Exactamente.
A diferença entre um Universo Inteligente e Panteísmo...eu não sei... ou melhor, qual é a semelhança? Lembras-te de há tempos eu ter perguntado quantos sentidos temos?
Sim... foi uma conversa um pouco estranha...não cheguei a perceber onde querias chegar
A análise que estivemos a fazer acerca da Inteligência fez uso exclusivo da Razão aplicada às informações que obtemos pelos 5 sentidos, não é verdade?
Acho que sim. E então?
Então, achas que ideias como o Panteísmo resultam do uso da Razão?
Claro que não; resultam da falta dela! ehehehe
Nem dela nem da falta dela Mário. Resultam doutros sentidos que tu nem sabes que tens.
Ena, o que para aí vai!! Agora eu tenho coisas que não sei??
Tu e muitas pessoas. Porque estes sentidos de que falo não são omnipresentes, parecem funcionar só de vez em quando, as suas indicações podem parecer-nos fantasias nossas, resultado do que comemos ontem ao jantar... há sempre uma explicação racional para os negarmos. É preciso atenção e persistência para essa percepção se tornar um bocadinho mais forte.
Pois pois...
Eu sei do que estás a falar Jorge. – Ana falou com ar sereno e um pouco distante, como se quisesse apenas evitar que a reacção do Mário me impedisse de continuar. Pôs a mão sobre a minha e eu senti amizade.
O Panteísmo é um esforço de tradução racional de uma percepção que transcende os 5 sentidos. Há muitos tipos de panteísmo, tentativas diferentes de racionalizar essa percepção e de satisfazer, por essa via, alguma necessidade subtil. Não satisfaz necessidades instintivas, não implica imortalidade, não assegura justiça divina, não garante protecção. E essa percepção está na base doutras doutrinas, religiões, normalmente visando já objectivos claros em termos de gestão da sociedade humana.
Estás a falar de Fé, portanto.
Não exactamente. Não sei. O conceito de fé está muitas vezes ligado a um processo de aprendizagem – diz-se a uma criança que existe um deus assim e assado, ela acredita, e essa crença passa a dominar-lhe a mente para o resto da vida, a um nível inconsciente.
Pois, as coisas que se aprendem muito novo formatam o cérebro, ficam incorporadas na sua estrutura, como aprender a falar, por exemplo. Depois, elas ficam a fazer parte tão integrante de nós como qualquer outra parte do corpo, como uma mão ou um pé.
Exacto. Tenho sempre a sensação que as pessoas que veneram um “livro sagrado”, que o interpretam à letra, que “temem a Deus”, são pessoas sem qualquer espécie de percepção exterior aos 5 sentidos, a sua pretensa Fé resulta apenas duma aprendizagem. As certezas nesta matéria são sinal de ignorância, de falta de capacidade de percepção.
Ahaha, essa é boa, estás a dizer que os crentes são os que menos sabem em matéria de sobrenatural?
Não necessariamente. Mas os que tentam impor aos outros as suas certezas estão certamente errados. Ou têm objectivos que não têm nada a ver com o sobrenatural ou religião.
Ah sim, nisso estou de acordo contigo, sem dúvida.
Mas o que é importante por agora é perceber que “natural” e “divino” pertencem a planos distintos; e que, embora não sejam necessariamente independentes, a Natureza funciona sem qualquer necessidade de intervenções divinas. Tudo o que os nossos 5 sentidos detectam resulta de propriedades gerais do Universo, e tanto faz tratar-se da Chuva como da formação do Sistema Solar como da própria Vida.
Era bom que as pessoas pensassem assim, mas a realidade é que muitos precisam de ver nos fenómenos naturais a “mão de Deus”. Olha, por exemplo, os criacionistas...
.... É verdade, se bem me lembro, disseste no princípio da conversa que os criacionistas tinham razão num ponto. Essa é boa!! Isso é o contrário do que estás agora a dizer!!! Como é que os criacionistas podem ter razão???






