
sexta-feira, outubro 12, 2007
Os Desafios da Vida

quinta-feira, outubro 11, 2007
O que vale a Verdade para os Media

Quando seu marido foi assassinado, em 1513, seu filho tornou-se Jaime V."
terça-feira, outubro 09, 2007
A Dança dos Planetas

“Pois é, Ana, é capaz de ser isso. Mas podemos testar essa possibilidade. Primeiro, deixem mostrar-vos como varia a distância entre a Terra e o Sol ao longo do tempo, considerando que a Terra se tem vindo a afastar do Sol à mesma taxa que a Lua se está a afastar do Terra, e eu sei que é mesmo assim”. Abri a pastinha que tinha trazido para esta conversa e pus em cima da mesa a primeira das figuras.
Ana e Luísa olharam interessadamente para figura, Mário hesitou entre mostrar ou não interesse; a curiosidade acabou por vencer:
“Isto considerando a mesma taxa de afastamento da Lua, dizes tu?”. Percebo que na cabeça de Mário se agita a afirmação de que o afastamento da Lua seria uma consequência do efeito de Maré; apetece-lhe dizer isso mas ele sabe que não existe a mais pequena confirmação, nem teórica nem experimental, de tal hipótese; resolvo-lhe a hesitação avançando na conversa:
“Exactamente Mário. Agora, sabendo como variou a distância e sabendo também como tem variado a energia radiada pelo Sol, a fazer fé no modelo actualmente aceite pela ciência, é fácil estimarmos a variação da energia recebida na Terra por metro quadrado, ou seja, a irradiação solar”.
Abri novamente a pastinha e exibi a segunda figura:

“Então há 4,2 Ga a temperatura da Terra seria de 450ºC, na tua opinião?” - Mário ostentava um sorriso maroto.
“Aproximadamente”.
“Já viste o que isso implica? Não existiria água à superfície da Terra, teríamos apenas uma atmosfera de vapor!”
“Em Marte! Porque Marte também se tem vindo a afastar do Sol!”, respondi de pronto
“Água em Marte?”, admirou-se Luísa; olhou para mim e depois para o Mário, em busca duma confirmação.
“Sim, já ouvi falar nisso”, entusiasmou-se a Ana.
“Eh eh , eu esclareço: não existia água porque ela não estava no estado líquido. Existia vapor de água na atmosfera mas não existia água líquida à superfície! Estava toda no estado de vapor!”
“Ah, estou a perceber, queres dizer que a temperatura da Terra seria superior a 100ºC”, comentou a Luísa.
“Que ideia Luísa! Nada disso! A temperatura da Terra teria de ser superior a 374ºC! Não é Mário?” – uma oportunidade de envolver Mário na conversa, eu bem percebia que ele se queria manter à margem para não ser associado ao que eu fosse dizer. Ele não resistiria a mostrar o seu conhecimento. O Mário pensou uns segundos e concordou:
Ana e Luísa entreolharam-se. Dizia-lhes qualquer coisa o nome de panela de pressão, mas obviamente não era utensílio que usassem. Até que a Luísa disse:”eu lembro-me que a minha mãe usava uma, mas confesso que não sei porquê...”
“Ahh, então é por isso que era tão popular!”, exclamou Luísa, rindo-se. Mário continuou:
Muito bom este Mário, pensei com os meus botões. Sem preparação, soube explicar o assunto duma maneira que me pareceu clara. Ana e Luísa pareciam esclarecidas, olhavam agora para mim à espera da continuação.
“Admitindo então que a água surge nessa altura, obtemos um dado precioso: ficamos a saber que há 3,8 Ga a temperatura da Terra era de 374ºC. E, com isso, podemos saber algo muito importante!”
“Reparem, este valor foi agora obtido por uma via completamente diferente; no entanto, este cálculo baseado nas condições terrestres em duas épocas muito diferentes veio confirmar o valor obtido comparando Vénus e Terra na actualidade. Isto vem-nos dar confiança para este valor. E isso é muito importante sabem porquê?”
