quarta-feira, julho 06, 2011
Golden share, privatizações e... rating!
O Governo anunciou que acabava com as golden shares e que ia privatizar todas as suas empresas-chave - até vai vender 51% da REN! Ou seja, o governo anunciou que vai prescindir de todos os mecanismos que lhe garantem capacidade de intervenção na economia. Ou seja, o Governo anunciou que vai deixar de existir na economia. Qual é o rating de um Estado destes? Lixo, naturalmente, que mais pode ser????
quando eu era pequenino, o meu Pai citava um provérbio chinês:
As coisas são como são; se tu entendes as coisas, as coisas são como são; se tu não entendes as coisas, as coisas são como são.
Quando as coisas correm mal e as pessoas não entendem porquê, a reacção é: procurar o culpado!
Podem estar certos: quando alguém aponta o dedo a um «culpado», o culpado é quem aponta o dedo...
Estamos a ser vítimas dos nossos erros e enquanto arranjarmos «culpados» só vamos ficar piores.
As coisas são como são, não obedecem às bonitas teorias dos académicos.
quando eu era pequenino, o meu Pai citava um provérbio chinês:
As coisas são como são; se tu entendes as coisas, as coisas são como são; se tu não entendes as coisas, as coisas são como são.
Quando as coisas correm mal e as pessoas não entendem porquê, a reacção é: procurar o culpado!
Podem estar certos: quando alguém aponta o dedo a um «culpado», o culpado é quem aponta o dedo...
Estamos a ser vítimas dos nossos erros e enquanto arranjarmos «culpados» só vamos ficar piores.
As coisas são como são, não obedecem às bonitas teorias dos académicos.
quinta-feira, junho 23, 2011
João Ferreira do Amaral
Acabo de assistir ao programa da SIC Notícias "Negócios da Semana", onde o José Gomes Ferreira entrevistou João Ferreira do Amaral.
Pela primeira vez, em duas décadas, vejo alguém a defender as mesmas ideias que tenho defendido, num orgão da comunicação social.
Não se pense que somos os únicos; simplesmente, neste mundo de verdades simplórias, o pensamento subtil é imediatamente rejeitado pelo "mainstream".
Se apanharem a repetição do programa, ou o video, não percam. Para se perceber o que está a acontecer e o que vai acontecer.
Eu estava a preparar uma série de posts para analisar a solução do sarilho em que estamos, mas estava confrontado com uma dificuldade: como apresentar uma solução para um problema que as pessoas não vêem?
É como o problema do Galileu: como explicar a rotação da Terra se ninguém acredita nela?
Bem, o João Ferreira do Amaral expõs o problema; e até disse, como eu, que os culpados desta situação não são os políticos, são os economistas.
...os economistas " mainstream" acrescentaria eu, mais os comentadores de TV... Mas isso não interessa nada agora, o que interessa é começarmos a sair do buraco em vez de continuarmos a cavar.
Se alguém encontrar o video dessa entrevista, agradeço que me diga, para pôr aqui o link
Pela primeira vez, em duas décadas, vejo alguém a defender as mesmas ideias que tenho defendido, num orgão da comunicação social.
Não se pense que somos os únicos; simplesmente, neste mundo de verdades simplórias, o pensamento subtil é imediatamente rejeitado pelo "mainstream".
Se apanharem a repetição do programa, ou o video, não percam. Para se perceber o que está a acontecer e o que vai acontecer.
Eu estava a preparar uma série de posts para analisar a solução do sarilho em que estamos, mas estava confrontado com uma dificuldade: como apresentar uma solução para um problema que as pessoas não vêem?
É como o problema do Galileu: como explicar a rotação da Terra se ninguém acredita nela?
Bem, o João Ferreira do Amaral expõs o problema; e até disse, como eu, que os culpados desta situação não são os políticos, são os economistas.
...os economistas " mainstream" acrescentaria eu, mais os comentadores de TV... Mas isso não interessa nada agora, o que interessa é começarmos a sair do buraco em vez de continuarmos a cavar.
