domingo, novembro 25, 2007

A procura eterna do Conhecimento

Diogenes, Jean-Léon Gérôme, 1860, Walters Art Museum, USA


Bem”, Mário pigarreia, percebo que está um pouco nervoso, “primeiro é preciso que entendam que todas as teorias que fazemos sobre o Universo têm erros, todas as teorias são temporárias, cedo ou tarde serão substituídas por outras”. Mário cala-se, percebo que espera uma reacção. Um pouco surpreendente esta declaração, vinda do Mário. Luísa fala: “Todas como? Não te estou a perceber... a teoria atómica não está certa?”


Mário não responde imediatamente. Olha para mim, parece-me que a pedir ajuda, o que me deixa confundido. “Imaginem que pegavam num índio da amazónia que nunca tivesse tido contacto com a nossa civilização e o colocavam numa estação espacial; acham que ele seria capaz, por si só, de entender onde estava, de perceber o que via pela vigia da estação espacial?”


Claro que não!”, Luísa responde rapidamente, rindo espantada.


Pois não! Claro que não! Mas a ignorância desse índio em relação à estação espacial é como a nossa em relação ao universo. Aparecemos neste universo, ninguém nos explicou o que é isto, e nós vamos tentando perceber, tentando construir modelos do que observamos, fazendo teorias; teorias sobre teorias, tal como o índio faria a bordo da estação espacial acerca da sua situação


Estás muito filosófico hoje”, atalha a Luísa, rindo-se. “Explica lá concretamente o que queres dizer: a teoria de Newton está errada? A Relatividade está errada?”


Claro que sim! Não sabes que a Teoria da Relatividade Geral é superior à de Newton? E quem pensa que a Relatividade Geral é a última palavra sobre o assunto está muito enganado; o próprio Einstein terá dito que no espaço de um século uma nova teoria a substituiria; isso ainda não aconteceu, o que só significa que estamos a ser mais burros do que o Einstein previu.


Aristóteles, Ptolomeu, Newton, Einstein, realmente estabelecem uma sequência de teorias...”, Ana como quem pensa em voz alta.


Exactamente! Repara que nenhuma é um disparate, o modelo de Ptolomeu é muito bom a descrever as posições aparentes dos astros, o de Newton é mais prático que a Relatividade Geral em muitas situações; mas a Relatividade Geral é o modelo mais exacto.


Mas onde é que queres chegar com isso? E o que é que isso tem a ver com a origem da Vida?” interrompe a Luísa. Mário continua calmamente: “Por isso, para a Ciência não há teorias “certas”, o que há é a melhor teoria do momento. A teoria atómica ou a do Big Bang são as melhores teorias que temos hoje nos respectivos domínios, mas não são teorias “certas”, longe disso. Por isso têm a classificação de “Modelo Standard” da respectiva área, que significa que é o melhor modelo, não que está certo.” Mário cala-se, está à espera da reacção. Vejo a cara espantada da Luísa e o olhar pensativo da Ana.


É a primeira vez que oiço isso e está a parecer-me que começas a fazer teorias como o Jorge”, Luísa faz uma pausa e larga um sorriso maroto na minha direcção, “O que eu vejo é que, tal como cada religião afirma que ela é a Verdade, a Ciência faz exactamente o mesmo; todos afirmam que estão «certos», não que são apenas a «melhor teoria»; a Ciência é tão cheia de certezas como a Religião; ainda não há muito ouvi cientistas dizerem que a Física estava acabada e que não seriam de esperar grandes novidades no futuro.


Não foi um cientista que disse isso, foi um jornalista científico, o que é completamente diferente; não sabes que segundo o Big Bang o Universo é constituído em 96% por matéria negra e energia negra, coisas cujas propriedades nem somos capazes de imaginar? Não te parece óbvio que temos um longo caminho pela frente? Mas evidentemente que a Ciência tem de passar a ideia de que as suas teorias são «certas», definitivas, e não que são apenas passos de uma longa caminhada, porque é isso que as pessoas comuns querem ouvir, porque elas buscam certezas em que acreditar.“


A Ana está com alguma ideia excitante, um brilho acende-se nos olhos e ilumina a carita. Fala com entusiasmo: “ A Bíblia também tem duas teorias religiosas. O Deus do Antigo Testamento é um Deus que intervém ou ameaça intervir constantemente no mundo material, enquanto o Deus do Novo Testamento actua praticamente apenas a nível espiritual ou mental, não é deste mundo nas próprias palavras de Jesus.


