sábado, agosto 11, 2007
intervalito
quinta-feira, agosto 09, 2007
O Coração do Sol

E não é?
Para os antigos egípcios era um Deus ahahaah
Pois saibam que os egípcios estavam muito mais próximos da verdade do que vocês!
Como assim? O Sol é Deus?
Descobrirão que o Sol determinou tudo o que existe no Sistema Solar, desde o mais longínquo planeta até nós, e vai continuar a marcar o Futuro. Mas, por agora, digam-me: sabem porque é que o Sol não está condensado como os planetas?
É porque no interior do Sol há uma reacção nuclear que emite radiação e esta empurra a matéria para fora, impedindo-a de colapsar sobre o centro do Sol.
Exactísssimamente António! No Sol existe um equilíbrio entre a força da gravidade, que puxa os átomos de Hidrogénio e Hélio que compõem o Sol para o centro, e a pressão da radiação, que os empurra para fora.
Eu sou bom, eheheh
Sogadito António. Agora reparem no seguinte: quanto maior a pressão da matéria solar sobre o núcleo solar, maior a intensidade da fusão nuclear, ou seja, a energia radiada varia na razão directa da pressão no centro.
Sim! O Ciclo Presa-Predador! A pressão é como os coelhos e a radiação como as raposas: a relação é directa no sentido pressão-radiação e inversa no sentido radiação-pressão.
Tarzan, tu hoje estás inspiradíssimo. É isso mesmo!!
Mas se fosse assim o Sol teria de oscilar, tal como o ciclo presa-predador!
Exactissimamente Indy! E não oscila, pois não?
Nunca ouvi falar....
Pois não! Não se observa tal oscilação. Mas ela tem de existir porque um sistema destes nunca pode ter um equilíbrio estacionário. Chegamos pois a um mistério: o Sol tem de oscilar mas não se observa nenhuma oscilação!!!! Mistéeerioooo! Ideias??
Há o ciclo das manchas solares....
Bruno, Muito bem. E já vos disse que existiam semelhanças entre os dois ciclos. Que facilmente podemos aumentar, pois as equações usadas são apenas equações de princípio. Nessas equações, a interacção entre os coelhos e raposas, ou seja, o número de coelhos caçados, é representada pelo seu valor médio; ora na realidade, o número de coelhos caçados é mais bem representado por uma distribuição estatística, o mesmo acontecendo com os fenómenos solares. Basta fazermos esta correcção para obtermos curvas que já apresentam uma variabilidade do tipo das do ciclo solar.
Vejam na figura que como as duas curvas têm comportamentos semelhantes. Notem que a curva dos predadores é sempre diferente cada vez que se calcula, o que apresento é um exemplo, não está suposto as curvas serem iguais, apenas terem algumas características comuns.
E os reactores nucleares terrestres? Também dependem de fenómenos estatísticos?
Claro! E chamo-vos a atenção para o seguinte: esta oscilação do Sol não é estável! O seu comportamento é caótico e cedo ou tarde pode originar oscilações com amplitudes extremas.
O Sol sobre de taquicardia? Ahahah
Ri-te... enquanto podes... não é bem taquicardia.... há quem diga que é uma questão de personalidade....
Personalidade do Sol! Essa é boa!!!!
Os Mayas falavam disso!!! Ciclos solares de não sei quantos milhares de anos... já li sobre isso!
Os Mayas? A que propósito te lembraste desses agora?
Não vêm assim tão a despropósito, não senhor. A nossa memória é estranhamente curta. Quando a humanidade começou a contruir sociedades organizadas, a primeira preocupação de cada novo senhor foi a de destruir os vestigios da história anterior. Mas é aparente que os Mayas teriam um medo terrivel do Sol e isso levanta a possibilidade de ter acontecido alguma coisa num passado remoto de que eles conservaram a memória de geração em geração.
E deve ter sido algo bem terrível... para que pudessem considerar que os sacrifícios humanos que faziam eram um pequeno preço a pagar para manter o Sol apaziguado...
Bem, bem, estamos a desviar-nos. Se querem entender o Sol, esqueçam os Mayas e tratem é de desvendar este mistério: como é que o Sol esconde de nós o bater do seu coração? Vou dar-vos uma pista: água a ferver numa panela ao lume!
domingo, agosto 05, 2007
Presas e Predadores (1)

Nããããoooo!
