sexta-feira, novembro 30, 2007

O que sabemos e o que não sabemos



Imagem: a experiência de Miller (de “À Descoberta da Vida”)

Bem, o Mário começa sempre da mesma maneira, acho graça ao modo como coloca as mãos em oração no seu esforço de concentração, “ a primeira questão que se coloca sobre a origem da Vida é perceber se esta se forma espontaneamente hoje ou não. Claro que vocês já sabem que a Vida não se forma espontaneamente na Terra actualmente, mas não se esqueçam de que foi preciso chegar a essa conclusão. Até recentemente pensava-se que a vida surgia por geração espontânea. Quem primeiro o contestou terá sido Francesco Redi, no sex XVII, iniciando uma polémica que só terminou no sec. XIX, quando Louis Pasteur fez uma série de experiências na linha das que Redi tinha feito. Ora o que é que podemos concluir do facto de a Vida existir mas não se formar espontaneamente hoje?”

Que a Vida vem do espaço, como diz o Fred Hoyle?”

O Fred Hoyle e não só Luisa, essa ideia é anterior a ele, a Panspermia e a teoria Cosmozónica propuseram que viesse na forma de esporos; Fred Hoyle propôs a hipótese das bactérias e vírus, não só como explicação para a origem da Vida na Terra mas também para a sua evolução. Mas reparem que essa hipótese não tem grande interesse do ponto de vista da Ciência, pois apenas remete o problema para outros locais do Universo. A Ciência é uma metodologia de investigação e, nesta altura, não podemos investigar como a Vida se pode ter formado noutros lados. Essa hipótese pode interessar à Filosofia, pode ser verdadeira, mas não interessa à Ciência porque a metodologia científica não lhe pode ser aplicada com os conhecimentos actuais.”

Agora é que me estás a baralhar! Então pode ser verdade mas não interessa à Ciência? A Ciência não busca a verdade sobre o Universo?

Claro que busca! Mas dentro da sua metodologia e recursos. A Filosofia também busca a verdade, com outra metodologia. A própria Teologia não deixa de ser uma busca de Verdade. Minha cara Luísa, o Pensamento busca incessantemente a Verdade, mas usando diferentes caminhos ou metodologias. O trabalho do Fred Hoyle, que tão bem expuseste, pertence ao campo da Filosofia porque extravasa as condicionantes do método científico mas não do filosófico”.

Mas ele era um cientista...”

Claro! Ora essa! O pensamento não tem de estar prisioneiro de uma metodologia. O Poincaré era um matemático e no entanto foi, para mim, talvez o maior filósofo de todos os tempos!

Esse não conheço”, Luísa ri-se

Bem, não nos dispersemos, que mais hipóteses podemos fazer?

Que a Vida foi criada por um Deus?”, a Ana com ar muito desconfiado, de quem não está a perceber onde o Mário queria chegar.

Bem, Ana, e como é que esse Deus fez a Vida? Os átomos tiveram de se juntar para formar as células, não é? Ou então dizemos que a Vida apareceu porque Deus quis, sem mais explicações, e estamos novamente fora da metodologia científica. Nota, não afirmo que não tenha sido um Deus a criar a Vida, só digo que também não podemos aplicar a metodologia científica a essa hipótese.

Então, tu queres hipóteses às quais a metodologia científica possa ser aplicada, é isso?

Exactamente. Ou seja, hipóteses que possamos investigar, verificar.

Queres, portanto, uma hipótese em que a Vida tenha origem na Terra, sem intervenção exterior, e compatível com o facto de ela já não se criar actualmente... é isso?”, a Luísa com aquela pose direita que toma sempre que decide encarar um assunto com seriedade.

Isso!”

Estou a lembrar-me do que o Jorge já disse... as condições da Terra seriam diferentes no início; as de então seriam as adequadas ao aparecimento da Vida, e as actuais inadequadas...”