“Explica lá”, antecipou-se Mário
“Porque agora podemos fazer uma estimativa da variação da temperatura da Terra ao longo do tempo, dado que sabemos a irradiação e a sensibilidade térmica. E o que se obtém é isto!”- da pasta tirei a terceira folha e coloquei-a em cima da mesa, exibindo, triunfante, o gráfico da temperatura.
“Isto é muito bonito”, retorquiu o Mário após uns segundos a examinar o gráfico, “mas onde estão os factos que comprovam isto? Meu caro Jorge, se isto fosse verdade, não faltariam evidências!!”
“Eh lá, espera aí “, ri-me, “é ainda cedo para falarmos da origem da Vida. Vamos primeiro ver que confiança nos pode merecer este gráfico da temperatura terrestre.”
quinta-feira, outubro 04, 2007
O Primeiro Amor

segunda-feira, outubro 01, 2007
Homo Sapiens Societaris

Tulito, já percebi porque é que os humanos ainda têm um conceito do Universo tão atrasado.
Porque são muito estúpidos?
Lá estás tu! Estupidez não pode ser a resposta: a tecnologia deles impressiona!
Está bem, está bem, não resisti a ser engraçado, já sabes como sou, Alita. Conta lá.
O cérebro deles tem uma curiosa propriedade: os seus circuitos neuronais são moldados pelas coisas em que acreditam.
Como é isso?
Quando o cérebro deles aceita uma coisa como verdadeira, todas as hipóteses geradas pelo seu inconsciente passam a ter que satisfazer essa “verdade”. Ora em vez do cérebro continuar a gerar múltiplas hipóteses e depois analisar e rejeitar as que contrariam essas “verdades”, ele cria ligações neuronais que só permitem a geração de hipóteses compatíveis com essas “verdades”. Digamos que a rejeição de hipóteses “falsas” é feita logo ao nível do “hardware” e não por “software”.
Foto: S. Roque e o seu cão, Praga (da Wiki)
sábado, setembro 15, 2007
Dois Universos

“Jorge, não estamos aqui para isso, estamos aqui para tu nos falares da história da Vida na Terra, tu prometeste!”
Pousa o copo de vinho branco e percebo que se esforça por manter um ar sério. Luísa secunda-a:
“Isso Jorge, agora queremos ouvir-te!” E bebeu mais um gole do seu copo como se assim selasse a mudança de assunto.
Olho lentamente para os três, leio a expectativa nos olhos da Ana e da Luísa, Mário nada diz. Começo então, com um arzinho de mistério que me parece adequado à criação de um ambiente favorável:
“Quando a Terra se formou, as coisas eram muuuuito diferentes...”
“Claro, que novidade! A Terra estava muito quente inicialmente, o processo de colisões que formou o planeta gerou muita energia térmica. A Terra levou uns milhões de anos a arrefecer”. O Mário não se conteve, pelo vistos o meu ar de mistério não lhe agradou.
“Achas que sim?”, pergunto.
“Se acho? Tenho a certeza! Uns largos milhões de anos.” Respondia sériamente, ignorando ostensivamente o meu ar entre o brincalhão e o misterioso. Replico, manhoso:
“E arrefeceu muito?”
“Muito mesmo! Arrefeceu até ficar congelada. Totalmente congelada!”
“Totalmente congelada? Como é isso?” admira-se Luísa, meio a sério, meio a rir-se.
“É que a actividade das estrelas aumenta ao longo do tempo. Nos primórdios da Terra, o Sol radiava menos energia do que hoje. É por isso que a Terra esteve congelada até há umas centenas de milhões de anos atrás.”
É chegada a altura de contestar; sinto a minha expressão deslizar para a dúvida enquanto digo:
“A sério? Mas olha que os estudos que tenho visto de registos geológicos e biológicos concluem que a Terra sempre foi mais quente e que os gelos são um fenómeno recente.”
