segunda-feira, maio 14, 2007
noticia
(dados do Ministério do Trabalho, notícia do Destak de hoje)
Isto é dramático, não é? Só nos países muito, muito, terceiro mundo, não será?
De toda a gente deste país, só há um grupo de pessoas que de certeza não tem culpa nesta situação - estas pessoas de baixa formação que criaram empresas.
mas animem-se: o próximo post dirá coisas estimulantes, para tristezas já chega!
domingo, maio 13, 2007
Ecossistema Humano
Durante séculos, as pessoas fizeram o mesmo geração após geração - já o meu pai e o meu avô faziam assim. No séc XX isto passou a mudar de geração para geração mas a permanecer invariante em cada geração.
Numa sociedade que não evolui, em que a riqueza produzida é sensivelmente constante, o objectivo de "ter sucesso na vida", quase que só pode ser conseguido à custa dos outros. Ou seja, para eu ter mais dinheiro, alguém terá de ter menos; para eu ser considerado o melhor numa área, os outros terão de se considerados piores. A ascensão, material ou social, faz-se à custa dos outros.
Num quadro destes, a exigência de conceitos morais sólidos torna-se importante para evitar o descalabro. O pior é que depois os que ascendem são os que não se limitam por esses conceitos.
Disse-me uma vez, com dôr, um brilhante astrónomo do Porto: os conselhos da avózinha são o estigma do fracasso.
Assim, a pouco e pouco, uma sociedade que não evolui acaba refém dos espertos, dos que pregam para os outros uma moral que não seguem. As pessoas "ricas", "importantes", são normalmente muito "crentes", pois a Igreja é o veículo da moral que lhes convém que os outros sigam. A Igreja é muito mais do que isso, mas também é isso.
A alternativa, a porta de saída para esta situação infernal, é as pessoas procurarem contribuir para um aumento da riqueza colectiva - um aumento do bolo.
Por exemplo, se a banca investir em novas empresas, contribuir para o aumento da riqueza colectiva, os seus lucros serão algo a festejar, sinal de que estamos, no conjunto, mais ricos.
Mas não, a banca não faz isso, os seus lucros resultam de taxas sobre os utilizadores dos seus serviços e actividades especulativas. Não geram riqueza colectiva, apenas ficam com uma fatia maior do bolo. Se a banca fica mais rica, então nós ficamos mais pobres. (este ano ficamos perto de mil milhões de euros mais pobres... )
Esta mentalidade do salve-se quem puder impregna toda a sociedade. Por isso a relutância no investimento na pré-primária, porque convém a quem já tem uma fatia do bolo maior que o analfabetismo funcional se propague. Por isso a falta de orientação de um ensino para a autonomia. Por isso os privilégios de que beneficiam os colégios estrangeiros. As médias de entrada em Medicina não vos causam espanto? Claro, muitos tem aquelas médias por processos fraudulentos, ainda que "legais". Mas ninguém se incomoda com isso, quem sabe quer é aproveitar-se.
Quem pode mudar este estado de coisas que nos arrasta colectivamente para o fundo?
Para começar, os professores. Eu tenho uma grande fé nos professores. Os professores dos níveis de ensino até ao 12º ano têm nas suas mãos a sociedade do futuro. São os primeiros agentes do Futuro.
Antigamente, a Escola ensinava os conhecimentos do Passado, porque estes se mantinham válidos no Futuro; os empregos pediam pessoas com experiência, esta era uma vantagem. Mas hoje os conhecimentos do passado já não são os do Futuro, e a experiência serve para quê? Os empregos pedem pessoas sem experiência e com capacidade de aprendizagem.
A Escola de hoje não pode ficar no passado, os professores têm de ensinar o que ainda não sabem! Tem de ensinar os vectores do conhecimento, da cidadania e da autonomia. Parece transcendente mas não é: basta a Escola seguir aquilo que é a verdadeira herança da nossa civilização, o primado da razão, ou a herança helénica, Socrática, se assim o quiserem. Abrirem as cabeças ao livre pensamento. Imensos professores já fazem isso, mas haverá que transformar em vaga gigante o que são ainda ondas dispersas.
E quanto a valores? Só os valores fundados na razão funcionam! Os outros, heranças mais ou menos religiosas, as suas obscuras bases sossobram no primeiro embate com o Interesse. Aceitamos os valores que compreendemos.
