sexta-feira, julho 13, 2007

O Preço da Aventura

Há sempre um preço a pagar em qualquer aventura, não é?

Não, não se trata de dinheiro, isto não é uma excursão turística. Esta é uma aventura verdadeira, onde iremos ser surpreendidos por adversidades variadas, que nos cobrarão um preço.

Vamos enfrentar os maiores poderes da Humanidade: o Religioso, o Científico, o Mediático e até o Político. A princípio não se incomodarão connosco, mas depois terão de tomar posição; uma parte estará connosco, outra contra nós.

Se disserem certas coisas que aqui descobriremos aos vossos conhecidos, verificarão que alguns vão achar que não estão bons da cabeça; poderão mesmo tornar-se agressivos se insistirem.

E não adianta quererem esclarece-los: eles farão como os cientistas colegas do Galileu, recusar-se-ão a espreitar pela luneta.

(o Futuro não é de acesso fácil, mas foi-nos dada a missão de lá irmos; alguma profunda razão terá quem essa missão nos designou; saberemos quando lá chegarmos...)

Caros companheiros, não escolhemos esta aventura, fomos escolhidos. Eu estou no papel de guia, por enquanto, porque talvez saiba ler os sinais desta fase, já conheço parte do alfabeto; mas sou tão escolhido como qualquer um de vocês, tanto os que comentam como os que apenas lêem.

E, como raramente os guias iniciais chegam ao fim da jornada, essa tarefa estará reservada para outro ou outros, quem sabe se alguns de vocês?

Não nos podemos recusar, não é verdade? Afinal, esta é uma aventura verdadeira, não é como ficar no sofá a ver um filme de aventuras, nem é como imaginar um enredo para uma novela; aqui somos as personagens reais, não de ficção. Não sabemos o que nos trará a próxima curva do caminho.

terça-feira, julho 10, 2007

Mistérios: a Rotação da Terra


Pronto, pronto, não vou discutir contigo os teus amigos humanos, ehehe! Acho que estás a ficar um bocado como eles, ahahahah. Mas olha, estou a ver aqui uma coisa que tem a ver com o que disseste.

O que é?

Eles já são capazes de medir a velocidade de rotação da Terra com precisão suficiente para detectarem a sua aceleração.

E?

Olha lá, a velocidade média de rotação da Terra aumentar é uma impossibilidade no quadro da Física deles! Para eles, a rotação da Terra tem de diminuir em consequência do efeito de Maré exercido pela Lua e pelo Sol. Eles até dizem que o afastamento da Lua é consequência do efeito de Maré!!!!!

Chiii, que confusão! Então, como é que explicam esse resultado?

Ahahaha. Aí é que está o interessante! Para eles, o dia tem de aumentar 2,7 milissegundos em cada 100 anos. Desde que fazem medidas com precisão elevada, no últimos 35 anos, a duração do dia tem exibido uma clara tendência decrescente; apesar disso, continuam a falar do atraso da rotação da Terra. Ninguém, fora do meio, tem a mais pequena ideia de que a velocidade de rotação da Terra está a aumentar. Não é curioso? Porque razão têm este cuidado em evitar que isto se torne público?

Mas como fazem isso?!?

Quando desenvolveram os relógios atómicos criaram, há meio século, o Tempo Atómico Internacional. Tiveram de definir o segundo atómico a partir da definição de “segundo” que tinham dos relógios anteriores, cuja precisão era inferior. Não sei se o “segundo” ficou curto demais, devido à imprecisão das medidas anteriores, ou se existiu mesmo um período em que a duração do dia aumentou, anterior à década de 70, mas o certo é que nessa altura o “segundo” atómico estava curto demais. Em consequência, para acertar o tempo terrestre com o tempo atómico, começaram a cortar 1 segundo uma ou duas vezes por ano ao tempo terrestre, a que eles chamam UTC, ou seja, Tempo Universal Coordenado.

Eheheh... essa mania das grandezas.. tempo Universal, nem mais nem menos...

Éh lá, é a primeira vez que criticas os teus humanos!

É para veres como eu sou objectiva, ao contrário do que dizes...

Ora bem, então aproveitaram esses cortes de 1 segundo para dizerem que isso era devido ao atraso da rotação da Terra! Simples, não é? A Terra a acelerar e eles a sugerirem o contrário, mistificando com o corte do segundo....

