segunda-feira, agosto 22, 2011

Parem de mimar os super-ricos



Como digo no post anterior, o Jogo da Economia terminaria num estoiro; isso só não acontece em duas situações:

-         ou porque existe algo (supostamente o Estado) que controla o crescimento da desigualdade e a mantém a oscilar em torno do valor ótimo;
-         ou porque entra em acção o Jogo do Poder e acaba com o Jogo da Economia, estabelecendo uma sociedade de Senhores e Escravos, uma sociedade estagnada neste formato.

Mostra-nos a História que, cedo ou tarde, o segundo cenário se impõe, originando um período negro na história da humanidade que pode durar séculos.

Não presumamos que os conceitos de igualdade, liberdade, fraternidade são conquistas da sociedade moderna, estabelecidos de uma vez por todas; nada disso, são conceitos antiquíssimos, dos primórdios da humanidade, repetidas vezes assumidos por brilhantes civilizações que depois sucumbiram; conceitos que foram redescobertos uma e outra vez após longos períodos de escravidão e negritude. Até a escrita já foi perdida, na Grécia e na Índia, entre o 2º e o 1º milénios A.C., tendo tido de ser reinventada.

É por isso que os grandes jogadores do Jogo da Economia, que não estão interessados no Jogo do Poder, se sentem assustados com a actual situação; eles sabem que se não forem tomadas medidas vigorosas de controlo da desigualdade, a economia vai começar a colapsar e os jogadores do Jogo do Poder vão assumir o controlo. Eles, os do Jogo do Poder, estão à espreita, esfregam já as mãos de satisfação, falam já com voz grossa, mesmo que em corpo de mulher.

É por isso que o Warren E. Buffet, a terceira pessoa mais rica do mundo, desceu à arena e publicou um artigo de opinião a pedir para aumentarem os impostos sobre os mais ricos. 

sábado, agosto 20, 2011

O Jogo



(inicío aqui a postagem, que pretendo diária, de uma dúzia de textos na busca do entendimento do que se passa a nível económico e duma solução para Portugal; são reflexões pessoais)

A Economia é, em parte, como um jogo; os próprios agentes económicos são designados por “players”. Um conjunto de regras define a economia, como acontece em qualquer jogo.

Num jogo, há uma finalidade, um resultado que se atinge fatalmente, um estado final: um vencedor! Um único vencedor, os outros jogadores são derrotados.

Transposto para a Economia, isso significaria que o resultado da actividade económica seria haver uma pessoa ou uma organização que ficaria com a riqueza toda, e todas as outras pessoas seriam reduzidas à pobreza, à miséria, à escravatura.

Na verdade, na vida real, se um «jogador» ficar com a riqueza toda, ele não fica rico, pelo contrário.
 Isto é assim porque o valor das coisas é o valor que os potenciais compradores oferecem por elas; se não há compradores, as coisas não valem nada.

A famosa depressão bolsista americana mostrou bem isto – as fábricas produziam para armazém porque os trabalhadores eram tão miseravelmente pagos que não podiam comprar nada, logo os bens produzidos deixaram de ter valor e os ricos ficaram pobres.

O jogo da Economia tem umas características especiais, que interessa compreender. Uma é esta, a de, ao contrário dos jogos tradicionais, a vitória não pode ser absoluta.

Outra característica deste jogo é que quem é mais rico enriquece mais facilmente. É um jogo em que a desigualdade é sempre crescente, um jogo que, uma vez estabelecida uma clara desigualdade, tende rapidamente para um vencedor. Se se lembram do Monopólio, após um lento começo, a partir do momento em que algum jogador fica mais rico que os restantes o jogo termina rapidamente.

Portanto, entregue si mesmo, partindo de um estado de absoluta igualdade, o jogo da Economia tem um começo lento até que se define uma desigualdade entre os jogadores, em seguida avança rapidamente para a concentração da riqueza (e depois estoira porque a riqueza acumulada nada vale porque deixa de haver compradores).

A depressão americana foi uma importante lição que mostrou aos mais ricos que o excesso de desigualdade faz a sua riqueza perder valor; ou seja, existe um ponto ótimo para a desigualdade que maximiza a riqueza dos mais ricos; a partir desse ponto, essa riqueza só cresce por crescimento do PIB.

Porém, como controlar a desigualdade? Os ricos não podem autolimitar o seu enriquecimento, se um o fizer ficará mais pobre que os outros ricos que o não façam.

