domingo, julho 07, 2013

Passos é subtil?


À primeira vista, o Paulo Portas fez um brilhante e bem sucedido golpe palaciano. É o que dizem.

Interpretar os fatos é complicado. Para a generalidade dos comentadores, a interpretação é linear e assenta na ideia de que os protagonistas são pessoas de pouco carácter e reduzida inteligência.

Pode ser que tenham razão mas tal interpretação "sensata" é bastante desinteressante. Um amador pode jogar xadrez sem analisar as jogadas seguintes, mas estes protagonistas não são amadores.

Há uma coisa que nos deve alertar. Reparem no que aconteceu:

Numa altura em que a troika está dividida, "cai-nos do céu" um governo capaz aproveitar essa divisão e de dar uma volta de 180º na política que nos têm imposto até agora; uma política imposta mas não seguida em aspectos essenciais - por exemplo, o plano de privatizações tem sido um falhanço colossal em relação ao que alemães e franceses tinham planeado. Incompetência? Ou Génio?

Já a propósito das privatizações eu levantei a possibilidade de haver um génio neste governo.

Reparem que chegamos a esta situação ideal em que os encontramos hoje, pois temos agora um governo que se prepara para governar na direção que me parece certa, duma forma que a troika e a Merckel não podem questionar nem interferir. São capazes de imaginar alguma outra maneira de chegar a este ponto? Eu não consigo. Um governo saído de eleições com esta linha seria logo massacrado pela Merckel através dos seus representantes na troika.

Lembro ainda as conversas com o Hans, onde "ele" dizia que a esperança dele de se inverter esta situação de guerra económica na Europa residia em Portugal. Mas o Hans não disse isto por inspiração divina - há muito quem entenda o que se passa; e muitas dessas pessoas, nomeadamente economistas americanos, disseram na altura que Portugal tinha condições para estragar os planos de guerra - e por duas razões: porque tem onde se apoiar fora da Europa e porque tem uma longa história que demonstra a sua capacidade de adaptação a situações adversas. E a capacidade de adaptação, mais do que a Inteligência e a Força, é o que determina a sobrevivência - sabe-se desde o tempo de Darwin.

O leitor que escolha a sua interpretação dos factos. Cavaco, Passos, Portas e Relvas são jogadores primários, que só fazem burrices e birras, ou médios, que vão aproveitando as circunstâncias, ou geniais, capazes de gerar as circunstâncias?




20 comentários:

UFO disse...

Seria genial ganhar no jogo deles. De facto a birra do PP não colava com nada e o ministro da Alemanha nem teve tempo de pensar.
A palavra 'irremediável' deve ter sido intencional para precipitar os acontecimentos. Num pedido de demissão 'normal' essa palavra não faz sentido.
Não tarda a próxima avaliação.

Paulo Monteiro disse...

Viva novamente! Tenho andado desaparecido e isto nem sequer é um comentário ao post que ainda não li, tenho de me atualizar desde o ultimo post que li. Vinha fazer um pedido muito particular Alf, que colocasses um post sobre a tua opinião/visão acerca do meio ambiente, o problema ou não problema do aquecimento global, dos perigos que a evolução tecnológica e industrial colocou ou não ao ambiente uma vez que eu sei que tens uma visão muito particular sobre isso embora não tenhas desenvolvido esse tema que eu saiba aqui. Sei que há quem negue o aquecimento global e a sua ameaça por uma questão de interesses financeiros mas não é o teu caso e por isso gostaria de ouvir a tua opinião. Certamente há estudos e conclusões encomendadas mas essas não nos ensinam nada. Venho do meio de um grupo (na internet) de pessoas fanáticas pelo aquecimento global, ultra-fundamentalistas que acham que deveríamos voltar quase ao primitivo e á natureza e abandonar a tecnologia mas sinceramente a minha informação sobre esta matéria deixa-me baralhado e sem saber em que/quem acreditar. Pelo menos a tua opinião poderia ser um bom ponto de partida para eu saber o que pesquisar na net para saber mais sobre o assunto. Aceitas pedidos? :)

alf disse...

UFO

Sabes, o nosso inconsciente sabe mais do que nós, muito mais; comanda-nos, leva-nos a agir conforme ele ache que devemos agir. Para isso, muitas vezes recorre a estratégias, como levar-nos a tomar decisões conscientes que servem o seu interesse inconsciente que nós ignoramos. Isto para dizer que o Paulo Portas até pode ter pedido a demissão plenamente convencido de que ela era irrevogável; convencido a nível consciente, porque o seu inconsciente sabia bem que esse "irrevogável" servia outros objectivos.