Isso é bem observado!”, o Mário esboça o seu primeiro sorriso da noite, “ realmente a Bíblia tem duas teorias sobre Deus, um pouco como a ciência tem sucessivas teorias sobre o cosmos...”.


Farto de estar calado, vejo as palavras saírem-me pela boca: “ Há muitas teorias religiosas, mas, tal como as teorias científicas, não há nenhuma que seja “certa”, todas as teorias humanas são procura, são caminhos, não são chegadas...”


Sim, mas o caso da Bíblia é particularmente interessante porque tem paralelo com o que se passa em ciência, pois pode-se usar a teoria do Antigo Testamento ou a do Novo Testamento conforme as conveniências, tal como usamos o modelo de Newton ou o de Einstein.


O Antigo Testamento.... estou a lembrar-me de uma coisa...” Ana tira um livro da prateleira atrás dela, reconheço a Bíblia, folheia, encontra, lê: “Isaías, 41, 18. Farei brotar águas nas alturas escalvadas e fontes no fundo dos vales; transformarei o deserto num reservatório e a terra árida em arroios de água. 19. Plantarei no deserto cedros e acácias, murtas e oliveiras; farei crescer o cipreste na solidão ao lado do olmeiro e do buxo”, levanta os olhos para nós, “isto é só um exemplo das definições de Deus que surgem no AT; o que tem de curioso para mim é que tem sido a Ciência que tem realizado as obras que o AT atribui ao seu Deus, logo nada satisfaz mais as provas do Deus do AT do que a própria Ciência...


Terás razão”, Mário entusiasmado, “daí talvez o conflito entre os religiosos fundamentalistas e a Ciência...Não há qualquer confusão possível entre Ciência e do Deus do NT, mas pode haver confusão entre Ciência e o Deus do AT!”


Do que disseste formou-se-me na cabeça a imagem duma árvore do Conhecimento, ou seja, que o Conhecimento evolui como a Vida, os novos conhecimentos somando-se aos anteriores e produzindo galhos cada vez mais altos”. Arrepia-me ouvir a Ana dizer isto.


Exactamente! A imagem da árvore é muito boa, embora a do edifício seja a mais usual para representar o crescimento do Conhecimento!” Não me contenho: “Isso é um enorme disparate!”


Arrependo-me imediatamente da agressividade com que isto me saiu, olham-me os três surpreendidos, procuro corrigir mansamente: “enquanto a Vida, ou uma árvore, ou um edifício, crescem por adição, o conhecimento não é assim. As nossas células têm os mesmos componentes das células mais primitivas, apenas fabricam com eles estruturas mais complexas, mas o Conhecimento é exactamente ao contrário, é um processo de descoberta, de escavação, não de construção.”


Como é que podes dizer uma coisa dessas?”, Mário genuinamente surpreendido, “Então o conhecimento não está sempre a crescer com o que todos os dias vamos descobrindo? Não é isto um processo de adição?”


A informação que vamos tendo do Universo é um processo aditivo, mas isso não é o Conhecimento. O Conhecimento são os modelos que vamos fazendo do Universo e estes dependem inteiramente dos conceitos base que definirmos. Um salto no Conhecimento consiste na construção de um novo modelo a partir de novos conceitos. É pela base que o conhecimento cresce, não pelas pontas. Copérnico mudou o conceito de Universo que existia então, não adicionou nada ao modelo de Ptolomeu. Mesmo na Religião, o que distingue as religiões é o conceito da divindade, o resto é consequência. Vocês disseram agora mesmo que o AT e o NT são duas teorias diferentes porque os seus conceitos de Deus têm diferenças”.

Ana e Luísa esperam a contestação do Mário. O Mário está pensativo. “Estou a lembrar-me de uma frase do Heisenberg, ele disse que por detrás de uma nova teoria está sempre um novo conceito de Universo...”. Sorri-me e eu sorrio aliviado, não estou nada interessado em entrar já em desacordo com o Mário, bem basta o que terei de dizer mais tarde.