Se alguém encontrar o video dessa entrevista, agradeço que me diga, para pôr aqui o link
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quarta-feira, junho 22, 2011
Uma questão a que não sei responder
Pessoa das minhas relações que me merece a máxima consideração colocou-me a seguinte questão:
Se o Paulo Macedo exigiu, para ir para as Finanças, receber o mesmo que recebia no BCP, o que terá ele exigido agora para ir para Ministro da Saúde?
Compreende-se a pergunta; agora que ele tem um alto lugar na área da saúde no banco, onde ganhará muito mais do que ganhava no tempo em que foi para as Finanças, certamente que, em coerência com o que aconteceu anteriormente, não se disponibilizou a ir para ministro perdendo volumosas verbas; nem lhe fica mal sabermos que exigiu continuar a receber o mesmo pois ninguém faz nada em seu prejuízo, quem se disponibiliza para perder dinheiro no imediato é porque está a prever vantagens futuras.
Essas vantagens até podem ser legítimas, por exemplo, um acréscimo de prestígio que aumente a sua cotação profissional.
Não parece, porém, que aqui possa ser o caso, pois parece que não lhe falta prestígio, por um lado, e por outro os lugares de ministro frequentemente só geram quebra de prestígio.
Portanto, fiquei sem saber que resposta dar. Não me surpreende que a questão seja difícil, a pessoa que ma colocou não o faria se a resposta foi fácil. Continuei por isso a raciocinar:
O desgaste dum ministro do PSD é muito menor que um do PS porque o PSD domina a quase totalidade da comunicação social e especialmente domina agora a totalidade da televisão (e certamente que ninguém vai deixar a MMG chegar-se aos microfones...); mesmo assim a busca de prestígio não parece uma razão suficiente para justificar tão brutal perda de rendimento entre um lugar de topo no BCP e o ordenado de ministro.
Então lembrei-me duma coisa: quais são os grandes negócios da banca, agora que a bolsa já não rende? São os empréstimos ao consumo / cartões de crédito, a especulação sobre as dívidas soberanas e a saúde! Ou seja, Usura e Saúde, as grandes áreas da banca actual.
Então, um alto responsável pelo negócio da Saúde do BCP, um dos dois pilares da actividade bancária actual, que permite pagar juros nos depósitos a prazo muito acima dos 2 ou 3% que a economia europeia pode crescer, vai para ministro da Saúde...
Surge uma lógica para esta escolha: não podia haver ninguém mais empenhado em reduzir o SNS à expressão mínima... e uma razão para o Paulo Macedo aceitar: a sua comparticipação nos lucros do ramo Saúde pode subir em flecha.
Há porém, um óbice: isto é tão reles e primário que não pode ser verdade, há razões mais profundas, subtis. Percebê-las ajudará a perceber o complexo esquema de funcionamento da nossa sociedade. Foi então que me lembrei de pedir ajuda aos leitores deste blogue!
quarta-feira, junho 15, 2011
Ainda a E. Coli
A história da E. Coli continua muito mal contada, como é evidente, porque nada se diz sobre a origem da bactéria – ela não surge nos rebentos de soja ou nas alfaces por geração espontânea, ela veio de algum lado; localizar onde ela foi gerada é que é o cerne da questão, mas sobre isso nada se diz. Como é evidente, uma bactéria que surge subitamente resistente a 8 antibióticos não é um produto “natural”, algo que possa ocorrer na natureza em condições normais.
Uma explicação que surge imediatamente é a de que foi gerada em laboratório. Essa é a tese aqui exposta.
Uma notícia que recebi há dias, porém parece-me reforçar uma outra explicação, que há muito previa isto; é a seguinte:
Todo o gado que se cria na Europa (e noutros lados), bem como os frangos, os patos, os porcos, recebem como parte integrante da sua dieta cocktails de antibióticos. Desde que nascem até ao abate. Não só para evitar doenças mas também porque promovem o crescimento dos animais.
Isto é um negócio tremendo para as farmacêuticas, que produzem mais antibióticos para os animais do que para as pessoas.
Ora natureza é Inteligente, já aqui falamos disso. A natureza sempre arranjou soluções para as ameaças, por isso é que a Vida ainda existe.
Para as bactérias, resolver uma ameaça como a posta pelos antibióticos é uma brincadeira de crianças.