Marca o vosso primeiro grande passo em direcção ao Futuro! Hoje, vocês vão começar a saber coisas sobre o Universo que mais ninguém sabe. Coisas essenciais, que determinam a evolução do Universo, que permitem entender o porquê e o para onde. O Passado e o Futuro! Hoje, vocês vão começar a ser donos do Passado e do Futuro numa escala que nunca vos passou pela cabeça que fosse possível.
Xiiii, isso até assusta!
É um comentário. Mais comentários?
Não acredito nisso. É um desafio irrecusável. Estou para ver. Quando é que começamos? Paga-se imposto? Ahahahah
Pela vossa reacção, vejo que, como de costume, estão cheios de curiosidade. Vamos lá então. Vamos falar de um fenómeno essencial à evolução do Universo. É um fenómeno Físico completamente desconhecido dos cientistas. Porém, há um fenómeno análogo bem conhecido em biologia e ecologia: o ciclo Presa-Predador.
Presa-predador? Já ouvi falar nisso! Não é aquela coisa das raposas e coelhos, quando há muitos coelhos o número de raposas cresce porque têm muito alimento.
Exactiiiissimamente! Muito bem Laura. E o que acontece quando o número de raposas cresce muito?
Hummm, os coelhos vão ser dizimados...
Certíiiiiissimo Nuno! O número de coelhos comidos pelas raposas ultrapassa os que nascem e o nº de coelhos começa a diminuir. E então o que irá acontecer?
Ora, se o nº de coelhos diminui, então as raposas deixam de ter alimento e começam também a diminuir de número..
Exaaaaaaaaaacto! Muito bem Pat!
Ehehe, de bichos percebo eu...
Portanto, temos aqui um processo onde o número de raposas varia no mesmo sentido do número de coelhos – quanto mais coelhos, mais raposas, quanto menos coelhos, menos raposas...
E o número de coelhos varia inversamente ao número de raposas – mais raposas implica menos coelhos e menos raposas implica mais coelhos!
Muito bem António!!! É isso exactamente. Podemos caracterizar este processo em termos gerais dizendo que temos uma realimentação positiva no sentido coelhos->raposas e negativa no sentido inverso.
Em 1925/1926 dois matemáticos, independentemente, Alfred Lotka e Vito Volterra, apresentaram umas equações para este processo, que são conhecidas pelas equação de Lotka-Volterra.
Na figura podem ver como varia tipicamente uma população de coelhos e raposas de acordo com estas equações.
Mas é assim uma variação tão certinha?
Claro quer não, Filipa. Estas equações são muito simples. Mas dão-nos uma primeira ideia das características essenciais deste processo que, como vos disse, é um processo essencial do Universo.
Não sabia que coelhos e raposas eras essenciais ao Universo...
Riem-se? Pois digo-vos que as curvas da figura não representam apenas coelhos e raposas. Representam também o pulsar do coração de todas as estrelas.
Coração das estrelas? Agora as estrelas têm coração????
Pois é. Grande surpresa, não é verdade? Reparem, para já, numa característica típica destas curvas: o tempo de subida da curva das raposas é menor que o de descida. Se forem ver as curvas dos ciclos de manchas solares encontrarão a mesma característica.
No nosso próximo encontro veremos como bate o coração do Sol.
quinta-feira, agosto 02, 2007
Luz Apagada

Que se passa? Até empalideceste!!
Isto é sério... muito mais sério do que eu pensava...
Estás a falar de quê?
A Nature publicou um artigo onde se compara a pluviosidade com as projecções dos modelos climáticos incipientes que eles fazem; como detectou uma diferença, concluiu que isso era prova de que a actividade humana está a afectar a pluviosidade no planeta!!!!
?????
Sério!
Parece que cada vez entendo menos a cabeça dos humanos. Há qualquer coisa neles que me está a escapar... Isso não é novo, presumem sempre que os modelos estão certos, a realidade é que está errada... matéria negra, energia negra, Universo inflacionário, clima alterado pela actividade humana...não entendo, não encontro lógica nenhuma que suporte isto...