Se estivesse a diminuir, teriam de cortar 1 segundo num ano, 2 no outro, 3 no seguinte e por aí fora. Se era sempre 1 segundo, isso significa que a duração do dia é constante, o relógio é que está a medir mal.

Isso és tu a pensar... mas sabes melhor do que eu como funcionam os humanos...sabes que um raciocínio simplório vence sempre um subtil...

A primeira explicação deles é sempre simplória. Parece-me um problema metodológico.

A especialista em Humanologia és tu... mas, cá para mim, o que se passa é que eles seguem as ideias simplórias e rejeitam as subtis...

Mas houve lá, se a Terra continua a acelerar, qualquer dia não podem cortar segundos. Então como vão fazer?

Já não podem cortar. Começaram por espaçar os cortes e já deixaram de cortar. O que não quer dizer que não voltem a cortar porque a Terra acelerou muito e agora deve atrasar um pouco antes de voltar a acelerar. Mas se tiverem de começar a acrescentar segundos em vez de cortar, dirão simplesmente que isso se deve a flutuações na velocidade com que a Terra se atrasa, não irão dizer que é devido a uma aceleração da Terra enquanto o puderem negar.

E existem flutuações?

Sim, e há outros factores que causam a aceleração da Terra; o dia tem diminuído bastante mais que o meio milissegundo por século determinado pelo Desvanecimento. A taxa de diminuição em meio século de medidas é quase dez vezes isso, o que mostra que existem outras causas bem mais importantes.

O Galileu desenvolveu a medida do tempo e isso permitiu-lhe deitar para o lixo as teorias Aristotélicas... queres ver que vai ser de novo a capacidade de medir o tempo com maior precisão que vai revolucionar a Física actual deles?

Por isso é que esta aceleração da Terra é tão assustadora. Admiti-la é como espreitar pela luneta do Galileu...

quinta-feira, julho 05, 2007

Mistérios do Sol (1)


O Sol tem inúmeros mistérios para nós, mas há DOIS que determinaram o passado da Terra e vão determinar o Futuro duma forma nunca anunciada.

Um é o Mistério das Manchas Solares. Umas manchas escuras, do tamanho da Terra e maiores, que surgem em ciclos de cerca de 11 anos, começando pelos 40º de latitude e propagando-se para o equador solar, onde termina o ciclo. Fortes campos magnéticos surgem associados a cada mancha.

A explicação oficial recorre ao procedimento do costume: qualquer fenómeno importante tem consequências associadas; então, quando não se sabe explicar o fenómeno, inverte-se a relação causa-efeito e apresenta-se o efeito como causa. Neste caso, apresenta-se o campo magnético associado à mancha como causa desta, considerando que ele bloqueará o fluxo de energia do interior do Sol, causando a mancha.

Mas isto é batota claríssima! Um campo magnético é sempre consequência de um movimento de cargas eléctricas, é sempre um efeito, nunca uma causa primária.

(esta inversão da relação causa-efeito é uma técnica comum; por exemplo, também o CO2 é apontado como causa do “aquecimento global”, ignorando as evidências de que é ao contrário. Mas não é só em Ciência que se recorre a esta inversão, em política também e em todas as áreas da actividade humana)

A Mancha Solar é causada por uma obstrução de natureza desconhecida, essa obstrução origina fortes correntes eléctricas e estas o campo magnético.

Portanto, há algo, que é desconhecido, e que obstrui o fluxo de radiação do Sol! E isso é assunto muito, muito, sério! Sabem quais podem ser as consequências de uma obstrução suficientemente grande? Será que esta obstrução vai continuar a aumentar?

Que coisa desconhecida e misteriosa é essa que é capaz de obstruir o poderoso fluxo de radiação do Sol?


Para saber um pouco das misteriosas e fascinantes características das manchas solares, nada como ir à Wiki (http://en.wikipedia.org/wiki/Sunspot ) e depois continuar pelos links. A foto (da NASA) que encima este texto é tirada de lá. O meu site preferido para acompanhar a evolução das manchas é http://www.dxlc.com/solar/


E o outro Mistério? Bem, esse não vem na Wikipedia; é tão misterioso que não se fala nele... se nada se disser, ninguém percebe que ele existe e, assim, não é preciso explicá-lo... Num próximo post...

quarta-feira, julho 04, 2007

Sol e Clima


Amiguinhos, vamos então hoje dar mais um importante passo em frente na compreensão do “aquecimento global”!