Este é um problema quase tão antigo como a humanidade; num texto inscrito em urnas de madeira há 4000 anos, o deus egípcio Amun-Re diz que criou todos os homens iguais, enviou ventos para todos os homens poderem respirar do mesmo modo ... mas a prática do mal produziu desigualdades que são apenas da responsabilidade do homem. * 

Só o Estado, árbitro do Jogo, pode controlar o crescimento da desigualdade. Foram criadas leis anti-monopólio (por esta e outras razões) e muitas medidas foram tomadas para controlar o crescimento da desigualdade. A possibilidade de ocorrência de uma nova depressão parecia assim eliminada.

Mas há outro problema: o crescimento do PIB. Ora, num sistema capitalista, o PIB cresce tanto mais quanto menor for a desigualdade (grosso modo); a desigualdade ótima em cada instante para os ricos implica um crescimento do PIB demasiado pequeno ou estagnado. Isso não é um problema para os mais ricos, eles não precisam de ser mais ricos, o seu objectivo nessa altura é manter a situação, garantir que ela se perpetua, que os seus filhos serão os ricos de amanhã e que os filhos dos outros serão os seus empregados. Os ricos lutam pelo aumento da desigualdade, agora não uma consequência do jogo económico mas um objectivo em si mesmo, necessário à manutenção dos seus privilégios. Os ricos passam a jogar outro jogo, o jogo do Poder.

Note-se que esta é uma descrição simplificada, a sociedade não se divide entre ricos e pobres, é um contínuo, cada classe defendendo os seus privilégios; e não há «maus» nem «bons», somos todos iguais, jogamos de acordo com as nossas conveniências.

As medidas que visavam combater o crescimento da desigualdade, fomentar a igualdade de oportunidades, vão sendo adulteradas para servir o novo objectivo; por exemplo, o ensino público, e o pré-primário, instrumentos essenciais da igualdade de oportunidades apenas se forem de excelência, passam a ensino para os pobres, sendo o ensino de excelência exclusivo dos ricos, assegurando a desigualdade.

Numa Democracia, os governos vão a votos; se a maioria dos cidadãos vê que as coisas não estão a melhorar, faz cair o governo. Os governos têm de arranjar maneira de fazer crescer o PIB mais do que cresce a desigualdade. A Globalização surge como a solução.

Algo mais do que a economia suporta a Globalização; desde sempre a sociedade mais forte seguiu a ideia de governar o mundo todo; “se o Céu é um reino, então a Terra tem de ser um império” disse Gengiscão **. A Globalização no momento em que os EUA ainda são a economia mais forte dá-lhes uma vantagem importante. Os EUA tinham de avançar para a Globalização antes que as economias de regiões com mais gente se tornassem maiores que a sua; depois seria tarde.

As regras do jogo mudam com a Globalização; os EUA deixam cair as políticas anti-monopólio – agora, o que eles querem é que as suas empresas sejam o mais fortes possível para que conquistem o Mundo. A desigualdade dispara nos EUA e o candidato que promete «distribuir a riqueza» ganha as eleições.

Na Europa, a Alemanha e a França sabem que num jogo global serão derrotadas pelos EUA; os jogadores agora são os países, e os países com menor PIB serão cilindrados pelos que tiverem PIB maior, tal é a característica fatal do jogo económico para os países que entrarem nele. Aqui não há um Estado que imponha limites ao crescimento da desigualdade entre países, a guerra económica entre países será sem piedade. Solução: criar um bloco com dimensão comparável aos EUA. O bloco europeu.

Porém, a ideia de criar um verdadeiro bloco, onde todos têm igualdade de oportunidades, é impensável para a França e Alemanha; de modo algum eles aceitam prescindir da sua vantagem sobre os outros países, como ontem afirmou a Merkel como argumento para rejeitar os eurobonds. O projecto europeu é um projecto de BIGS e PIGS, uma Europa estruturada, de ricos e pobres, onde os países pobres fornecerão a mão-de-obra barata que não pode ser conseguida nos países ricos. A criação e perpetuação de países pobres é essencial  a este projecto europeu. Países onde o preço da mão-de-obra seja competitivo com o seu preço em qualquer parte do mundo.
  