Por outro lado, o Paulo Portas também pode estar combinado com o Passos Coelho; achei muito estranha a certeza do PM de que iria virar a situação; mas também esta certeza podia ser inconsciente.

O pensamento inconsciente é que guia os grandes líderes, a razão é um processo de Inteligência demasiado limitado.

alf disse...

Paulo Monteiro

A minha opinião é baseada nos dados das medidas de temperatura, no conhecimento de como a Ciência funciona, no conhecimento de quais são os interesses políticos e económicos por detrás da teoria do aquecimento global, no conhecimento de como funciona o Sol e no meu conhecimento particular da evolução do clima terrestre.

A temperatura da Terra é comandada pelo Sol e regulada pelo sistema de vapor de água da atmosfera. Este sistema faz com que a temperatura média à superfície da terra responda quase linearmente às variações de energia radiada pelo Sol.

O Sol tem vários ciclos, um deles com cerca de 100 anos; estamos na fase descendente deste ciclo, o que significa que a temperatura média à superfície irá descer ainda durante os próximos 30 anos.

É uma descida muito pequena, nada de alarmes. A amplitude da descida cresce do equador para os polos, sendo quase nula no equador e podendo atingir duas dezenas de graus nas latitudes elevadas.

Com o descida da temperatura média desce também a humidade média da atmosfera, o que tem como consequência o aumento das amplitudes térmicas diárias e sazonais; ou seja, as mínimas caíram acentuadamente mas as máximas até podem aumentar ligeiramente.

Quanto ao CO2, há um grave problema com ele. Actualmente, ele é mais raro na atmosfera do que um gás raro, menos de 400 ppm, ou seja, menos de 400 partes por milhão!

Porque é que isto é um problema? Porque a vida precisa do CO2, as plantas não vivem sem ele. Abaixo de 180 ppm a vida começa a entrar em extinção.

O CO2 está a descer na atmosfera desde o início da Terra. A Natureza desenvolveu recentemente (à escala destas coisas) novos ciclos de fotossíntese que lhes permite a sobrevivência com níveis de 110 ppm; mas são só algumas plantas.

Antes da revolução industrial, os níveis de CO2 eram perigosamente baixos. A agricultura tinha um rendimento miserável. Com a queima dos combustíveis fósseis, subiu um pouco, permitindo uma agricultura muito melhor. Nas estufas, injecta-se CO2 para subir a sua concentração para 600 a 1000 ppm.

Do ponto de vista político, há a necessidade de travar a dependência em relação aos produtos petrolíferos e a necessidade económica de explorar novas áreas tecnológicas.

A teoria do aquecimento global insere-se numa estratégia de liderança das sociedades humanas conhecida como " a mentira conveniente". A ideia é a seguinte: as pessoas agem sempre em função do seu interesse imediato, mas a sociedade precisa que as pessoas ajam em função do interesse futuro; então inventa-se uma mentira que faça as pessoas agirem em função o interesse futuro convencidas que estão a agir em função do seu interesse imediato.

Por último, as pessoas precisam de causas para sentirem que a sua vida tem sentido. O Aquecimento global veio preencher esta necessidade de muitas pessoas. Para aceitarem que lha tirem, é preciso dar-lhes outra causa em troca.

A reciclagem dos recursos, a poluição, são problemas sérios. AS pessoas devem concentrar-se nestes e não confundirem estes problemas verdadeiros com o aquecimento global.

Espero ter sido de alguma utilidade.

Abraço

Diogo disse...

Alf,

Um tipo que faz semelhante afirmação:

«Cavaco, Passos, Portas e Relvas são jogadores primários, que só fazem burrices e birras, ou médios, que vão aproveitando as circunstâncias, ou geniais, capazes de gerar as circunstâncias?»

Não é concerteza genial...

alf disse...

Diogo

pois não; a hipótese é que esses três, ou pelo menos um, possam ter mais esperteza do que se presume, o autor da hipótese não está incluído lol

Diogo disse...

Alf, você está a sonhar? Ainda não percebeu que os políticos dos grandes partidos são apenas esbirros a soldo do Grande Dinheiro? PS e PSD (e o quisto do CDS) são apenas braços de um enorme polvo financeiro a nível planetário. O mesmo se passa em quase todo o mundo.

