quinta-feira, setembro 22, 2011

A Piscina


Os telejornais de hoje tinham uma notícia que fez as alegrias dos media: imaginem que o Alberto João gastou parece que 2 milhões de euros numa piscina no Curral das Freiras que raramente funciona!!!

 Haverá melhor exemplo da má gestão da Madeira? Pode o dinheiro ser mais mal gasto?

 Eis aqui um ótimo exemplo da nossa ignorância do Jogo da Economia.

 Ora reparem; a Comunidade Europeia comparticipa este tipo de obras em qualquer coisa como 75% (não sei ao certo como foi neste caso, mas deve ter sido algo como isso), ou seja, 1,5 milhões de euros. Portanto, o Alberto João investiu 0,5 milhões de euros, que não foi um gasto porque serviu para pagar o trabalho de madeirenses, foi só uma circulação de dinheiro, e recebeu 1,5 milhões vindos do estrangeiro.

Como compreenderão, isto equivale a investir 0,5 milhões de euros a fabricar um produto que se exportou por 2 milhões – uma rentabilidade de 400%

O orçamento da Madeira gastou 0,5 milhões e recebeu 1,5 milhões, logo ganhou 1 milhão de euros.

Na verdade, ganhou mais, porque quem fez o trabalho pagou impostos e se não tivesse tido o trabalho talvez tivesse recebido subsídios de desemprego.

A piscina não funciona? Ótimo, assim não tem custos de manutenção. Claro que se for possível encontrar utilidade para piscina, melhor, mas se não for não faz mal – a piscina foi um excelente negócio para a Madeira e para o país. Agora, até pode ser demolida, é como se tivesse sido exportada.

Sei que isto pode fazer confusão. Vivemos numa era de abundância, as regras deste jogo económico já não são as dos tempos de carência, não visam aumentar a produção, visam disputar a abundância; quem não souber jogar este jogo fica sem nada.




8 comentários:

antonio ganhão disse...

Brilhante.

Daniel Santos disse...

mas mesmo abandonada continua a ter manutenção.

UFO disse...

a lógica do alf é imbatível.
mas vou-me lembrando dos 2 mil milhões agora inflados para 5 mil milhões.

vamos nós pagar e com muitos juros.

e aquele heliporto em que apenas 1 (um) helicóptero lá aterrou ? (no dia da inauguração !) . Quantos helis existirão em permanência no nosso caro Jardim oceânico?

skeptikos disse...

Porque as beatas da comarca resolveram bater no AJJ, esquecendo os pecados do continente e inerente corja, aqui fica um excerto de VPV (Publico de 18/9):
«O INE e o Banco de Portugal descobriram que o governo regional da Madeira, por assim dizer, "escondeu" 1,7 mil milhões da despesa entre 2004 e 2011. Várias notabilidades descreveram o caso "muito grave" ou "gravíssimo" e até Bruxelas se resolveu mostrar "surpreendida". O que francamente não se percebe. Desde o PREC que a impunidade tem distinguido a política portuguesa. A gente que, em 1975, destruiu alegremente a economia não sofreu o menor incómodo pessoal ou profissional; e a gente que proclamava pelas ruas a necessidade de "fuzilar a reacção" e de estabelecer rapidamente uma ditadura do PC acabou em Belém a receber a Ordem da "Liberdade" das mãos de Soares. Mesmo hoje, um passado "revolucionário" se considera uma recomendação e até uma espécie de graça social.

A década do "cavaquismo", que de certa maneira foi a mais "severa", foi também a década em que se fizeram ao país com uma arrasadora irresponsabilidade as mais fantasiosas promessas de um futuro radioso e próximo. "Portugal", se bem se lembram, "estava na moda" e o dr. Cavaco criara "um homem novo" que iria maravilhar o mundo. Destas tolices nasceu a exigência de uma infinidade de direitos, que antes ninguém esperara ou pedira; e o inexplicável prestígio de meia dúzia de criaturas, que tomaram conta dos "negócios", nem sempre da melhor maneira ou com a maior lisura. Quanto à "modernização" de Portugal, de que tanto se falava, acabou por ser a "modernização" do consumo, que preparou as desgraças do futuro. O dr. Cavaco é ainda uma espécie de herói e Presidente da República.

Guterres "deixou Portugal de tanga", Barroso fugiu para o estrangeiro e Sócrates fabricou a desgraça que de repente nos caiu em cima. Mas quando Sócrates desapareceu, os políticos da direita e da esquerda decidiram que chegara a altura de mutuamente se absolverem das misérias da Pátria. E, por sua própria força e autoridade, decretaram que a partir do glorioso advento de Passos Coelho a regra era o esquecimento. Esta amnistia geral impede qualquer crítica pertinente, venha ela de que lado vier, e estende um fofo manto de suavidade sobre a nossa torpe e apática vida pública. Esta paz dos cemitérios manifestamente exclui Jardim. O que não é um mal. O mal é que não exclui as dúzias de oportunistas, que por aí se passeiam e que na televisão ou nos jornais não perdem uma oportunidade de nos dar conselhos.»

Já agora convém lembrar que «CP e Refer com dívida conjunta de 10 mil milhões» http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=465277

alf disse...

antonio

nem tanto... mas obrigado

alf disse...

Daniel Santos

Não impede que continue a ser um bom negócio, se o dinheiro reverteu efectivamente para Madeira.

alf disse...

UFO

O que nós vamos pagar agora é os ordenados dos madeirenses, os subsídios de desemprego por não terem trabalho; e isso vão ser muitas centenas de milhões de euros por ano, como verás.

Entretanto, lembro-te que tb temos beneficiado com a madeira - os lucros das agências de viagens nacionais ficam aqui, os lucros dos hoteis do Pestano ou do Berardo, etc

Na verdade, donde pensas que vem grande parte dos rendimentos da zona de Lisboa? Dos lucros das empresas que operam em toda a parte mas têm a sede aqui.

Portanto, vamos pagar aos madeirenses com o dinherio que.. ganhamos com a madeira!

Já os Açores é diferente - o turismo lá está na mão dos Açorianos, e tem a pecuária também na mão dos açoreanos; as receitas da sua actividade fica nos Açores

alf disse...

skepticos

Boa malha!

Gostei especialmente de:

Quanto à "modernização" de Portugal, de que tanto se falava, acabou por ser a "modernização" do consumo, que preparou as desgraças do futuro.

é isso mesmo. Obrigado