Qual foi a importante conclusão a que já chegamos? Alfredo? ... Cristina?

- Creio que foi a de que Vénus e Terra terão um sistema climático semelhante, a diferença de temperatura sendo consequência da maior proximidade ao Sol de Vénus...

Eeeeexactissimamente. Muito caladinha a Cristina, mas quando fala é pela certa!
Portanto, sabemos que a energia radiada pelo Sol varia, sabemos que a temperatura da Terra varia, e temos a semelhança entre Vénus e Terra para fazer uma primeira estimativa da relação entre as duas coisas.

Ora entretenham-se lá a calcular essa relação. Dados do problema: Terra: temperatura média: 14ºC; irradiação: 1360W/m2. Vénus: temperatura média: 452ºC; distância ao Sol: 0,72 da distância Terra-Sol. Quem acabar as contas ponha o braço no ar.

........

Nuno, diz lá.

- Então, como a irradiação varia com o quadrado da distância, é fácil calcular a irradiação em Vénus; depois, dividindo a diferença de temperaturas pela diferença de irradiação obtém-se que a temperatura varia 0,35ºC por cada Watt de irradiação, ou seja, a relação é de 0,35 ºC/W

Certíssimo! Muito bem Nuno. E agora, para que é que isso nos serve?

- Bem, se soubermos como varia a actividade solar com o tempo, poderemos estimar como varia a temperatura da Terra ao longo do tempo...

Exactamente. E como podemos saber como varia a actividade solar?

-Então, não há medidas de satélite?

Haver há, mas são muito recentes. Na realidade, não temos medidas directas da actividade solar muito recuadas; mas temos vários indicadores dessa actividade, o mais importante dos quais, para a faixa de tempo que agora nos interessa, é o número de manchas solares.

- Manchas solares?! O Sol tem manchas? Será acne? Ahahahah

Brincas mas acertaste. Tem acne tem. Tem manchas e são tão grandes como a Terra. Manchas escuras. O Galileu foi dos primeiros que as estudou cuidadosamente. Diz-se até que isso terá contribuído para a sua cegueira. E acontece que existem registos do número dessas manchas com cerca de 3 séculos, o famoso “sunspot record”. E, especialmente interessante para o nosso problema, a variação do número de manchas é muito aproximadamente proporcional à variação da energia radiada pelo Sol!

- Então, podemos usar o sunspot record para sabermos como variou a irradiação nos últimos 3 séculos?

É isso mesmo que vamos fazer. O primeiro passo é estabelecer a relação entre a variação das manchas solares e a variação da irradiação. Para isso, eu usei os dados do último satélite, o Sorce, disponíveis em http://lasp.colorado.edu/sorce, e obtive que a relação entre a irradiação e o número R de manchas solares tem o valor de 0,013 W/R. Portanto, podemos transformar o número de manchas solares em W/m2 de irradiação e estes em temperatura!

O resultado é este belo gráfico. Para o obter, limitei-me a multiplicar o “sunspot record” pelas duas relações que achamos, convertendo o número de manchas solares em graus de temperatura, e apliquei o resultado a um circuito elementar de carga-descarga, simulando a capacidade térmica da Terra. O modelo mais simples possível, com a mesma resistência de carga e de descarga. Com um tão elementar modelo para um processo tão complexo não podemos esperar mais do que correspondência entre características média.

Que vos parece este gráfico?

sexta-feira, junho 29, 2007

Somos Anões?


As dimensões gigantescas dos dinossáurios causam-nos assombro. Já viram o esqueleto do pescoço dum dos dinossáurios maiores? Aquelas vértebras imensas? Como era possível manter uma estrutura como um pescoço daqueles???

E não eram só os dinossáurios. A natureza parece ter enlouquecido naquela altura. Gigantes em todas as classes de animais. A vegetação era gigantesca e densa!!!

Certamente um erro da natureza, por isso já quase todos os gigantes desapareceram.

Será?

Ou será que estamos a fazer um erro de perspectiva, será que agora é que a vida na Terra está reduzida a uma população de anões?

Claro que ser anão não é defeito, tem vantagens óbvias. Mas em vez de nos perguntarmos porque é que era tudo tão grande há 70 milhões de anos atrás, que tal perguntarmos porque é que é tudo tão pequeno agora?