E o que é que isso tem a ver com a origem da Vida?”, a Luísa é a primeira a retomar o rumo à conversa prometida...


Espera aí, já lá vou, impaciente e fogosa criatura!”, o sorriso de Mário alargando de orelha a orelha, os braços levantados em direcção à Luísa, esta introdução é porque eu não vos quero enganar, não venho para aqui dizer aquilo que a Ciência tem de dizer para o público em geral, até porque aqui o Jorge não mo permitiria...”, um sorriso largo na minha direcção, pergunto-me porque estará ele tão cordato comigo hoje, “... não vou dizer que a vida começou numa atmosfera de metano onde descargas eléctricas geraram por acaso os compostos da vida e evoluiu por erros de cópia e selecção natural. Essa é a conversa para o público porque a verdade é complexa demais. E qual é a verdade do conhecimento científico sobre este assunto?”


Ah, finalmente!”.

21 comentários:

antonio disse...

Bem, bem... então temos duas teorias para a evolução da ciência, uma criacionista e outra evolucionista! Segundo você temos uma evolução por saltos, cada vez mais abrangente, mas sempre como resposta a uma necessidade humana de perceber o seu universo. Também aqui parece que os criacionistas perdem.

Lá se vai uma parte dos leitores americanos (e dos meus lucros também).

Tarzan disse...

Grande post!

Gostei particularmente da tirada «estamos a ser mais burros do que o Einstein previu». Não sei se já lhe ocorreu fazer um paralelismo entre a teoria da matéria negra e a Idade das Trevas.

Parabéns pelo post

alf disse...

Antes de mais: o meu agradecimento a um certo Anónimo que me faz chegar informação estimulante, nomeadamente as frases da Bíblia aqui transcritas.

alf disse...

António

Não está mal visto o que diz; muitos cientistas têm uma visão evolucionista do Conhecimento, nomeadamente sustentam que o papel dos chamados "génios" é meramente antecipar a evolução do conhecimento, sem eles a Ciência chegaria ao mesmo ponto, apenas um pouco mais lentamente.

Thomas Kuhn defendeu que o progresso da Ciência se faz por revoluções.

Eu estou de acordo com o Thomas Kuhn; a metodologia científica tem uma falha essencial que conduz a ciência necessariamente a becos sem saída. O papel dos génios tem sido o de colocar a ciencia no caminho certo. Mas fazer mudar de rumo a ciência não é fácil, por isso é necessário uma revolução. Como o Galileu fez.


Acha que perdemos os leitores americanos? hummm, talvez se possa dar um jeitinho...Já pensou no seguinte: se os génios têm ideias que mais ninguém tem, não será isso devido a inspiração divina?

é que das duas uma: ou a metodologia cientifica está errada ou há dedo divino nisto... o certo é que sem os empurrões dos génios a ciência atasca-se...

O Deus do NT actua no plano mental / espiritual ou não? Existe alguma actuação mais importante do que a de "desatascar" a ciência? Ciência esta que depois vai permitir a obra prometida, ou seja, levar água onde não existe?

ou pensava que o Deus do AT ía fazer brotar a àgua pelas suas próprias mãos?? As "mãos" de Deus são o próprio Homem!!!!

alf disse...

Tarzan

Obrigado pelas palavras amáveis e ainda bem que gostou. Sei que estou a abusar um bocado da paciencia dos leitores...

Matéria negra, energia negra, coisas que só existem lá muito longe e nunca ninguém viu nem sabe dizer o que é... só pode ser bruxaria mesmo, não é?

É, parece que a Ciência chega a entender-se melhor com a bruxaria do que com a religião... basta ver como os bruxos repetem as coisas que a ciencia inventa, como mundos paralelos, outras dimensões, energias brancas e negras... ou é a Ciência que repete as coisas que os bruxos inventam??

Livra, que isto vai aqui um sarilho!!!

Amigos da Ciência, isto são jogos de palavras e de humor, não se ofendam!

antonio disse...