* do livro “Ideias que mudaram o Mundo” de Felipe Fernandez-Armesto, pg. 90
** idem, pg. 85

quarta-feira, agosto 17, 2011

Viagem ao Futuro de Portugal


Viajar ao Futuro não é tão extraordinário como parece; umas vezes o Futuro vem ter connosco, basta estarmos atentos (quantos sentidos temos?), outras vezes basta pensarmos um pouco, pois o Futuro está escrito no Presente, apenas temos de limpar a vista da bruma das ilusões para o vermos. Intriga-me até a dificuldade que tantas pessoas parecem ter para ver o Futuro; por exemplo, como os Judeus se deixaram tão facilmente conduzir para um destino tão claramente definido; que cegueira é essa que nos amansa no caminho do matadouro?


Paul Auster no seu romance “ A Noite do Oráculo” põe um misterioso chinês (pg. 11) a dizer «Mas não mais. Não mais Portugal. História muito triste.». Não sei se é ao país que o chinês se refere, se aos "cadernos portugueses" (esses ainda existem e existirão, a Emílio Braga vai continuar a fabricá-los em Cabo Verde). Mas essas são as suas proféticas palavras.

 O mais triste, para mim, é que a história do fim de Portugal foi escrita pelos próprios portugueses. Pelo menos por alguns. De forma deliberada por uns quantos, a que se associaram muitos por cupidez e outros por razões bem mesquinhas, como vingança. Compreendo isso agora porque agora, certos que o fim de Portugal já está escrito, alguns mostram já as faces sorridentes e gabam-se do feito. Estupidez minha que até agora presumira que os sucessivos «erros» se deviam à ignorância destas personagens, à sua incapacidade/recusa em compreender com que linhas se escreve a História do Mundo!!! 

A generalidade dos portugueses, no entanto, foi conduzida a esta situação ao engano, e continuam enganados; nos próximos posts vou dar a minha contribuição para limparmos a vista de ilusões e podermos conhecer o Futuro de Portugal. Ou os Futuros possíveis, para ganharmos o direito de escolha.

quinta-feira, julho 28, 2011

Carta aberta ao Francisco Louçã

Este humilde cidadão que de finanças nada percebe, preguiçoso demais para estudar o assunto mas ansioso por compreender as leis fundamentais do nosso sistema económico, debate-se com uma série de questões para as quais não encontra resposta e vem solicitar-lhe ajuda, a si, porque é economista, político, livre-pensador e, tanto quanto presumo, patriota (mesmo sem andar a cantar o hino) e atento ao cidadão.

O meu raciocínio é o seguinte:

Tanto quanto julgo perceber, numa economia existe uma certa quantidade de dinheiro real (que vou designar por moeda) e uma certa quantidade de dinheiro em forma de crédito. Esta situação surge porque as economias crescem, necessitando de mais massa monetária. O crédito vai crescendo mas se o rácio moeda/crédito descer demais pode trazer problemas; então, os estados dos países financeiramente autónomos produzem moeda que introduzem na economia pagando com ele as suas contas; desta forma, os créditos são amortizados e o rácio mantém-se em níveis de segurança.

Se um governo produzir moeda a mais, esta desvaloriza em relação a outras, aumentando a competitividade da sua economia, e aumentando a inflação, entre outras consequências; a não produção de moeda, valoriza a moeda e diminui a competitividade, asfixia o crédito às empresas e pessoas e faz aumentar das taxas de juro.

Isto será a situação dos EUA, ou do Brasil, ou da China.

Agora vejamos o caso europeu.

Os países europeus não são autónomos financeiramente, não produzem moeda; quem produz é Banco Central Europeu, por decisão própria, segundo julgo.

Aqui surge-me a primeira questão: se é assim, a produção de moeda deixa de estar ao serviço da economia mas serve as conveniências do BCE; quais são estas? Valorização do euro e aumento das taxas de juro, naturalmente; logo, o BCE vai produzir menos moeda do que a que corresponderia ao crescimento da economia.

E como é que a moeda produzida pelo BCE é introduzida na economia? Resposta: não é! Tanto quanto percebo, ela é emprestada aos bancos; entra na economia mas com ela entra também uma dívida, logo o rácio moeda/crédito não se altera! Esta é uma diferença fundamental em relação aos países com autonomia económica.

Aqui tenho outra dúvida; um Estado pode produzir moeda porque o Estado é de todos os cidadãos, é a sociedade que produz a moeda, mas no caso europeu, quem produz é o BCE, e o BCE não me parece representar a sociedade europeia nem a moeda produzida serve para alterar o rácio moeda/crédito; quem enriquece com a moeda produzida na Europa?

