segunda-feira, novembro 07, 2011

Qual é o negócio dos Bancos?


CGD


Emprestar dinheiro? Perguntarão vocês a medo, sabendo que as minhas respostas são inesperadas (doutra forma não valia a pena eu escrever, não é?)

Considerem uma empresa de automóveis que faz uma fábrica. O custo da fábrica é um investimento. A fábrica produz produtos que a empresa vende, ganhando assim dinheiro. O objectivo da empresa é que a fábrica dure o mais possível. Quando ela deixar de ser rentável, a empresa fará uma nova fábrica.

Portanto, o negócio da empresa é fácil de perceber: há um investimento largamente não recuperável na construção da fábrica e um rendimento da actividade da fábrica. As contas são feitas para que esse rendimento atinja o valor que a fábrica custa num prazo de tempo que pode ir de 3 a 10 anos, tipicamente.

O negócio da banca é a mesma coisa. Em vez de aplicar o dinheiro numa fábrica, aplica-o num empréstimo. O devedor paga um juro deste empréstimo – é o rendimento do dinheiro aplicado.

“Ahh, mas há uma diferença em relação à empresa” – dirão vocês – “ o investimento na fábrica não é recuperável mas o empréstimo é!”

Pois, é exactamente aí que vocês se enganam. O Banco não está nada interessado em que lhe paguem o que emprestou. Para quê? Se lhe devolverem o empréstimo, terá de arranjar outro a quem emprestar, não é? Portanto, o banco não está nada interessado em que lhe paguem o empréstimo – o seu negócio é receber juros!

É por isso que os bancos emprestam dinheiro a quem não tem condições para pagar esse empréstimo. O Banco não quer que lhe paguem o que emprestou. Ao banco, o que interessa é que a pessoa possa pagar os juros do empréstimo.

Se não acreditam em mim, experimentem ir ao vosso banco tentar amortizar o empréstimo para compra de casa, se o tiverem; eu fiz isso há dias e, mesmo na actual situação de descapitalização da banca, fui convencido a não fazer tal. Aliás, até há pouco tempo, quem quisesse antecipar o pagamento do empréstimo para a casa pagava uma penalização  - por quebra de perspectiva de negócio.

Portanto, percebam a subtil mas fundamental diferença: o negócio da banca é cobrar juros.

Há empresas financeiras, tipo Cofidis, que estão no negócio de emprestar dinheiro – é um negócio diferente, esses querem que o cliente pague o empréstimo.

Agora vejamos como se desenvolve o negócio da banca. O objectivo do negócio é maximizar os juros. Mas se subirem muito os juros, o cliente pode desfazer o negócio, devolvendo o empréstimo. Então, o banco procura clientes que não possam devolver o dinheiro emprestado.

É por isso que os bancos estão constantemente a oferecer dinheiro emprestado a pessoas de baixos rendimentos – esse dinheiro vai depois vencer juros altíssimos. Encravada com os juros, a pessoa não consegue amortizar o empréstimo e o banco tem assim o máximo rendimento.

A crise dos activos ditos tóxicos não nasce de nenhum «comportamento irresponsável» da banca. Evidentemente que essas pessoas não podiam pagar o empréstimo, pois esse é o cliente preferencial do banco; o objectivo do banco não é que lhe paguem o empréstimo, é conseguir os juros mais altos. O que aconteceu foi que como a desigualdade não pára de aumentar, essas pessoas ficaram sem dinheiro para pagar os juros. O que disparou a crise foi o crescimento da desigualdade, que leva ao empobrecimento da maioria da população porque o crescimento do PIB já não chega para compensar o da desigualdade.

O que fez a Banca em Portugal quando as pessoas ficaram sem condições para pagar os empréstimos da casa, carro, etc? Inventou um programa de consolidação da dívida que consiste em juntar os empréstimos todos num só, ou seja, transformar todos os empréstimos de curto prazo em empréstimos com o prazo do crédito à habitação, e subir o spread. Ou seja, a Banca aproveitou a crise para melhorar o seu negócio duplamente, pois aumentou os juros e aumentou o prazo. Como a prestação total diminui devido ao alongamento do prazo, com a corda na garganta devido à diminuição de rendimentos reais que as pessoas vêm sofrendo desde há uma década, as pessoas tiveram de aceitar esse aumento de exploração. É assim que muita gente tem hoje um empréstimo para o automóvel a 30 anos. Evidentemente que este comportamento usurário e irresponsável,  feito com o beneplácito governamental, vai originar uma crise mais grave nos anos seguintes.

Ainda muito recentemente, o Governo anunciou uma medida para “ajudar” as empresas com dificuldade de pagamento dos seus empréstimos: mais uma vez, a proposta era alongar o prazo de pagamento e aumentar o juro. Mais uma vez a Banca procurou ganhar com a crise de forma predadora e teve a cobertura governamental. Muitos empresários responderam: antes falir já.

Entendido isto, podemos agora facilmente entender a actual crise e qual vai ser o seu desenvolvimento.

(continua)

2 comentários:

HORIZONTE XXI disse...

Fascismo, é o que aí vem se nos deixar-mos dormir.

Abraço livre.

Kalvin King disse...

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