Sabemos que o clima da altura era muito melhor do que o de hoje: uma temperatura média da ordem dos 25ºC com oscilações térmicas mínimas. Todo o planeta tinha condições óptimas de habitabilidade, do equador aos pólos.

Hoje, vivemos num planeta arrefecido, com grandes amplitudes térmicas, em que grande parte da área já não suporta vida ou a suporta em condições muito difíceis. Esta penúria climática será a razão?
Em parte. As plantas não podem existir em parte do planeta e noutra parte têm de se adaptar às "estações do ano", têm de viver em ciclos anuais, só podem reproduzir-se uma vez por ano, só podem germinar uma vez por ano.

No post “O Ciclo das Fezes” referi que a biomasssa estava limitada pela quantidade de Azoto combinado disponível na natureza, limite este que foi levantado quando a humanidade começou a produzir adubos industriais. Não há falta de Azoto na Natureza, mas como ele é muto difícil de combinar com outros elementos, a Vida tem dificuldade em o utilizar, precisa dele incorporado em compostos orgânicos. Isso é uma limitação mas também tem uma vantagem: o Azoto não desaparece! Não se combina com outros elementos nas condições existentes na natureza, portanto permanece.

Ora o mesmo não se pode dizer do Carbono. Naturalmente que a biomassa também está limitada pela quantidade de Carbono. Este combina-se facilmente, nomeadamente com o Oxigénio, e a Vida não tem dificuldade em o incorporar. Mas exactamente porque é tão fácil de combinar, o Carbono tem um problema: desaparece. Forma outros compostos, nomeadamente carbonato de cálcio.

Nos tempos primordiais da Terra, o Dióxido de Carbono já foi muito abundante. Mas foi transformado em biomassa, em carbonatos, dissolveu-se nas águas, desapareceu! Hoje é um gás residual na atmosfera. Ínfimo mesmo: 0,03%!!! O Árgon é 0,9% e é considerado um gás raro. O Dióxido de Carbono é 30 vezes mais raro que o Árgon!

Mas se não há Dióxido de Carbono, as plantas, que se formam a partir dele, não podem crescer! A sua velocidade de crescimento tem de ser muito lenta. E, se o crescimento é lento, não podem atingir grandes dimensões porque não têm tempo de vida suficiente. E toda a cadeia alimentar vai ficar condicionada por isto.

Então, o esgotamento do Dióxido de Carbono está a esgotar a Vida na Terra. A Vida ir-se-á tornando mais pequena e mais rala.

Afinal, os Dinossáurios não eram gigantes. Nós é que somos anões!

(também, não admira: vivemos num planeta tão frio e tão esvaziado de Dióxido de Carbono...)

quarta-feira, junho 27, 2007

Ondas de Calor


Vamos então recapitular os aspectos essenciais do sistema de nuvens, a ver se vocês perceberam bem o assunto. A energia radiada pelo sol não é uma constante, e isso contribui para que a temperatura média anual da Terra não seja constante. Há, assim, períodos que podemos designar de aquecimento global e outros de arrefecimento global. Quais são as características de um período de aquecimento global? Quem se atreve a responder? Olha a Patrícia! Então diz lá.

- Se há um aumento de temperatura, existirão mais nuvens... e mais humidade no ar, não é?

Certo. Continua.

-Então, as amplitudes térmicas serão menores... os invernos menos frios, os verões mais suaves...

Exactiiiissimamente certo. Muito bem Patrícia. Reparem: o aquecimento global caracteriza-se por Verões mais frescos! Caracteriza-se sobretudo pela subida das temperaturas mínimas, não pela subida das máximas, que descem. E o arrefecimento global?

- Agora é fácil: Verões com máximas mais altas e Invernos muito mais frios. As amplitudes térmicas aumentam porque há menos vapor de água.

Muito bem Afonso. Não levas um exactiiissimo porque agora era muito fácil. Notem o seguinte: as variações de temperatura média anual no intervalo da vida humana são mínimas, não chegam a um grau centígrado. Não são nada que nós possamos notar. Nem é nada que se possa notar num registo de medidas de temperatura de um sítio qualquer, cuja variabilidade é muito maior que isso. Só se consegue notar na média de registos de temperatura colhidos por todo o planeta. E não é fácil, a margem de erro é muito grande.

- Então quando as pessoas dizem que o clima está mudado, é uma ilusão?

- Claro que é uma ilusão. À força de ouvirem isso nos media, as pessoas seleccionam da sua vaga memória do passado o que corresponde a essa ideia e esquecem o que a contraria.