Mas esta fase “climática” é o máximo... O clima está sempre em evolução, como tudo no Universo, o futuro é sempre diferente do passado, até os poetas deles sabem disso. Sabem perfeitamente que o clima muda sempre, têm dados que remontam até há 100 milhões de anos atrás...
... e os cientistas desta geração resolveram que o clima que fazia na sua juventude é que era o clima “normal”! Fizeram a média dos valores entre 1961 e 1990, e declaram todos os desvios a esses valores como sendo uma anomalia!!! Se o clima continuasse igual é que seria uma “anomalia”!
Pois, mas estás a ver o que podemos concluir do facto de uma revista científica de topo publicar uma coisa destas, não estás?
Estou-te a perceber... assim nunca conseguirão descobrir o que vai acontecer...
Pois não, eles nunca aceitam nada que contrarie as teorias existentes e escolhem sistematicamente uma explicação simplória para o desajuste entre teorias e observações. Assim, é completamente impossível construirem teorias correctas. Será por se especializarem em campos muito estreitos e perderem informação contextual?
É uma possibilidade... ainda não sabem inserir a especialização no contexto... por isso é que os astrofísicos sustentam que a Terra estaria completamente congelada no passado, por ser o que resulta do seu modelo de universo.. em vez de concluirem que o seu modelo está errado.
Ah ah, errado... isso é impossível para eles... Alita, os teus humanos são terrivelmente arrogantes, é o que é!
Ainda te hei-de fazer gostar deles, apesar de tudo. As coisas não se explicam com essa simplicidade. Começo a suspeitar que existirá um defeito no cérebro deles... tenho de fazer umas investigações...
Isto está feio, nós não podemos interferir, eles não são capazes de descobrir...
Não costumas dizer que há sempre uma solução?
Pois, mas isto desmoralizou-me... sinto-me verdadeiramente impotente e sem esperança... pela primeira vez.
segunda-feira, julho 30, 2007
Quem me dera já o Futuro
Necessidade de trabalhar??? Que queres dizer com isso?
Então, ter de me vender oito horas por dia para conseguir o dinheiro necessário à sobrevivência! Qual é o teu espanto?!?
Desejas então um futuro em que ninguém precisa de fazer nada para sobreviver, não há empregos, toda a gente recebe uma certa quantidade de dinheiro que pode gastar como quiser. E como é que pensas que as pessoas iriam ocupar o seu tempo, o que iram fazer com a sua vida?
Olha, eu sei o que faria com a minha: divertir-me com os amigos, passear, beber uns copos, ler uns livros, ver filmes. E não é preciso ir ao futuro para viver assim – isso já acontece no Kuwait! Uns felizardos esses tipos!
Pois, mas isso é apenas ser rico, não é uma sociedade que funciona sem trabalho humano. Nessa sociedade do futuro em que a produção está toda automatizada, tu provavelmente não irias querer móveis iguais aos de toda a gente; então irias encontrar uma forma de ter móveis diferentes, se calhar um senhor muito habilidoso iria pôr-se a fazer ele mesmo uns móveis especiais. Ou seja, paralelamente à produção automática iria surgir novamente a produção manual. E o mesmo se passaria com todas as outras coisas – com as roupas, com a comida, com as casas, com os carros, tc.
Ahah, queres tu dizer que mesmo que tudo pudesse ser produzido automaticamente, o trabalho continuaria na mesma?
Claro! Tu não dizes que quererias ler livros? Então é preciso alguém que os escreva, não te parece? Queres ver filmes? É preciso quem os faça.
Quer dizer, a produção automatizada não serve para nada?
Claro que serve! Serve para nós podermos escolher o trabalho que fazemos. Não serve para acabar com o trabalho porque trabalhar é simplesmente fazer coisas com um objectivo e nós precisamos de objectivos na nossa vida. Precisamos de nos sentir úteis, de ser apreciados, etc. O Saramago não escreve livros por precisar mas por querer, não é?
O Trabalho deixa de ser uma questão económica para passar a ser uma questão social, queres tu dizer?
Exacto. Isso já aconteceu várias vezes no passado. As grandes obras do passado foram, em parte, formas de inventar trabalho para as pessoas. Os egípcios tiveram essa preocupação, os gregos e os romanos também. Isso permite dedicarmo-nos a coisas muito mais interessantes e que nos levam a novos patamares da existência. Não concordas comigo?
