sexta-feira, abril 18, 2008

O Regresso da Velha Economia ou O Fim da Concorrência

No De Rerum Natura, a Palmira da Silva colocou um post sobre o aumento do preço dos produtos alimentares. Como é seu timbre, trata-se de um post magnificamente documentado e bem apresentado. Nele, a Palmira toma como certo que a razão desse aumento são os biocombustíveis. Óbvio, não é? Qualquer pessoa percebe isso.

Como eu tenho aqui dito inúmeras vezes, Einstein disse “Deus é subtil..” querendo isto significar que a explicação que nos parece óbvia é sempre errada. A realidade é sempre mais subtil que o nosso cérebro. Só tendo presente esta limitação das nossas capacidades intelectuais conseguimos descartar a explicação “óbvia” que nasce logo nas nossas cabecinhas e irmos à procura de algo mais “subtil”. Sem cairmos em teorias da conspiração.

A agricultura já não é a actividade de umas pessoas pouco letradas, sujeitas à exploração dos “colarinhos brancos”. Hoje, a agricultura é uma indústria poderosa, onde existem grandes empresas com capacidade de imprimir politicas concertadas ao sector.

Vejam o que acontece com a gasolina. Há várias empresas a vender gasolina; mas existe concorrência? É óbvio que não. Os preços em euros sobem constantemente e igualmente em todas, apesar do preço do barril estar a descer em euros. Existe um cartel que determina os preços em função exclusivamente da lei da oferta e da procura. Os preços não sobem mais depressa simplesmente porque o consumo já está a baixar e seria contraproducente. É preciso ir subindo os preços devagarinho para os consumidores se irem habituando e ajustando.

(as empresas mais pequenas têm de oferecer qualquer coisa, uns cêntimos a menos, para contrariar a tendência das maiores de crescerem sempre; mas é algo sem significado para o consumidor)

Não há, pois, concorrência nas gasolinas. E na Banca há? Também não, é claro. Ou quase não há. Por isso as taxas de juros são iguais ou quase em todos eles. Por isso as taxas vão subindo, aumentando os lucros bancários. Por isso vão todos introduzindo novos custos nos serviços que prestam. Porque a actividade bancária também já não é função da concorrência mas da Lei da Oferta e da Procura.

A recente crise imobiliária vai ter uma consequência: todas as pequenas empresas dedicadas apenas ao imobiliário vão fechar. Vão ficar apenas as grandes empresas de construção civil, que realizam as grandes obras públicas, como autoestradas, estádios de futebol, hospitais e aeroportos. Depois, estas empresas deterão o controlo absoluto do mercado imobiliário e não haverá mais concorrência. (hoje já quase não há)

Os Agricultores avisaram com larga antecedência que iriam subir os preços. São tão concertados que até podem avisar com antecedência. Ou então terá sido uma forma de pressionar as entidades que atribuem subsídios à agricultura. Seja como for, a verdadeira razão porque os preços dos alimentos sobem é porque a concorrência morreu e agora os preços dependem apenas da Lei da Oferta e da Procura.

(bem, há mais umas coisinhas... o preço do óleo de fritar não pode ser inferior ao do gasóleo senão as pessoas enchem os depósitos com óleo de fritar... acontece que os interesses que dominam os combustíveis também têm garras na agricultura, nunca deixariam que esta lhes fizesse concorrência...)


Há muito que os países perceberam isto. Há muito que os EUA deixaram de combater os monopólios, passando, ao contrário, a incentivá-los – é que aos EUA interessa que as suas empresas sejam o mais forte possíveis para que possam liderar os cartéis de empresas em cada sector. Anunciaram publicamente que deixavam de combater os monopólios, isso já não pertencia à nova ordem económica.

Há muito que na Europa os países negoceiam entre si os sectores que querem dominar. Eu fico com as comunicações e tu com o transporte pesado. Não é preciso controlar tudo, basta controlar alguma coisa para ter uma moeda de troca – tu sobes os preços nas comunicações e eu subo nos transportes e ficamos empatados. Fora da Europa, a China parece que já controla o aço. Agora deve pretender controlar o transporte marítimo. Por isso vêm para Sines, talvez a melhor localização do Mundo para o conseguir. E preparam-se para controlar muitos outros sectores pois, com o mercado interno que têm, não lhes será difícil conseguir empresas que dominem o mercado mundial.

Quem não controlar nada, não tem moeda de troca, fica do lado dos fracos e pobres.

Percebem agora porque sobem os preços? Porque nós os podemos pagar.

