixo lá desse douto professor. Como só houve 3 (!) positivas nesse teste, ela aumentou 1 ou 2 valores a todos e assim lá rebentei a escala... sou a estrela da sala!!! :D

Pois, mas isso foi no século passado...

Rui leprechaun

(...quando era mais ajuizado! :))

leprechaun disse...

Ei! Uma anedota apropriada das Selecções, ideal para cábulas como eu! ;)

No fim do exame:
«Que tal te correu?»
«Muito mal. Entreguei a folha em branco.»
«Eu também. Espero que a professora não pense que copiámos.»



LOL !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!