Eu sei, foi só um desabafo de Verão. De certa forma, a maioria de nós já vive dessa forma, eu adoro o meu trabalho e não me imagino sem ele.
Claro. Na realidade, nós já vivemos nesse Futuro, os conflitos sociais na Europa já não são movidos pela necessidade de sobrevivência mas pela necessidade de realização pessoal.
Mário pousou o copo ao lado da espreguiçadeira, levantou-se e puxou Luísa pela mão.
Pára de me picar os miolos e anda dar um mergulho.
quinta-feira, julho 26, 2007
Mais sobre o Sistema (2)

Então vejamos o que pode acontecer no caso de metade da força de trabalho desertar!
As empresas teriam de se reestruturar para poderem funcionar com menos pessoas. Mas o PIB não iria necessariamente diminuir, nenhuma empresa deixa de produzir por falta de pessoal, o mercado é que a limita! Pelo contrário, isso obrigaria as empresas a tornarem-se mais eficientes, logo mais competitivas, logo, provavelmente, o PIB iria aumentar (vejam como variou a produtividade da nossa agricultura com a perda de 90% da sua força de trabalho)
Ora se o número de activos diminui, mesmo que consideremos o mesmo PIB, os ordenados dos activos vão aumentar. Considerando que as mulheres representam 50% do mercado de trabalho, o número de activos reduzir-se-ia para metade, logo os ordenados iriam dobrar. Portanto, o rendimento total do casal seria constante!!
Fantasia? Pois fiquem a saber que foi isto que eu vi na Alemanha e na Suíça. Tirando empregos pouco especializados, não vi mulheres a trabalhar. Só homens. Claro que há mulheres a trabalhar, mas serão uma minoria nos empregos especializados. Ao ponto de me terem tentado “consolar” por a minha mulher “ter” de trabalhar!!!! Porque não lhes passa pela cabeça que as mulheres deles trabalhem enquanto existem filhos menores a não ser por absoluta necessidade!
Dirão: ahh, os alemães podem porque ganham bem! Eu digo-vos: se as mulheres trabalhassem na Alemanha, os ordenados dos alemães cairiam para metade e as receitas do casal seriam as mesmas.
Bem, acho que já vos dei qualquer coisa em que pensarem... Notem que eu não estou numa atitude machista, isto não é situação que eu defenda.
Ahhh, por último, analisemos o esquema das reformas antecipadas. Basicamente, a reforma “na idade da reforma” corresponde à situação de um terço de inactivos, onde o rendimento do inactivo é igual ao do activo; a reforma antecipada corresponderá a uma maior taxa de inactivos.
Notem o seguinte:
Corolário 1: o que garante a nossa sobrevivência no presente e no futuro não é o património ou direitos “adquiridos”; é o Sistema. Aqueles só existem em função do Sistema. Por isso temos de cuidar atentamente do nosso Sistema.
Corolário 2: exactamente por ser o Sistema o garante da sobrevivência, a forma de combater um adversário é minar-lhe o Sistema; é esse o sentido das sanções económicas, que visam causar a perturbação social quanto basta para forçar mudanças de política.
Um caso extremo que evidencia a importância do Sistema na actualidade é a política seguida por Israel em relação aos palestinianos: todas as acções políticas e militares de Israel visam exclusivamente destruir toda e qualquer tentativa de colocar de pé um Sistema palestiniano. São inimigos mortais e o objectivo é o extermínio. Impedir que exista um Sistema palestiniano é a forma mais segura, no quadro actual, de atingir esse objectivo.
Ou seja, combater um adversário, fazer a guerra, é, hoje, destruir-lhe o Sistema. Sem Sistema, o adversário autodestroi-se em lutas internas pelas sobrevivência.
(notem que isto não é uma crítica política, estou apenas interessado na análise da sociedade humana, não faço julgamentos)
quarta-feira, julho 25, 2007
Mais sobre o Sistema (1)

Têm ouvido falar nas reformas, sustentabilidade da Segurança Social, esperança de vida, anos de desconto, etc.
Os termos em que toda essa conversa se desenrola corresponde a uma imagem simplória da realidade. Aqui vai uma contribuição para melhor a entendermos.