Enquanto os antibióticos tinham uma aplicação esporádica, eventual e controlada, o número de oportunidades para as bactérias testarem soluções era baixo. Como vimos, o processo básico de Inteligência depende do número de acasos ou hipóteses testados. Pontualmente, poderia surgir uma bactéria resistente a um antibiótico, que poderia ser combatida por outro.
Isto é bem sabido, há muito que na medicina se procura as melhores práticas para limitar este problema, o que mesmo assim não impediu que diversas bactérias multirresistentes tenham já surgido. Uma bactéria que parece especialmente capaz de desenvolver resistência aos antibióticos é a S. aureus, causa primeira das infecções graves constraídas em hospitais.
É fácil por isso prever que o uso maciço de cocktails de antibióticos na criação animal terá de originar uma panóplia de bactérias multirresistentes. A curto prazo.
Quais as consequências?
Piores que as da peste negra. Porque se fosse apenas uma bactéria, o organismo humano poderia encontrar solução, ou a própria bactéria poderia perder a sua virulência; mas sendo a perspectiva a de aparecerem diferentes bactérias, se houver solução para uma, não haverá para outra.
A notícia que referi acima informa que:
A novel form of deadly drug-resistant bacteria that hides from a standard test has turned up in Europe.
O resto da notícia, da conceituada Science, podem encontrar aqui ou aqui (curiosamente, não me recordo de a comunicação social referir este importante acontecimento)
Mas não há perigo, dizem, – a pasteurização do leite acaba com o bicharoco... a não ser que a bactéria, uma S. aureus, seja transmitida por fora, pelas pessoas que trabalham com os animais...
Não sei porque razão, os cientistas sugerem que a batéria pode ter sido gerada numa pessoa tratada com muitos antibióticos e depois misteriosamente ter ido parar ao gado; ignorarão que o gado é criado com antibióticos?
Eu temo que isto venha a ficar fora de controlo; que a solução ainda venha a ser o abate de todo o gado. Mas há uma coisa que podemos começar já a fazer, que é não continuar a insistir no erro. Ou seja, a produção de animais tem de passar a ser feita sem antibióticos. Antibióticos só para seres humanos. No mínimo, tem de existir um leque suficientemente vasto de antibióticos que nunca seja utilizado no gado. Arranje-se outra solução para os animais.
Portugal tem um lugar privilegiado para a criação de gado nestas condições: os Açores. Pela abundância de pasto e pelo isolamento. As doenças podem ser transmitidas pelas rações, que são mais ou menos lixo reciclado, mas os Açores têm condições para produzir gado (e leite) sem rações e sem antibióticos. Não é o que fazem agora - agora recorrem a rações e enchem os animais de antibióticos como os outros, mas é o que podem fazer.
É claro que isto pode ser feito em qualquer parte, mas os Açores têm condições únicas para evitar contaminações e para garantir a qualidade do produto.
Utopia? Nada disso; o Brasil já limita severamente o uso de antibióticos na criação de animais desde 1998. Ver aqui um curto texto que expõe muito bem o problema.
Criação ecológica de animais já. Quanto mais não seja, este é um nicho de mercado que nos interessa porque, num mercado aberto, não há hipótese nenhuma de poder competir com gado criado noutras partes do mundo. A nós só interessa produzir produtos “de luxo”, de qualidade e preços máximos. Será que somos capazes de fazer o mesmo que o Brasil? Ou, como o responsável de uma importante fábrica alemã em Portugal afirmou com orgulho há uns anos: "nós aqui não pensamos, quem pensa são os alemães!"?
quarta-feira, junho 08, 2011
Porque há pobreza?
No passado, a pobreza e a miséria tinham uma simples explicação: falta de recursos.
Não havia controlo populacional e as capacidades de produção eram muito limitadas, por isso a população esteve sempre no limite sustentável durante muitos milénios; parte das pessoas que nasciam tinha de morrer, pela fome ou pela violência, pois a população não podia aumentar.
É por isso que havia tanta violência e é por isso que uns tinham de comer insectos, outros tripas; a sopinha de erva ainda era um recurso em Portugal há menos de um século.