Olhemos agora para as balanças comerciais dos países europeus; o que salta à vista é que a França e a Alemanha têm um alto saldo comercial nas suas relações com os PIGS e os PIGS um alto deficit.

Então, a França e a Alemanha não têm falta de moeda, ela entra através das suas exportações para os PIGS; têm, pois, um mecanismo alternativo de obter a moeda necessária aos seus rácios, à sua economia. O alto valor do euro reduz-lhes a competitividade para fora da Europa mas traz-lhes uma grande vantagem: reduz o custo da importação de petróleo, com preços em dólares. Estes países têm um alto saldo comercial à custa dos PIGS, exportam pouco para fora da Europa (relativamente) e beneficiam do euro alto para reduzir a factura energética.

Os PIGS, ao contrário, fruto do deficit da sua balança comercial, vêm a sua quantidade de moeda diminuir, logo os rácios moeda/crédito a degradar-se. As «ajudas» do BCE são empréstimos, trazem dívida associada, não contribuem para subir os rácios. Note-se que mesmo que as suas balanças comerciais fossem equilibrados, os rácios degradar-se-iam devido ao crescimento da economia, logo, crescimento do crédito. Ou seja, o sistema tal como o entendo, favorece descaradamente os países mais fortes à custa dos mais fracos.

Ao ficarem com rácios baixos, estes países entram em vulnerabilidade; basta agora ao BCE exigir o aumento dos rácios, o que não pode ser feito internamente porque não há moeda, logo só pode ser conseguido vendendo os bancos e as empresas ao estrangeiro.

Desta forma, contarão franceses e alemães comprar os bancos e as empresas dos PIGS. No fundo, vão comprar estes países, acabando com os respectivos Estados, pois um Estado que já não tem nenhuma ferramenta de controlo da economia não tem poder, não existe; nem terá receitas pois será um Estado de um País que se reduziu a fornecedor de mão-de-obra barata aos empresários europeus, cujas empresas têm sede e lucros na França e na Alemanha, portanto um estado de pobres e os pobres não pagam impostos.

Estas considerações parecem estar de acordo com esta notícia do jornal de negócios, onde um responsável alemão defende que os países que pedem ajuda devem perder soberania e com mais esta do mesmo jornal, em que se mostra como a banca nacional vai perder dinheiro, vai ser vendida ao estrangeiro, e como o Banco de Portugal, agente local do Banco Central Europeu, tomou conta do Ministério das Finanças e da Caixa Geral de Depósitos.

Claro que isto só podem ser raciocínios de ignorante; infelizmente gastamos mais tempo a discutir futebol do que política económica, mas alguém tem de começar a fazer luz nas nossas cabeças, pelo que lhe deixo aqui, amigo Louçã, este desafio: explique-nos como funcionam estas coisas, mostre-nos que este esquema suicidário que expus é disparate de ignorante, acenda-nos a luz por favor.

quinta-feira, julho 21, 2011

Na Europa não há Paraíso

Como sabem, existem pessoas, dessas que ganham 500 euros por mês e menos, que acham que também têm direito a ter automóvel, ou net, por exemplo. Alguns até têm mesmo aquecedores para usar no inverno! E vão de férias imaginem! Para parques de campismo, é certo, mas vão «descansar» quando podiam estar a trabalhar para ganhar mais algum. Depois, é bom de ver, têm dívidas no cartão de crédito, sobre as quais pagam uns 30% de juros é claro, e estão com a corda na garganta, pois então!

O que é que essas pessoas podem fazer para melhorar a sua vida? Ora, toda a gente sabe. Carro? São loucos, acabem com ele. Andem de transportes públicos; e a net não é para quem não tem dinheiro. Arranjem um segundo emprego, há falta de pessoas para lavar escadas nos prédios.

Não queiram é ir ao nosso dinheirinho para resolver os seus problemas. Subsídios de reinserção? Insolvência? Credo, isso poria em causa os nossos depósitos a prazo e taxas de juro. Trabalhem mas é! Calões. Gordos.

O que não saberão é que isto é exactamente o que os europeus pensam de nós.