“Essas evidências são dificeis de interpretar”, o Mário recorre ao ar de autoridade, “mas a teoria estelar é sólida, o que não deixa dúvidas nenhumas: a Terra foi uma bola de gelo durante milhares de milhões de anos!”
“Ou seja”, altura de atirar uma farpa, “das evidências conclui-se uma coisa, da teoria outra, logo as evidências estão erradas, uma vez que a teoria não pode estar... esse tipo de argumentação remonta à época do Galileu, não te parece?”
A Ana solta uma sonora gargalhada. A Luísa interroga “Galileu porquê? Não estou a perceber?”, a Ana explica:
“Não te lembras de os cientistas do tempo de Galileu se recusarem a espreitar pela luneta porque se a teoria dizia que os corpos celestes eram perfeitos seria inútil observá-los? O Mário está a fazer o mesmo: se a teoria diz que a Terra esteve sempre congelada no passado, é inútil observar os vestígios geológicos e biológicos do passado.”
Mário responde muito calmamente: “não sou eu quem o diz, a teoria não é minha, é a teoria da Snow Ball Earth e é sustentada pelos melhores cientistas da actualidade. Mas já percebi que tens outra teoria Jorge. Conta lá então.”
O Mário exibe um sorriso, está satisfeito com a forma como se retirou desta discussão, sinal de que não será fã da teoria. Altura de eu recomeçar:
“Quando a Terra se formou as coisas eram muito diferentes... porque a Terra estava muito mais perto do Sol do que está hoje!”
“Ah ah ah”, o Mário solta uma sonora gargalhada, “Essa é muito boa. Nunca tinha ouvido disparate semelhante!!!”
A Ana agita-se e salta em minha defesa:
“Eu estou a perceber!”, diz, com um brilho nos olhos, “A expansão do espaço tem vindo a afastar a Terra do Sol! Claro que, se o espaço expande, necessariamente a Terra estava mais próxima do Sol antigamente! Óbvio!”
Oiço-me a pensar: grande Ana, nada como as pessoas que não sabem matemática para destapar as aberrações lógicas das teorias matemáticas.
“Que disparate!”, o Mário assume o ar doutoral, “a expansão do espaço não actua no Sistema Solar. Os seus efeitos são apenas a nível extragaláctico!”
“Como é isso? O espaço fora das galáxias expande e dentro não?”
“Exacto!”
“E como é que o espaço sabe se está fora ou dentro da galáxia?”, diz a Luísa com um sorriso mordaz, ela adora picar o Mário nas suas certezas. Uma manifestação da forte atracção sexual entre os dois, por certo...
“Não fui eu quem fez o Universo eheheh”, o Mário ri-se, agora menos doutoral, “a sério, o fenómeno da expansão do espaço só se verifica em grande escala, é por isso que não existe ao nível da galáxia.”
“Não estou a perceber...”, a Ana não desistia facilmente das suas ideias, “...como é que o espaço pode expandir numa escala grande e não expandir numa escala pequena? Se eu fizer uma parede de tijolos, pode a parede aumentar se os tijolos não aumentarem?”
O Mário agita-se na cadeira. Hesita na explicação que os cientistas costumam usar nestas ocasiões, ou porque calcula que eu a contestaria ou porque sabe que não é correcta. Aproveito o momento:
“Eu explico, eu explico. A teoria da expansão do espaço, na verdade, tornou-se na teoria da expansão do Céu! Basicamente, o que a teoria diz actualmente é que na nossa vizinhança, o universo é feito das coisas que conhecemos, matéria e espaço, obedecendo às boas leis da Física clássica e da Relatividade, sendo a matéria e o espaço eternos e invariantes ; lá longe, fora da galáxia, o Universo é feito de coisas completamente desconhecidas, a que se chama matéria negra e energia negra, e o espaço expande!
“Bolas, parece que estás a descrever o modelo de Aristóteles”, exclama a Luisa.
Grande Luísa, murmuro para dentro, “Mas é que é o mesmo modelo! Conceptualmente, é o mesmo modelo, apenas a escala é diferente, o “Céu” agora é mais longínquo. A matéria negra é a nova versão da matéria etérea de Aristóteles e a energia negra corresponde à esfera que suportava os astros."