A pobreza e a miséria continuam a existir hoje no mundo ocidental, em Portugal mais do que noutros lados, e as pessoas continuam a pensar que, tal como na geração dos seus avós e dos seus pais, ela se deve à carência de recursos.
Nada mais errado. É exactamente o oposto!!!
Salvo em algumas regiões de Ásia e África, a população está controlada e a capacidade de produção é muito maior do que as necessidades.
Os agricultores recebem para não produzir, não é verdade? Isso é necessário porque se produz em excesso; paga-se aos agricultores portugueses para não produzirem para que os franceses o possam fazer.
As fábricas de automóveis existentes – e não há dificuldade em fazer mais – podiam produzir muito mais carros – lembram-se de que quando começou a crise havia carros por vender aos milhões e as fábricas tiveram de parar?
As casas são em excesso, não é verdade? A construção civil está em crise porque já há mais casas do que as necessidades.
Há tudo em excesso e no entanto a pobreza e miséria não só continuam a existir como estão a crescer em muitas partes do mundo ocidental desde há uma década.
Esta é a primeira grande verdade que temos de ter presente: hoje, contrariamente a todo o passado da humanidade, vivemos finalmente numa era de abundância, não há nenhuma razão para existir miséria a não ser a de vivermos numa sociedade que funciona com regras erradas e que geram uma desigualdade absurda.
Irradicar a pobreza não se consegue dando esmolas (embora isso seja para já importante e o possível a nível individual); consegue-se corrigindo as regras da sociedade.
Nos posts seguintes vamos analisar esta questão e buscar soluções; retenhamos, para já, este facto óbvio, indesmentível: hoje não há razão aceitável para haver pobreza.
sexta-feira, junho 03, 2011
E. Coli
Aproveito a pausa do almoço para vir armar-me em bruxo e fazer uma previsão.
A notícia das mortes na Alemanha surgiu logo embrulhada no apontar do culpado: e. coli em pepinos espanhóis.
Para quem não anda de olhos fechados neste mundo, trata-se obviamente de uma mentira conveniente. Não digo que não tenha sido originada de boa fé: acredito que um laboratório tenha encontrado o bichinho num pepino espanhol e alguém tenha pensado que essa podia ser a causa. As pessoas que deram a cara pelo aquecimento global também estavam de boa fé, na altura havia um aumento da temperatura da Terra e elas não tinham conhecimentos que lhes permitisse entender melhor o fenómeno. Mas acontece que essa boa fé e ingenuidade é depois usada por quem tem objectivos inconfessáveis.
Que não podia ser dos pepinos espanhóis metia-se pelos olhos dentro - todos os doentes eram da mesma zona.
Se os alemães tivessem dito que era dos pepinos portugueses, provavelmente a mentira ter-se-ia aguentado, e nem o facto de não exportarmos pepinos para a Alemanha seria considerado relevante - o Terreiro do Paço também não está debaixo de água e isso não impede que se continue a falar da subida dos oceanos devido ao aquecimento global.
Mas os espanhóis tiveram a calma e a sabedoria necessárias para demonstrar que não eram os seus pepinos.
Agora a minha adivinhação: a causa destas mortes não é nenhuma E. Coli.
Não sei se algum dia se vai esclarecer este assunto; mas como nós somos um país hortícula, bom seria que os nossos laboratórios começassem a investigar esta possibilidade. Ou vamos esperar que sejam os espanhóis a fazer tudo?
Temos de nos livrar desta postura de "bom aluno" que nos conduziu à presente desgraça...
quinta-feira, abril 14, 2011
O Gene dos escravos chama-se... Escola
Como sabem, andam por aí muitos chineses; já viram algum à procura de emprego? umzinho que seja???
Há dias vi um documentário sobre a presença chinesa em África. Emigram da China para o coração de África.
Emigrar para o coração de África?? Isso faz algum sentido? Então lá há empregos para alguém??
Claro que não há empregos (há lá chineses empregados, mas esses não são propriamente emigrantes, são contratados na China para trabalharem em empresas chinesas), o que há lá é oportunidades! Os chineses não emigram à procura de emprego, emigram à procura de oportunidades. É assim que eles vão para África e criam pequenas empresas em todo o lado. Como são empresários eficientes, rapidamente acabam com a concorrência local e dominam a actividade económica.