Isso mesmo. As condições iniciais da Terra eram muito diferentes, independentemente da teoria do Jorge, a composição da atmosfera seria diferente, a temperatura era algo mais alta”. Não temos vestígios que nos digam com era a atmosfera antes do aparecimento da Vida, mas o russo Alexandre Oparin fez, em 1924, a primeira análise consistente do assunto, concluindo que para ser possível a geração dos compostos elementares da vida a atmosfera deveria ser redutora, ou seja, sem Oxigénio. Ele analisou como poderiam esses compostos ser produzidos no ambiente inicial e como se poderiam juntar para formar uma célula. O seu trabalho é a base de todos os trabalhos posteriores.” Mário faz uma pausa, não sei se espera que comentemos algo. Luísa decide-se:

Mas não foi um tal Miller que fez uma experiência que produziu esses compostos?

Foi, ele verificou que nas condições previstas por Oparin efectivamente se geravam os compostos previstos. Na altura isso foi considerado a prova que a Vida se tinha assim gerado. Mas foi sol de pouca dura.”

O que é que queres dizer com isso? A experiência estava errada?

Nada disso. O que acontece é que depois verificou-se que isso é muito fácil de conseguir numa qualquer atmosfera que contenha os elementos necessários e se disponha de uma qualquer fonte de energia, como descargas eléctricas, radiações, até ondas sonoras. Até se descobriu esses compostos em meteoritos, sinal de que podem ser produzidos mesmo em condições extremas e não de que há vida noutros lados.

Portanto, não há nenhuma razão para pensar que a Vida possa ter surgido espontaneamente nos primórdios da Terra?”

Ahh, isso há! Toda a estrutura da Vida espelha isso. Reparem, quando algo é fabricado para uma função, são escolhidos os elementos mais adequados. Não se fazem os motores dos automóveis com barro, não resultaria, fazem-se com um metal porque é o material mais adequado. E também não se constroem com pecinhas como um Lego, os seus componentes são especificamente desenhados para a função e construídos com os materiais mais convenientes, não é verdade?”

Sim”, assentimos os três.

Mas com a Vida nada disso se passa. Por um lado, os elementos reactivos mais abundantes do Universo são também os mais abundantes na Vida, o que está de acordo com a possibilidade de a Vida se ter originado por organização espontânea; por outro lado, a Vida usa uma enorme variedade de estruturas mas construídas com um número reduzido de tipos de blocos, ou seja, de compostos elementares, a que se chama monómeros. Isto é o que seria de esperar num processo onde esses blocos fossem produzidos em grandes quantidades numa primeira fase e, numa segunda fase, se pudessem associar formando polímeros, num vasto número de combinações.

Pelo que disseste, a primeira fase não levanta problemas...”

Pois não, a segunda é que levanta. Diversas hipóteses têm sido analisadas, nomeadamente uma em que argilas fariam parte do processo de polimerização. Sidney Fox conseguiu obter alguns polímeros mas teve de recorrer a condições difíceis de ocorrer naturalmente, nomeadamente a temperaturas da ordem dos 200º C. Ainda ninguém conseguiu um modelo satisfatório da segunda fase.”

Mas afinal o que é que sabemos?”, a Luísa meio desiludida.

Perceber a Vida e a sua origem é um problema tremendamente complexo; temos de ter a humildade de perceber que não há resposta fácil. O que temos de fazer é investigar, ir percebendo como funciona a Vida e, à medida que o vamos fazendo, melhores hipóteses podemos ir construindo sobre como se originou. O facto de sabermos
1 - que se compõe maioritariamente de elementos abundantes no Universo,
2- que se organiza como um Lego e
3 - que já não se cria,
são já três importantes pistas. E temos várias hipóteses sobre como se poderiam ter formado diferentes estruturas da célula, nomeadamente as membranas. Se quiserem saber detalhes é só irem à Net. Mas não temos ainda nenhuma hipótese que eu considere satisfatória sobre como foi possível a formação das longas cadeias dos polímeros e muito menos um resultado experimental desta 2º fase do processo de construção da Vida
.