Bom, mas isso é para a próxima geração. E nós, o que podemos fazer agora?
sábado, maio 12, 2007
Educar para a autonomia

Uma é desenvolver a capacidade de questionar, de procurar pontos de vista alternativos, de saber pensar à luz doutros interesses.
Por exemplo, que eu saiba, não se estuda religiões no nosso ensino. Ou estuda-se uma, sem sentido crítico. Não se estudam morais, estuda-se que uma é boa, a nossa, as outras estão erradas. Sendo a religião católica tão importante na nossa sociedade, analisa-se, por exemplo, os seus dogmas? Santíssima Trindade ... Pai, Filho e... Espírito Santo?!? Porquê? A mãe de Jesus era... Virgem? Que se aprende das outras religiões, que estão a ter uma importância fundamental na história actual?
Outra, é ensinar o que é a nossa sociedade. Antigamente, as sociedades humanas tinham uma estrutura relativamente simples, não era preciso ensiná-la, mas hoje é ao contrário: o Universo Humano, as regras, as forças, os agentes da sociedade que construímos atingiram uma elevada complexidade. Saber coexistir com isto tornou-se muito mais importante do que saber botânica ou mineralogia.
sexta-feira, maio 11, 2007
Desvio 2 - Ordenados Baixos

Conclusão: uma escola que não prepara para a vida empresarial não prepara os seus alunos para o futuro
quinta-feira, maio 10, 2007
Desvios 1 - Sobrevivência
Em relação ao fim dos impérios, continuo com a ideia de que é o facto de as condições de sobrevivência não estarem asseguradas para uma parte significativa da população que vai determinar o descalabro.
O conceito de condições de sobrevivência é relativo - em África o que é necessário para sobreviver é incomparavelmente menos do que numa cidade ocidental, sobretudo num clima extremo. Moçambique será dos países mais pobres do mundo, no entanto a taxa de população em risco de sobrevivência pode ser muito menor que noutros paises supostamente muito mais "ricos". E não é só uma questão de clima, por exemplo, no Brasil uma significativa parte da população, porque vendeu os terrenos para o cultivo da cana de açucar e outras razões, e porque, ao contrário do que ainda acontece em África, não pode alimentar-se da fruta das árvores, deixou de ter condições de sobrevivência, pois a sociedade brasileira ainda não tem emprego para cerca de 200 milhões de pessoas. A "civilização" já impede as pessoas de viverem da natureza mas ainda não fornece uma alternativa para todos.
Ainda pegando no conceito de sobrevivência, podemos entender melhor o 25 de Abril, como referiu um amigo que me contactou por email. A guerra em África tinha-se tornado algo eterno, sem fim à vista. Todo o jovem tinha presente que um dia iria andar na selva africana a disparar tiros sem saber porquê e arriscar-se a ficar estropiado ou morto. Todos os pais tinham presente que os seus filhos teriam de passar pela guerra em África. O 25 de Abril fez-se para acabar com a guerra, não se fez por causa da ditadura, até porque esta estava em clara reforma pelo Marcelo Caetano. A única coisa que os portugueses não queriam do sistema antigo era a guerra. A guerra estava a manchar a sobrevivência. O resto do sistema estava de acordo com as suas mentalidades.
Ora isto leva-me a um terceiro aspecto - os portugueses exibem uma clara tendência para serem súbditos, empregados, dependentes, em vez de cidadãos, empresários, responsáveis. É nisto que está a diferença entre uma ditadura e uma democracia. A democracia faz-se com cidadãos, não com súbditos.
Porque é que é assim? Eu não acredito em explicações genéticas, portanto será algo que tem a ver com o sistema, a educação. Quem dá explicações?
terça-feira, maio 08, 2007
porque caem os impérios
Eu estava convencido que razão principal da queda sistemática das grandes civilizações tinha a ver com o problema da sobrepopulação. Os grandes impérios formam-se na sequência de grandes desenvolvimentos na organização e na produção de alimentos, como foi o caso dos Fenícios, Egípcios, Romanos, etc.. As zonas vizinhas, sem esses avanços, suportam densidades populacionais mais baixas, e essas civilizações vão se expandido porque a aplicação do seu conhecimento nesses espaços cria zonas que suportam mais população; e têm de viver em continua expansão porque a população vai crescendo e atingindo a saturação no espaço existente.