Crise na Europa? Onde?? A Alemanha e a França estão na maior. Crise é só para os pobretanas dos gregos, portugueses e irlandeses. Têm a mania das grandezas. Não produzem carros mas querem todos andar de cuzinho tremido. Saúde de qualidade e sem pagar? Ensino de qualidade gratuito? À custa dos contribuintes europeus, é claro, que estão fartos de para lá mandar dinheiro.

Portugueses gregos e irlandeses são o quê? Menos de 10% dos europeus? Um nada. Alguém aqui quer saber dos 10% de portugueses mais pobres? Que passa fome e sobrevive em condições verdadeiramente miseráveis e inaceitáveis nesta era de abundância?

Não, não queremos saber disso para nada, só queremos é que não nos vão aos bolsos para resolver os problemas deles. Se têm esses problemas, a culpa é deles.

Isto é exactamente o que os europeus pensam de nós, os pobres da europa. E não podemos reclamar, pois nós ainda somos piores em relação aos nossos pobres.

Uma humanidade estúpida e egoísta não pode construir um paraíso na Terra.

sábado, julho 16, 2011

Os malandros da Moody's!!!

Os malandros da Moody’s voltaram a fazer das suas! A nossa banca no lixo! Que patifes.

Espera lá... os rácios bancários estão entre 5% e 7%?? Eu sempre ouvi dizer que deviam ser acima de 9%... que se passa?

Hummm.. não percebo nada disto... deixa ver... qual é a quantidade de moeda que deve existir? Se a economia cresce, é preciso mais moeda, é evidente... deve ser proporcional à economia... como avaliar?.. talvez pelo crédito... isso, toda a actividade económica se baseia no crédito... então, a emissão da moeda deve acompanhar o aumento do crédito.

Pois, é isso que os EUA estarão a fazer... têm fabricado muitas centenas de milhares de milhões de dólares que injectam directamente na economia, o Estado paga as suas contas com eles; este dinheiro vai parar à banca, mantendo os rácios entre crédito e dinheiro.

E na Europa?

Portugal não produz moeda... o BCE é que produz, mas não injecta na economia, empresta à banca... ahh, mas assim, na banca entra dinheiro mas entra também a dívida, não melhora o rácio... Pois, já estou a ver, neste quadro não há forma de a banca nacional manter os rácios... por isso ouvi dizer que a europa baixou os rácios... mas, é claro, a Moody’s é que não pode estar a embarcar nestas perigosas derivas europeias...

... com este esquema, o crescimento interno da economia portuguesa não é acompanhado com o crescimento da moeda, uma vez que esta é emprestada, não é produzida como nos EUA... a única coisa que pode crescer é o crédito, logo os rácios dos bancos só podem diminuir... mas que tolice de esquema!!! É lá possível? O que é que eu não estou a perceber nisto????

Bem, mas há ainda outra questão: o que é que se alterou para a Moody’s vir agora com esta classificação?

 Mas espera lá... grande parte do crédito bancário é para compra de habitação... já começa a haver grandes taxas de incumprimento... as pessoas com maiores dificuldades serão as que ganham menos de 1200 euros... com o corte no subsídio de Natal o incumprimento vai aumentar e os depósitos também vão diminuir porque as pessoas vão ter menos dinheiro.

Então está certo... o Governo retira dinheiro da nossa economia, ao contrário do que faz o governo americano, logo os bancos vão ficar em dificuldades... com rácios tão baixos... e que vão diminuir, não há alternativa... são lixo é claro! As coisas são como são... claro, um Estado que aliena tudo o que lhe dá capacidade de intervenção na economia, um Estado que não produz moeda, é um Estado inexistente. Estão fartos de nos dizer que se o Estado é lixo, tudo o resto o é também, nós é que não queremos ouvir.

Portanto, o Governo decreta privatizações suicidárias, e a Moody’s classifica o Estado como «lixo»; o Governo retira dinheiro da economia e a Moody’s prevê um futuro negro para a banca...

E a  Moody’s é que está errada???

terça-feira, julho 12, 2011

A Rainha Sol prepara o parto


Neste post velhinho os dois astrónomos falam dos sinais que eles só tarde demais tinham compreendido, tarde demais para evitar as consequências do Evento; pois aqui está a primeira detecção desses sinais pela NASA (video acima).