Jorge, e tu? Não disseste que tinhas coisas a dizer a este respeito?” Luísa parecia algo desiludida com a franqueza do Mário.

21 comentários:

Diogo disse...

(A vida) já não se cria.

Quem disse?

alf disse...

diogo

Bem sei que o seu comentário tem um segundo sentido, mas vou aproveitar para esclarecer algo que muitas pessoas não saberão.

A Vida, hoje, passa de célula para célula através da divisão celular. A Vida reproduz-se, não se cria. Mesmo na reprodução sexuada não existe criação de vida, é apenas um processo de reprodução das células com carateristicas especiais. O óvulo não precisa necessariamente do espermatozoide para se começar a dividir, gerando um novo ser; precisa dele para gerar um ser diferente.

E é isto que se cria: a diferença! Gerar seres diferentes é o grande objectivo da natureza.

Tarzan disse...

Alf,


agora reparo que há uma bonita analogia entre o espermatozóide, com a sua cauda,a penetrar o óvulo e assim iniciar o processo da Vida; e os meteoritos e cometas, com as suas caudas, a penetrar na atmosfera terrestre para gerar vida. Que bela sugestão metafísica, não?

antonio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
antonio disse...

Bem, eu também só procuro a verdade que me interessa, pensava que isso era presunção, agora reparo que se trata de algo mais elaborado e na melhor tradição da metodologia cientifica...

Deixar Deus fora da metodologia científica, faz todo o sentido. Se não vejamos: se Deus é o criador de todas as coisas, também o é indirectamente da ciência, logo não se lhe pode submeter, uma vez que por definição o Criador não se submete à obra criada, embora aparentemente possa por esta ser morto.

Tarzan, boa imagem.

Ah! No Notas a Blonde é a convidada da semana.

alf disse...

Tarzan

sugestivo sem dúvida eheh; e sem dúvida que coisas vindas de fora da Terra podem espalhar grande confusão na Vida, quem sabe propulsionar a evolução...

alf disse...

António

O seu comentário dá pano para mangas ehehe.. aguente-se agora à bernarda, que isto de ser provocador encapela as ondas...

Eu procuro a Verdade, seja ela qual for. Um luxo a que me posso dar.

A minha metodologia científica não é a da Ciência. A metodologia da Ciência é a de Aristóteles e Ptolomeu, a minha é a de Galileu e de Newton.

A Ciência não se pode dar ao luxo de seguir a minha metodologia. Bem vê: todas as teorias estão erradas e cedo ou tarde alguma experiência dá um resultado bem diferente da previsão teórica. A Ciência não pode coçar a cabeça e dizer: oh pá, tenho de começar tudo de novo, juntar os resultados todos,esquecer todas as teorias e recomeçar do zero!!

O que a Ciência tem de fazer é acrescentar um parâmetro à teoria para a fazer coincidir com o novo resultado e anunciar: Sucesso! mais uma confirmação da teoria; e não só: ainda se descobriu algo que era desconhecido (o novo parâmetro, a que se atribui sempre um nome esotérico-familiar).

É assim que os modelos que começam físicos passam a matemáticos.

Eu, como o Galileu ou o Newton, não uso parâmetros que não entenda, que não seja capaz de definir exactamente. Nas minhas teorias não pode existir matéria negra, Deus, energia negra, Zeus, constantes cosmológicas, neutrinos.

Por isso Newton disse que não fazia hipóteses.

Além disso, acontece que, neste momento, nem sequer preciso dessas hipóteses.

Agora, sabe onde é que o parÂmetro Deus devia surgir? Nas teorias económicas!!

Já viu que ninguém percebe muito bem o que faz os preços subir ou descer, a economia avançar ou regredir? Já viu como as previsões económicas feitas sem esse parAmetro falham sistematicamente? Não estará a faltar este parâmetro?