Mas há sempre um limite para a expansão que a organização consegue suportar e quando já não há mais expansão possível, o Império deixa de ser capaz de assegurar a sobrevivência dos seus cidadãos e entra em colapso - primeiro instala-se a desordem, o salve-se quem puder, o sistema organizativo começa a degradar-se, a capacidade de prover a sobrevivência agrava-se e dá-se o colapso.
Depois do último post e graças aos comentários recebidos, a minha visão alargou-se. A razão do colapso continua a ser a mesma, i. e., a incapacidade da assegurar a sobrevivência, mas a sobrepopulação não é a única causa do colapso. E esta causa é que vai ser determinante no futuro próximo.
O que é preciso para a sobrevivência? Diz-se que a Guiné-Bissau é dos paises mais pobres do mundo. Quererá então isso dizer que que lá a sobrevivência é crítica?
Nada disso. Eu estive lá. No interior. Vi pessoas que nada tinham, praticamente nem roupa tinham e, no entanto, sentiam-se no paraiso. Nada lhes faltava. A comida estava nas árvores. E ainda tinham uns pequenos porcos pretos para quando queriam variar a ementa. Que se criavam à solta, por si sós, quase sem ser necessário cuidar deles. As suas tabancas eram tudo o que precisavam para dormir. E dei por mim a discutir complexos conceitos filosóficos com eles. Não admira: têm o tempo todo para pensar... e falavam uma data de linguas: o português, o crioulo, a lingua nativa deles, a da mulher deles, o francês do pais vizinho... no mínimo.
Portanto, aquela gente não é pobre, não tem carências, tem tudo o que precisa para a sua sobrevivência. Não têm a minha angústia com o dia seguinte ou com o fim do mês. (note-se, isto era no interior, em Bissau já não é bem assim)
Vejamos agora a situação na nossa sociedade ocidental. Para sobreviver uma pessoa precisa de dinheiro para comprar roupa, alimentação, casa (não pode fazer a sua com o que apanha na natureza...), luz, água, transportes, comunicações; precisa de dinheiro para ter filhos e para lhes dar a educação necessária à vida na nossa sociedade. Quanto dinheiro representa isso tudo? Será que a nossa sociedade está a assegurar esse montante à sua população? Será a sobrevivência mais fácil aqui ou na Guiné-Bissau? Quem é mais pobre: um português com ordenado mínimo ou um guineense do interior sem ordenado nenhum mas dispondo da natureza?
Quando um "império" está a começar, as pessoas são basicamente iguais em direitos e o que há é distribuido por todos; depois acontece um fenómeno: a taxa de enriquecimento de cada um torna-se proporcional à riqueza já adquirida. Então, os mais ricos vão ficando cada vez mais ricos e poderosos e os outros vão tendo uma fracção cada vez menor da riqueza produzida. Nos primeiros tempos esta situação é sustentável porque o aumento de riqueza produzido pela nova sociedade é tal que dá para ir enriquecendo todos, apenas mais uns do que outros; mas a partir de certa altura, quando metade da riqueza produzida passa a estar na posse de muito poucos, o crescimento da riqueza destes passa a fazer-se sobretudo à custa dos outros e não já da riqueza produzida pela sociedade. A consequência é que a maioria da população começa a empobrecer. Começa a ter dificuldade em reunir o dinheiro necessário à sua sobrevivênvia como seres humanos. Um primeiro sinal, na nossa sociedade capaz de controlar a natalidade, é o deixarem de ter filhos.
Será que o ordenado mínimo assegura a sobrevivência de uma familia que trabalha na zona de Lisboa? Eu gostava de saber como é que tantas familias conseguem sobreviver assim. Se calhar não conseguem - não têm filhos porque o dinheiro não dá, passam um frio de rachar no inverno porque não podem ter aquecimento, etc.
Claro que já foi pior para muitas pessoas. Houve um ciclo de melhoria, enquanto os mais ricos não enriqueceram à custa dos outros, não atingiram os 50% do PIB. Mas esso ciclo já acabou, agora o peso dos mais ricos determina necessariamente o empobrecimento sustentado de mais de 90% da população.
A Globalização não surge como uma necessidade de acabar com a fome e o atraso no mundo. É que nos paises onde os 10% mais ricos já ultrapassaram há muito os 50% do PIB, o enriquecimento destes já não pode ser feito à custa da sua própria população (nos EUA, esta já só representa menos de 30% do PIB). Então tem de ser feita sobre o resto do mundo. Claro que primeiro é preciso engordar o porco antes de o matar, por isso a globalização pode determinar uma primeira fase de "desenvolvimento" antes de entrar na fase do "esmagamento".