“É só disparates o que vocês dizem”, o Mário agora com um ar aborrecido, “a teoria da expansão do espaço é uma complexa teoria matemática, não pode ser interpretada nem explicada com raciocínios simples. Se querem entender, têm de estudar toda a matemática que a suporta. Se não sabem, não podem entender, tão simples como isso.”
A Ana, que detesta que lhe respondam como se fosse uma criança pequena, decide encarrilar a conversa:
“Vamos mas é ouvir o que o Jorge tem para dizer. Afinal, foi para isso que nos reunimos.”
Percebo que tenha de fazer um ponto prévio ou estarei sempre a ser interrompido pelo Mário.
“Mário, o Universo que tens na cabeça é constituído em mais de 96% por matéria negra e energia negra, que são coisas indescritíveis em termos físicos, e cheio de propriedades que apenas o poder da matemática permite ir descrevendo, sendo completamente inacessível à compreensão do comum dos mortais. Um Universo que devia caminhar para o caos mas faz o contrário em consequência de constantes de valor crítico, de coincidências e de acontecimentos de baixíssima probabilidade. Ou seja, um Universo de transcendências e milagres."
“Ou seja, queres que eu me comporte como se estivesse a assistir a um filme de ficção!”
“Exactamente, é mesmo isso. Até porque, por agora, eu não vou entrar em explicações, vou apenas descrever como se estivesse a ver”
“Podemos, finalmente, ouvir a tua história da vida na Terra, Jorge?”
“É para já, Ana! Como eu disse, a Terra estava mais perto do Sol no princípio; estava aproximadamente onde está hoje Vénus, a energia que recebia do Sol era quase o dobro da que recebe hoje. Podem imaginar como seria o clima terrestre na altura?”
terça-feira, setembro 11, 2007
O Puzzle encaixou!

Será mesmo? Ou será que a angústia de me sentir mensageiro da desgraça me criou uma solução fictícia para meu alívio? Não, não me parece uma solução fictícia. Só pode ser isto.
Sinto uma paz tão grande que até temo perder o ímpeto para continuar. É a busca que me move mas agora a busca cessou e eu perco-me na contemplação da extasiante descoberta. Sinto-me leve e também extremamente cansado. Esvaziado. Um renascer, preciso de renascer. Reordenar de novo todos os elementos. Repensar o que devo fazer. Repensar? Talvez não, talvez o melhor seja esperar serenamente. Deixar que a Inspiração faça o seu trabalho sem muitas interferências da Razão. Ela já provou saber mais do que a Razão.
segunda-feira, setembro 03, 2007
O que se segue
Nesta fase 2, Jorge irá descrever a fascinante aventura da Vida na Terra, que é bastante diferente do se pensa e que nos fará compreender o papel crucial que a Inteligência humana tem a desempenhar para que a Vida se possa perpetuar.
A seguir, Jorge descreverá outra fascinante história: a história passada e futura do Universo. Todos os grandes mistérios conhecidos, excepto a própria criação, serão esclarecidos. Além de fascinante, é também uma história cheia de surpresas, simplicidade, magia
Ambas serão apenas descrições – o relato do que um observador veria. Não há porquês nem explicações – isso caberá à fase 3.
Em paralelo, surgirão acontecimentos algo tipo “Dan Brown” mas com uma diferença fundamental: estão para além da imaginação. E não está na nossa mão saber até que ponto o que se dirá é verdade ou não. Mas temos de o descobrir.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Sua Alteza Sereníssima o Sol

Vamos lá então ver se conseguimos imaginar um processo de o Sol esconder de nós o bater do seu coração. Dei-vos uma pista: água a ferver! Isto sugeriu-vos alguma coisa? Em que consiste este fenómeno?
É uma mudança de estado... líquido para vapor...
Certo... e...?
E a temperatura da água não varia...