Isto é mau ou bom? Basicamente, é o regresso da velha economia. Supostamente os governos seriam capazes de estabelecer alguma regulação dos preços, até existem entidades reguladoras, mas evidentemente que não conseguem. Com o tempo, as coisas irão apodrecendo sem a concorrência. Imagino que nessa altura a concorrência aparecerá de novo. Até lá, estamos como os empregados nas fazendas que têm de gastar o salário na cantina e nunca lhes sobra nada. O patrão dá com uma mão e tira com a outra. Enquanto pudermos pagar, os preços subirão.

(no tempo do Salazar o Governo tinha uma capacidade de controlar preços que hoje não existe; por isso não houve inflacção em Portugal durante tantos anos; não era mérito do Salazar, simplesmente os grupos económicos não tinham a força que têm hoje. A entidade reguladora da electricidade queria aumentar os preços 15% não era? está ao serviço de quem esta entidade?)

Dir-me-ão: e os esfomeados dos países pobres? Que lhes vai suceder? Ora, nada! Se eles não produzem o necessário para a sua sobrevivência, significa que o que comem hoje é o que os países “ricos” lhes dão. E continuarão a dar as mesmas quantidades, não interessa o preço. E começa a ser altura de os países pobres procurarem a ajustar a sua população à sua produção, senão não saem do ciclo vicioso instalado

Podemos nós, consumidores, ter uma palavra a dizer? Até podemos, por exemplo, fazendo como propõe um email que circula na Net – se só comprarmos gasolina numa gasolineira, as outras poderão baixar os preços. Ou se excluirmos as duas maiores, a Galp e a BP. Mas talvez isto não resulte porque provavelmente elas estão concertadas ao ponto de a gasolina que se vende em Portugal ser toda da mesma, independentemente de quem vende.

Mas não me parece possível que os consumidores se organizem tanto. E é muito fácil enganar toda a gente durante todo o tempo. Há quantos anos os media anunciam que o preço do barril de petróleo bate sucessivos recordes quando o que acontece é que o dólar está a ser sucessivamente desvalorizado? A Europa está a ficar isolada numa bolha de moeda alta que vai tornar a sua produção inexportável. Primeiro as exportações começarão a diminuir em volume de bens, depois o euro cairá e a economia europeia implodirá porque as exportações perderam primeiro volume e depois valor. Penso eu de que... quem sabe mais do que eu que fale.
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20 comentários:

Tarzan disse...

Alf,

a formação do preço depende SEMPRE da lei da Procura e Oferta, quer haja concorrência quer não. A concorrência influencia o peso que a Oferta tem na formação de preços, mas a lei da oferta e procura aplica-se como antes.

Isso seria como dizer que em determinadas circunstâncias o jogo do xadrez já não se rege pelas suas regras tornando-se uma função da inteligência. É misturar dois conceitos.

Tarzan disse...

Alf, em termos gerais concordo com a linha do post. Mas falta-lhe justificar as afirmações. com exemplos com referências, estudos.

alf disse...

tarzan

é o peso relativo da lei da oferta e procura que varia na formação de preços; se existir concorrência, o seu peso pode ser determinante, quase anulando essa lei. Isto porque o mercado existe, está dividido entre as empresas, a guerra de preços é mais entre elas do que com o consumidor.

Eu simplifico sempre as coisas para evidenciar as ideias chave. A realidade é muito complexa... Um luxo a que um especialista não se poderá dar...

Quanto a justificar as afirmações, neste caso fazer prova da hipótese apresentada, eu limito-me a apresentar a sua plausibilidade.
"Quem sabe mais do que eu que fale", ou seja, os especialistas que contestem ou comprovem...

(o Alf está ao serviço de "Jorge", só pode fazer umas incursões rápidas noutros assuntos...)

Tarzan disse...

OK!

O link do Rerum Natura já trouxe mais interesse à discussão.

Tarzan disse...

Alf,

«é o peso relativo da lei da oferta e procura que varia na formação de preços; se existir concorrência, o seu peso pode ser determinante, quase anulando essa lei.»

Não está correcto. A lei da oferta e da procura não se altera nem se anula. Numa situação de monopólio continua a aplicar-se a lei da oferta e procura. Não se chega ao mesmo resultado porque as variáveis da equação não são iguais às que vigoram numa situação concorrencial.


Se vir na wikipedia, pode ver que a forma de analisar mercados concorrenciais (curvas de oferta e procura)

http://en.wikipedia.org/wiki/Supply_and_demand

é muito semelhante à utilizada para análise do monopólios

http://en.wikipedia.org/wiki/Monopoly#Price_setting_for_unregulated_monopolies

Só variam os pressupostos de base. a "equação" mantém-se.