- mas então uma coisa: como os noticiários andam sempre a falar em ondas de calor agora, isso significa que estamos num período de arrefecimento global?

- Boa pergunta Laura... já estranhava o teu silêncio eheheh. As ondas de calor têm de existir, não é? A temperatura não é uma constante, logo, há ondas. Podiam inventar ondas de chuva, para designar os dias de chuva, ou ondas de frio, para designar os dias de frio. Mas como estamos na “onda” do “aquecimento global”, o que tem impacto, o que impressiona as pessoas, é falar em “ondas de calor”. As pessoas ficam logo a pensar: “lá está, o aquecimento global, é bem verdade”. Mas não é, pois não?

- Não, é ao contrário, o arrefecimento global é que produzirá ondas de calor mais fortes. É no arrefecimento global que as ondas de calor serão mais intensas.

- Pronto, vocês estão uns sabões! E aprendam aqui uma coisa muito importante: os raciocínios que “parecem lógicos”, como esse da associação de temperaturas altas a aquecimento global, estão sempre errados! Sempre! O que é que dizia Einstein?

- Deus é subtil!!!!

Isso, não se esqueçam. Agora prestem atenção que vou muito rapidamente mostrar como podemos estimar a variação da temperatura média anual da Terra

(continua)

segunda-feira, junho 25, 2007

A Metodologia Científica

- A metodologia científica actual, contrariamente à do passado e a outras, assenta no respeito integral pelos resultados experimentais e observacionais! É uma herança de Galileu, talvez o mais importante legado do grande cientista.

- Hummm, estás mesmo convencido disso Mário? Não te parece que é exactamente o contrário?

- O contrário? Que raio queres tu dizer Jorge?

- Onde é que Ptolomeu não respeitou exactamente o método científico, tal como ele é aplicado hoje? Não estabeleceu um modelo matemático que descrevia os resultados das observações?

- Bemm ... Mário hesitou... sim, mas inventou esferas e mais esferas que suportariam o movimento dos astros sem que existisse qualquer evidencia observacional dessas esferas! Ora isso é totalmente contrário ao método científico!

- Essa agora... – Jorge abriu a boca numa aparente manifestação de genuino espanto –Ptolomeu estabeleceu uma teoria matemática que correspondia às observações! Nisso, os gregos estavam até mais avançados do que hoje, não confundiam modelos matemáticos com modelos físicos.

- Os modelos matemáticos são para os engenheiros! A Ciência visa explicar o Universo, não lhe basta um modelo matemático qualquer que acerte com as observações.

- Pois, então vejamos – Jorge assumiu um ar quase agressivo – o modelo de Ptolomeu exigia umas 480 esferas a suportar o movimento dos astros, mas se era assim ou não, isso seria algo que teria de ser descoberto à posteriori, quando existissem recursos tecnológicos que o permitissem. Tal como acontece hoje! Por exemplo, para explicar as observações cosmológicos inventou-se a matéria negra e a energia negra. Não existe, até hoje, nenhuma evidência objectiva da sua existência. Onde é que está a diferença para o que fez o Ptolomeu? É que não estou mesmo a ver!?

- Então, na tua opinião, o Galileu não inovou na metodologia científica? E as engenhosíssimas experiências que ele fez para determinar EXPERIMENTALMENTE as leis dos movimentos dos corpos?

- Claro que o Galileu inovou! O Galileu defendeu uma hipótese absolutamente contrária às observações, a hipótese de que a Terra se movia. A hipótese de que nos estamos a deslocar a uma velocidade supersónica! Pode algo ser mais contrário às observações e à experiência do que isso? Pode algo ser mais contrário ao “método científico”? Há alguma experiência desse tempo que suporte tal afirmação? Galileu, como Copérnico e outros já o tinham feito antes, deu um contributo extraordinário, ele mostrou que o caminho do conhecimento exige Inteligência!

- Inteligência?!? Que raio queres dizer com isso? Que os cientistas são estúpidos?

- Que ideia! Os cientistas aplicam o método, não são estúpidos nem inteligentes. O Método Científico actual é que está nos antípodas do que Copérnico, Galileu, Newton, Einstein e outros usaram, é que não tem as características indispensáveis a um processo Inteligente.

- O quê, o Einstein também não usou o método científico? Estás a passar-te!