Como já referi (http://outramargem-alf.blogspot.com/2007/05/o-suor-do-rosto.html) a riqueza que se produz já não é o resultado directo do nosso trabalho; existe um Sistema, construído ao longo dos milénios, que tem um papel determinante na geração de riqueza. Como vimos, podemos até calcular facilmente a sua capacidade de multiplicar o nosso esforço.
Em consequência o pagamento do nosso trabalho é muito mais do que a contrapartida directa do “suor do rosto”. O que recebemos resulta de um processo de redistribuição da riqueza produzida. A entidade que gere esta redistribuição de riqueza é o Estado, que define as regras a que ela deve obedecer e também procede directamente a essa redistribuição. Por exemplo, fixa ordenados mínimos, paga reformas, subsídios, etc.
O processo de distribuição de riqueza actual assenta essencialmente no seguinte: os cidadãos activos recebem um pagamento e parte deste pagamento vai para o Estado que o redistribui.
Actualmente, 1/3 do salário bruto vai para a Segurança Social (SS) para ser redistribuído pelos inactivos. Vejamos como fica dividida a riqueza pelas pessoas em função da taxa de inactivos (nº de inactivos a dividir pela soma de activos + inactivos).
Na figura temos a curva dos rendimentos líquidos de cada pessoa, considerando que ao rendimento bruto dos activos é retirado 1/3 e ao dos inactivos nada (não estamos a considerar impostos). Portanto, isto significa que os activos ficam com 2/3 da riqueza total e os inactivos com 1/3. Claro que com um esquema assim simplificado, se houver poucos inactivos estes ganhariam mais que os activos; por outro lado, quanto maior for o numero de inactivos, mais ganham os activos.
Bom, mas isto é um primeiro resultado interessante: quanto maior o número de inactivos, maior o rendimento dos activos!
Porque é que isto acontece? Não está suposto que quanto mais os inactivos maior o encargo que pesa sobre os activos?
Não – o encargo é sempre o mesmo: 1/3 do rendimento bruto. O que diminui é o rendimento de cada inactivo!
Mas dirão: se há menos activos, há menos receitas para pagar os inactivos.
Não – o que importa é o PIB. As receitas da SS têm de ser uma percentagem constante do PIB. Se diminuir o número de activos, aumentam os ordenados destes, mantendo a verba da SS independente da taxa de inactivos (depende de outras coisas, mas isso é outra conversa)
Imaginemos a seguinte situação: em consequência dos actuais incentivos para a maternidade, as mulheres resolvem ir todas para casa serem mães! Pensarão: desgraça, como as famílias irão viver! Pois fiquem a saber que o rendimento da família acabará por ser igual. Deixo-vos a análise disto como exercício.
(conclui no próximo post)
segunda-feira, julho 23, 2007
Mistérios: o Teorema de Pitágoras

- Ai sim?! Então conta.
- A lei mais básica necessária à descrição do Universo está à vista há milénios, está implícita no Teorema de Pitágoras, só que ninguém teve a subtileza de a ver.
- Essa agora! – espantou-se Mário – o teorema de Pitágoras?! Não me digas que foste descobrir algo de novo no terorema de Pitágoras!
- Naturalmente!
- Essa é o máximo! – explodiu Mário – contestações à relatividade estou farto de ouvir, agora ao teorema de Pitágoras é que nunca me passou pela cabeça!!! Tu sabes que há centenas de demonstrações do teorema de Pitágoras? Por todo o mundo, desde há milénios, que o Teorema de Pitágoras vem sendo descoberto e redescoberto e tu achas que é possível alguém descobrir algo de novo nele???
- Disse que o Universo está escrito em símbolos matemáticos e que é preciso entender a matemática para o poder descrever – respondeu prontamente a Luísa, satisfeita por esta oportunidade de entrar na conversa entre os dois.
- Hããã... quase... mas não exactamente, Luísa. Galileu disse que o Universo está escrito em figuras geométricas e é preciso entender a geometria para entender o Universo. Essa lei oculta no Teorema de Pitágoras é a lei fundamental da geometria do Universo ! Quem não sabe essa lei, não sabe a línguagem em que o Universo está escrito, não pode ler correctamente o Universo.