Eu tenho até agora falado de riqueza, mas esta e o poder são duas faces do mesmo. As democracias gregas sossobraram porque o poder foi-se concentrando e acabaram por degenerar em ditaduras. Por isso é que a solução para este ciclo infernal passa sempre por retirar poder a quem o tem a mais. Mas isso nem sempre é possivel, quando a população de um país deixa de ter peso económico, quando 90% representam menos de 20% do PIB, então ficam na condição de escravos. Estamos quase lá.
Um exemplo: os lucros dos bancos têm crescido brutalmente. À custa de quê? De gerarem mais riqueza para o país? Nada disso. Apenas os consumidores dos seus serviços estão a pagar mais e a serem mais aldrabados com propostas de investimento enganadoras. A EDP teve lucros fabulosos. E os consumidores ainda vão ter de pagar uma taxa adicional para compensar as baixas tarifas??? Vêem: a riqueza e poder dos mais ricos crescem aceleradamente. A "crise", isto é, o empobrecimento de 90% da população, e o aumento dos lucros dos mais ricos estão associados. E escusam de esperar que o partido A ou B resolva a situação, quem for para o Governo vai estar demasiadamente preocupado com a sobrevivência do Estado, sem perceber que a diminuição de receitas é inexorável, como referi no post anterior, e vai estar ocupado a inventar taxas novas... e só vai acelerar o empobrecimento da população.
Este problema terá de ser resolvido por nós ou pelos nosso filhos. Falta é descobrir como. Se não descobrirmos, cedo ou tarde teremos mais um colapso civilizacional.
Notem que eu não sou do Bloco de Esquerda, não tenho ideias comunistas nem estou integrado em nenhum movimento politico. Busco apenas entender. Como qualquer filósofo. No meu caso, formado no interior da Guiné-Bissau (não é nas universidades que aprende a procurar os Porquês).
Notem também que nada me move contra os "ricos". São pessoas como outras quaisquer, agindo em consequência das regras do Sistema e dos seus interesses. Como todas as pessoas. O Sistema é que tem falhas.
sábado, maio 05, 2007
Porque não há solução para a crise
1- Em todas as economias liberais, os 10% mais ricos concentram pelo menos 50% da riqueza produzida, do PIB - creio que a China não atingiu ainda este valor mas está muito perto e que nos EUA andará pelos 70%.
2- a riqueza dos 10% mais ricos cresce mais que o PIB (os PIB crescem 1 digito, a riqueza dos 10% mais cresce muitas vezes na casa dos 2 digitos; já viram como têm crescido os lucros da banca neste Portugal de pobrezinhos?)
Destes dois factos surje uma conclusão inevitável: 90% da população está cada vez mais pobre! Óbvio, não é verdade? Se um pais tiver 50% da riqueza na mão de 10%, se o seu PIB crescer 3% e a riqueza do 10% mais ricos crescer 8%, a riqueza do restante 90% das pessoas vai diminuir 2%.
Portanto, o actual sistema conduz inexoravelmente ao empobrecimento de 90% da população!
Isto é um facto. Como pertenceremos a estes 90% (os 10%mais não têm tempo para blogs) vamos ficar sempre mais pobres!
Claro que isto é em termos médios. Os governos têm de ir subindo ordenados mínimos (em Portugal parece que já nem isso...). Então, vão descer nalgum outro lado - nas reformas, nos gastos sociais, nomeadamente na saude, etc
Por outro lado, há uma razão para não notarmos esse empobrecimento: é que o preço de muitos produtos está sempre a descer.
O PIB resulta do produto do aumento de produção pelo valor do que se produz. Se a produção dobrar mas o preço do produto cair para metade, o PIB não aumenta. O que acontece é que o aumento de produção suplanta ligeiramente a queda de preços.
Essa queda de preços é fácil de constatar nos produtos electrónicos. Mas noutros produtos está a ficar complicado, porque as exigencias de qualidade são crescentes. Os carros "baratos" não embaratecem porque cada vez têm de cumprir mais especificações. A alimentação já bateu no fundo, já usou lixo reciclado como alimento para animais, mas hoje começa a não o poder fazer.
Ou seja, o preço dos bens e serviços essenciais começa a ter dificuldade em descer. E, não descendo, o embobrecimento da população começa a sentir-se fortemente.