é

alf disse...

tarzan

É um pouco ao contrário do que dizes: é exactamente na situação de monopólio que a Lei da Oferta e procura se torna dominante.

Num quadro de grande concorrência, é sobretudo a concorrência entre empresas que vai determinar o preço.

Portanto, o peso relativo da Lei da Oferta e Procura varia com o grau da concorrência, sendo inversamente proporcional a esta.

Quando aumenta a concorrência, os preços descem necessariamente, independentemente de qq outra consideração; quando diminui a concorrência sobem.

E falo disto com experiência pessoal do assunto.

A situação para que caminhamos rapidamente é para monopólios globais e vai ser preciso uma nova teoria económica para lidar com isto

Vou ver o que aconselhas, deve ser muito interessante, assim que puder direi algo

Tarzan disse...

«Quando aumenta a concorrência, os preços descem necessariamente, independentemente de qq outra consideração; quando diminui a concorrência sobem.»

Mas isso não acontece porque a lei da procura e oferta se aplique mais ou menos. A lei é a equação. O número de empresas e de consumidores são variáveis dessa equação. Se altera as variáveis terá resultados diferentes. Mas a equação/lei é sempre a mesma.

Mas que vai dar ao mesmo porque concordo com o que você quer, no fundo, dizer. Mais monopólios levam a preços mais altos. No limite vamos desembocar na realidade que você refere no post: "Enquanto pudermos pagar, os preços subirão."

De facto, a sua explicação para o aumento do preço dos alimentos parece-me mais plausível que a do etanol. A realidade do etanol parece-me estar empolada (está na moda) face à realidade. O que opde não ser mau por estarmos a antecipar um problema que, a continuar tudo igual, irá acontecer no futuro - a nossa comida ir parar à refinaria.

antonio disse...

Quem detém a oferta, como as grandes superficies, ditam os preços.

Vejam a diferença de preços nas lâmpadas ou nas pilhas, mas continuam a ser eles a venderem 90% do que se consome em Portugal!

Manuel Rocha disse...

Caro Alf,

Atreva-se o meu amigo a dizer que dois e dois são quatro sem recorrer a uns quantos estudos e a umas referências da órbita dos academismos bacocos mais em voga, que ninguém lhe dará um avo de crédito !

As sebentas da economia continuam a ser optimos pastores de bastos rebanhos da sub-espécie "primus inter pares " que em vez de discutirem ideias ( que não têm ), preferem discutir CV's.

O academismo em voga não diz "virgula" sem citar a fonte. Tão ocupados nessas minudências que não reparam que a média dos acontecimentos passados não serve para prever a média dos acontecimentos futuros, e que os modelos matemáticos que pretendem representar a realidade não têm forma de reproduzir a sua natureza sistémica e menos ainda de nela incorporar variáveis como cultura e sonho. Tal como a nova, tb a velha economia não é mais que uma variante sofistica do conceito desse jogo de pc que anda por aí e dá pelo nome de "tribalwars" ( salvo erro..). Gostava de ver os arautos das leis da oferta e da procura demonstrá-la ao fim de dez dias passados com trés mangas no bucho e dois mil dólares no bolso.

Quanto ao seu texto, penalizo-o por um pecadilho original, pois surpreende-me que precise de se apoiar num doutoramento em quimica para deduzir questões de aritmética elementar.

;)

Diogo disse...

Alf: «Há muito que os países perceberam isto. Há muito que os EUA deixaram de combater os monopólios, passando, ao contrário, a incentivá-los – é que aos EUA interessa que as suas empresas sejam o mais forte possíveis para que possam liderar os cartéis de empresas em cada sector»


Caro Alf, constato que tem lido alguns apontamentos de economia de baixíssima qualidade. Você não diz coisa com coisa, meu caro.

Um monopólio, ou um cartel de grandes empresas não está ao serviço de nenhum país, está ao serviço de si próprio. É-lhes indiferente que os prejudicados sejam americanos, europeus asiáticos, africanos ou a população mundial toda junta. Uma empresa privada quer ganhar o mais possível à custa seja de quem for. Não existem «patriotismos»

Tenrinho!

alf disse...

diogo

lamento desiludi-lo, mas não é assim. As grandes empresas e os grandes paises têm uma actividade simbiótica. Os paises fazem legislação que convem a essas empresas, desenvolvem politicas internas e externas que as protegem e lhes permitem crescer.

Que raio, pensava que a economia é independente da política? E eu é que sou tenrinho???

(os nosso politicos também parecem pensar o mesmo... são uns tontos e lixam as empresas portuguesas)

Eu não preciso de ler panfletos... eu andei no terreno!!!