Afirmar que Cavaco, Passos, Portas e Relvas (ou Sócrates) têm algum espaço de manobra na finança internacional é não perceber minimamente como a coisa funciona.

Diogo disse...

Caro Paulo Monteiro,

não vá atrás daquilo que diz o Alf. Um «Relvas» no campo científico.

Luiz Carlos Molion - A Farsa do Aquecimento Global:

http://www.youtube.com/watch?v=rhw3yaK04uQ

vbm disse...

Diogo,

Abstraindo, por momentos, de acertar ou não, gosto do modo de pensar do Alf! :) Repara: numa colecção de factos, busca o que os explique, cause, e que relações aparentam ter entre si. Obtido assim, um esquema dos factos, enquadra-se-o numa teoria de cujos princípios se possa deduzir o esquema particular modelado. Ele ganha assim consistência com outros mais conhecimentos e vai fortalecendo uma doutrina bem útil para uma acção poderosa. Para que serve tudo isto? Bom, se houver acerto, é eficácia garantida. Se não, há que buscar outra explicação. De qualquer modo, nenhuma boa teoria se compadece com explicações lineares, e as clausulas do «tudo mais constante» têm de revogar-se para uma bela percepção da realidade... :)

alf disse...

Diogo

Fui espreitar o "seu" video; piquei aos 15 min; vejo um tipo a falar de arrefecimento dos oceanos, ciclo solar de 90 anos e 20 anos de resfriamento global pela frente; onde é que isto contraria o que eu disse?

Ou você já contesta o que nem leu e recomenda o que nem viu?

alf disse...

Diogo

O seu pensamento acerca dos "grandes partidos" é igual ao deles em relação aos "pequenos partidos" - sempre ao serviço de qualquer coisa menos dos portugueses...

Paulo Monteiro disse...

Obrigado Alf, foi útil sim. Obrigado pelo vídeo também Diogo.

Paulo Monteiro disse...

Só mais uma coisa. Os recursos na terra são ou não finitos na vossa opinião? Obrigado

alf disse...

Paulo Monteiro

Suponho que o pretenda perguntar é se devemos ou não preocuparmo-nos com o facto de os recursos terrestres serem finitos - porque finitos é óbvio que são.

Agora, há recursos que "gastamos" e outros que não gastamos; e o conceito de "gastar" tem o significado de tornar o recurso de difícil acesso ou de o destruir.

Entre os recursos que não gastamos está a água potável, a não ser por via da poluição - ou seja, o consumo de água não gasta água, ela corre dos rios para mar, seja naturalmente seja através da nossa utilização dela; o que "gasta" água é a poluição porque esta diminui a quantidade de água potável ou dificulta a sua utilização.

Um exemplo da confusão em relação a isto está nas máquinas de lavar loiça e roupa ditas "ecológicas" por "gastarem" menos água. Na verdade, por usarem menos água, estas máquinas precisam de detergentes mais fortes, logo mais poluentes; e por isso, estas máquinas "gastam" mais água porque produzem mais poluição.

Claro que há zonas do mundo onde falta água e nessas, por falta de alternativa, a solução é recorrer a processos que utilizam menos água; mas noutros lados, como em Portugal, isso é um disparate - aqui o que convém é detergentes fraquinhos e lavar com muita água.

Vejamos o papel; fala-se muito da reciclagem do papel. Que é feita à custa de processos poluentes. Ora as árvores não se "gastam" - se se consumir mais papel, planta-se mais árvores; se se consumir menos, planta-se menos. Porque neste mundo gerido pela humanidade, quase só há lugar para o que tem valor comercial, e a atitude inteligente é conseguir valor comercial para o mundo que queremos ter - se queremos florestas, temos de encontrar um valor comercial para elas.

Mas há um recurso que se gasta com o papel - o CO2, que as árvores tiram da atmosfera. O CO2 é essencial à vida e a sua carência é e será no futuro a maior dificuldade da vida na Terra. Por isso, o melhor destino a dar ao papel usado será queimá-lo ou transformá-lo em carvão.

Já não é o caso dos plásticos. O petróleo é um recurso muito abundante, mas finito, não se produz mais naturalmente (apesar de haver quem pense isso).

O que me leva ao problema da energia.