- Nunca ouviste a frase dele de que “Deus é subtil, mas não é malicioso”?

- E o que é que isso tem a ver?

- Estou a ver que tenho de te explicar o que é Inteligência...

sábado, junho 23, 2007

Os 5 Sentidos


Somos exploradores deste Universo. Nós, todas as formas de vida. É por isso que nós, os seres vivos, somos curiosos. Conhecer melhor o Universo é garantir melhor a sobrevivência da Vida. E a Evolução.

Os sentidos são um interface com o Universo. Como o monitor, o teclado e o rato são interfaces do computador à sua frente. Quantos interfaces tem o computador? Quantos sentidos temos nós?

Há uns sentidos que conhecemos bem. Vista, ouvido, tacto, paladar e olfacto. Não admira, eles são críticos para o nosso corpo sobreviver no Universo físico em que existe.

Mas teremos só estes sentidos? Ou será que temos claro consciência destes por serem tão importantes para a nossa sobrevivência individual?

O computador tem também um interface com uma rede, e é esse interface que permite que me esteja a ler; se não soubesse um mínimo sobre computadores nem saberia que existe esse interface porque o não vê. Mas tem de existir, não é, senão como poderia estar a ler este texto?

Muitos de nós estamos convencidos que só existem estes 5 sentidos. É o que nos ensinaram na escola. E como é através do cérebro que construímos as nossas percepções do Universo, basta acreditarmos que só temos estes 5 sentidos para não percepcionarmos outros que possam existir. Até porque estes são tudo o que precisamos para actuar no universo físico.

Não percebemos se existem outros, não precisamos deles para sobreviver... mesmo que existam, que interesse poderão ter? Que utilidade? E para quem: para nós? para a espécie? para a Vida?

(Procure no baú da memória: há lá alguma coisa que lhe pareça não ter entrado pelos 5 sentidos?)

quinta-feira, junho 21, 2007

Vénus


Para começar, vamos fazer uma experiencial conceptual, uma técnica a que o Einstein recorria muito. Imaginemos então que deslocamos a Terra um bocadinho em direcção ao Sol. Que vai acontecer ao clima? António?

- Hããã, então..., bem, a irradiação solar é maior, logo a temperatura superficial começa a aumentar, a evaporação aumenta, formam-se mais nuvens... e deve atingir-se um novo ponto de equilíbrio, pois as nuvens são mais eficientes a impedir a entrada de energia do que a saída, fecham a entrada de energia...

Eeeexactissimamente correcto. Muito bem António! Se formos aproximando cada vez mais a Terra do Sol, a temperatura da Terra vai subindo e a água dos oceanos vai passando para a atmosfera, formando nuvens. Até quando?

- Até a temperatura atingir os 100ºC, claro!

Asneira, asneira... Mais subtil, mais subtil... Laura?

- Bem, à medida que a água se evapora a pressão atmosférica aumenta... e se aumenta a pressão, então a temperatura a que ferve também aumenta...

Eeeexactissimamente correcto. Muito bem Laura! Se toda a água da Terra estivesse evaporada na atmosfera, a pressão atmosférica seria cerca de 270 atmosferas! À temperatura de 374ºC, uma pressão de 220 atm é suficiente para impedir a água de “ferver”; e acima dessa temperatura já não existe estado claramente líquido para a água mas um estado de densidade e compressibilidade variáveis com a pressão, não há fronteira líquido/gás. Portanto, a água nunca chega a ferver, a temperatura vai subindo, a pressão também, e isto pode ir até temperaturas muito altas.

- Mas tem de haver um ponto onde isso se desequilibre... as nuvens vão fechando, fechando, mas e quando fecharem tudo?

Eeeexactissimamente... bem observado Tarzan. O problema não está em baixo, está em cima! Desde que exista água suficiente é claro. O que vai limitar o processo é a capacidade das nuvens em bloquear a entrada da radiação solar. Portanto, haverá um ponto em que isso se esgota e a partir do qual se aproximarmos mais a Terra do Sol mais energia solar vai penetrar na atmosfera enquanto a que sai não pode crescer. Nessa altura, outros fenómenos surgirão para escoar o excesso de energia que penetra, do tipo explosivo, ejecção de gás, olhem, podemos dizer que as nuvens irão ferver, e essas erupções irão libertar o excesso de calor interior, estabelecendo o balanço entre o que entra e o que sai.