Comparem agora com os portugueses; os portugueses vivem à procura de emprego; os portugueses emigram à procura de emprego; os portugueses fazem manifestações porque não têm emprego; o índice mais importante para os portugueses não é o número de empresas que abriu ou fechou, é a taxa de desemprego!
Não acham que há aqui uma diferença gritante?
Porque é que é assim?
A geração actual de chineses é maioritariamente filha de camponeses; os camponeses são empresários, não são empregados. Esta é uma geração com uma cultura de empreendedorismo.
Nos países mais evoluídos, a maioria das pessoas são empregados há já várias gerações. A cultura é a do empregado. Os professores das escolas são empregados filhos de empregados. Sem uma política de ensino pró-activa em favor do empreendedorismo, cria-se uma geração de empregados.
É o que se passa em Portugal. Tal política era muito conveniente no tempo de Salazar – os empresários, como o governante, eram os que já existiam e seriam sempre eles e suas famílias, governados pelo eterno Salazar. Portanto, a escola tinha de formar empregados, nunca empresários. A sociedade pretendia-se de classes. Os empresários já existiam, os futuros empresários seriam os filhos dos existentes.
Esta ideia é típica dos sistemas fascistas e afectou todos os países do sul da Europa.
Infelizmente, essa mentalidade ainda cá perdura. As únicas aulas de empreendedorismo que existem, ao que me informaram, destinam-se aos alunos que abandonam a escola... dado que assim ficam incapacitados de serem empregados, ensina-se-lhes então empreendedorismo, porque ou serão empresários ou ladrões...
Nos outros países evoluídos não é assim. Já viram um americano emigrar à procura de emprego? Já viram que os nossos vizinhos espanhóis têm uma taxa de desemprego muito maior do que a nossa e não parecem dar grande importância a isso? Há outras coisas mais importantes.
E porque é que não é assim nos outros países? Porque a escola se empenha em formar empresários. Ser capaz de formar uma empresa faz parte dos currículos escolares. Saber delinear um projecto e desenvolver todos os complexos passos necessários a uma actividade empresarial de sucesso. Saber isso não é muito mais importante do que saber classificar as plantas ou saber aquelas regras regras do português que não fizeram falta nem ao Camões nem ao Saramago???
Assim se passam os anos mais importantes da vida a aprender coisas cujo único destino é o esquecimento.
A nossa escola não se adaptou à democratização da sociedade, não incorporou a igualdade de oportunidades. Continua a funcionar para formar empregados para irem trabalhar nas empresas de... de quem? Dos “Senhores”? Para serem funcionários públicos? A lógica do nosso ensino parece ser mesmo esta: a escola pública forma... funcionários públicos.
Muitos anos a estudar para se ser escravo? Sem dúvida, é para isso que serve a nossa escola, para formar escravos. Ou acham que é para formar conquistadores do mundo?
Agora está na moda dizer que o futuro dos nossos filhos é emigrarem, serem «cidadãos deste mundo global». Uma treta!!! O futuro deles é esse porque o futuro deles é irem à procura de emprego onde existam empreendedores; esse é o Futuro que a escola lhes destinou, não é nenhuma fatalidade do destino.
Poderia surgir um «Bill Gates» em Portugal? A resposta é «não» por múltiplas razões mas a primeira é que um “neird” dos computadores que tenha uma boa ideia não vai saber fazer nada com ela – quando muito, poderá conseguir vendê-la a um americano empreendedor... ou mesmo a um espanhol...
Estão a perceber a importância de dotar os jovens de mentalidade e conhecimento empresarial?
É como na ginástica: se houver ginástica de massas, aqui e além surgirão ginastas de sucesso; se não houver ginástica para ninguém, isso não vai suceder por maior que seja a qualidade da «matéria prima».
Se a formação para o empreendedorismo for massificada, então surgirão empresários de sucesso que podem relançar a economia; se não existe formação para o empreendedorismo, não vão existir empresários de sucesso nem economia nem... país!