A vida na terra é movida pela energia que recebe do sol, em última análise, tudo se resume a ela. A natureza usa a energia in loco mas nós não - precisamos de a armazenar e transportar.

Com esta treta do CO2 empurrou-se a investigação na direção errada, em minha opinião. A melhor forma de armazenar energia é a química. A energia eléctrica deve ser usada para produzir combustíveis sintéticos para serem usados em motores de combustão. Isto é que pode substituir o petróleo. E os combustíveis sintéticos podem ser produzidos para serem não -poluentes, libertando apenas CO2 e H2O ou quase. As baterias eléctricas só são alternativas para armazenar pequenas quantidades de energia.

Além disso, as baterias consomem recursos importantes - os metais usados para as fabricar. Reciclar baterias e pilhas é importante.

Bem, isto seria conversa para muito tempo... mas quero deixafr um apontamento final: até agora, as condições na Terra tem vindo a alterar-se e a vida a adaptar-se; mas isso não pode continuar para sempre, porque sem uma intervenção "inteligente" a vida na terra vai começar a enfrentar problemas para os quais não tem solução - como o desaparecimento do CO2. O papel da humanidade não vai ser só "não estragar", vai ter de ser pró-activo. A sábia natureza não ia inventar a humanidade se não precisasse dela, não é? ;-)
abraço

Paulo Monteiro disse...

Obrigado Alf. Quando perguntei se os recursos eram ou não finitos na vossa opinião fi-lo porque já li muita coisa e já ouvi várias teorias, algumas por exemplo, que o petróleo não seria finito, que se formaria no interior da terra e que a ideia de algum recurso ser finito era explorada apenas como forma de aumentar o valor desse recurso. Sei por exemplo que os diamantes não são assim tão raros, são inclusive queimados de forma a aumentar o preço e conseguir dióxido de carbono. Mas a gente lê tanta coisa que chega a uma altura em que já não consegue ter a certeza de nada. Desde miúdo por exemplo que ouço falar na necessidade de se "salvar o planeta" mas o que é que as altas esferas da politica fizeram até agora nesse sentido? Verdade que "a sábia natureza não ia inventar a humanidade se não precisasse dela", pelo menos por algum tempo, o mesmo que os dinossauros tiveram por exemplo, mas também não é menos verdade que se dermos cabo daquilo que ela nos deu para podermos viver já não é nada com ela. Nós vamos e ela continua por cá a hospedar outros seres.

alf disse...

Paulo Monteiro

Só uma pequena correcção. Se nós desaparecermos, a natureza não vai continuar por cá a hospedar outros seres. Como disse no comentário anterior, as condições no planeta alteram-se naturalmente - por exemplo, o CO2 desaparece. A vida tem vindo a adaptar-se, mas essa capacidade de adaptação tem um limite. Se a vida inteligente desaparecer do planeta, a vida acima das bactérias também poderá desaparecer no prazo de uns milhões de anos. Sem retorno possível.

Portanto, o papel da vida inteligente é mais complexo do que simplesmente "não estragar", "não intervir".

Paulo Monteiro disse...

Não creio que será assim Alf. Nós humanos não somos os únicos responsáveis pela existência de CO2 na terra. Se desaparecermos a natureza hospedará outros seres como já hospedou noutros tempos com a vantagem de deixar de ter de lidar com um dos maiores predadores do ecossistema que a terra já conheceu. A civilização industrial não desempenha nenhum papel no ecossistema para além de o destruir. O ser humano existiu milhões de anos sem civilização industrial e a natureza não se ressentiu por causa disso.

alf disse...

Paulo Monteiro

Uma das coisas que eu descobri com as minhas teorias sobre o universo foi a fascinante história passada da Terra e sobretudo da Vida. E descobri que a Vida tem uma pressa tremenda de evoluir.

As condições passadas da Terra eram muito diferentes do que se pensa. A Terra tem evoluído de um inferno inicial de alta pressão (cerca de 350 atm) e alta temperatura para a situação atual. Uma evolução muito lenta. E a Vida tem acompanhado essa evolução, surgindo em cada "instante" (à escala geológica) com a máxima complexidade que a temperatura/pressão permitiam. Parece que a Vida tinha pressa de chegar ao estado atual, em que dispõe de um ser com inteligência suficiente capaz de produzir uma sociedade que evolua.

Em posts antigos já falei disso. A célula viva terá atingido a complexidade máxima possível. Daqui em diante, a evolução biológica só deverá ser muito limitada, será sobretudo uma evolução de "software" e não de "hardware".