- Estás então a dizer – interveio Luísa, cautelosa, segurando na mão a mão do Jorge – que os cientistas têm estado a traduzir o Universo usando o dicionário errado?
- Bem, é uma boa imagem. Ou melhor, podemos dizer que a chave que tem sido usada para descodificar o Universo está incompleta – Jorge soltou a mão que a Luísa segurava. Lembrara-se subitamente da Ana. Sentia a mão a escaldar.
- Magia Branca, meu caro Mário, Magia Branca, eu avisei-te! – Jorge sorria, tentando desanuviar a perturbação do Mário e disfarçar a sua própria, produzida por razões muito diferentes – O Universo é um lugar mágico! E é tão mágico como isto: eu estou a afirmar que a chave fundamental para a descodificação do Universo está implicita no Teorema de Pitágoras. Quem souber ler, entende. Mas tu não conseguirás ler. Sabes porquê? - Jorge não esperou pela resposta e continuou:
Mário puxou-a pelos dois braços e, com um beijo intenso e absorvente fez o riso que subia já a traqueia dela engasgar-se-lhe nos brônquios.
quarta-feira, julho 18, 2007
Mistério: a Lua Fugitiva

- Lua cheia...quase..
- Sinto-me apaixonada quando vejo a Lua assim... tenha ou não namorado!
- Compreendo-te.
- Sério? Essa tua cabecinha vê a mesma Lua que eu?
- Só há uma, não é?
- Não sei, só sei que a tua não há de ser igual à minha... vê-se no brilho do olhar.
- E na mão que a tua segura, que vês tu?
- A tua mão diz coisas diferentes dos teus olhos.. – Ana inclinou a face carinhosamente, encaixando-a no pescoço de Jorge.
- Sabias que a Lua está a afastar-se de nós?
- Sério? Hoje parece tão próxima...
Jorge afagou-lhe o cabelo. Por momentos, deixaram-se ficar unidos pelo enorme disco brilhante que parecia contemplá-los. Mas um brilho novo começava a inquietar os olhos do Jorge, o seu pensamento divertia-se já com outras coisas.
- Está tudo a afastar-se de nós, não é? O espaço expande, a Lua afasta-se..
Ana compreendeu que se queria prolongar o momento teria de entrar na conversa dele... os homens são tão pouco românticos... Lembrou-se de um documentário que vira recentemente na televisão sobre o assunto (desde que conhecera Jorge não perdia um documentário sobre ciência, uma tentativa de conseguir entrar no mundo dele):
- A Lua afasta-se por causa do efeito de Maré, não é?
- É o que se diz... mas não é verdade!
- Não é? Como é isso? – admirou-se Ana
- Há muito que se sabe que a Lua se afasta lentamente. Sabe-se porque se sabe que a amplitude das marés tem vindo a diminuir nos últimos milhões de anos. Concluiu-se que o afastamento da Lua teria de ser produzido pelo efeito de Maré porque não há mais nenhum outro fenómeno conhecido que o possa causar.
- Por exclusão de partes, estou a ver. Mas o afastamento da Lua não tem o valor calculado pelo efeito de Maré?
- Não há valor calculado. Ninguém foi capaz, até hoje, de chegar a uma conclusão. Há um raciocínio simples que estabelece uma correspondência entre um aumento da distância à Lua e o atraso na rotação da Terra. Mas nem todos concordam com esse raciocínio. Além de que a rotação da Terra não está a atrasar-se...
- Coincidência? - questionou.
Ana percebeu a ironia de Jorge e respondeu:
- É o mais importante! Por isso é que eu quero saber se a Lua vai ficar mais longe porque isso vai fazê-la menos romântica!
Ana segurou-lhe a cabeça e beijou-o na boca.
segunda-feira, julho 16, 2007
Mistérios: a Seta da Vida
(imagem da Wiki)- De que raio estás tu a falar?!? – exaltou-se o Mário.
Fazendo o meu melhor para aparentar profunda admiração pelo espanto do Mário, respondi calmamente:
- Isso é completamente diferente – interrompeu-me o Mário, o olhar tornado metálico pela irritação – a natureza é como é e não como nós queremos, não está limitada pelas nossas limitadas capacidades de compreensão.