E agora repare; já viu como pessoas ligadas a organizações de inspiração religiosa têm sempre ganhos fabulosos, aconteça o que acontecer à economia?

Será que essa pessoas, melhor conhecedoras do parâmetro "Deus", sabem como entrar com ele nos seus modelos???

Não acha também curioso que um ex-presidente da PT e um ex-Director das Finanças tenham mandado celebrar missa de agradecimento pelos resultados económicos? Se o fizeram é porque consideram que o parâmetro "Deus" afecta a economia, logo uma teoria económica tem de o contemplar

Então, sendo a economia um campo óptimo para permitir a actuação de um Deus, celebrando-se missas de agradecimento, como é que estão sempre a querer enfiar Deus nos modelos da Ciência e ninguém fala de Deus nos modelos económicos??

Será que é para desviar as atenções?? se todos soubessem como usar este parâmetro deixariam de ser sempre os mesmos a ganhar?? hummm...

Note por último o seguinte: a minha metodologia não interfere em nada com as crenças de cada um. Apenas aqueles que têm uma fraca compreensão do Divino podem temer que o facto de explicar fenómenos naturais sem recorrer a Deus diminua a sua (deles) crença nesse Deus, sem o qual não se concebem imortais.

Depois deste blogue sobre fenómenos naturais, talvez ainda venha a fazer um sobre o sobrenatural... eu, como Newton, tenho a mente aberta a todos os campos de procura da Verdade e recorro a todos. Mas vou pelos meus pés, sou como a Indomável.

Vejo lá o que você arranjou com o seu comentário; mas até me parece que você ainda vai desenvolver mais o tema...

antonio disse...

Bem terei que voltar com mais tempo. Para já você convenceu-me: em vez de fazer um MBA vou estudar Teologia!

indomável disse...

Meu querido Alf,

Quem te disse que a teoria económica não contempla o parâmetro Deus?

Quando estudei os rudimentos da economia na Universidade, recordo-me de algo como a "teoria da mão invisível" de Adam Smith, que explicava como a economia obedece a leis próprias de oferta e procura que ninguém consegue muito bem explicar. Essa mão invisível seria como a intervenção divina...
Estarei correcta Antonio?
Se calhar o meu neurónio anda a pregar-me outra das dele e só disse foi asneiras...

antonio disse...

Seja bem aparecida. O que vocês ainda não sabem, mas para lá caminham, é que a mão de Deus está mais presente do que vocês julgam (e a da Opus Dei vem logo a seguir).

Olha e aparece no meu blog.

anonimodenome disse...

Encontrei esta animação vídeo lindíssima sobre o interior duma célula no site:
http://blogs.chron.com/sciguy/archives/2006/09/a_cells_interio_1.html
clique sobre 'nifty animation'

ou em
http://multimedia.mcb.harvard.edu/anim_innerlife_hi.html
explicação em http://noumignon.livejournal.com/32473.html

A célula mais simples é complicadíssima. Uma cidade com fábricas e redes de transportes, etc é mais simples que uma célula.
Nos primórdios a protovida era simples, num meio ambiente que queremos vislumbrar.

O prazer está na caminhada em busca das verdades escondidas e, felizmente, a humanidade nunca saberá tudo.

Analisando o seu computador pessoal já não se consegue entrever a máquina de calcular de Charles Babagge (http://en.wikipedia.org/wiki/Image:050114_2529_difference.jpg)
Quanto à origem da vida o problema é muito mais complexo.

Com o alf estamos a fazer uma viagem. Haja saúde, abramos os olhos e apreciemos as vistas.

Tiago R Cardoso disse...

Por muita explicações que se dêem, o que está provado é que foi preciso uma enorme "coincidência", para todos os factores, que originaram a vida, estarem todos ao mesmo tempo na posição certa para o aparecimento da vida e são precisos muitos mesmos.

anonimodenome disse...