As mãos de Deus são o próprio homem. Não está mal visto. Na realidade é o homem que se preocupa com a água no sítio certo e com o seu bem estar. Saramago defende que Deus é maneta, pois em toda a Bíblia nunca se fala das mãos de Deus (apenas da mão de Deus) e nunca ninguém se sentou à sua esquerda.

Mas voltando à ciência, os génios só podem antecipar, se não seriam eles próprios criadores de ciência e lá teríamos os criacionistas de volta.

Mas com a ajuda desse mesmo anónimo que lhe envia as passagens, aqui vai a minha teoria: se uma nova teoria explica a nossa observação/medida do Universo, tal como hoje o conseguimos entender, e se ainda por cima o fizer de uma forma mais simples e com menos pressupostos, então, essa teoria tem que imediatamente ser considerada válida.

alf disse...

António

Não conhecia essa da mão de Deus. Mas entende-se: é "mão" no sentido figurado, o agente que executa a acção.

Quanto aos génios anteciparem o normal curso da ciencia, não estou de acordo. Os génios mudam o rumo da ciência. Quase dois milénios separam Aristóteles de Galileu, a ciência podia ter pensado o que Copérnico e Galileu pensaram muito antes. Não o fez não foi por uma questão de "velocidade".

O mesmo se passa com a Teoria da Relatividade ou o Big Bang. A Ciência ainda não entendeu o que o Einstein se fartou de tentar explicar. Se não aparecer alguém para explicar, daqui a mil anos continuará a dizer disparates como a teoria do Big Bang.


Uma nova teoria é adoptada como modelo standard se conseguir explicar as mesmas observações usando menos parâmetros. Pelo menos em teoria.

Na prática, há um pequeno grande problema: uma nova teoria difere da velha nos pressupostos; e essa diferença é inaceitável para quem já aceitou os pressupostos da velha. Coisas do cérebro humano...

Por isso é que uma verdadeiramente nova teoria tem tanta dificuldade em ser aceite. Só com uma revolução. Por isso o Planck disse que é inútil tentar explicar uma nova teoria, é preciso esperar que esta geração morra e uma nova cresça em contacto com as novas ideias.

Essa era a esperança de Einstein, por isso ele calculou que a sua teoria poderia ser compreendida na geração seguinte e ultrapassada daí a 3 ou 4 gerações; o azar é que em vez das novas gerações estudarem a teoria de Einstein, só estudam a versão disparatada que dela fez o Minkowsky. Por isso o falhanço da previsão dele (na realidade não falhou... lá mais para o fim do ano o saberemos)

Tiago R Cardoso disse...

Já tinha passado por aqui e lido alguma coisa.
Voltarei para ler com mais cuidado o texto de hoje, entretanto o Notas Soltas já lá colocou um link aqui para o seu lugar.

antonio disse...

Sempre lhe encontrei um lado profundamente religioso! Não me espanta que tome o partido dos criacionistas. Dos que criam e não se limitam a antecipar o que a própria ciência acabaria por alcançar.

Tiago, é um gosto vê-lo por cá!

indomável disse...

Meu querido Alf,

Realmente esta conversa é para ser lida e não para ser comentada por alguém como eu que só tenho um neurónio cansado e velho...

Estou de acordo com a tua visão até aqui. A religião tem de fundar raizes nas crenças, tem de falar em certezas absolutas, para ter crentes. Se a base de uma religião fosse a instabilidade, se os crentes não acreditassem em verdades absolutas, hoje acreditariam neste deus, amanhã naquele e isso é que não podia ser, não é verdade?
Ainda assim, lá bem no fundo, somos todos religiosos e crentes.
Creio que existe um fio condutor de todas as coisas, acredito que não existem coincidências.
Tu acreditas que no conhecimento está a resposta a todas as questões, que a Humanidade pode alterar o seu próprio rumo e que no futuro temos as respostas às nossas questões.
O Antonio acredita que eu lhe vou dar um dia resposta ao repto que me lançou...(e vou! juro que vou!)

Indomavel

antonio disse...

Oh, Indy escusavas de dizer a toda a gente o ingénuo que sou...

Se leres o AT podes ver que existe muito pouca estabilidade... não será antes o amor a chave para as religiões que perduram? E a infinita paciência a chave que explica o eu continuar a acreditar que um dia vou ter uma resposta tua?