Respirou fundo e continuou em tom suave – claro que compreendo que as pessoas sem suficiente formação científica não sejam capazes de entender essas avançadas teorias e hipóteses....
- A Ciência actual é um monumento à existência de um Deus. Transpira a existência de um Deus por todos os poros.
- Explica-te! – comandou.
- Dizia-me há dias um amigo que o Universo parece ser uma máquina construída com o único objectivo de produzir estruturas tão complexas quanto possível, pois começou com o átomo de hidrogénio e já fabrica as complexas proteínas da Vida.
- Isso já me está a cheirar a misticismo – interrompeu Mário – o Universo evolui no sentido da desorganização crescente. Todos os sistemas físicos evoluem no sentido da entropia crescente. Isso é uma lei básica.
- Entropia? – questionou Luísa – o que é isso?
- É uma medida da quantidade de informação que é necessária para descrever um sistema – Mário gostava sem dúvida de ensinar – Um exemplo clássico é o do supermercado. No começo do dia, todos os produtos estão dispostos nas prateleiras respectivas. Para se saber a localização de qualquer produto, basta uma lista não muito grande da localização de cada tipo. Ao longo do dia, os clientes pegam em produtos largam-nos onde calha. Ao fim do dia, se se quiser fazer uma lista da posição de todos os produtos, essa lista tem de incluir a posição de cada um dos produtos que ficaram fora de sítio. Ou seja, é preciso mais informação para descrever o posicionamento dos produtos. Estão de acordo não é verdade?
- Estou. Realmente é interessante.
- O problema!? – admirou-se Mário.
- Sim, porque para baixar a entropia foi preciso fazer intervir os empregados do supermercado, ou seja, uma inteligência, uma vontade exterior ao sistema! – não pude conter um sorriso de triunfo. Mário ficou algo perplexo e, sem lhe dar tempo a contestação, concluí – a ideia que o aumento de entropia, ou seja, o aumento de desordem, é uma característica essencial dos fenómenos físicos implica a ideia, eventualmente inconsciente, de que só a intervenção de uma inteligência exterior ao sistema pode alterar essa inexorável evolução para uma desordem crescente. Não será assim?
- Continua – Mário, cauteloso, optou por me fazer continuar, certamente à espera de um ponto fraco na minha argumentação que lhe permitisse uma contestação clara.
- Quando olhamos para o Universo, o que verificamos é que ele sempre se transformou no sentido da complexidade, no sentido contrário à seta de evolução subjacente às teorias físicas. Portanto, os físicos procuram explicar o Universo baseados num conceito fundamental que é obviamente o oposto do que se observa. Olha, nessa linha é completamente impossível explicar como é que surge a Vida por exemplo. Nesse quadro, a Vida é um milagre.
- Estás querer dizer – retorquiu Mário, pesando as palavras – que um modelo correcto do Universo conduz necessariamente à formação da Vida, não como um acontecimento fortuito mas como um acontecimento necessário, inexorável?
- Claro! E vês o espanto que tal afirmação te causa? Sinal que subjacente ao teu pensamento ateu não deixa de estar uma crença inconsciente num deus criador. Mas há mais: a teoria cosmológica aceite pela ciência, o Big Bang, está perfeitamente de acordo com a concepção judaica, continuada pelos cristãos e muçulmanos, da existência de um Deus que criou o Universo a partir do nada. Não podia estar mesmo mais de acordo: tudo surge de um ponto do nada! Aliás a ideia é proposta por um abade, o abade Lemaître...
- ..que foi um grande cientista!
- Sem dúvida. E religioso também. Chegou a presidente da Academia Pontifícia de Ciências, à qual estão ligados os nomes de nada menos 39 prémios Nobel.
- Espera aí – interrompeu-me Luísa, espantada – essa não é a academia do Vaticano, que tem origem na Academia do Lince, aquela do Galileu?
- Vai sempre tudo parar ao mesmo, não é...?
- Esperem aí, não passem já a outro assunto antes de resolvermos o problema da entropia – interrompeu Mário - A tendência para o aumento da entropia é um facto indesmentível e não há nada de errado no pensamento científico a esse respeito!
- Pois .... mas então como é que o Universo evolui no sentido da complexidade e não no sentido do caos?
- Estou ansioso por te ouvir – ironizou Mário