As teorias sobre a origem da vida deparam-se com cenários em que a vida é improvável. Para mim é uma boa medida do erro da teoria. As teorias estão erradas.
A vida teve de aparecer num cenário em a vida se tornou inevitável. 100% de probabilidade de nascimento da vida.
Só assim faz sentido. O Milagre da Vida não tem cabimento.

Diogo disse...

«alf disse... diogo, Bem sei que o seu comentário tem um segundo sentido, mas vou aproveitar para esclarecer algo que muitas pessoas não saberão. A Vida, hoje, passa de célula para célula através da divisão celular. A Vida reproduz-se, não se cria.»

O meu comentário não nenhum segundo sentido. Como é que tem a certeza que hoje já não há criação de vida?

alf disse...

Tiago, as nossas teorias erradas é que exigem essas coincidências todas. São passos do processo de conhecimento: primeiro não se faz a mais pequena ideia de como as coisas podem acontecer, depois arranja-se uma teoria em que a possibilidade do acontecimento já é não nula mas é baixissima e só depois há-de aparecer a teoria que verdadeiramente explica o facto, onde as coincidencias desaparecem.

Acontece com a Vida e com muitas outras coisas - por exemplo, a actual teoria da formação do sistema solar tb tem uma probabilidade mínima de conseguir o sistema solar que existe. Esta baixa probabilidade não significa que o Sistema Solar é uma coincidência, um milagre, apenas que esta não é a teoria certa. Mas é a melhor que existe...

alf disse...

anonimodenome.

É isso mesmo!

As coincidências são a medida da nossa ignorância. Como a nossa arrogancia nos impede de aceitar tal facto, inventamos o Deus das Coincidências, ou seja, um conceito de Deus que se revela na quantidade de coincidências com que descrevemos o Universo. é apenas uma etapa do Conhecimento... mas tem alguns perigos porque quem apresenta teorias quer eliminam as coincidencias poe em causa as outras teorias que delas dependem e ainda os crentes que se habituaram a este estranho Deus.

alf disse...

diogo
Não tenho a certeza de que já não se crie Vida. É algo que é aceite pacificamente na actualidade, algo que já foi muito discutido, apenas isso.

No que me toca, eu tenho um entendimento do processo de geração de vida que implica que já não há condições para se criar Vida.

Isto não é estranho, há outras coisas que já não se criam nas condições actuais da Terra, como petróleo ou dolomites (em grandes quantidades.

Mas a verdade é que eu não sei ao certo se se criam novos virus espontaneamente, em ambientes muito especiais. Mas sabemos que a Vida que conhecemos nos animais superiores tem raizes muito antigas, podemos estabelecer a sua árvore genealógica até um passado remoto.

Vamos ver se o que o Jorge tem a dizer nos ajuda...

Manuel Rocha disse...

Caro Alf:

Apenas uma nota breve para lhe dar conta de que "encalhei" por acaso no seu blog e gostei do que vi. É sempre bom saber que há outros "peixes que nadam contra as correntes".
Voltarei com gosto e mais tempo para leituras mais atentas.

Saudações.

Manuel Rocha

Diogo disse...

alf: «Mas a verdade é que eu não sei ao certo se se criam novos virus espontaneamente»

Bem me parecia.

anonimodenome disse...

Tanto tempo sem novas, que já estou em desesperança.
O Jorge fala ou não fala?
Alf, mete lá uma cunha por favor.
Ou será que, como já afirmaste, estarás farto do protagonismo dos teus protagonistas?
Diz qualquer coisa alf.

alf disse...

anonimodenome
Nada de desesperanças! Obrigado pelo interesse.

Eu avisei de que as coisas têm os seus tempos para acontecer... há apeadeiros nesta viagem para embarcar outros viajantes... que se irão tornando tripulantes desta nave, são indispensáveis, não podemos partir sem eles...