Não quer dizer que estes preços já tenham atingido o mínimo - em breve será talvez possivel criar músculo em laboratório, acabando com a necessidade de criação de gado, por exemplo, o que poderá significar uma nova janela de preços descendentes na alimentação. Mas no entretanto...
Outro problema mais grave: como 90% da população está cada vez mais pobre, os rendimentos de 90% da população vão tendendo para o ordenado mínimo; ora estes não pagam IRS. Então, acontece que, com o actual sistema de impostos, as receitas do Estado e da segurança social vão diminuir! O Estado vai ficar cada vez mais pobre! Cerca de 50% dos portugueses já não pagam IRS porque não têm rendimentos suficientes. Este número tende a aumentar, a taxa média de IRS tende a descer.
Para fazer face a isto o Estado começa a cortar despesas, que é como quem diz, serviços. E começa a querer cobrar noutro tipo de impostos, o que conduz a um empobrecimento ainda maior dos 90% da população - é o que acontece com o aumento do IVA: se o IVA aumenta 3% isso significa que ficamos 3% mais pobres porque o nosso poder de compra diminui 3%. E introduz ecotaxas, taxas moderadoras, impostos para os reformados...
A situação é pois esta: no nosso sistema económico 90% da população, o Estado e a segurança social estão cada vez mais pobres. Isto é inerente ao sistema tal como está a funcionar. O Estado será cada vez mais fraco e incapaz de controlar o aumento de riqueza e de poder dos 10% mais ricos. O Estado vai tentar manter as suas receitas à custa dos 90% cada vez mais pobres e os 10% mais ricos vão culpar o Estado da situação para que ninguém os culpe a eles. Vamos tender todos para o ordenado mínimo, degradado por cada vez mais taxas e menos serviços tendencialmente gratuitos, e depois teremos de inventar uma revolução. Outra vez.
Nos paises mais fortes, tentarão ir buscar riqueza no estrangeiro, tentarão que o aumento de riqueza dos 10% mais ricos se faça à custa doutros povos. Que terão de se revoltar. Outra vez.
No entretanto, aproveitemos as viagens de avião cada vez mais baratas...
quarta-feira, abril 12, 2006
Outro exercício de imaginação: que aconteceria se alguém do ano 3000 viesse para aqui e tentasse transmitir seus conhecimentos ? Não, não seria queimado na fogueira ... (quer dizer, depende do ponto do Mundo em que estivesse...) ... mas seria ricularizado ....se ele dissesse coisas diferentes do que afirma a ciência oficial, quem acreditaria nele?
- dirá quem lê: que estúpidos exercícios de imaginação! Que interessa imaginar coisas impossíveis?
Surpresa: mas quantas vezes aconteceu isto já! Não foi esta, na essência, a situação que enfrentaram Copérnico, Galileu ou Newton (para citar só casos bem conhecidos) ? O ser humano reaje violentamente contra todos os que ponham em causa o seu paradigma da realidade.
- O ser humano não, foi a Igreja, pá! - dirá quem lê.
Tonto. Foi, e é, o ser humano, que usa as organizações que pode usar na perseguição dos revolucionários do conhecimento, dos que questionam as "verdades" aceites. Copérnico foi quase toda a vida protegido pela Igreja. De quem ele tinha medo era dos Matemáticos, como ele próprio afirmou. E Galileu? Conhece o nome de algum cientista da época que tenha defendido Galileu? Claro que não. Os cientistas da época estavam muito ocupados a pressionar a Igreja para que o calasse.
- Mas não foi o Papa que condenou Galileu, já velho e quase cego, a prisão domiciliária?
Acha? Ou foi antes o Papa que garantiu a Galileu, já velho e quase cego, casa, comida e a assistência de uma filha, dando-lhe as condições de que necessitava para escrever a sua obra máxima, que iria transportar a luz do seu conhecimento até Newton?
... Newton que disse que se soubesse os trabalhos em que se ía meter quando tentou divulgar os seus conhecimentos nunca o teria feito.
Cada uma das grandes e pequenas figuras do nosso conhecimento teve de inventar as suas estratégias para conseguir legar as suas descobertas à geração seguinte (não à sua própria geração, ninguém o conseguiu; Planck, numa frase famosa, afirmou que isso era impossível)
- Ah Ah Ah ri-se quem lê: - Ai não? Então o Einstein? A sua Teoria da Relatividade não foi amplamente reconhecida no seu tempo?
Surpresa caro leitor. Em nenhuma escola deste vasto mundo é ensinada a versão do Einstein. O que é ensinado é a versão que dela fez um matemático chamado Minkowsky.