A força de um país reside nos seus empresários. Sejam pequenos, médios ou grandes. Não estou a referir-me aos gestores das grandes empresas cá instaladas, esses são empregados como os outros, estou a referir-me aos Nabeiros e tantos outros que iniciaram empresas. Claro que os empresários não existem sozinhos, claro que o valor duma sociedade não se resume aos seus empresarios, mas eles são vitais.
Dos marinheiros não reza a História a não ser pela mão dos Navegadores.
Só existe Futuro para Portugal se existir uma cultura de empreendedorismo.
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quarta-feira, setembro 29, 2010
O Futuro, mais uma vez...
Diz-se que a Economia tem por objectivo satisfazer necessidades humanas. Mas que necessidades?
Na verdade, a Economia nasce e funciona para satisfazer uma única necessidade humana: a necessidade de produzir.
Nunca tinham ouvido esta, pois não? Sempre pensaram que a Economia existia para satisfazer necessidades de «consumo» não é verdade? Pois é, estavam muito enganados.
A diferença entre uma coisa e outra e outra é a diferença entre o subtil e o simplório, para que já diversas vezes chamei a atenção; é a diferença entre pensar que o Universo roda à volta da Terra ou é a Terra que roda, a diferença entre pensar que o espaço expande ou nós diminuímos, etc.
Há muitos muitos anos passou pelas minhas mãos um livro americano sobre economia que me abriu os olhos para estas coisas. Dava um exemplo: para que serve uma orquestra?
Provavelmente responderão: para ouvirmos música. Resposta errada. As orquestras existem para satisfazer a necessidade das pessoas que querem tocar música.
Se gostamos de ouvir música é porque houve alguém que gostou de produzir música; e nós ouvimos e gostamos
Claro que para uma orquestra poder existir, fazer sentido, não basta que tenha músicos – é preciso que tenha também ouvintes. Então é preciso desenvolver uma actividade de levar as pessoas a quererem ouvir a orquestra.
A cadeia de acontecimentos nasce na necessidade de algumas pessoas produzirem música e depois pela criação de consumidores do produto. Para isso serve o marketing.
É portanto ao contrário do que pensavam – não se produz para satisfazer uma necessidade, consome-se para satisfazer uma produção.
O Leonardo da Vinci ou o Edison não fizeram o que fizeram para satisfazerem outra necessidade que não a deles próprios de inventarem, criarem. Um pintor não pinta para satisfazer a necessidade de as pessoas terem quadros em casa ou dos especuladores ganharem dinheiro; um escritor não escreve etc..
Claro que a sobrevivência nos exige que façamos algumas coisas que não correspondem a uma necessidade de «produção» nossa; essa actividade chama-se «trabalho» e é uma coisa que procuramos abolir da sociedade humana na mesma medida em que procuramos abolir a luta pela sobrevivência; e nas sociedades mais avançadas já quase não existe uma coisa nem outra – as pessoas produzem para satisfação da sua necessidade de produzir.
A alta eficiência de produção actual cria um problema: se fizermos a vontade a toda a gente, produzimos demais, não conseguimos encaixar tanta produção num ciclo de consumo e de sustentabilidade de recursos. É por isso que o está a faltar é oportunidade de produzir, agora designado por «emprego».
A nossa sociedade portuguesa, devido ao seu atraso e à sua cultura, é uma sociedade baseada nas ideias do trabalho e do consumo; é uma sociedade de pessoas que foram culturalmente moldadas para serem «consumidores», com activa rejeição da ideia de «produzir», associada ao pecaminoso desejo de enriquecer. É que a cultura deste país dá um suporte à Inveja, assim mascarada de virtude de rejeição de querer ser rico.
E como tudo isto se reflecte na Economia, são os nossos economistas os expoentes máximos deste atraso e equívoco.
Reparem: não conheço nenhum país desenvolvido ou em desenvolvimento onde a economia não assente no favorecimento dos agentes de produção locais em relação aos de fora. A acção dos agentes estrangeiros é permitida e gerida na exacta medida das conveniências da produção local. Uma orquestra é para os músicos locais, os outros têm o papel de estimular os locais, não de os substituir, frisava esse livro se a memória não me falha.