Joaquim Simões disse...

Viva, Alf!
Pelos motivos que o meu amigo conhece e por muitos outros que desconhece, não só diminuí a postagem no meu blog, como não tenho tido tempo para ler o que pubicou no seu desde o início do ano (mas ainda não desisti!), muito menos para o comentar! Aliás, nem sequer tenho praticamente respondido aos comentários aos meus posts.
Hoje, porém, decidi tirar umas duas horitas para rever os amigos e, no seu caso passar a vista, ao menos, pelo seu texto mais recente.
Que é excelente, digo-lhe!
Quanto ao Diogo, quereria apenas acrescentar, em jeito de metáfora, que a uma hera, que se preocupa apenas com a sua segurança e para isso se fixa com o maior número de raízes possível, não é indiferente o terreno onde se insere a sua raiz principal. Não se pode desligar a economia da intenção (leia-se da "cultura") que a gerou, a qual é geográfica e politicamente determinada. Tal como diz o Alf, pensar a economia actual como algo sem-pátria (leia-se uma vez mais sem-"cultura", enquanto conjunto de crenças e práticas) é um erro que nos sairá muito caro.
Logo que possa, volto.
Um abraço a todos.

Joaquim Simões disse...

Não resisti, fui aos posts mais antigos e encontrei o que intitulou por "O consumo e a partilha". Depois de o ler, encontrei nele a mesma linha que está presente, embora noutro âmbito, numa obra escrita por aquele que foi o meu melhor amigo, falecido há 25 anos, que foi (era mais velho do que eu) o meu "formador" intelectual. Quando morreu foi dado como um dos homens de maior cultura do nosso país, embora permanentemente marginalizado, mas hoje está completamente esquecido... Enfim, uma história que um dia lhe hei-de contar.
E isto lembrou-me também que, aquando da publicação (às suas custas, em pleno PREC) do livro, os estudantes da Faculdade de Economia lhe pediram, entusiasmados, para fazer uma conferência, com grande apreensão dos mestres das diferentes correntes, que não o permitiram...

alf disse...

joaquim simões

Ora viva o meu amigo! Muita falta aqui tem feito... como buscar a verdade sem o conselho de um filósofo??

O tempo é algo que as nossas vidas ocidentais tornaram incrivelmente escasso. Já estive em África e lá o tempo sobrava, era um infinito em que nos banhavamos com luxúria; como quando somos crianças. As pessoas estão todas próximas e a intensidade do contacto humano fazia-me sentir pleno e livre.

O que me leva a pensar: nas sociedades mais simples estamos afectivamente relacionados com as pessoas que nos rodeiam, ao contrário do que acontece na sociedade ocidental. Isso pode ter algumas desvantagens, mas também tem vantagens fundamentais.

A net será um meio de recuperarmos essa afectividade, embora apenas virtualmente? Os jovens, que tanto se relacionam na net, estão afinal apenas à procura da "sua aldeia"?

alf disse...

joaquim simões

respondendo agora ao seu comentário, passado que foi o momento de entusiasmo da sua visita eheeh, acho muito interessante o exemplo da hera!


Algumas grandes empresas ter-se-ão tornado apátridas, mas isso é a excepção não é regra.

Ás vezes há participações cruzadas mas isso são tudo estratégias: existe uma indústria automóvel francesa, outra alemã, uma de comunicações alemã, etc, que pode expressar-se através de uma empresa ou de participações em várias. Mas existe, tem identidade e comanda.

As empresas são os exércitos da actualidade e são tão ligadas aos seus países como os militares.

Interessante essa pessoa de quem fala. Para quando um post sobre ele?

alf disse...

Uma pergunta

As multinacionais são apátridas, diz-se.. pus-me à procura das empresas apátridas.. este carro é francês, aquele italiano, o outro japonês... este banco é espanhol, aquele português... este sapato é italiano, esta moda é francesa, aquela é a moda Lisboa... esta companhia de aviação é inglesa, aquela alemã, esta portuguesa... esta marca de telemoveis é finlandesa, aquela é francesa, esta é americana... etc, etc, etc, ... até a Coca cola é americana! Bolas, mas onde é que estão escondidas as inumeras multinacionais apátricas que comandam a economia?

Diogo disse...

alf disse: «diogo, lamento desiludi-lo, mas não é assim. As grandes empresas e os grandes paises têm uma actividade simbiótica. Os paises fazem legislação que convem a essas empresas, desenvolvem politicas internas e externas que as protegem e lhes permitem crescer.»