Agora vejam o seguinte: se nós conhecêssemos as condições da Terra a duas distâncias diferentes do Sol, poderíamos facilmente estabelecer a relação entre temperatura e irradiação solar, não é verdade? Pois é. Ora, não sabemos isso, mas quase... nunca ouviram dizer que Vénus é o planeta irmão da Terra?

- Ahhh, estou a ver, Vénus é como se fosse uma Terra mais perto do Sol!

Eeeexactissimamente... quase certo! A diferença é que a atmosfera de Vénus é mais pequena do que seria a da Terra, a pressão à superfície de Vénus é só de 92 atmosferas, e as nuvens são de dióxido de carbono em vez de vapor de água. Há diferenças.

- E a as nuvens estão a ferver em Vénus?

Não!!! E isso é que é o ponto importante. Bem observado Laura. Vénus tem clima estável, a cobertura de nuvens é serena desse ponto de vista. A temperatura de corpo negro de Vénus, ou seja, a temperatura que corresponde à energia perdida por Vénus no lado “noite”, é de cerca de -45ºC, é inferior à da Terra.

Inferior à da Terra? Então Vénus está mais perto do Sol e perde menos energia do que a Terra?

Claro! Então repara, a camada de nuvens de Vénus está muito mais fechada do que a da Terra; tanto a energia que entra como a que sai são menores do que na Terra! E não havendo sinais de fenómenos eruptivos, teremos de concluir que o sistema de nuvens de Vénus está a controlar a energia solar que entra, mantendo esta tão baixa como a que sai.

- Então podemos usar Vénus para estimar relação entre a irradiação solar e a temperatura da Terra?

Eeeexactissimamente! Estava a dever-te um Laura eheheh.... Ou, seja, pelo menos não é um disparate grosseiro. O que é um disparate grosseiro é concluir precipitadamente que a alta temperatura superficial de Vénus é devida a um fenómeno de catástrofe térmica provocado pelo dióxido de Carbono. É devida ao Sol e a um engenhoso sistema de cobertura feito pelas nuvens. Vamos agora ver como isso nos permite compreender as variações climáticas da Terra e até saber como vai variar o clima nos próximos anos...

Trimmm Trimmm

terça-feira, junho 19, 2007

No Tempo dos Dinossáurios


Sabias que no tempo dos dinossáurios não existia gelo nos pólos? Ahh, não sabias! Pois é verdade, por muito estranho que te pareça: NO TEMPO DOS DINOSSÁURIOS NÃO EXISTIA GELO NOS PÓLOS!

Onde é que existia gelo? Em lado nenhum! A temperatura média da Terra seria cerca de 25ºC, mais 10ºC do que hoje. Há quem diga que eram mais 15ºC. Como era mais quente, existia mais vapor de água na atmosfera e mais nuvens, logo uma grande estabilidade térmica em todo o planeta: as amplitudes térmicas eram muito pequenas, talvez tão pequenas como 5ºC, a temperatura no equador não seria muito superior à actual, a dos pólos é que era quase tão alta como a do equador.

Como se explica isso? Bem, a verdade não posso dizer-ta ainda, mas posso dizer-te como a Ciência o tentou explicar. Vais-te rir... Primeiro, tentou explicar com o Dióxido de Carbono. Sabes, os registos do passado da Terra são coincidentes em duas coisas: tanto a temperatura como o dióxido de carbono são tanto mais altos quanto mais no passado. Daí a infeliz ideia de que o dióxido de carbono seria responsável por um misterioso efeito de estufa que determinaria o aquecimento da Terra. Mas o aquecimento no tempo dos dinossáurios, ou seja, aí há uns 100 milhões de anos atrás, é grande demais. Então, os cientistas lembraram-se de outro gás: o metano! Mas onde estaria a fonte de metano? Brilhante ideia: os intestinos dos dinossáurios! Os peidos dos dinossáurios!!!!

Estás-te a rir? É verdade! Essa foi a primeira explicação. Depois surgiu a de que o metano existiria em bolsas submarinas, que o teriam libertado em grandes quantidades nessa altura. Fizeram-se pesquisas, encontrou-se alguma coisa, mas nada capaz de explicar esse aquecimento. Por isso, agora, é assunto de que se não fala. A Ciência só tem de falar dos seus sucessos, não tem de falar dos seus insucessos.

Mas... se não foi o Dióxido de Carbono nem o Metano, o que foi afinal que fez a Terra ficar tão quente?