Como toda a gente sabe, em Espanha só empresas espanholas ganham concursos públicos; em Espanha e em todo o lado civilizado. Não é segredo nenhum, os espanhóis até estão sempre prontos a explicar como o fazem, orgulham-se disso. E também já ouvi ingleses e franceses gabarem-se do mesmo. Os alemães não os ouvi gabarem-se, mas vi-os completamente espantados por cá em Portugal não ser assim – para eles, só há uma explicação: corrupção. Eles não conseguem entender o equívoco cultural em que vivemos, é demasiado estúpido, incompreensível para a raiz luterana do seu pensamento.
As empresas instalam-se ou no país para onde desejam vender o seu produto ou num país onde as condições sejam as melhores, nomeadamente onde as condições fiscais sejam melhores e a mão-de-obra seja a mais barata. Uma empresa instala-se em Portugal se for para vender para Portugal ou para beneficiar de custos mínimos.
Como estar em Portugal só tem vantagem se for para a prestação de serviços de proximidade, tudo o que for produção só existirá aqui quando a nossa mão-de-obra for a mais barata do mundo para o mesmo nível de qualificação.
Lógico, não é? Como é que queriam que fosse? Não é óbvio?
É por isso que os ordenados têm de diminuir – parece que há umas zonas no mundo onde ainda se ganha menos do que aqui para a mesma qualificação e é preciso nivelar por essas zonas.
Quando se fala em reduzir os ordenados da função pública, isso significa reduzir todos os ordenados, pois evidentemente que há um efeito de cadeia associado. Por agora o o ordenado mínimo deixa de subir, a seguir irá descer. Obviamente.
A nossa crise não tem nada a ver com a dos gregos, por exemplo; os gregos sempre defenderam a sua produção, é por isso que o ordenado mínimo deles é quase o dobro do nosso.
A nossa crise é o resultado directo da nossa mentalidade de rejeição da produção e da incompetência das pessoas deste país que peroram sobre economia.
Dois exemplos recentes: a perseguição ao Magalhães, essa coisa indecente de se ter arranjado um «negócio» para uma empresa nacional em vez de se terem comprado os computadores à Toshiba ou outra conceituada firma estrangeira; e o «escândalo» do cancelamento da adjudicação de um troço do TGV para, Imagine-se, grita indignado o José Gomes Ferreira na Sic, dar a adjudicação a uma empresa portuguesa em vez de ser a uma espanhola!!!!
Cada país, como cada espécie animal, tem de desenvolver a estratégia que mais lhe convém, se quiser sobreviver; todos os países têm a sua, excepto Portugal. Se os mais fortes e os mais fracos tiverem a mesma estratégia, os mais fracos desaparecem. A união europeia não é uma união de recursos sociais, as receitas da Alemanha não pagam o nosso desemprego; é por isso que cada país tem de ter a sua estratégia de sobrevivência, isso é inerente ao projecto europeu. O sermos uma «economia aberta» é uma incompetência, uma burrice, o não perceber nada do que é o projecto europeu.
Com estes economistas e comentadores de economia o nosso caminho está mais do que definido: é em direcção à cauda do mundo. Nenhuma medida dessas que se discutem vai alterar isto num milímetro.
Por agora, este povo de consumidores acha óptimo viver num país onde se pode comprar tudo de toda a parte do mundo, em vez de estarem sujeitos às limitações que os outros povos têm para protecção das actividades internas; a consequência é terem cada vez menos dinheiro para comprar e a prazo não vão poder comprar nem produto estrangeiro nem nacional.
A geração de riqueza faz-se pela circulação do dinheiro, o estudo da economia é o estudo dos fluxos monetários; num país que não controla as importações, o dinheiro não circula, esvai-se. Somos como uma pessoa ferida a perder sangue: ou estancamos a perda de sangue ou morremos. Estar a tentar gerir o sangue que ainda não saíu não serve de nada, pode disfarçar momentaneamente os sintomas mas não altera em um milísegundo o destino fatal.
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quinta-feira, agosto 19, 2010
Crença
A Crença marca-nos o rumo, faz-nos saber para onde ir e, mais do que isso, dá-nos uma razão para existirmos, para nos movermos, uma causa para activar as nossas glândulas; a Crença, qualquer Crença, faz-nos bater o coração mais forte, faz-nos saber que estamos vivos.