E se bem me lembro o repto partiu de ti.

indomável disse...

Ai... Antonio, que azedume...

Realmente tens razão, partiu de mim o repto que aguarda ainda a minha resposta... E não, não és ingénuo, eu de facto tenho uma resposta para ti, mas está difícil de sair... Parece que tudo o que pode acontecer... me aconteceu nestas ultimas semanas...

E depois, com a escrita que tens deixado pairar aqui pela blogosfera, eu até estou com suores frios e uma tensão (não confundir com a outra palavra muito semelhante mas de significado muito diferente) enorme, com medo de te responder... é que tu não brincas em serviço!

Sim, estabilidade era coisa que não falhava no AT, o que também não falhava era que Deus metia as mãos na massa sempre que os homens faziam asneira. O NT já é mais estável mas a mão de Deus anda mais sumida, mas... como dizer... por conta da mão do homem...
Enfim, acho que já não sei nada do que para aqui escrevo, vou remeter-me ao silêncio que estes posts do Alf deixam-me sempre com o neurónio muito cansado.

Joaquim Simões disse...

Pois, o Planck e o Kuhn têm, nesse aspecto muito em comum. Mas há outro, que joga num campeonato paralelo, o Bachelard, que fala da necessidade, para a ciência, da psicanálise do cientista, e que complementa aquilo que dizem os outros dois.
Se ainda não o leu, faça-lhe um visitinha.
Um abraço.
P.S. - Obrigado pelo aviso sobre o meu blog. A solução que me sugeriu, resultou. Já abre mais rapidamente.

alf disse...

Indomavel, obrigado pela tua visita, já tinha saudades!!!

Parece que desde que te meteste com esse tal de Latim andas desaparecida... e depois dizes que é dos meus posts...

Nota uma coisa: não confundir Conhecimento com Ciência! Ciência é apenas uma metodologia, um caminho para o conhecimento dos vários que existem.

O Pensamento é uma ave que voa incansavelmente à procura da luz do conhecimento. E vai guiado pelos sentidos que temos... por isso eu perguntei quantos sentidos temos...

Não confundir também ser crente com pensar que existe algo para além do que se pode apalpar. Crente é aquele que toma como certo o que outro lhe diz sem verificar.

Jesus não era um crente, por isso teve de ir para o deserto à procura da verdade; se fosse um crente, seria um seguidor, seria como os outros, não teria uma mensagem nova porque todo o seu conhecimento já teria vindo de outros.

A Ciência está cheia de crentes, não é só a religião, e isso é uma das coisas que distingue os génios: não são crentes!

Tal como tu, minha cara indomável! Nada é aceite por esse neurónio que não tenhas de verificar primeiro!

Bjs

alf disse...

Joaquim Simões

Bachelard hem? Importante informação!! é que tenho dedicado os últimos anos a tentar perceber a organização do cérebro humano e a razão porque os cientistas têm tanto jeito para colocar sempre a hipótese errada em cada situação.

Note que não se trata de um problema especifico dos cientistas, mas de nós humanos.

É exactamente para falar disso que surgem os extraterrestres neste blog - nós humanos, não conseguimos ver-nos a nós próprios, precisamos de um psiquiatra de outra galáxia...

Obrigado pela informação.

indomável disse...

É verdade, é a mais pura verdade... nós somos manobrados por nós próprios. Note-se que tomamos sempre o partido daquele que nos facilita a vida, dizendo-nos exactamente o que devemos fazer e não daquele que nos diz que devemos procurar a nossa própria verdade, o nosso caminho.

Existe um ditado muito antigo (oriental como deve ser... aliás, como as línguas que falamos), que diz que devemos caminhar pelo caminho nunca antes caminhado, porque o que já foi caminhado nada nos traz de novo...