Não meu caro! Os [governos dos] países fazem legislação que convém a essas empresas porque esses governos são dominados por essas empresas. Como é que você pensa que os políticos chegam lá «acima»? Se, à partida, não estiverem às ordens do grande dinheiro, alguma vez apareciam nas televisões ou nos jornais? Quem é que você pensa que domina os media? E quem é que você pensa que financia os partidos políticos?

Tenrinho!

alf disse...

diogo

eheh isto é uma conversa de tenrinhos... vamos pensar por momentos que as pessoas são todas honestas e fazem o melhor que podem para o bem do seu país; então como devem os governos agir em relação às empresas do seu país?

É óbvio, não é? Devem criar condições para que elas possam gerar riqueza e suprir as necessidades dos cidadãos.

E é isso que todos os países fazem. Os países não podem viver do que importam, mas do que produzem. As empresas nacionais têm de ser eficientes etc mas antes do mais têm de existir.

Eu conheço muitas das voltas que todos os países fazem para proteger as suas indústrias. Todos menos um: Portugal.

É tanto assim que a Europa, na sua política de liberalização de mercados, entendeu por bem isentar os países mais atrasados, nomeadamente Portugal, da obrigação de fazer consultas internacionais em certas áreas, a fim de permitir o desenvolvimento das industrias locais. Que decidiu Portugal? Prescindir disso, é claro! Nós cá não queremos que as empresas nacionais cresçam!

(será que os nossos políticos estão ao serviço dos interesses estrangeiros? seria uma possibilidade se não fosse o facto de vermos que a atitude é geral)

a Portugal tem-se aplicado a história do balde de caranguejos portugueses. Sabe qual é não sabe?

Aqui sofre-se de inveja congénita e psicótica. Há quem diga que é influência da Igreja. Talvez, mas duvido.

Parece-me que as coisas estão agora um bocadinho melhores. Haja esperança...

Rodrigo disse...

Se a lei da oferta e da procura rege tudo, alguem me explica porque é que algumas coisas dobraram de preco quando se mudou do Escudo para o Euro?
Ou porque é que o mesmo produto custa o dobro aqui que noutros paises?
A lei da oferta e da procura raramente se aplica porque, na maioria das vezes:

1)A percepcao de valor de um produto pelo consumidor nao é independente do preco.
2) A procura nao é muito elastica.
3) A oferta é normalmente irrelevante. A producao é quase de graca, os salarios ja estao pagos, a empresa apenas quer é maximizar a receita.
4) Todos os agentes concertam precos (basta ler livros para MBAs, e lá se explicam as tacticas de como fazer isso sem ser demasiado explicito).

Agora se isto se aplica a um mercado global como o que o alf sugere....

alf disse...

Rodrigo

Os preços resultam de três coisas: 1 - a interacção entre quem quer vender, ou seja, a concorrência;
2 - a interacção entre quem vende e quem pode comprar, o que vulgarmente se define como a lei da oferta e da procura
3 - a regulação por uma entidade com poder para tal

Tudo o que refere não tem nada a ver com a interacção entre vários ofertores (inventei esta agora) do mesmo produto, pois não? Isso significa que o que determinou esses preços não foi a concorrência, pois tb não houve regulação do estado. Então, foi simplesmente a interacção entre os ofertores e os consumidores - ou seja, a Lei da Oferta e da Procura, num âmbito mais ou menos lato.

Quando a concorrência é forte, os preços mantêm-se baixos. Quando há mais de uma dúzia de empresas a oferecer o mesmo produto, situação que ocorria no inicio da comunidade europeia, ou quando há uma forte política anti-monopólio, comno acontecia nos EUA até a europa tb ter entrado na globalização, estamos num quadro de concorrência forte.

A situação alterou-se e hoje a concorrência está quase extinta em inúmeras áreas. Quando falta a concorrência, o objectivo dos monopolistas passa a ser maximizar o lucro (num quadro de concorrência o objectivo é sobreviver, por isso se desenvolveram teorias de gestão derivadas da biologia).

Esta maximização do lucro tende a ser conseguida cortando no desenvolvimento e procurando maximizar o preço de venda do produto sem quebra de volume.

Como é que isso se faz? Por exemplo, aproveitando uma mudança de moeda para subir o preço sem as pessoas se aperceberem. Subindo lentamente os preços para as pessoas se irem habituando. Inventando argumentos para justificar uma subida de preços (mais ecológico, mais reciclavel, não faz mal Às criancinhas, etc)

Todos os casos que o Rodrigo apresenta são, portanto, evidências de que os preços são muito pouco influenciados pela concorrência, ou seja, que a concorrência está a chegar ao fim