Os cientistas da NASA não sabem o que são as manchas negras no fogo de artíficio mas eu digo-vos: é o pó, o barro, de que somos feitos. A Raínha Sol prepara o parto. Felizmente, ainda não é tarde demais.

quinta-feira, julho 07, 2011

A Islândia e o Tabaco

Segundo acabei de ver nos noticiários, a Islândia pondera passar a vender tabaco apenas nas farmácias e com receita médica, sendo proibido fumar em toda a parte menos na casa de banho de lá de casa e com a porta fechada.

À primeira vista parece-nos um fundamentalismo absurdo. Nem estranhamos muito, afinal, este é um mundo que parece destinado a ser quase sempre comandado por loucos.

Eu tenho por hábito procurar sempre a razão económica por detrás de tudo o que acontece - este é um mundo de interesses.

A Islândia não produz tabaco; logo, todo o tabaco que consuma tem de ser importado. Para importar é preciso dinheiro e, como se sabe, o dinheiro está muito caro para os países pequeninos. Entre tanta coisa que os Islandeses têm mesmo de importar, certamente que numa altura de crise não há espaço para importar tabaco.

Por cá, continua-se a falar de aumentar as exportações. Porreiro. Isso é fácil de dizer, não depende de nós, não é? Toda a gente sabe que as exportações não podem aumentar - aumentar com empresas a pagar o dinheiro caríssimo, a energia caríssima, num país burocrático, impostos que desincentivam o investimento, falta de formação das pessoas e falta de cultura empresarial, uma justiça que não existe? As nossas empresas vão é bazar daqui, vão para Angola, vão para o Brasil, vão para a China - fazem como as pessoas, emigram.

O que nós podemos fazer é diminuir as importações e comprar produto nacional. Se comprarmos nacional já as empresas não precisarão de emigrar. Essa é a nossa responsabilidade. Claro que o Governo devia fazer como todos os outros governos, nomeadamente o Islandês, não nos dar alternativa. Mas não. O Governo prefere cortar o subsídio de Natal e vender as empresas publicas que ninguém vende em país nenhum da Europa.

 Estamos como os drogados, que tudo vendem mas não deixam de consumir droga. E vamos acabar como eles. No lixo.

quarta-feira, julho 06, 2011

Golden share, privatizações e... rating!

O Governo anunciou que acabava com as golden shares e que ia privatizar todas as suas empresas-chave - até vai vender 51% da REN! Ou seja, o governo anunciou que vai prescindir de todos os mecanismos que lhe garantem capacidade de intervenção na economia. Ou seja, o Governo anunciou que vai deixar de existir na economia. Qual é o rating de um Estado destes? Lixo, naturalmente, que mais pode ser????

quando eu era pequenino, o meu Pai citava um provérbio chinês:

As coisas são como são; se tu entendes as coisas, as coisas são como são; se tu não entendes as coisas, as coisas são como são.

Quando as coisas correm mal e as pessoas não entendem porquê, a reacção é: procurar o culpado!

Podem estar certos: quando alguém aponta o dedo a um «culpado», o culpado é quem aponta o dedo...

Estamos a ser vítimas dos nossos erros e enquanto arranjarmos «culpados» só vamos ficar piores.

As coisas são como são, não obedecem às bonitas teorias dos académicos.

quinta-feira, junho 23, 2011

João Ferreira do Amaral

Acabo de assistir ao programa da SIC Notícias "Negócios da Semana", onde o José Gomes Ferreira entrevistou João Ferreira do Amaral.

Pela primeira vez, em duas décadas, vejo alguém a defender as mesmas ideias que tenho defendido, num orgão da comunicação social.

Não se pense que somos os únicos; simplesmente, neste mundo de verdades simplórias, o pensamento subtil é imediatamente rejeitado pelo "mainstream".

Se apanharem a repetição do programa, ou o video, não percam. Para se perceber o que está a acontecer e o que vai acontecer.

Eu estava a preparar uma série de posts para analisar a solução do sarilho em que estamos, mas estava confrontado com uma dificuldade: como apresentar uma solução para um problema que as pessoas não vêem?

É como o problema do Galileu: como explicar a rotação da Terra se ninguém acredita nela?

Bem, o João Ferreira do Amaral expõs o problema; e até disse, como eu, que os culpados desta situação não são os políticos, são os economistas.

...os economistas " mainstream" acrescentaria eu, mais os comentadores de TV... Mas isso não interessa nada agora, o que interessa é começarmos a sair do buraco em vez de continuarmos a cavar.

Se alguém encontrar o video dessa entrevista, agradeço que me diga, para pôr aqui o link