Isto diz alguma coisa sobre a nossa sociedade actual. Diz também sobre a busca do conhecimento.
Meu amigo, tens razão, o meu neurónio anda muito cansado, porque é um descrente, não acredita em nada que não tenha passado primeiro pelo seu escrutinio. Mas diverte-se aprendendo coisas novas, ou melhor, velhas com nova roupagem.
Como não gosto de ler só um tipo de coisa, apliquei algum tempinho (pouquinho e por isso vou ainda a meio) a um livro algo sombrio e misterioso que sei ias adorar ler. Tem o titulo - "O despertar dos mágicos" e foi escrito por dois filósofos franceses na década de 50 do séc. XX. Sei que ias gostar porque eles pretendem dar explicações pouco simplistas a coisas que todos encaram como dados adquiridos e que àquela luz parecem tudo menos explicadas.

Olha, antes mesmo de responder ao Antonio e ao repto que lhe lancei (O que está quase a acontecer, estou só à espera que o meu canal se sincronize com o das vozes que me falam cá dentro... eheheh), vou postar um texto no meu blog que és capaz de achar interessante, embora ande um bocado em baixo de forma nisto da escrita...

Ah! Já me esquecia. Estou em pulgas para saber isto da origem da vida, é que o André está farto de me perguntar como isso aconteceu e eu já tenho vergonha de lhe dar a versão do big bang.
Se calhar vou pô-lo a ler o teu blog, pode ser que me explique algumas coisas...

antonio disse...

Indy, em Moçamnbique ensinaram-me que devia de caminhar sempre sobre caminhos já caminhados... infelizmente, esta é uma teoria baseada na amarga experiência do pós guerra.

Gostei da tua achega sobre a "mão de Deus", daria uma boa tese.

Ah! E não vou referir, nem ao de leve, que me deves uma resposta, para não pressionar!

Alf, "O Pensamento é uma ave que voa incansavelmente à procura da luz do conhecimento." ??? Temos agora uma versão Corin Tellado?

alf disse...

Indomável

Pois é, ser descrente é uma grande canseira... e ainda temos de aguentar com a incompreensão daqueles que sabem perfeitamente que ser crente é que é bom e não entendem que esta nossa limitação...

O Despertar dos Mágicos fascinou-me na adolescência. Quem sabe mesmo a influência que pode ter tido no meu percurso? Nunca mais o vi nas livrarias, mas se o apanhar ainda o vou reler.

O André quer saber como tudo começou? Mas tu sabes a resposta! Porque a resposta é:

NÃO SABEMOS AINDA!

Com esta resposta vais rasgar os horizontes ao André. Ele vai compreender que estamos face a face com um imenso desconhecido, que estamos numa corrida de estafetas em que ele recebe um testemunho que irá continuar e passar aos que vierem a seguir.

Vai perceber que ele tem um papel, ninguém fica de fora nesta corrida, que não está tudo feito nem tudo descoberto, a vez dele de correr irá chegar. Todos nós temos uma corridinha para dar, por pequena que seja.

alf disse...

António

Interessante essa dupla verdade: temos de caminhar pelos caminhos já trilhados e não vale a pena caminhar pelos camihos já trilhados.

Dupla verdade mesmo! Porque se todos seguissemos qq dos conselhos era uma desgraça - se só trilhassemos os caminhos conhecidos ainda estariamos na idade da pedra; se todos fizessemos o contrário também, porque não haveria qq estabilidade, a experiencia não se acumularia, estaria sempre a partir do zero.

Por isso, cada um tem de seguir o seu caminho.

O Fernando Pessoa disse que neste mundo ninguém se perde, tudo são caminhos. Esta é a grande verdade. Sigamos o nosso caminho sem receio, não nos vamos perder.

indomável disse...

Sabes Alf, o tenho de ter muito cuidado com a forma como rasgo os horizontes aos meus pequenotes. Eu própria sou considerada uma louca perigosa por causa dos meus horizontes rasgados. Acho que o facto de andarmos um nico de nada à frente do resto do pessoal faz de nós pessoas temidas.
O que me vale é que sou pequenina e quase insignificante e como estou sempre de sorriso estampado no rosto, ninguém me leva a sério. Caso contrário, já me teriam levado para um sanatório qualquer...

Raiz de Carla disse...

Para dizer que a fisica está acabada ou não se tem noção do quão pouco se sabee se descobriu em fisica ou não se tem fé nenhuma :P
Já ouvi falar de matéria negra, mas ao que sei ainda não se conseguiu esplicar bem o que é, o que significa... mais trabalho para os fisicos :)