Como vimos no
texto anterior, a banca dedica-se, entre outros, ao negócio da usura, que é o
que nos interessa analisar agora.
Quando fazemos um
empréstimo para habitação, celebramos um contrato que estipula uma data de
coisas, nomeadamente o juro.
Como os juros
estão indexados ao juro definido pelo BCE, se o BCE quisesse causar uma crise
no crédito à habitação apenas teria de aumentar o seu juro. Os juros subiriam
automaticamente, algumas pessoas ficavam sem conseguir pagá-los, e isso daria
oportunidade aos bancos para renegociarem os contratos para prazos maiores e
juros mais altos. Depois, os juros do BCE já poderiam descer novamente. Uma
pequenina jogada destas representa logo milhões de euros de lucros para a
banca.
Este pequeno
exemplo é para percebermos os poderes do BCE no comando dos «mercados»,
nomeadamente no fomento da usura. Os mercados respondem de forma linear, são
facílimos de controlar, não acontece nada de imprevisível – é apenas a
ignorância do comum dos mortais que permite passar esta imagem de
“imprevisibilidade” dos mercados.
Outro exemplo é o
caso da bolsa; como certamente já repararam, a notícia da variação da bolsa é
sempre precedida de uma “explicação”. Sempre. É claro que a explicação é falsa,
se o funcionamento da bolsa fosse assim lógico seria fácil prever o que iria
acontecer no dia seguinte – na verdade, quando há uma expectativa generalizada
sobre o seu comportamento no dia seguinte, podemos estar certos que vai ser ao
contrário. Porquê? Porque o funcionamento da bolsa é manipulado pelos grandes
investidores e o negócio consiste em levar os pequenos investidores a apostar
de uma maneira e depois fazer a bolsa variar ao contrário. Os pequenos
investidores perdem sempre, os grandes ganham. Isto mantêm-se assim suportado
na ideia de que o funcionamento da bolsa é previsível e não manipulável e é por
isso que é indispensável apresentar sempre uma “explicação” para as variações
da bolsa – para que os toscos dos pequenos investidores continuem a meter lá o
dinheiro.
Portanto, tudo o
que acontece nos mercados financeiros é fruto da acção previsível dos agentes
financeiros e do comando dos bancos centrais. O objectivo dos agentes
financeiros é sempre maximizar os lucros e quem faz negócios com eles tem de
acautelar as condições do negócio porque eles são predadores cegos e
impiedosos. Não é porque sejam «maus», é apenas porque essas são as regras, é a
consequência inevitável de nós querermos que eles nos paguem a melhor taxa
pelos nossos depósitos a prazo.
No que se refere
às dívidas soberanas, os países têm um mecanismo de salvaguarda: se os mercados
quiserem fazer subir os juros, o banco central imprime moeda e compra a dívida.
A banca perde duplamente: os juros não sobem e a dívida diminui. Por isso, este
mecanismo mantém os “mercados” sob controlo.
Como sabem, o Fed
tem imprimido triliões de dólares nos últimos anos, pondo a dívida soberana dos
EUA a salvo dos “mercados”.
São estúpidos os
americanos? Evidentemente que não, toda a gente sabe que é assim que se faz.
É por isso que a
decisão do BCE de não comprar directamente dívida soberana tem segundas
intenções. Com esta decisão, as dívidas soberanas ficam sem nada que as segure,
os juros pedidos pelos mercados podem subir ao céu. Consequência inevitável
desta decisão.
Portanto, não
tenhamos dúvidas: a actual «crise» das dívidas soberanas é voluntariamente
produzida pelo BCE. Não é nenhuma «crise», não é algo imprevisto,
incontrolável, mas exactamente o contrário.
Bastaria emitir
eurobonds, imprimindo dinheiro, para ela acabar imediatamente. Como fazem os
americanos. Isso iria desvalorizar o Euro, como dizem? Mas o dólar não se tem
desvalorizado, pois não? Esse argumento é falso, o valor da moeda está na força
da economia.