Exacto! Apesar do constante fornecimento de energia, a temperatura não varia! E não varia porque toda essa energia é absorvida na mudança de estado. Ora bem, há um fenómeno no Sol semelhante à vaporização da água. Chama-se ionização. Sabem o que é?
É a perda de electrões dos átomos
Muito bem. Vejamos o que se passa com o átomo de hidrogénio, mais de 9o% dos átomos do Sol, e se compõe simplesmente de um electrão a orbitar um protão.
Na zona mais externa do Sol, esta estrutura mantém-se estável, enquanto no interior profundo do Sol as condições energéticas são tais que arrancam o electrão: o hidrogénio desaparece, desfaz-se em protões e electrões.
São as camadas convectiva e radiativa do Sol
Vejo que estudaste o Sol. Explica lá isso aos outros, se fazes favor.
A zona convectiva é a externa e a radiativa fica entre esta e o núcleo do Sol. Na zona externa, o transporte de energia para o exterior é feito pelos átomos, que se movimentam e que transmitem a sua energia uns aos outros por contacto; na zona radiativa, a energia já não é transportada pela matéria mas pela radiação, sucessivamente absorvida e re-radiada pelos átomos.
E isso são dois estados da matéria? Como água e vapor?
Não... isso tudo está certo, mas permitam-me uma colherada. O que é realmente importante, na minha análise, é se os átomos de hidrogénio estão ou não ionizados. Na zona profunda estão ionizados, na zona superficial não estão. E estes é que são os dois estados da matéria, como vapor e água.
Ionizado corresponde a vapor?
Exactamente. A outro nível, mas é na mesma um processo de dissociação, não de átomos ou moléculas, mas das próprias partículas atómicas. A uma gás ionizado chama-se “plasma” e considera-se este o quarto estado da matéria: sólido, liquido, gasoso e plasma. Em qualquer dos casos, a mudança para o estado seguinte consome energia.

Humm, estou a ver... então a fronteira entre a zona ionizada e não ionizada é como a superfície da água a ferver?
Não será exactamente, mas tem as suas semelhanças. Seria complicado entrar agora em detalhes.
Mas no Sol o processo está ao contrário: o “lume” está do lado do “vapor”...
Pois é, mas isso não vai impedir pessoas com a nossa imaginação de perceber o que acontece quando esse “lume”, como muito bem disseste, varia, pois não?
Então... quando aumenta a energia... aumenta a ionização...
Lógico. E como é preciso muita energia para ionizar um átomo, esse é um processo muito eficiente de absorção das variações da energia solar: essas variações são convertidas em mudança de estado, entre plasma e gás. Estão a ver?
Sim
E reparem também no seguinte: se não fosse este processo de ionização, o escoamento dum excesso de energia produzida seria lento; então, como a energia produzida cresce com a energia acumulada, facilmente o Sol entraria num processo explosivo. É este processo de ionização que garante estabilidade ao Sol.
Estou a ver que o Sol é uma máquina muito bem construída...
Podes dizê-lo. Mas o Sol é uma máquina muito mais espantosa do que o que imaginas.
O Rei Sol!!
Rei? Ahahah estás enganado! O Sol não é um Rei, é uma Rainha!
Rainha? Como é isso?
Pois, altura de falarmos das manchas solares.
foto Sol: Nasa; desenho: www.infomet.com.br/imagens/s_plasma1.gif
quarta-feira, agosto 29, 2007
Inteligência Natural e Manipulação Genética
Não, nada óbvio –Nada sorridente o Mário
Ai não é? Então repara: nós vimos que é muito razoável pensar:
1- que as células evoluem, logo as nossas células são mais avançadas, em algum aspecto, do que as células de répteis ou de insectos;
2- que nas células se desenvolveu um processo de gerar evolução mais sofisticado que o que resulta do erro aleatório.
Ambas estas coisas decorrem coerentemente dos próprios princípios da teoria da Evolução, não estás de acordo?
Sim... creio que sim.. isso parece-me bastante óbvio.. E onde é que os criacionistas têm razão?