O que fez Minkowsky? Algo muito importante. Inaugurou uma nova era na metodologia científica. Estabeleceu uma teoria matemática em cima de um raciocínio simplório, obtendo as equações certas, as obtidas por Einstein. Desde então, toda a Física passou a ser feita desta maneira: teorias matemáticas apoiadas em hipótese e raciocínios simplórios!!
A Teoria da Relatividade foi obliterada pela versão Minkowskiana. O erro crasso é que o facto de se obter as equações certas não prova que as hipóteses de partida estejam certas.
Einstein tentou mostrar como este caminho é errado. Disse a famosa frase: "Deus é subtil mas não malicioso". Subtil, não simplório. Mas como é que uma frase subtil como esta podia ser entendida pela mentalidade simplória que avassalava a Física? Não podia, não foi e não é.
A metodologia "matemática-simplória" (batizei-a de matlória) tem vantagens para lidar com dados observacionais. Permite enquadrar os resultados em equações. Mas não é geradora de conhecimento, pois a quantidade de informação contida num conjunto de resultados observacionais é a mesma que é contida nas equações matemáticas da teoria respectiva. Para cada novo resultado é necessário acrescentar um novo parâmetro às equações. É por isso que de cada nova observação em física atómica resulta a "descoberta" de uma nova partícula, ou de cada nova observação cosmológica resulta a "descoberta" de coisas como a "matéria negra" ou a "energia negra". Coisas cujas propriedades são impossíveis de definir, que são impossíveis de observar, que só existem lá muuuito longe (no céu?). Parece mais bruxaria do que Física, não parece?
O que é grave nisto? Sabe o que distingue o Futuro do Passado? Não, não é o relógio, nem o calendário. É o Conhecimento!! Os fenómenos físicos obedecem ao Relógio mas o nosso percurso é balizado pela evolução do nosso conhecimento. Um extraterrestre que aqui chegasse, vindo duma civilização mais avançada, seria o mesmo que alguém vindo do Futuro. Da mesma forma, viajarmos para o Futuro segundo o Relógio ou aumentarmos o Conhecimento equivalem-se.
(não com uma máquina do Tempo, mas com uma máquina de desbravar o Desconhecido).
O drama da matlória é que nos está a reter no passado - com ela o nosso conhecimento aumenta apenas ao ritmo das observações novas. E isso não chega. O relógio do Mestre Relojoeiro, que marca o Tempo do Universo, marcha inexoravelmente e nós estamos a ficar para trás.
A Física encontra-se hoje em vários becos por causa da matlória. O que começa a ter consequências importantes em áreas que afectam o nosso dia a dia. Por exemplo, sabia que o dióxido de carbono é mais raro na atmosfera terrestre que o Argon? Que a quantidade actual é apenas cerca 0,03% ? Que é um gás que a quimica do planeta retira em grandes quantidades da atmosfera? Mas sabe certamente que é um gás vital para a vida na Terra (sem ele não há plantas). A sua falta tem consequências catastróficas para o planeta!! No entanto, foi este gás ... frágil e precioso ... que os cientistas (não todos..) elegeram como inimigo, culpado do "aquecimento global"!!! Baseados em quê? Em matlória é claro!!
A Matlória é a ferramenta de quem busca o COMO. É uma ferramenta que permite resultados quase imediatos, por isso se tornou quase universalmente adoptada. Os que continuam a buscar o PORQUÊ são vistos como equívocos do passado. Buscar o PORQUÊ é um processo mais longo mas é o único que verdadeiramente desbrava os caminhos do desconhecido e nos faz avançar para o Futuro.
O meu desafio é este: recorde os tempos de criança em que o Porquê estava sempre na sua boca. Faça perguntas. Não se iniba nem se limite. Não digo aquelas perguntas cujas respostas estão nos manuais, ou na Wiikipedia. Mas aquelas perguntas cujas respostas não estão na Wikipedia ou cujas respostas lhe levantam desconfiança.
De certa forma, isto é o oposto da Wikipedia: não se pretende expor o conhecimento "conhecido" mas explorar o desconhecido. Estamos virados para o Futuro, não para o passado. Não nos interessam as memórias, interessa-nos o imenso desconhecido que desaprendemos a ver. Porque está escuro. Será que, juntando esforços, conseguimos iluminarum bocadinho do imenso desconhecido?
email: outramargemhot@hotmail.com