Portanto, o que
vai acontecer é bem claro – a subida de juros serve de pretexto para o BCE,
dominado pelo bloco Franco-Alemão, tomar posse dos países a que «assiste».
Posse definitiva, como perceberão já a seguir.
Ao intervir em Portugal, as necessidades de
financiamento do país até 2013 ficaram muito reduzidas, pelo que os mercados
foram “atacar” o país seguinte, a Itália. Em 2013, voltarão a atacar Portugal,
motivando nova «ajuda». E isto indefinidamente porque a única maneira de
Portugal sair deste esquema seria reduzir a zero a dívida soberana e isso é
impossível. É por isso que até «perdoaram» metade da dívida à Grécia – é
completamente irrelevante, tanto faz a dívida ser metade ou o dobro, enquanto
houver dívida a Grécia ficará dependente do BCE.
Percebam bem
isto: não há saída desta situação. Se não fizermos algo, nunca mais voltaremos
a ser um País. Não se iludam.
Este esquema tem
um nome: o «esquema da cantina». É um conhecido esquema de escravatura.
Mas este esquema
não nasceu agora: a armadilha está montada desde o início.
Passa pela cabeça
de alguém pretender que os habitantes do distrito de Castelo Branco, por
exemplo, passem a ter a saúde, a educação, as pensões de reformas, etc, etc,
financiados pelas receitas do distrito? Claro que não, porque as empresas que
lá operam têm a sede noutros lados e é para lá que os lucros vão. Entre muitas
outras razões.
Pois um disparate
destes é exactamente no que consiste o brilhante projecto europeu.
Como já referi,
Portugal está invadido por empresas que exploram os nossos recursos mas levam
os lucros para fora. Isso não é permitido em nenhum país do mundo fora da
Europa. Economia aberta com orçamento local é um disparate inacreditável, é
impossível este esquema ter sido concebido para resultar – e não foi, este
esquema é apenas uma armadilha. Uma armadilha em que os tolos do Sul caíram.
Caíram por cupidez, porque pensaram que iam passar a ter o nível de vida dos
alemães. As pessoas acreditam sempre no que lhes convém, é assim que os
vigaristas agem.
Portanto, temos
de perceber a situação com toda a clareza: o projecto europeu não passa de uma
armadilha, arquitectada para colocar os vários países europeus na dependência
do bloco Franco-Alemão. Estamos em guerra. Já estamos ocupados. Vamos ser
barbaramente aniquilados, como irei explicar.
Mas não pensem
que são só os países do Sul que foram vítimas dos dois grandes; não sabem que a
Bélgica está sem governo há muito tempo? Sabem porquê? Porque a Bélgica já não
existe. Nem o Luxemburgo ou o Liechtenstein. A Holanda é uma colónia alemã,
como se perceberá a seu tempo. E a Irlanda, na verdade, nunca foi um país, não
passa da Madeira dos Ingleses.
Portanto, para
conquistar a Europa falta controlar os 4 do Sul. O Leste virá depois. Já foi
assim nas grandes guerras, o plano é o mesmo, os meios é que são outros... (e,
tal como nas grandes guerras, esta guerra também passa por África; só que aí é
mesmo à bomba...)
Não tenham
dúvidas nem ilusões: estamos debaixo de um ataque Franco-Alemão. Não há «crise»
nenhuma, há um acto de guerra, uma acção de conquista da Europa por franceses e
alemães. O sistema financeiro limita-se a responder de acordo com as regras que
lhe fixam. O seu comportamento é absolutamente previsível, linear, simplório. E
as regras foram escolhidas expressamente para colocar os países do Sul da
Europa no domínio da França e da Alemanha.
No próximo post
vou mostrar-vos o nosso futuro próximo, se continuarmos a ir para onde nos mandam.
Porque, diferentemente do que acontece com os pequenos países do norte, o
projecto que esses dois têm para nós é do tipo do que fizeram para os judeus. Este modelo de sociedade não funciona sem escravos. O único modelo que existe actualmente de uma sociedade sem escravos é o da Dinamarca.