Isso até eu já percebi – atalhou Luísa - Os criacionistas pensam que a evolução resulta de uma acção inteligente tal como o Jorge, a diferença está só na natureza dessa Inteligência.
Olha que até nem está mal dito não senhor! Estás a perceber Mário? A evolução não resulta simplesmente dum processo de erro, ou duma casual troca de segmentos de ADN, é mais sofisticada do que isso; e perceber isso tem uma consequência MUUUIIITO importante. Sabes qual é?
Diz lá...
Se pensarmos que o processo evolutivo é um processo quase-estúpido, um processo de erro, então sentimo-nos autorizados a fazer manipulações genéticas – não estaremos a fazer nada que a natureza não faça. Mas se existe um processo inteligente, então, ao fazermos manipulações genéticas, estamos a ignorar riscos que são acautelados por essa inteligência! Se existe um procedimento inteligente, não podemos fazer manipulações genéticas a não ser em casos muito especiais. Estás a perceber?
Siiim.... estou a ver... se existe um processo inteligente, então não podemos manipular os genes levianamente, tanto faz que a Inteligência tenha origem divina como natural, pelo menos enquanto não entendermos essa inteligência...
Pronto, já descobriste algo em que ainda ninguém terá pensado eheh
E, para ti, é esse fenómeno natural, a Inteligência, que explica que o Universo evolua para a complexidade e não para o caos, para a entropia mínima e não para a entropia máxima, aparentemente violando a 2º Lei da Termodinâmica?
Exacto. Evolui o Universo físico, evolui a Vida e o motor é a “Inteligência”, um fenómeno natural que atinge a máxima complexidade na nossa cabeça.
O que dizes é muito interessante teoricamente, mas é contestável certamente, além de que ainda não vi como é que essa “inteligência” actua na natureza...
Claro! – Luísa até se levantou da cadeira - Por exemplo, o facto é que ainda não foi possível sintetizar em laboratório nada que se pareça com as primeiras moléculas capazes de suportar vida; é a própria ciência que afirma que a probabilidade de isso acontecer é ínfima, um milagre! – o ar de Luísa era triunfante.
Percebo que a Luísa crê que a Vida tem origem divina e que nós seremos os “filhos de Deus”, únicos, especiais... tenho de ganhar algum tempo para pensar como hei-de falar com a Luísa.
Ehehe, os dois ao mesmo tempo é muito para mim!!! Luísa, já te respondo, o Mário falou primeiro.
Está bem, eu espero mas não desisto!
Mário, os resultados da Inteligência estão bem à vista. Por exemplo, sabes bem que as modelações para obter um sistema planetário a partir de uma nuvem de matéria são um total fracasso, não sabes?
Ainda não foi possível obter, não quer dizer que não se obtenha...
... um milagre, que não se obtenha um milagre, quererás tu dizer, porque de certeza que um sistema solar como o nosso no quadro dessa teoria só por milagre.
O Universo é o resultado de incríveis coincidências.
Parece-te... mas eu posso mostrar-te que o Sistema Solar não é nenhum milagre. Todos os fenómenos do Universo são fenómenos prováveis. Todas as estrelas como o Sol têm provavelmente um Sistema Planetário como o nosso.
Então todas as estrelas como o Sol têm vida como a nossa? - Interveio Ana, espantada e interessada.
Calma, calma, agora é a vez de responder à Luísa ehehe.
Luísa, os antigos viam a mão divina nos mais corriqueiros acontecimentos - como chover ou não por exemplo. Mas vamos percebendo que o Divino, a existir, não actua constantemente sobre os fenómenos naturais. Tudo o que conhecemos no Universo é o resultado dos acontecimentos mais prováveis, não o contrário. A Vida não foge à regra: posso começar a mostrar-te que a Vida na Terra é um acontecimento provável.
Mário resolve intervir, impaciente:
Então e o Sistema Solar, não ias explicá-lo?
Acho que vou começar por contar brevemente a odisseia da Vida na Terra... Penso que isso vai mudar profundamente o entendimento do Universo...