Precisamos pois da Crença como precisamos do Ar para respirar.
Muitas são as Crenças; para uns, a Crença primeira é a sua Religião; para outros, a Pátria! Outros elegem a Ciência, outros a Terra. Depois, há outros que têm horizontes não tão vastos –a Tribo, a Família, o Património... ou o seu Status... e ainda há aqueles cuja Crença são eles próprios... Bem, mas não é destas Crenças de horizontes muito particulares que venho falar, mas das primeiras.
Todas as pessoas com essas Crenças têm uma Crença em comum: crêem que o Ser Humano deve estar subordinado a um Conceito, seja ele o Deus, a Pátria, a Ciência, a Terra, a Família. E isto coloca-as em conflito com as pessoas que têm uma outra Crença: as pessoas cuja Crença é o Ser Humano.
Quem crê no Humano não despreza os outros conceitos; pelo contrário, dá-lhes a maior importância, pela utilidade que eles podem ter para o Humano; mas nunca inverte esta prioridade.
Há já algum tempo, anos, vi na televisão um padre muito conhecido, do norte, conhecido por ter ideias não inteiramente alinhadas com os usos e costumes modernos, afirmar que a Religião estava ao serviço do Homem, não o contrário. Uma heresia para muitos...
As Religiões, como Pátria, Família, Ciência, são criações do Humano para o seu serviço, não o contrário.
Não pensem que esta é uma questão menor; vejam que quando nos chocamos com certos hábitos de certas culturas árabes estamos simplesmente a confrontar-nos com sociedades onde a crença na Família se sobrepõe à crença no Humano; como acontece na China tradicional e como acontecia entre nós há menos de um século. E vejam como as crenças na Pátria ou na Religião têm estado na base de grandes conflitos. Não significa isto que elas sejam más em si mesmas, apenas que o seu lugar na hierarquia das crenças não pode ser o primeiro e quem luta por uma sociedade melhor, ou seja, quem crê na Humanidade (que é diferente de crer no Humano) tem de lutar para as subordinar ao Humano.
A predominância dessas crenças sobre o Humano é uma herança dos tempos da sobrepopulação - sempre que o número de pessoas excede os recursos, a vida humana perde o valor; foi quase sempre assim ao longo de toda a história da Humanidade, excepto em fugazes momentos em que alguma inovação tecnológica ou mudança climática ou epidemia melhorou o rácio recursos/população; nessas ocasiões, a vida humana recuperou o seu valor e surgiram avanços civilizacionais.
As pessoas que crêem no Humano tornam-se muitas vezes escritores; a sua escrita é dedicada à sua Crença. A sua escrita fala do Humano. Fala de nós. É o nosso retrato. E por isso que gostamos deles. Excepto, é claro, os que não crêem no Humano mas na Religião, Pátria, Família, etc.
Um destes escritores bem conhecido é o Saramago; mas há mais – como o nosso irreverente Implume. Há dias conheci mais um, o Mia Couto. Foi uma prenda do UFO: sem mais, ofereceu-me o livro Terra Sonâmbula. Para levar para Melmac.
Obrigado UFO. Um dos livros mais importantes que já li.
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segunda-feira, julho 19, 2010
Férias em... Melmac!!!
Na Lua está a bandeira americana... mas em Melmac há uma bandeira portuguesa!... estão a ver, à direita da nave espacial?
Caros leitores, esta é uma boa altura para nos entregarmos ao prazer de viver, sentir a aragem morna afagar-nos a pele, inspirarmos bem-estar, enchermos os olhos de luz e de beleza... vamos a isso?
Está também na altura de eu fazer uma estadia em Melmac; o tempo em Melmac não corre como aqui, às vezes pára, às vezes dispara; quando de lá saio nunca sei o que o calendário terrestre me irá dizer. Por isso, não posso dizer exactamente quando regressarei, imagino que talvez quando as aves migratórias abrirem de novo as asas, ou talvez quando as chuvas chegarem em ânsias de tudo lavarem; mas certamente que cá estarei para receber os primeiros nevões e também o Pai Natal, duas coisas que não há em Melmac.
Boas Férias!
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