Com o Humano, a Evolução iniciou uma nova etapa: depois da evolução da célula, depois da evolução das sociedades de células, agora é a evolução das sociedades de seres vivos - da sociedade humana.

A Natureza precisa que a sociedade humana evolua e precisa da tecnologia. Porque a evolução do planeta não parou, ele continua a transformar-se, sobretudo em consequência de se ir afastando do Sol. Daqui a uns 1000 milhões de anos, a Terra será como Marte é hoje. Claro que isso é muito tempo, mas a sociedade humana tem muito para andar antes de ser capaz de modificar o destino do planeta e de "salvar" a Vida que cá existe.

Portanto, compreendamos: a Humanidade não é o carrasco da Vida na Terra, é a solução da Natureza para a salvar.

temos é de ganhar consciência disso e procurar os melhores caminhos

Paulo Monteiro disse...

Hmm...esse tema teria de ser mais aprofundado Alf. Dá sensação que há uma espécie de inteligência em todo esse processo que está ao mesmo tempo a prever as necessidades/perigos futuros e a caminhar no sentido da salvação da vida. Não nego a existência de uma inteligência, só não sei qual será nem como funciona. Essa inteligência pode não se resumir só ao nosso planeta por exemplo. Da mesma forma que o nosso planeta se afasta outro pode se aproximar do sol e a vida ressurgir nesse novo planeta. O contrassenso é que a tecnologia que surge nessa visão como a salvação da vida, surge ao mesmo tempo nos dias de hoje como a ameaça a ela própria. A ideia dessa ideia, passo a redundância, é que nós somos o ser superior que a "vida" arranjou para salvar a própria vida. Mas o que eu vejo é que a tecnologia, ou o mau uso dela até hoje - tecnologia associada às leis de mercado cria lixo eletrónico por exemplo, faz com que se esteja a lançar novos dispositivos constantemente por causa da necessidade de vender e cria uma necessidade ilusória nas pessoas de comprar a ultima geração, um telemóvel já não serve para aquilo que foi feito, é ao mesmo tempo ostentação e um brinquedo - está a colocar em risco até a própria sobrevivência dessa vida superior na sua ideia, a nossa espécie.

alf disse...

Paulo Monteiro

A Evolução é um caminho cheio de enganos, é algo que avança no desconhecido, com muita tentativa e erro.

A proliferação de gadjets faz parte do processo de evolução. Quando começaram os metazoários, surgiu uma miríade de espécies as mais variadas, que foram sendo selecionadas no tempo, até se chegar a este quadrúpede com uma cabeça onde estão concentrados os sistemas de aquisição e processamento de informação e comunicação.

Se hoje temos tacs e ressonâncias magnéticas, isso é fruto de todo este processo tecnológico.

Poderia ser diferente? talvez, se fossemos muito mais inteligentes.. mas somos o que é possível e já é algo extraordinário.

Pode-se questionar: somos suficientemente inteligentes para nos abalançarmos a produzir uma evolução tecnológica que pode pôr em risco muita coisa? Deveríamos ficar quietinhos?

É neste quadro que surge a minha resposta. Eu digo: se ficarmos quietinhos e não surgir uma espécie mais capaz do que nós, a Vida na Terra está condenada a prazo porque o planeta não é eterno e os seus recursos vão ficar exauridos naturalmente (nomeadamente o CO2, que já está quase).

Por outro lado, poderemos ficar sentadinhos à espera que a evolução gere uma espécie mais capaz?

A resposta será não; a evolução tem de aprender com a experiência e se nós não nos "mexemos", a evolução nada aprende e não funciona.

Portanto, em minha opinião, temos de buscar a evolução tecnológica e buscar o conhecimento. Temos é o de o fazer o melhor que pudermos, conscientes que lidamos com poderes que podem ser destrutivos. Especialmente, e acima de tudo, quando interferimos no código genético.

Tenho um post que talvez lhe interesse, publicado em 1 de Agosto de 2008
http://outramargem-alf.blogspot.pt/2008/08/nos-teus-ombros-carregars-vida.html

a princípio é um pouco chato mas o fim é mais interessante.

Em resumo, em minha opinião devemos questionar o que andamos a fazer, mas não fazer nada não será opção; mas lá que há riscos no que fazemos, isso há, e devemos estar muito conscientes e atentos.